O Estado de S. Paulo
Energia e poluição
em São Paulo
Abertas inscrições
para crédito educativo
Último
dia da exposição Picasso leva 15 mil visitantes ao Masp
Catálogo
do MEC ajuda a evitar cursos ilegais (14.11.99)
77% dos hipertensos
abandonam tratamento (13.11.99)
Folha de S. Paulo
O poder e a sombra
"Chuva" de meteoros
pode ser visível
Universidade
pública e transparência (15.11.99)
CUPIDO NA ACADEMIA (14.11.99)
Esperar demais
dificulta relação (14.11.99)
CUPIDO NA ACADEMIA (14.11.99)
Comércio
explora dificuldade (14.11.99)
Acanhamento social
cresce (14.11.99)
CUPIDO NA ACADEMIA ( 14.11.99)
'Faltava
assunto, eu tremia e suava' (14.11.99)
Para
casais, é a semelhança que atrai e mantém a união
(14.11.99)
PEQUENA EMPRESA (13.11.99)
PROJETOS (13.11.99)
IPT fornece apoio
técnico (13.11.99)
Fiesp
também quer apoiar as empresas do programa (13.11.99)
Chuva de meteoros: melhor dia é amanhã
Prevista para ter início anteontem, a chuva anual de meteoros Leonídeos,
que
vai durar uma semana, ainda não pôde ser vista na cidade em
função do mau
tempo. Porém, astrônomos esperam que o fenômeno ocorra
com maior
intensidade nas noites de amanhã e quinta-feira. Estima-se que este
ano a
taxa de estrelas cadentes seja até cem vezes superior à registrada
no ano
passado, com cerca de 100 mil estrelas riscando o céu a cada hora.
“Os meteoros são o fenômeno luminoso que ocorre na atmosfera
terrestre,
resultante de um atrito entre um corpo sólido e móleculas
de gases da nossa
atmosfera”, explica o pesquisador-titular do Museu de Astronomia do Rio
de
Janeiro, Ronaldo de Freitas Mourão. No caso dos Leonídeos,
os corpos
sólidos são resíduos de rochas ou metais deixados,
a cada 33 anos, pelo
cometa Tempel Tuttle em sua trajetória. “As poeiras meteóricas
inicialmente
se concentram próximas ao cometa e só depois se distribuem
ao longo de
sua órbita.” Como o cometa passou pela última vez no ano
passado, Mourão
afirma que “há boas chances de um belo espetáculo ainda nos
próximos dois
anos”.
O professor-doutor do Instituto Astronômico e Geofísico da
USP, Nelson Vani
Leister, diz que esse fenômeno não representa risco às
pessoas. “Os
fragmentos são pequenos e muitas vezes se desintegram antes de atingir
o
solo.” Porém, a freqüência dos meteoros e sua alta velocidade
(71 km/s) estão
preocupando as agências espaciais que temem pela segurança
dos mais de
700 satélites em órbita.
O fenômeno será observado em todo o mundo, mas, nesse ano,
localidades
do leste da América do Norte, Europa, África e Ásia
terão visão privilegiada.
Se o tempo ajudar, mesmo com as luzes e a poluição de São
Paulo, o
morador da capital também poderá ver os meteoros.
Se nenhum imprevisto ocorrer, além do espetáculo, a chuva
de meteoros pode
ser chance para supersticiosos fazerem seus pedidos às estrelas
cadentes.
Carolina Hanashiro
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Pesquisadora da USP concluiu que perfil não é o mesmo de
1990 (15.11.99)
Interno da Febem é de classe média baixa
PESQUISA
As rebeliões ocorridas recentemente na Febem trouxeram à
tona a
situação de descaso em que vivem os internos na instituição.
A
pesquisadora da área da Infância e Adolescência Irandi
Pereira, que
trabalhou por mais de dez anos na Febem, desenvolveu uma pesquisa
sobre o perfil dos infratores que lá estão. "Os adolescentes
infratores não
seguem o padrão dos internos de dez anos atrás. Esta mudança
também influiu na reação deles perante ao abandono
do Estado."
Irandi, que é mestre pela Faculdade de Educação da
Universidade de
São Paulo (USP), acredita que o empobrecimento da classe média
causou um aumento no número de adolescentes pertencentes a famílias
que, apesar de muito pobres e em situação de desemprego,
possuem
um maior poder aquisitivo. "São adolescentes com mais capacidade
de
reação ao descaso do Estado."
Esta mudança no perfil dos infratores é acompanhada por uma
mudança
nas ações de seus familiares, que estão preocupados
com as condições
de vida oferecidas pela instituição. "Hoje, a família
está nos portões da
Febem, fiscalizando o atendimento recebido por seus filhos."
A pesquisadora também denuncia que o Estado está em situação
irregular para com os adolescentes infratores. Segundo Irani, as
unidades da Febem de São Paulo são, com raras exceções,
depósitos
de adolescentes, sem atividades sistemáticas que os integrem
novamente à sociedade.
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Canal Universitárioescolhe logotipo (15.11.99)
As universidades que possuem câmpus em Campinas – Unicamp,
PUC-Campinas, Universidade Paulista (Unip) e Universidade São
Francisco (USF) – lançaram um concurso para a escolha do logotipo
do
Canal Universitário. As inscrições podem ser feitas
até o dia 17 em
qualquer um dos campi. Informações: (0--19) 255-8192 ou (0--19)
788-7574.
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Os bufões de Shakespeare (14.11.99)
A diretora Beth Lopes, do Teatro em Quadrinhos, dirigiu, com estudantes
de
Artes Cênicas da USP, Lear e Outros Bufões, em cartaz no Teatro
Laboratório
ECA-USP (tels.: 818-4357 e 818-4376) às quintas e sextas, às
18 h, aos
sábados, às 19 h, e aos domingos às 18h30. Os ingressos
são grátis. A peça
mostra os bufões, palhaços que “divertiam” os reis dizendo
verdades.
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Viviane
Senna: convênio com a PUC (14.11.99)
Viviane Senna esteve ontem no encerramento do congresso “Mídia e
Educação”, realizado nesta semana, em São Paulo.
A presidente do Instituto Ayrton Senna firmou parceria com a PUC.
O IAS já conta com convênio com a USP, onde desenvolve o projeto
“Esporte
Talento” no Cepeusp, que atende a crianças carentes.
“Agora estamos desenvolvendo um projeto de criação de cursos
de
aperfeiçoamento de ‘Educação e Jornalismo’ na PUC.
Haverá cursos tanto
para profissionais já experientes quanto para estudantes”, disse
Viviane.
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Arquitetura para o povo, não para os teóricos (14.11.99)
Defendendo essa bandeira, Carlos Bratke apresenta a IV Bienal de
Arquitetura, que será aberta sábado e tem como objetivo fazer
propaganda da arquitetura junto à população
No próximo sábado, será inaugurada a IV Bienal de
Arquitetura de São Paulo,
no Parque Ibirapuera. O megaevento estará aberto até o dia
25 de janeiro de
2000, e prevê-se que receberá um público de 200 mil
pessoas em todo o
período de sua realização. Como não poderia
deixar de ser, a última Bienal do
milênio apresentará muitas novidades, estimulará discussões
e, certamente,
criará muita polêmica. Talvez a maior resida no próprio
objetivo do grandioso
evento: “Fazer marketing da arquitetura visando ao cidadão e não
aos
estudiosos”, conforme as palavras do presidente da Fundação
Bienal de São
Paulo, o renomado arquiteto Carlos Bratke.
Conhecido como o “arquiteto da Berrini” – por seu projeto de urbanização
da
região da Avenida Engenheiro Luís Carlos Berrini, na Zona
Sul de São Paulo,
onde conta com 57 projetos construídos de 1978 a 99 –, Bratke está
ciente de
que será criticado por colegas da profissão por essa ótica
por muitos
considerada oportunista. Aqui, ele explica a razão desta conceituação,
segundo ele de extrema importância no Brasil de hoje.
Quem serão os expoentes desta edição da Bienal de Arquitetura?
Convidamos o arquiteto suíço-italiano Mario Botta para uma
palestra, teremos
o trabalho de artes plásticas e arquitetura do argentino Clorindo
Testa, além
de exposições de Mies Van der Rohe, Frank O. Ghery e Zanine
Caldas. A
exposição geral terá muitos arquitetos de fora e recebemos
projetos do inglês
Norman Foster e do escritório de arquitetura americano Skidmore,
Owings &
Merrill-o SOM-entre outros. Teremos uma exposição de cunho
histórico de
Portugal. Os núcleos também serão muito interessantes.
No núcleo de
“Arquitetura e cidadania” serão discutidos problemas urbanos de
cidades de
porte médio e grande, com enfoque na violência. Uma parceria
com a Rede
Globo e patrocínio da Intelig possibilitou à Bienal trazer
e montar uma estação
orbital em escala real que ocupará uma área de 600m².
Teremos novamente
uma sala dedicada à Arquitetura da Terra na América Latina,
com curadoria do
Paulinho Montoro, e salas para os arquitetos brasileiros que estão
lançando
livros, como Paulo Mendes da Rocha, João Walter Toscano, Fábio
Penteado e
Abrahão Sanoviczs, que morreu recentemente. Mostraremos as experiências
do prefeito Luiz Paulo Conde no Rio de Janeiro. E, juntamente com o governo
do Estado de São Paulo, teremos um Poupatempo dentro da própria
Bienal,
que é um projeto fantástico.
Quer dizer que será possível tirar RG no período da Bienal?
Sim. O Poupatempo é um projeto abrangente muito interessante. O
governo
do Estado terá um setor dentro da Bienal que fornecerá carteira
de identidade.
Oscar Niemeyer será homenageado?
Como ele vem sendo homenageado em todas as bienais de arquitetura, vamos
passar um filme sobre sua obra.
Todos os três andares do prédio serão ocupados pela Bienal?
Sim. E estamos em negociação com a USP, por intermédio
do professor
Teixeira Coelho, presidente do MAC, sobre a possibilidade, no decorrer
da
Bienal, da cessão do auditório para palestras do simpósio.
Independentemente do auditório do MAC, estamos construindo um outro
auditório para ganhar mais espaço.
Exposições como a Bienal de Arquitetura têm um efeito
no contorno da
cidade ou não passam de ocasiões para discussões no
plano filosófico
e enaltecimento do ego de alguns indivíduos?
Nosso objetivo é que a Bienal seja um elemento transformador. A
idéia é que
a Bienal seja muito mais voltada à população do que
aos estudiosos. Alguns
profissionais vão contestar, mas o objetivo é fazer marketing
da arquitetura.
Todo presidente do IAB percebe esta necessidade. Temos que fazer
propaganda da arquitetura.
Por que?
A arquitetura tornou-se incipiente em São Paulo, visto que a maior
parte da
cidade, 90%, não foi feita por arquitetos ou urbanistas, mas por
políticos e
imobiliárias que não têm arquitetos. O objetivo é
atrair leigos para que tomem
conhecimento da importância da arquitetura. Porque, no final das
contas,
quem consegue influenciar para que se faça uma boa arquitetura e
um bom
urbanismo é o cidadão. Na Alemanha, o arquiteto ganha 3%
de cada
apartamento vendido. Em contrapartida, no Brasil é o corretor quem
dá as
cartas e o arquiteto vem sendo colocado num plano de mero desenhista.
Você sente essa pressão?
Estou defendendo a cidade e a classe. Cheguei a um ponto que posso
dispensar certos tipos de clientes. No entanto, a maioria dos arquitetos
sofre
com essa situação. O corretor ganha 6% na primeira prestação
e o arquiteto
recebe, hoje, por um prédio de escritório, menos de 1%, aviltando
a tabela do
IAB. Infelizmente, o corretor é hoje mais importante do que o arquiteto.
E as faculdades de Arquitetura no Brasil, como estão?
A faculdade de Arquitetura no Brasil sempre foi muito ruim, com exceção
da
FAU, que é bem equipada e possui bons professores, e do Mackenzie,
que já
passou por altos e baixos. Mas arquitetura não depende só
da faculdade,
quem tem vocação vai se virar e aprender. O Zanine Caldas
não tem diploma e
é excelente arquiteto.
Quais são algumas faculdades de renome no exterior?
Fiz algumas pesquisas sobre formas de ensino quando dava aula no
Mackenzie. A boa faculdade é aquela que consegue motivar os alunos
que
realmente têm vocação. No primeiro ano da faculdade
de Arquitetura de Yale
nos EUA, é feito o projeto de um coreto. No final do semestre, o
melhor é
executado pelos próprios alunos. Isso é um grande aprendizado,
pois o
estudante completa o ciclo do projeto à construção.
A Cooper Union em Nova
York também é muito respeitada. A de Vaseda, no Japão,
é famosa e a de
Tucumán, na Argentina, também é considerada boa. Mas
também tenho visto
maus exemplos de faculdades em países como a Itália.
E o arquiteto aprendiz?
O aprendizado, a meu ver, é mais importante do que a faculdade.
Esse
processo é muito valorizado no Japão. Por exemplo, estagiar
no escritório de
Arata Izosaki, que trabalhou com Kenzo Tange, que estagiou no escritório
de
Kunio Maekawa, que foi aprendiz de Le Corbusier, tem grande valor naquele
país. Com isso, não estou desprezando a faculdade. Tive excelentes
professores no Mackenzie, como Salvador Candia, Franz Heep, Telesforo
Cristofani. Mas essa tradição vem desde a Renascença.
Le Corbusier
trabalhou com Peter Berens. Frank Lloyd Wright, com Sullivan.
Evidentemente, existem exceções.
Que lições você absorveu de seu pai, Oswaldo Arthur
Bratke, também
arquiteto?
Minha faculdade de Arquitetura foi meu pai. Como eu era rebelde na escola,
aos 14 anos ele me pôs para trabalhar no escritório dele.
Graças a essa
experiência, ao entrar na faculdade eu já sabia várias
matérias porque tivera a
oportunidade de praticá-las antes. O professor Kosuta, de Perspectiva,
no
Mackenzie, dispensou-me dizendo: “Você tem o melhor professor do
mundo”.
Mas não foi só a prática da Arquitetura que aprendi
com meu pai. Aprendi
também a teoria, porque ele gostava de discutir. Uma das coisas
que ele me
ensinou foi que a boa arquitetura independe do custo.
Em relação a esta questão, o que ocorre atualmente?
A influência americana na Arquitetura atual privilegia as construções
mais
caras – o que é mais alto, tem acabamentos melhores –, distorcendo
o
conceito e afirmando que isso é boa arquitetura. O que não
é verdade, pois é
exatamente esta questão que pode definir a Arquitetura como arte.
Se a
arquitetura fosse uma mera engenharia – como muita gente pensa –, um
arquiteto africano ou um do interior do Brasil não poderiam fazer
boa
arquitetura. No entanto, existem ótimos arquitetos na África,
no Brasil e em
outros países pobres, que fazem a arquitetura vernacular, feita
a partir do que
é natural a um determinado meio ambiente. É o que o arquiteto
italiano Aldo
Rossi defendia e cunhou como “architettura povera”. Talvez seja “pobre”
em
termos de materiais, mas é riquíssima quanto a conteúdo.
E o pós-modernismo?
Passamos por um período em que vários arquitetos, como Le
Corbusier,
pensavam uma arquitetura internacional. Esse International Style dominou
a
crítica da arquitetura por muitos anos. Há 30 anos começaram
vários
movimentos, e o mais importante foi o pós-modernismo – que não
foi
entendido no Brasil –, que propunha uma busca às origens regionais.
Se o
movimento pós-moderno foi entendido como uma crítica à
mesmice que havia
se instalado, ele teve muito valor.
Você é adepto do pós-modernismo?
Da idéia sim, mas nunca fiz nada pós-moderno, por acreditar
que tinha de
buscar as origens do meu trabalho aqui mesmo no Brasil. Sempre fui muito
contestador no meio dos arquitetos, no bom sentido. Meu pai e Niemeyer
diziam que arquitetura é invenção.
Que período da arquitetura você mais admira?
Gosto de todos os períodos em que houve invenção e
ruptura, como a
arquitetura gótica e a renascentista. Gosto do proto-modernismo,
do
movimento moderno e desta contestação que está havendo
hoje.
Quem são seus heróis do modernismo?
Os modernistas brasileiros têm um lugar muito importante na arquitetura
moderna. O Brasil inculto e conservador fez com que homens como Oscar
Niemeyer, Affonso Eduardo Reidy, Rino Levi e meu pai lutassem para impor
suas idéias.
No Brasil, além de Curitiba, existem outras cidades com boas soluções
urbanas?
O prefeito Luís Paulo Conde está fazendo um trabalho heróico
no Rio de
Janeiro, que é um caso completamente diferente do de Curitiba. Fortaleza
tem
soluções interessantes. Também foram feitas boas experiências
em Osasco e
no Boqueirão da Praia Grande. Infelizmente, na cidade de São
Paulo ainda
não.
Em São Paulo, que região está mais próxima
de seu ideal de bairro
residencial?
Sinceramente, nenhuma. A violência está criando bolsões.
Enquanto esta
questão não for resolvida, não haverá um bairro
interessante. A tendência é se
fechar em condomínios. Veja o exemplo de Alphaville, que agora está
sendo
abandonada por causa da dificuldade de circulação. Talvez
uma região
interessante seja os Jardins – não o Jardim Europa –, para casais
sem filhos,
gente solteira e artistas.
O que está sendo feito em São Paulo para prepará-la
para o novo
milênio?
Infelizmente, a descontinuidade administrativa é um problema muito
sério para
São Paulo. Não sei o que está sendo preparado, mas
tenho umas idéias do
que deveria ser feito. Por exemplo, um plano diretor que não levasse
em conta
somente o retorno econômico para os cofres públicos e a criação
de
mecanismos de incentivo para certas regiões que podem e devem crescer,
como a Barra Funda. São Paulo está entrando, agora, numa
época de reforma
urbana. A migração diminuiu e o crescimento vegetativo da
cidade aumentou.
E o enaltecimento da figura do decorador em detrimento do arquiteto?
Coisas do Brasil.
Só do Brasil?
No Brasil e outros países subdesenvolvidos, a figura do decorador
incompetente é enaltecida. É como o excessivo valor que se
dá ao costureiro:
reflete o lado fútil da vida. Mas o arquiteto de interiores, como
prefiro chamá-lo,
é um profissional importante. Um bom exemplo é Arthur de
Mattos Casas. Em
termos de arquitetura de interior, existem áreas muito especializadas
como
lay-out de empresas e interior de aeroportos.
Quais são os conjuntos arquitetônicos da atualidade que você admira?
Sem dúvida, o mais admirável é Brasília. Outro
conjunto interessante é o de
New Heaven, Connecticut, a 200km de Nova York, onde está localizada
a
Universidade de Yale. Lá, há uma tradição de
construir obras com arquitetos
americanos – de qualquer corrente – que estejam se destacando e, com isso,
a cidade se tornou a maior mostra da arquitetura americana moderna. Por
exemplo, quando Charles Moore surgiu como um dos expoentes do
pós-modernismo, ele foi convidado pela faculdade a fazer um projeto
na cidade
de New Heaven. Outro conjunto importante é Chicago – chamada a capital
da
arquitetura –, pois tem a tradição de Sullivan, Frank Lloyd
Wright e de vários
bons arquitetos. Atualmente, fala-se muito em Xangai, na China. A Docklands
de Londres também é uma experiência nova e Barcelona
tem um conjunto
interessante. No entanto, em Berlim deu-se o oposto. Foram criadas tantas
legislações que essas acabaram por impedir que um bom conjunto
arquitetônico se desenvolvesse.
O que deve ser feito para que o arquiteto brasileiro exerça plenamente
sua função social no futuro?
Existe uma questão bastante técnica que é a regulamentação
da profissão.
Enquanto nossos arquitetos continuarem presos a um sistema arbitrário
e
ditatorial como o Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea)
nunca
vão conseguir uma posição importante na sociedade.
Por que?
O Crea foi criado por Getúlio Vargas e seu poderio foi reforçado
na época de
Ernesto Geisel. Os arquitetos são minoria. É uma luta de
30 anos, da qual
participo ativamente. Infelizmente, arquitetos não-praticantes,
do funcionalismo
público, têm vantagens imensas com esse tipo de instituição
burocrática.
Agora, parece que há um pouco mais de boa vontade por parte do novo
presidente do Crea. Mas, enquanto não houver uma regulamentação
séria para
criar um Colégio Brasileiro de Arquitetura como entidade privada
de direito
público, fora da tutela do governo, o arquiteto e o urbanista continuarão
sendo
meros desenhistas de empresários de mau gosto no Brasil.
Cynthia Garcia, especial para o JT
Energia e poluição em São Paulo
JOSÉ GOLDEMBERG
Vivem no Estado de São Paulo cerca
de 35 milhões de habitantes, um
quinto da população brasileira, mas o consumo de
energia no Estado é de cerca
de um terço do total consumido no Brasil. O consumo médio
de energia no
Brasil, excluindo São Paulo, é de cerca de 1,5
tonelada por ano e o dos paulistas,
2,5 toneladas. Isso explica uma boa parte a maior riqueza do
Estado, com seu
enorme parque industrial, e explica também o alto índice
de poluição, resultante
do consumo de combustíveis fósseis, sobretudo na
Grande São Paulo.
Ainda assim, o consumo médio dos
paulistas é mais baixo que o dos
habitantes da Europa Ocidental e, certamente, ainda vai aumentar
no futuro.
Há preocupações
de vários tipos com esse crescimento, sobretudo agora
que a maioria das empresas de energia foi privatizada e não
foi mantida no
aparelho do Estado, um órgão com capacidade técnica
e autoridade suficiente
para planejar, em linhas gerais, seu crescimento futuro. Esse
foi o papel que a
Companhia Energética de São Paulo (Cesp) representou
no passado e sua
criação pelo governador Lucas Nogueira Garcez consolidou
diversas empresas
privadas, com baixa capacidade de investimento, que existiram
no passado,
numa empresa estatal de grande porte.
Com as privatizações já
ocorridas, e com as demais em curso, caberá às
empresas privadas atender ao mercado, mas a lógica que
vai orientá-las não é a
mesma que orientou a Cesp no passado. Elas irão a reboque
do crescimento,
mas não serão o motor desse crescimento nem vão
induzi-lo, como ocorreu no
Pontal do Paranapanema e em outras regiões do Estado.
É bem verdade que esse papel indutor
da Cesp custou caro à sociedade,
que nela investiu, mas não foram esses custos que tornaram
a empresa inviável,
mas dois outros fatores que não foram enfrentados adequadamente
na ocasião:
A construção da Usina Hidrelétrica
de Itaipu levou o governo federal a
obrigar a Cesp a adquirir metade da energia de Itaipu, mesmo
que ela não fosse
necessária em São Paulo, uma vez que poderia gerá-la
em suas próprias usinas;
a decisão tomada no fim da década de 70 pelo então
governador Paulo Maluf de
construir simultaneamente quatro usinas no Pontal do Paranapanema,
mais o
canal de Pereira Barreto.
Esses dois fatores levaram a um endividamento
crescente da Cesp, que
se foi agravando ao longo dos anos, e, mais tarde, por desmandos
administrativos e interferências políticas. Com
uma dívida de mais de US$ 10
bilhões, a sua partição e venda eram esperadas
havia muito tempo.
Várias das empresas distribuidoras
de energia, como a Eletropaulo, que
foram privatizadas têm até condições
de funcionar melhor que no passado, sob a
gerência de novos proprietários menos sensíveis
a reivindicações corporativas.
O mesmo pode ser até válido para o parque de usinas
geradoras existente no
Estado. Sob esse ponto de vista, a privatização
foi a solução correta e até tardou
a ocorrer em alguns casos O que preocupa, porém, é
o futuro. O Estado de São
Paulo não é a Inglaterra, que "está pronta"
e onde a privatização do sistema de
energia fez apenas com ele que mudasse de proprietários.
Há muito a expandir
e o problema é decidir onde e quando. Por exemplo, a própria
dinâmica do
progresso do Estado trouxe a possibilidade de instalar usinas
termoelétricas,
queimando gás para abastecer a demanda crescente.
Há propostas de vários
tipos para fazê-lo, mas é difícil distinguir realidade
de ficção nos planos apresentados. O uso do gás
em São Paulo tornou-se
inevitável com a construção do gasoduto
que vai transportar gás para o Estado,
o qual precisa ser consumido nos termos do acordo feito para
financiá-lo.
Quem vai consumi-lo?
Do ponto de vista da redução
da poluição, o ideal seria usar o gás para
substituir o uso de óleo combustível e diesel na
indústria, além do consumo
residencial. Essa área de atividade, contudo, cresce lentamente
e exige grandes
investimentos de infra-estrutura. Queimar gás numa termoelétrica
é mais fácil
porque uma usina de porte médio consome grandes quantidades
de gás, mas
com a desvalorização do real ele se tornou proibitivamente
caro, já que é pago
em dólares aos supridores da Bolívia. Apesar de
o governo federal estar
tentando contornar essa situação, é inevitável
que o custo de geração de
eletricidade suba no futuro. Esse fato, ao que parece, não
foi considerado
adequadamente na ocasião. A solução seria
dar mais prioridade a outros usos do
gás que não seja o de gerar energia elétrica.
De novo, aqui, fica evidente a necessidade
de um órgão planejador e
intersetorial que equacione o problema da energia como um todo,
incluindo as
conseqüências ambientais do seu uso. Um órgão
desse tipo, o Conselho Estadual
de Energia, foi criado sob a presidência do secretário
Einar Kok no governo
Montoro e extinto, depois, no governo Quércia, mas era
um foro adequado para
discutir os problemas, incluindo as questões referentes
à produção e ao uso do
álcool.
Poder-se-ia argumentar que os editais
de privatização contêm cláusulas
sobre a obrigatoriedade de investimentos futuros, mas eles não
são substitutos
adequados para um planejamento de âmbito estadual. Reviver
a idéia de um
Conselho Estadual de Energia seria, pois, uma opção
a ser considerada
seriamente.
José Goldemberg foi presidente da Cesp no governo Franco Montoro (1983-1986)
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Abertas inscrições para crédito educativo
Programa do MEC não exige renda mínima e deve beneficiar 30 mil estudantes
DEMÉTRIO WEBER
BRASÍLIA - Estarão abertas
de hoje até segunda-feira as inscrições
para a nova etapa do Financiamento Estudantil (Fies), programa
de crédito
educativo do Ministério da Educação (MEC).
A idéia é oferecer até 30 mil
vagas ainda este semestre sem as exigências de renda mínima
que excluíram 24
mil candidatos ao empréstimo na primeira seleção.
Os universitários
interessados devem inscrever-se na própria instituição
de ensino.
Para receber o benefício sem a
necessidade de comprovar renda, o
candidato deverá apresentar dois fiadores. O Fies paga
até 70% do valor da
mensalidade e o restante fica sob responsabilidade do aluno.
Caso o estudante
tenha rendimentos pelo menos duas vezes maiores do que essa parcela
de 30%
da mensalidade, precisará apresentar apenas um fiador.
Dos 88 mil inscritos na primeira etapa
do Fies, 50 mil foram
contemplados, mas 28 mil esbarraram nos critérios de seleção,
entre eles o de
renda mínima familiar. De acordo com a regra antiga, a
parcela da mensalidade
a ser paga pelo aluno não poderia ultrapassar a 60% de
sua renda per capita
familiar.
Outros 10 mil alunos foram excluídos
porque as universidades fixaram
cotas limitadas para atender os beneficiados pelo Fies. As instituições
devem
informar ao MEC sobre o quanto estão dispostas a ampliar
o programa.
Um dos desafios nessa nova etapa é
garantir que as universidades abram
mais vagas para os beneficiados pelo Fies. Das 670 instituições
de ensino que
participam do programa, 110 já esgotaram a cota. As instituições
que não
abrirem mais vagas não vão participar da nova etapa.
Os formulários estarão
disponíveis no site do MEC na Internet (www.mec.gov.br),
na opção Fies.
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Último dia da exposição Picasso leva 15 mil visitantes
ao Masp
Público, maior do que da mostra Monet, foi o maior já registrado no museu em um só dia
JOTABÊ MEDEIROS
Cerca de 15 mil pessoas foram ao Museu
de Arte de São Paulo (Masp),
no último dia da exposição Picasso - Anos
de Guerra. A visitação, gratuita no
feriado, foi possível pelo patrocínio da Telefônica.
O público foi estimado pela
direção do museu, que ficaria aberto até
as 22 horas.
O número é maior que o
registrado durante a exposição das obras de
Claude Monet, em 1997 - cerca de 13 mil-, até então
recorde para um único dia
de visitação. Até quinta-feira, Picasso
- Anos de Guerra havia sido vista por 157
mil pessoas.
As grandes exposições realizadas
no museu, recentemente, fizeram bons
públicos. A de Botero atraiu 118 mil visitantes; a de
Portinari, 103 mil; e a de
Salvador Dalí atraiu 200 mil espectadores. O recorde ficou
com a mostra de
Monet, vista por 401 mil pessoas.
A mostra reuniu 163 trabalhos, entre
pinturas, gravuras, esculturas,
fotografias e textos do pintor espanhol.
São obras do período entre
1937 e 1945, que mostram seu trabalho sob a
esfera de influência da 2ª Guerra Mundial.
De São Paulo, as obras voltariam
para Paris. A próxima mostra do Masp
será aberta no dia 30. As obras exibidas em São
Paulo vieram do Museu
Picasso de Paris, em sua maioria. Algumas foram cedidas pelo
Museu de Arte
Moderna, também de Paris, e quatro pelo Museu de Arte
Contemporânea da
USP, de São Paulo.
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Catálogo do MEC ajuda a evitar cursos ilegais (14.11.99)
Centenas de estudantes descobrem, tarde demais, que diploma não é válido
JULIANA JUNQUEIRA
Neste fim de semana, mais um caso de
desrespeito à lei mostrou aos
estudantes a importância de buscar informações
rigorosas sobre as faculdades
que pretendem cursar. Por uma decisão da Justiça,
a Universidade de Ribeirão
Preto (Unaerp) foi impedida, sexta-feira à noite, de realizar
o vestibular para
curso de direito, do câmpus Guarujá, marcado para
ontem. De acordo com o
processo, a Unaerp não apresentou o projeto do novo curso
para o Conselho
Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, o que é obrigatório
por lei.
Todas as instituições de
ensino superior estão obrigadas pela portaria 971,
do Ministério da Educação (MEC), a fornecer
aos candidatos informações sobre
a regularidade dos cursos e da escola antes da inscrição
para o vestibular. O
documento, que especifica ao todo 12 itens, é o principal
aliado dos estudantes
na hora do vestibular.
A resolução, de agosto
de 1997, relaciona as informações e onde elas
devem ficar: num catálogo, colocado na secretaria da instituição
e em lugar bem
visível. Em qualquer época, os estudantes devem
ter facilidade de acesso a ele.
"O documento fornece um retrato da instituição
e essa é a melhor proteção que
o estudante pode ter", afirma Luiz Roberto Liza Curi, diretor
do Departamento
de Políticas de Ensino Superior do MEC. O dossiê
deve ser renovado
anualmente até 30 de outubro.
Risco - Nos últimos meses, foram
denunciados casos que colocam em
risco o futuro profissional de centenas de estudantes, como o
da Universidade
Bandeirante de São Paulo (Uniban), que está sendo
investigada pelo Conselho
Nacional de Educação (CNE) por realizar vestibular
em um câmpus não
autorizado. Um grupo de ex-alunos da Uniban também está
processando a
instituição por danos morais, porque o curso de
direito não foi reconhecido,
mesmo após a formatura, há mais de um ano.
Depois de cursar direito na Uniban por
cinco anos, Jair Vieira Leal, de 56
anos, descobriu que o curso não era reconhecido pelo MEC.
Assim, de nada
adiantava ter sido aprovado no exame da Ordem dos Advogados do
Brasil
(OAB), pois, sem o reconhecimento pelo MEC, a Uniban não
tinha como
conceder o diploma. "Sinto-me um idiota", diz ele.
A primeira turma formou-se em 1998. A
instituição, entretanto, já poderia
ter dado entrada no processo em 1997, mas só o fez este
ano. Procurada pelo
Estado, a direção da Uniban não quis se
pronunciar sobre este e o caso do
câmpus ainda não reconhecido. O relator do processo
da Uniban no CNE, o
conselheiro José Carlos Almeida, explicou que o caso só
não foi julgado por
causa do acúmulo de processos e que pode entrar na pauta
da reunião de 6 de
dezembro.
Os alunos do 5º ano de direito vão
organizar uma comitiva para expor aos
representantes do CNE a gravidade do caso. Às vesperas
da formatura, eles
não esperam que os diplomas sejam reconhecidos. "Faço
estágio e posso ficar
no emprego depois de formado, mas, se o curso não for
reconhecido, perderei a
oportunidade", queixa-se o quintoanista Alexandre Martini, de
25 anos.
Dificuldade - O uso desse catálogo,
porém, é dificultado por duas
razões. A primeira, é que poucos sabem da obrigatoriedade
que a escola tem de
oferecê-lo. E a segunda é que nem toda escola cumpre
a lei. Várias faculdades
de São Paulo mantêm o documento na secretaria, mas
em locais pouco visíveis
ou de difícil acesso.
Na semana passada, a repórter
do Estado apresentou-se como estudante
em algumas secretarias de escolas, solicitando o catálogo.
Na Universidade Ibirapuera (Unib) as
atendentes do setor de vestibular e
da secretaria não sabiam da existência do catálogo.
A recepção da secretaria
afirmou que a instituição nunca teve este tipo
de documento. "Não dá para ter
um guia com os dados de todos os 400 professores", disse a atendente,
que se
identificou como Graça. "Quem informou sobre isso falou
errado."
Mais tarde, ao ser entrevistado, o secretário
geral da Unib, Dalton Heitor
Ferriello, assegurou que a instituição mantém
um catálogo na secretaria e outro
na biblioteca. "Foi desconhecimento da funcionária", afirmou.
Nas Faculdades Associadas de São
Paulo (Fasp) e na Faculdade de
Informática e Administração Paulista (Fiap),
o catálogo também não estava
disponível. Na Fasp, um funcionário que se identificou
como Wanderlei disse
que a publicação fica guardada na secretaria. Na
época de vestibulares é que
vai para o balcão de informações.
Na Fiap, a assessora pedagógica
Fabiula Alves Pimentel, explicou que o
dossiê não fica disponível para os alunos
por motivos operacionais. "É
complicado, pois pode sumir", afirmou. Ele assegurou, no entanto,
que há cópias
do relatório no departamento de vestibular, na secretaria,
na biblioteca e no setor
de pós- graduação.
Obrigação - De acordo com
o MEC, os alunos devem exigir o acesso ao
catálogo e as escolas têm obrigação
de informar aos estudantes sobre a
existência do catálogo. "Quem não cumprir
com a portaria pode passar por
sindicância e até perder a autorização
ou o reconhecimento", explica Curi.
A vestibulanda Anamaria Cristina Caldeira
Baptista, de 21 anos,
surpreendeu-se ao descobrir que o curso de administração
de empresas em que
se inscreveu não é reconhecido pelo Ministério
da Educação (MEC). "Na
inscrição, ninguém me falou nada', disse
Anamaria, que fez a prova."Acho que
os candidatos ao vestibular têm o direito de saber antes
da inscrição se a
faculdade é reconhecida ou apenas autorizada para fazer
sua opção", disse ela,
que mesmo aprovada, desistiu da matrícula. O curso escolhido
por Anamaria, no
Centro Universitário São Camilo, tem autorização
para funcionar e a
administração ainda espera completar o segundo
ano para pedir o
reconhecimento, como determina a lei.
A diferença entre curso autorizado
e reconhecido confunde os
estudantes. A primeira significa que o projeto da instituição
para o novo curso
foi aprovado pelo MEC e pode ser posto em prática. "O
reconhecimento vem
mais tarde, é a comprovação de que a escola
cumpriu o projeto e mantém um
curso de qualidade", explica Curi.
As faculdades, faculdades integradas
ou faculdades isoladas têm de
solicitar ao MEC a autorização para criar um curso
ou aumentar o número de
vagas. Já os centros universitários e as universidades
têm autonomia para isso.
Todas as instituições, entretanto, devem solicitar
o reconhecimento para cada
curso individualmente. Segundo a portaria 877, de 1997, o pedido
deve ser feito
a partir do segundo ano de funcionamento para os cursos com até
quatro anos
de duração e, a partir do terceiro ano, para os
cursos com mais de cinco anos.
O reconhecimento é válido
por cinco anos. Segundo Curi, os alunos dos
cursos ainda não reconhecidos podem ficar tranqüilos.
"Mas eles devem ficar
atentos se a escola deu entrada no prazo com o pedido de reconhecimento",
alerta o diretor. Consultas sobre os cursos também podem
ser feitas por meio do
serviço de informações do MEC, nos telefones
0800-616161, (0--61) 410-8600,
nas delegacias regionais do ministério ou pelo e-mail
(curi@sesu.mec.gov.br).
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77% dos hipertensos abandonam tratamento (13.11.99)
Pesquisa do HC de São Paulo mostra que, apesar do esforço dos médicos, desistência ainda é alta
LÍGIA FORMENTI
Uma pesquisa que acaba de ser concluída
pelo Departamento de
Hipertensão do Hospital das Clínicas de São
Paulo revela que apenas 23% dos
pacientes com pressão alta seguem à risca as recomendações
médicas. O
estudo foi desenvolvido ao longo do último ano com 1.200
hipertensos atendidos
no serviço. O coordenador do trabalho, o professor livre-docente
da Faculdade
de Medicina da Universidade de São Paulo Décio
Mion Júnior, afirma que os
resultados obtidos são semelhantes aos registrados em
outros países. "Por mais
esforço que se faça, não conseguimos ainda
diminuir o alto índice de abandono
ao tratamento", conta. "Esse é o nosso maior desafio atualmente."
Os hipertensos apresentam risco duas
vezes maior de ter enfarte e quatro
vezes maior de ter um derrame do que pessoas com pressão
normal. Mion
informa que a desistência do tratamento ocorre com todos
os tipos de paciente.
Ao contrário do que possa parecer, a questão econômica,
o nível de informação
sobre a doença ou a escolaridade em nada influenciam o
comportamento do
hipertenso: "Nem mesmo o preço do remédio influencia."
A falta de um perfil definido leva os
especialistas a acreditarem que a
adesão depende, principalmente, das características
emocionais do paciente.
Mas não é só. "Quando o tratamento é
desempenhado por uma equipe
multidisciplinar, a adesão ao tratamento é maior."
Efeitos colaterais - O diretor do Instituto
do Coração, José Antônio
Ramirez, também considera indispensável o tratamento
com equipe
multidisciplinar. "É necessário fazer um acompanhamento
preciso, para tentar
contornar efeitos colaterais dos remédios", conta. Ramirez
lembra que alguns
pacientes podem apresentar dificuldades de ereção
e, algumas mulheres,
diminuição da libido. "Quando isso ocorre, eles
geralmente deixam de usar o
remédio, principalmente porque a hipertensão não
traz nenhum sintoma."
Agora, o ambulatório de hipertensão
está desenvolvendo um estudo para
verificar a eficácia dos grupos multidisciplinares, com
500 pacientes. Metade
dos hipertensos terá tratamento convencional. O restante
participará de reuniões
periódicas com vários profissionais. Além
disso, eles receberão apoio de um
serviço de suporte, feito pelo Laboratório Biosintética.
No serviço, já realizado
gratuitamente para hipertensos cadastrados,
pacientes recebem telefonemas de profissionais para verificar
como anda o
tratamento e esclarecer dúvidas que possam existir. "Trabalhos
semelhantes já
foram feitos com pessoas com colesterol alto e mostraram um resultado
bastante positivo", afirma Mion.
Só nos resta a esperança de que
ainda haja neste país líderes capazes
de levantar o povo
FÁBIO KONDER COMPARATO
Há
certos estados mórbidos que se ocultam naturalmente sob
aparências saudáveis. Outros que, visíveis a olho nu,
são
deliberadamente ocultados do paciente, por boas ou más razões.
O
nosso país encontra-se, a toda evidência, nesta última
situação,
sendo que a ocultação da doença obedece à pior
das motivações.
Quando o capitalismo aliou-se à democracia representativa, no
século passado, todo o empenho de seus líderes consistiu
em pôr na
sombra os detentores efetivos do poder supremo (a soberania),
mantendo os focos de luz permanentemente fixados nos chamados
representantes do povo. A estratégia das classes soberanas, em
regime capitalista, é sempre a mesma: nunca aparecer no palco,
tudo decidir nos bastidores.
Acontece que a dominação social de qualquer espécie
racial, sexual,
política, econômica ou religiosa, para manter-se sólida
e duradoura,
depende sempre de um trabalho de legitimação, desenvolvido
junto
do público. Para essa delicada tarefa, são convocados aqueles
que
Antonio Gramsci qualificou genericamente de "intelectuais".
No sistema capitalista, a classe empresarial compreendeu desde
logo a importância de arregimentar para si o maior número
desses
"legitimadores": engenheiros, cientistas, advogados, economistas,
politicólogos, jornalistas, líderes religiosos. Todos eles,
cada qual em
seu campo próprio de atuação, passaram a defender
a justiça ou a
explicar a necessidade natural da ordem estabelecida, em nome da
ciência, do direito, da moral, da prosperidade econômica ou
até da
revelação divina.
O capitalismo poderia se contentar com isso, mas foi ainda mais
longe. Confirmando o seu extraordinário talento criativo, que Karl
Marx não cessou de elogiar, a burguesia empresarial decidiu
assumir, ela própria, o encargo de legitimação do
regime político e
do sistema econômico, com a montagem e a exploração
de grandes
empresas de comunicação de massa, interligadas agora
universalmente sob a forma "conglomeral" (multimídia). Elas podem
dar-se ao luxo de criticar os governos e denunciar a corrupção
de
certos políticos. Mas evitam contestar o sistema, ou trazer os
verdadeiros donos do poder à luz do dia. As mínimas palavras
e os
mínimos gestos de FHC são difundidos e examinados como se
dele
dependesse o futuro do país.
A imprensa, o rádio e a televisão fazem questão de
repercutir no
público o frêmito de nervosismo que agita a classe política,
com a
excitante antecipação do debate sucessório. E a informação
termina
aí.
O povo não percebe até que ponto essa exibição
funambulesca dos
políticos em cena obedece ao roteiro traçado pelos diretores
da
peça. A Constituição da República, celebrada
como a suprema
expressão da vontade popular e o último bastião em
defesa dos
direitos humanos, foi remendada 28 vezes em dez anos de vigência;
o que perfaz a apreciável média de quase três emendas
por ano.
Tudo isso, na verdade, traduz a mudança de direção
operada nos
bastidores. O setor industrial, que há mais de meio século
liderava
as classes dominantes, acaba de ser vencido pelos banqueiros e
especuladores internacionais. Outrora, a pujança de uma nação
media-se em termos de capacidade produtiva instalada e pleno
emprego. Hoje, a riqueza econômica reduz-se ao cálculo de
lucros
de arbitragens sobre taxas de juros, variações cambiais e
cotações
bolsísticas.
Concomitantemente, o comando dos setores-chave do complexo
empresarial do país desloca-se para o estrangeiro e organiza-se
numa rede de participações acionárias entrecruzadas,
piramidais ou
em cadeia, por efeito das sucessivas fusões e incorporações
que
marcam as etapas da concentração capitalista. O controle
de nossa
vida econômica e política passa, com isso, às mãos
de entidades
impessoais, irresponsáveis e sem pátria: são grupos
societários,
consórcios, fundos de investimento ou de participação.
É preciso reconhecer que o grande empresariado nacional não
foi
uma vítima inocente desse processo perverso. Ele imaginou,
bisonhamente, que iria reforçar o seu poder de mando na sociedade
à custa do enfraquecimento do Estado. Nessa revolta temerária
contra aquele que sempre o susteve, não perdeu apenas a sua
posição dominante para o capital estrangeiro. Deitou fora
também o
patrimônio público e a independência nacional.
Agora só nos resta a esperança de que ainda haja neste país
líderes
capazes de levantar o povo, não apenas contra os fantoches que
ocupam o governo, mas sobretudo contra aqueles que os dirigem e
manobram de fora, com o claro objetivo de reconduzir o Brasil à
condição colonial.
Fábio
Konder Comparato, 63, advogado, doutor pela Universidade de Paris
(França), é professor titular da Faculdade de Direito da
USP, fundador e
diretor da Escola de Governo e autor, entre outros livros, de "A Afirmação
Histórica dos Direitos Humanos".
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"Chuva"
de meteoros pode ser visível
da Reportagem Local
A
chuva de meteoros leonídeos, evento que ocorre anualmente,
poderá ser vista na madrugada de amanhã no Brasil.
Segundo Amâncio Friaça, professor do Instituto Astronômico
e
Geofísico da Universidade de São Paulo (IAG-USP), o melhor
horário para observar o fenômeno é depois das 2h. Mas,
como a
intensidade da chuva varia bastante, não há garantias de
que o
evento possa ser observado.
A chuva de leonídeos do ano passado foi considerada
decepcionante pelos astrônomos brasileiros. Mesmo assim, várias
pessoas observaram o fenômeno em locais afastados das cidades.
Os leonídeos são partículas minúsculas do cometa
Tempel-Tuttle,
que orbita o Sol, em média, a cada 33 anos. A chuva ocorre porque
a Terra cruza a órbita do cometa, repleta dessas partículas.
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Universidade pública e transparência (15.11.99)
O importante é verificar se os mecanismos de controle e inspeção são eficientes
ANTONIO DOS SANTOS SILVA e HERMANO TAVARES
As
universidades públicas, particularmente as de São Paulo,
têm se
destacado no cenário nacional e internacional pela produtividade
e
excelência de seus trabalhos, formando o que se convencionou
chamar de sistema de ensino superior público paulista.
Os mecanismos de avaliação acadêmica, internos e externos,
apontam para o fato de que mais da metade dos alunos de
pós-graduação no país está matriculada
na USP, Unesp e Unicamp,
percentual que atinge 70% no caso de doutorado. Do total de
artigos científicos brasileiros publicados e indexados no exterior,
54% originam-se nas universidades estaduais de São Paulo. A isso
deve-se acrescentar a qualidade da formação acadêmica,
evidenciada no Exame Nacional de Cursos, e a prestação de
grande
volume de serviços à comunidade, notadamente no atendimento
médico-hospitalar da população mais carente.
Falar sobre a importância das universidades no desenvolvimento
científico e tecnológico do país seria reiterar o
que já foi escrito e
reescrito por muitos. Todavia vale salientar que a nova ordem
internacional encontra-se balizada no primado da ciência e da
tecnologia e que estas, no caso brasileiro, são desenvolvidas com
o
investimento do Estado, especialmente por meio de suas instituições
universitárias.
Passados dez anos da instituição da autonomia
administrativo-financeira das universidades estaduais paulistas, o
balanço apresentado revela que as três instituições
aumentaram em
37% o número de alunos atendidos em seus cursos, ao mesmo
tempo em que tiveram o seu corpo docente reduzido em 7,5%. Na
pós-graduação, o número de teses de doutorado
e dissertações de
mestrado cresceu 136%, proporcionando não só a elevação
na
qualificação de seus docentes como preparando professores
para
instituições universitárias de todo o país.
É evidente que os dados aqui apresentados têm a liderança
da USP,
que, fundada em 1934, apresenta-se hoje como o principal núcleo
de
excelência no cenário universitário brasileiro.
As sucessivas crises por que têm passado as universidades revelam
o seu potencial e a sua capacidade de superação. Com a autonomia,
as universidades paulistas passaram a receber 9,57% da quota do
Estado no ICMS e o direito de gerir seus orçamentos de forma
independente. Todavia o trabalho do docente-pesquisador não
ocorre unicamente com o investimento proveniente do orçamento da
própria universidade. Agências de fomento científico
-como Fapesp,
CNPq, Capes, Finep- aportam recursos destinados a projetos
específicos de ensino e pesquisa, recursos muitas vezes repassados
diretamente aos próprios docentes e por eles geridos. Por serem
administrados dessa forma, cabe a eles a prestação de contas
às
agências financiadoras.
Ao par desse modo de funcionamento das agências de fomento, há
que se considerar também as peculiaridades da universidade.
Enquanto instituição que desenvolve sua identidade no interior
de
uma sociedade ampla, a partir da produção do conhecimento,
a
universidade mantém-se como um espaço plural unido na
diversidade. Essa característica, cultivada pelas universidades
estaduais de São Paulo, faz com que, enquanto organizações
complexas e descentralizadas, tenham na estrutura departamental
de suas unidades o núcleo-base de aglutinação de seus
pesquisadores. Assim, organizações universitárias
como a USP, que
congrega em seus quadros um contingente de 4.700 docentes e 56
mil alunos (graduação e pós-graduação),
desenvolvem formas de
administração que repousam, em uma das pontas da escala,
no
próprio docente que obteve o financiamento, passando pelo
departamento, pela unidade de ensino ou pela administração
central.
Apesar de toda a atenção que as administrações
centrais têm tido
na aplicação desses recursos, parece óbvio que a universidade
não
está isenta da ocorrência de atos que possam não se
coadunar com
os princípios da administração da coisa pública.
Por serem
administrados de forma descentralizada, sob responsabilidade dos
docentes vinculados aos projetos, eventuais deslizes ou má conduta
deliberada na aplicação dos recursos não podem ser
atribuídos à
instituição universitária, cabendo a responsabilidade
ao contemplado.
O importante é verificar se os mecanismos de transparência,
controle e inspeção, das universidades ou dos financiadores,
são
eficientes, mostrando-se capazes de detectar falhas. Nos casos
ocorridos na USP, recentemente abordados pela Folha, é certo que
esses mecanismos revelaram-se eficientes. Prova disso é a
utilização, pelo jornal, de ampla documentação
interna à
universidade na denúncia dos fatos.
Contudo as repetidas reportagens sobre o desvirtuamento de
recursos acabaram por criar um clima desnecessário, injusto e de
falsa dimensão.
A insistência com que a Folha tem destacado algumas mazelas
passa à opinião pública uma imagem negativa -e exclusivamente
negativa- das universidades públicas. Certamente há que se
aproveitar tais denúncias no aprimoramento da administração
da
coisa pública. Porém não há como deixar de
visualizar alguma
relação contrastante entre tais denúncias e o festival
de "marketing"
das instituições privadas de ensino, que, por sua vez, exibem
reduzida excelência em suas atividades acadêmicas, oferecendo,
muitas vezes, um simulacro de ensino.
Seria interessante que o cidadão que vive em São Paulo pudesse
vir
a ter, igualmente, informações completas sobre a excelência
do
trabalho realizado pelas três universidades públicas paulistas,
na
área de ensino e na produção científico-tecnológica,
comprometido
com o atendimento das demandas da sociedade brasileira.
Antonio
Manoel dos Santos Silva, 58, é reitor da Universidade Estadual
Paulista (Unesp) e presidente do Conselho de Reitores das Universidades
Estaduais Paulistas (Cruesp).
Hermano Tavares, 58, é reitor da Unicamp (Universidade Estadual
de Campinas).
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CUPIDO
NA ACADEMIA (14.11.99)
Professores de psicologia experimental estudam uma das principais raízes
do desencontro, a timidez
USP pesquisa fórmula do 'desencalhe'
Rochelli Costi - 10.abr.96/Folha Imagem
Ailton da Silva, professor de psicologia da USP
AURELIANO BIANCARELI
da Reportagem Local
Avenidas,
ônibus, metrôs, shoppings, multidões nos parques. Só
na
cidade de São Paulo, por exemplo, são cerca de 7,4 milhões
de
pessoas acima de 14 anos. Pelas estatísticas internacionais, pelo
menos 30% dessa multidão pode estar à procura de uma "alma
gêmea". São milhões de pessoas cruzando olhares e desaparecendo
sem se encontrar.
Boa parte nunca achará sua "outra metade", a maioria irá
se
contentar com uma "alma" que de gêmea tem muito pouco. Uma
ciência do encontro, se existisse, poderia mudar o rumo e a vida
de
muitas dessas pessoas.
É o que está propondo o Departamento de Psicologia Experimental
da Universidade de São Paulo. Em lugar de criar uma gigantesca
agência de casamento, função que não cabe à
universidade, os
professores estão estudando uma das principais raízes do
desencontro, a timidez.
O projeto vem sendo desenvolvido há cerca de três anos com
o
nome de Ceta (Centro de Estudos da Timidez e do Amor). "A
proposta é estudar empecilhos, processos e bloqueios dos encontros
amorosos", diz Ailton Amélio da Silva, criador do Ceta e
responsável pela disciplina de relacionamento amoroso dos cursos
de graduação e pós-graduação da psicologia
da USP.
A fila de espera no Ceta passados dois anos. Mas, antes de ser uma
clínica, o centro quer ser uma espécie de laboratório
de ensaio e
pesquisa para juntar conhecimento e treinar profissionais.
Numa linguagem mais popular, pode-se dizer que ali se pesquisa
mecanismos que ajudem a "desencalhar" homens e mulheres.
Técnicas que facilitem as pessoas a paquerar, namorar e a juntar
seus trapos e projetos.
Amélio da Silva, 51, pai de uma filha de 14 anos e casado há
23,
vem se dedicando há mais de uma década ao estudo dos
relacionamentos amorosos. Prepara, ao mesmo tempo, três livros
dedicados ao tema, todos esperados para o início de 2000.
Silva parte do princípio de que a timidez social é a principal
dificuldade no encontro entre as pessoas. Na meia-luz dos bares
singles, nas danceterias, nos locais de trabalho e mesmo na fila do
banco, os que se abrem para o outro têm mais chance de cavar um
"canal" que pode conduzir a uma paquera.
Silva exibe pesquisas feitas nos EUA e estudos elaborados por ele e
sua equipe. Entre suas crenças firmadas, o professor cita três
fatores que contribuem para que uma relação permaneça
estável e
saudável. Um é a satisfação. O outro, o investimento
psicológico,
que envolve planos e espectativas.
O terceiro chega a ser embaraçoso e inconfessável: a falta
de
alternativas. A pessoa continua com o parceiro porque não vê
ou
não tem possibilidades de conseguir outro. Silva lembra que muitas
relações terminamquando um passa a conviver com um grupo
mais
bonito ou mais bem-sucedido do que aquele no qual estava inserido.
Outra tese defendida por Silva é a homogamia, o princípio
de que os
iguais se atraem. "Alguma diferença chega a ser saudável,
mas a
pessoa gosta de dividir planos e opiniões com a outra, gosta de
admirar a outra e de ser admirada."
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Esperar demais dificulta relação (14.11.99)
da Reportagem Local
Vencer
a timidez pode ser o primeiro passo para se iniciar um
relacionamento, mas não é garantia de que a pessoa terá
uma
convivência amorosa feliz. Os parceiros muitas vezes esperam
demais das relações e sobrecarregam o amor com excesso de
expectativas.
Quem diz isso é outra especialista em relações amorosas,
a
psicóloga e professora da PUC-SP, Noely Montes Moraes,
vice-chefe da clínica daquele universidade. Noely é autora
do livro
"Fica Comigo para o Café da Manhã" (Editora Olho d" Água,
R$
9,00, 84 páginas). O livro trata "da passagem da velha crença
das
relações amorosas, do "felizes para sempre", que perdurava
até
duas décadas atrás, para o "bom e infinito enquanto dure"",
afirma a
autora.
É o desafio dessa passagem que pode impedir a trajetória
amorosa
de muitos casais, mas que está enriquecendo muitos outros. A
mulher já não quer nem precisa de alguém que a convide
apenas
para a passar a noite.
"A independência econômica da mulher fez ruir as bases do
casamento", diz Noely, 46, divorciada. (AB)
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CUPIDO
NA ACADEMIA (14.11.99)
Para
a psicóloga Noely Montes Moraes, os tímidos valorizam demais
a opinião dos outros
Timidez atinge 4 em cada 10 pessoas
da Reportagem Local
De
cada dez pessoas, estima-se que pelo menos quatro delas
sofram com a timidez. O que não as impede de tocar suas vidas,
paquerar e casar. Estimativas -sempre norte-americanas- calculam
que 92% das pessoas vivem uma situação de casamento em algum
momento da vida.
O problema -diz o professor Ailton Amélio da Silva- é que
os
tímidos têm as suas opções diminuídas.
Não significa
necessariamente que os tímidos são mais infelizes no casamento,
mas é certo que suas escolhas foram mais pobres e limitadas. "No
mercado amoroso, o tímido sai perdendo", diz a psicóloga
Noely
Montes Moraes, da PUC de São Paulo.
A timidez resulta, especialmente, do meio em que a criança cresceu
e de características de sua personalidade. "O tímido coloca
um peso
muito grande na opinião das outras pessoas", diz Noely.
Segundo ela, o tímido sofre da "síndrome do holofote". Ao
atravessar um salão de baile ou o corredor de um bar ou ser
chamado pelo chefe imagina que todos os olhares estão sobre ele.
Para o behaviorista, como a equipe do professor Silva, a timidez
pode ser reduzida com treinamento e exposição. Já
os junguianos,
como a professora Noely, procuram saber qual o sentido dessa
timidez.
O
amor é míope
Silva costuma dizer que o amor é míope, não cego.
Quer dizer, as
pessoas apaixonadas podem não enxergar tudo direitinho, mas o
lado racional do cérebro vigia todas as suas escolhas.
Apenas um exemplo: perguntadas sobre as características ou
defeitos que impediriam totalmente um relacionamento (veja quadro
ao lado), as pessoas citaram a arrogância, a prepotência e
uma
grande diferença de idade. Defeito físico grave vem em sétimo
lugar, e o machismo, em oitavo.
A lista certamente não reflete a verdade, é apenas politicamente
correta. No fundo, quando as pessoas estão escolhendo um parceiro
empregam filtros extremamente racionais e até cruéis. Na
grande
maioria dos casos -dizem os especialistas- esses filtros ficam
apenas no inconsciente. Uma espécie de vigia que o cérebro
mantém sobre o coração. (AURELIANO BIANCARELLI)
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Comércio explora dificuldade (14.11.99)
da Reportagem Local
A
timidez e a dificuldade em ter um relacionamento afetivo criaram
um comércio. Agências de encontros e de casamentos prometem
solucionar esses problemas de formas variadas.
A Internet oferece muitas opções. Na rede, é possível
escolher
futuros namorados em galerias de fotos. A agência Apego criou na
Internet o "Clube do Cupido", cujo lema é "esqueça a timidez
e
deixe alguém se aproximar de você". Colocar a foto na galeria
é de
graça. Mas, quem se interessar por alguém, paga R$ 40 para
receber os dados da pessoa.
Quem quiser atendimento mais personalizado e tiver dinheiro para
gastar pode pagar R$ 900 para a agência Lunch for Two. A
empresa oferece aos clientes entrevistas com psicólogos e
encontros para almoço com pessoas que tenham " a ver" com o
cliente.
A empresa tem 3.000 cadastrados. A timidez, segundo Mônica de
Souza, funcionária da agência, é um dos motivos alegados
pelos
clientes que buscam a empresa.
A arquiteta Márcia (nome fictício), 32, procurou a agência
há um
mês. "Cansei de me envolver com pessoas que não têm
nada a ver
comigo, quero conhecer uma pessoa legal para casar", diz. O último
namoro de Márcia terminou há cerca de um ano. "Não
tenho tempo
disponível para sair e paquerar". (A.L)
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Acanhamento social cresce (14.11.99)
da Reportagem Local
A
timidez social, que poderia parecer fora de moda num universo de
alta competitividade e de grande exposição na mídia,
estaria, na
verdade, em franco crescimento. Esta tese é defendida por Ailton
Amélio da Silva com base em dois estudos norte-americanos de
1998.
O aumento da timidez social e da timidez para relacionamentos
amorosos estão sendo atribuídos justamente ao desenvolvimento
da
tecnologia e de novas formas de comunicação. "As pessoas
têm
cada vez menos tempo para contatos face a face", diz Silva.
As pessoas hoje passam muito tempo diante da televisão e usam
telefones, fax e internet. Se mostram capazes de escrever cartas
apaixonadas pelo teclado, mas ficam sem jeito de acenar com um
gesto quando se defrontam na rua ou no supermercado.
"Esta diminuição dos contatos sociais tem como consequência
um
menor desenvolvimento de habilidades sociais e o enfraquecimento
de vínculos afetivos", diz o psicólogo.
A tecnologia, no entanto, não deve mudar os sinais verbais e não
verbais quase milenares da paquera. Se no tempo das cavernas os
homens arrastavam suas amadas pelos cabelos, hoje um olhar
continua sendo um sinal de que a "fêmea" estaria interessada no
parceiro.
A diferença é que hoje a mulher tem a liberdade de entrar
sozinha
em um ambiente e fixar o olhar naquele que vai conquistar. O
problema é que, se todos os homens ali forem tímidos, ela
só vai
assustá-los ainda mais. (AB)
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CUPIDO
NA ACADEMIA ( 14.11.99)
Desacerto
conjugal é ligado à herança biológica, mas
nem sempre significa infelicidade a dois
Maioria não vive com o parceiro ideal
da Reportagem Local
Cerca
de 80% das pessoas que estão dividindo a cama com alguém
não estão vivendo com o companheiro ou companheira com quem
um dia sonharam se casar. A estimativa é do professor Ailton
Amélio da Silva, com base em estudos próprios e pesquisas
norte-americanas.
Não significa que elas não estejam felizes com as pessoas
com
quem estão vivendo, diz o professor. Com o tempo, a convivência
aproxima o casal e pode encher o cotidiano de bons momentos. As
pessoas acabam se gostando.
Esse desacerto entre os pretendentes tem uma base biológica
fincada nos genes que herdamos dos nossos ancestrais. Somos
como os animais, lembram os especialistas. Por exemplo, em cerca
de 1.100 culturas contemporâneas estudadas, o homem sempre
prefere mulheres mais jovens. Em 80% dessas culturas, o homem
têm uma tendência à poligamia, mas em apenas 10% delas
a coloca
em prática.
Outro fato biológico é que, em todas as culturas, o critério
de beleza
e de saúde está sempre associado. Mesmo numa época
de bebês de
proveta e de inseminação artificial, o espécime capaz
de melhor
procriar ainda é o mais disputado. "É uma escolha instintiva,
ainda
da nossa herança animal", diz a professora Noely Montes Moraes,
da PUC de São Paulo. ""Escolher um bom reprodutor está na
nossa
história genética, como uma forma de preservar a espécie."
Daí a disparidade entre o parceiro desejado e aquele de fato
escolhido. Veja num escritório ou numa classe, diz o professor Silva.
Há sempre dois ou três homens ou mulheres que são admirados
por
todo o grupo, e que têm ao seu redor dezenas de pretendentes.
Como eles se casarão apenas com uma pessoa, os outros acabarão
namorando terceiros.
Aqui entra o que Silva chama de teoria da necessidade e da
disponibilidade. ""As pessoas ficam com aquela que está à
mão."
Isso explica, de uma forma cruel, porque rico quase não casa com
pobre e porque feio casa com feio.
É o que chamamos de homogamia, ou recorte ideológico, com
as
pessoas se aproximando daquelas que se assemelham em classe e
em cultura. É uma forma de assegurar a relação, dizem
os
especialistas. Alguém que se sinta inferior em termos intelectuais,
físicos ou financeiros passará todo o tempo com medo de perder
o
outro. Nos EUA, por exemplo, mais de 80% dos casais têm pelo
menos quatro características em comum: a raça, o nível
de
escolaridade, a religião e a idade, que não vai além
dos cinco anos.
A professora Noely diz que essa atração pelo semelhante é
menor
nos mais jovens. Como eles ainda não têm a auto-estima muito
sedimentada, são fascinados pelo que o outro tem de diferente.
""Ele é atraído por aquilo que falta nele. É uma forma
de se projetar,
uma troca mútua que permite o crescimento dos dois."
À medida que os anos passam, as pessoas tendem a gostar mais
delas próprias e ganham mais autoconfiança, por isso preferem
compartilhar seus sentimentos com parceiros que tenham as
mesmas afinidades.
O psiquiatra Wimer Botura Júnior, presidente do Comitê de
Adolescência da Associação Paulista de Medicina, lista
entre as
causas do desencontro uma certa frustração acumulada com
a vida,
especialmente nas pessoas mais adultas. "Muitas já viveram suas
dores de amor e acabam preferindo ficar na defensiva."
Botura, 51, pai de três filhos, é autor de vários livros,
entre eles
"Ciúme" e "Filhos Saudáveis", editados pela República
Literária.
(AURELIANO BIANCARELLI)
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'Faltava assunto, eu tremia e suava' (14.11.99)
ANTONINA
LEMOS
da Reportagem Local
Tremedeira,
mãos suando e falta de assunto. A timidez, segundo os
que sofrem do problema, realmente dificulta a vida amorosa,
principalmente no início dos relacionamentos.
"Eu era tímido demais e por isso tinha dificuldades em dar em cima
das meninas", diz o funcionário público Edilson Ferreira,
28.
Ele diz que não conseguia olhar direto nos olhos das mulheres. "Eu
ficava sem graça e acabava olhando para baixo", diz.
Outro problema comum entre os tímidos é a sensação
de não ter
assunto com a pessoa "pretendida". "Eu conseguia chegar para
conversar normalmente, mas o assunto começava a faltar, tremia e
nem conseguia mais falar", diz.
A timidez, segundo Ferreira, melhorou há cerca de cinco anos,
quando ele começou a trabalhar diretamente com o público.
"Uma
vez trabalhei como vendedor em uma loja e as minhas colegas eram
cinco mulheres. Isso ajudou muito a diminuir a timidez. Foi uma
verdadeira aula sobre o sexo oposto", diz ele.
Hoje, Ferreira se considera praticamente curado. "Agora não tenho
mais nenhum problema na hora de me aproximar das mulheres. Fico
totalmente tranquilo." Seu último namoro terminou há três
meses.
A produtora de moda L.M, 30, que prefere não se identificar,
assume ser "insegura e tímida". Ela não tem um namoro sério
há
seis anos. "Sei que a minha timidez atrapalha muito, eu encontro a
pessoa em quem estou interessada em uma festa e nem consigo
chegar para falar com ela.", diz. No momento, ela está interessada
por um "amigo de amigos". "Mas ainda não consegui me aproximar
dele", afirma.
Ela diz que um de seus sonhos é "casar e ter três filhos".
"Mas não
sei mesmo se isso vai acontecer de verdade algum dia."
A insegurança, segundo ela, é um dos maiores impedimentos.
A
produtora também sofre da "síndrome da falta de assunto.
"Sempre
acho que não vou ter o que falar e que a pessoa vai me achar chata
e sem graça."
Ela diz que não se aproxima dos homens por quem está interessada
por temer a rejeição. "Acho que eles não vão
gostar de mim,
mesmo antes de tentar algo."
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Para casais, é a semelhança que atrai e mantém a união
(14.11.99)
da Reportagem Local
Eles
são parecidos em tudo. Têm o mesmo gosto musical, os
mesmos filmes prediletos e o mesmo ritmo de vida. A artista
plástica Sandra Sanches, 30, e o cenógrafo Mauro Coelho,
35, são
uma prova de que "os iguais se atraem".
Os dois são casados há cinco anos e raramente discordam.
"Acho
que nos interessamos um pelo outro porque somos realmente
parecidos. No início, não acreditávamos em tantas
coincidências",
diz Sandra.
Eles trabalham na mesma área e são semelhantes até
em detalhes.
"Eu não acreditei quando ele disse que também dormia em um
tatami", diz Sandra.
As semelhanças são tantas que, segundo ela, já foram
motivo de
preocupação. "Achava que a gente era tão parecido
que o nosso
namoro poderia ficar chato porque a gente discorda pouco."
Eles se conheceram por meio de amigos em comum, uma das
principais formas de encontro entre os casais, segundo os
especialistas no assunto.
A advogada Adriana de Carneiro, 25, também acha que os
relacionamentos são melhores quando as pessoas são parecidas.
"Não sinto atração pelo oposto, sempre procurei alguém
com quem
eu me identificasse", diz.
Ela encontrou o seu "semelhante", o empresário Jonas, de forma
menos usual, na Internet. "Foi por acaso, mas não acho a melhor
maneira de conhecer alguém."
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PEQUENA
EMPRESA (13.11.99)
Serão destinados R$ 15 milhões em 2000 para a criação
e o desenvolvimento de novos produtos
Fapesp triplica verba para pesquisa
MARCELO MOREIRA
da Reportagem Local
O
Pipe (Programa de Inovação Tecnológica em Pequenas
Empresas), desenvolvido pela Fapesp (Fundação de Apoio à
Pesquisa do Estado de São Paulo), terá sua verba triplicada
no ano
2000 em relação a este ano.
Serão R$ 15 milhões para a criação e o desenvolvimento
de
produtos ou planos para melhorar a produção. Entre o período
de
1997-99, foram investidos R$ 11 milhões -cerca de R$ 5,5 milhões
por ano.
Segundo o diretor científico da Fapesp, José Fernando Perez,
foram
analisados no período 87 projetos, dos quais 23 atingiram a segunda
fase do programa.
"Posso dizer que, mesmo antes de terminar o que chamamos de
primeiro ciclo, que o Pipe é um sucesso. Conseguimos estimular a
pesquisa em pequenas empresas e estamos vendo o surgimento de
diversos produtos."
Cada ciclo a que Perez se refere tem dois anos e meio de duração
e
envolve três fases. As 23 empresas que estão na segunda fase
iniciaram seus projetos no final de 1997, com conclusão prevista
para meados do ano que vem.
"Creio que o Pipe tem o mérito de mostrar que a pesquisa associada
ao meio empresarial é viável, comercial e importante para
o
desenvolvimento industrial. Esse programa é uma forma de
ajudarmos a arrancar a pesquisa do meio acadêmico", diz Perez.
Para inscrever um projeto no Pipe, o pesquisador precisa estar
associado a uma pequena empresa (até cem empregados) para
desenvolver seu trabalho e mostrar que se dedicará ao projeto.
A proposta é analisada por um ou mais especialistas indicados pela
Fapesp (mas que não são vinculados ao órgão),
que verificam a
viabilidade técnica e comercial.
Aprovado o projeto, o pesquisador e a empresa recebem R$ 50 mil
na primeira fase do programa. Ao final, após seis meses, os projetos
passam por nova avaliação.
Em caso de nova aprovação, cada projeto recebe mais uma verba
de R$ 200 mil da Fapesp na segunda fase, que pode durar mais de
um ano. Na fase seguinte, todas as atividades de pesquisa são
realizadas pela empresa com o objetivo de desenvolver novos
produtos.
A Fapesp não dará apoio financeiro de qualquer natureza a
projetos
na terceira fase, mas poderá colaborar na obtenção
de apoio de
outras fontes, caso os resultados da pesquisa comprovem a
viabilidade técnica das idéias, bem como o seu potencial
de retorno
comercial ou social.
O projeto que mais chama a atenção é o da empresa
Kom
Montagens e Comércio, de Campinas (interior de São Paulo).
O projeto desenvolvido é o de uma manta óptica para o tratamento
de bebês que necessitam de tratamento contra a icterícia.
Pipe-Fapesp
: tel. (0xx11) 838-4000 e 261-4167 (fax) ou pelo site na Internet
(www.fapesp.br; e-mail: info@fapesp.br)
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PROJETOS (13.11.99)
Malha de fibra óptica para tratamento de recém-nascidos começa
a ser produzida no Brasil em 2000
Fundação banca "nova incubadeira"
Folha Imagem
O diretor científico da Fapesp, José Fernando Perez, que
financia
projetos de pesquisa em pequenas empresas nacionais
da Reportagem Local
Uma
malha envolta em fibras ópticas para tratar recém-nascidos
acometidos por icterícia começa a ser produzida experimentalmente
a partir do primeiro semestre de 2000.
A icterícia é uma disfunção do fígado
que provoca excesso de
bilirrubina na pele, que a torna amarelada. Se não for identificada
e
tratada no início, pode provocar outras doenças.
O produto, inédito no Brasil, foi desenvolvido pelo engenheiro Cícero
Omegna Filho, proprietário da Kom Montagens e Comércio, de
Campinas, com financiamento da Fapesp.
"Existem produtos semelhantes no exterior, mas, como são caros,
não tive como ter idéia de como funcionam. Resolvi fazer
do meu
jeito, criando um conceito próprio", disse Omegna. A manta,
chamada genericamente de manta óptica, tem a função
de substituir
a incubadeira.
Nos braços da mãe, o bebê é enrolado na malha
feita com fibras
ópticas. Conectada a uma fonte de luz por um cabo, a manta
fornece a luz necessária para o bebê sem o perigo de queimaduras,
como ocorre em algumas incubadeiras. A luz diminui bastante o
risco de icterícia.
De acordo com Omegna, a produção das mantas já foi
utilizada
neste ano com bons resultados no Caism (Centro de Atenção
Integral à Saúde da Mulher) do Hospital das Clínicas
da Unicamp
(Universidade Estadual de Campinas).
O pesquisador acredita que a manta poderá chegar ao mercado no
próximo ano custando cerca de R$ 4.000,00 a unidade.
Equipamentos importados com a mesma função podem custar até
R$ 15 mil.
Outra iniciativa elogiada pela Fapesp é um novo filtro para reter
impurezas na indústria de álcool e açúcar,
desenvolvido pela
empresa Technopulp Consultoria e Comércio de Equipamentos
Industriais, de Ribeirão Preto (interior de São Paulo).
O produto, chamado de Vacuum Press, já apresenta resultados
superiores aos filtros convencionais utilizados atualmente. Um
desses filtros está em testes em uma usina de álcool em Jaú
(interior de São Paulo).
Pedro Gustavo Córdoba, proprietário da empresa, afirma que
a
perspectiva é de comercializar o Vacuum Press a partir de meados
de 2000 a um custo de R$ 160 mil a unidade, em três modelos,
dependendo do volume de material a ser utilizado e filtrado.
"Já tínhamos observado como os filtros da indústria
de papel e
celulose funcionavam e resolvemos aplicar alguns de seus princípios
na indústria do álcool. Os resultados de ganhos com produtividade
e
eficiências foram consistentes." (MMr)
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IPT fornece apoio técnico (13.11.99)
da Reportagem Local
O
sucesso de um programa de assessoria técnica para a indústria
de transformação de plástico pode multiplicar por
15 o investimento
feito pela parceria Fapesp-Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às
Micro e Pequenas Empresas).
O programa é o Prumo (Projeto de de Unidades Móveis de
Atendimento Tecnológico às Micro e Pequenas Empresas),
coordenado pelo IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) da USP.
O programa consiste no envio de um engenheiro e um técnico em
uma van equipada com laboratório para assessoramento técnico.
Cada atendimento às empresas dura de um a três dias.
O Sebrae custeia parte do atendimento (R$ 2.000,00, enquanto a
empresa arca com R$ 900,00) e a Fapesp bancou as duas van
equipadas (R$ 340 mil cada).
Segundo Vicente Mazzarella, diretor técnico do IPT, os resultados
até agora são positivos.
"Estamos conseguindo fazer cerca de 20 atendimentos mensais e o
índice de satisfação dos empresário é
muito alto."
Mazzarella afirma que o IPT estuda a possibilidade de ampliar o
número de unidades móveis de atendimento de 2 para 30 a partir
do
ano que vem.
"O sucesso do programa está justificando o aumento de
atendimentos. Pretendemos ampliar o serviço para outros setores
econômicos, como borracha, cerâmica, móveis, couro e
calçados e
fundição." (MMr)
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Fiesp também quer apoiar as empresas do programa (13.11.99)
da Reportagem Local
A
Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São
Paulo) está
disposta a fazer o possível para ajudar as pequenas empresas com
projetos aprovados pela Fapesp a encontrar financiamento para a
sua produção.
Os resultados do Pipe (Programa de Inovação Tecnológica
em
Pequenas Empresas) causaram boa impressão em seminário
realizado na entidade no último dia 27 de outubro.
"Um dos grandes problemas que as pequenas empresas enfrentam
quando finalizam seus projetos é conseguir um financiamento de
porte em bancos oficiais ou outras instituições", afirma
José
Fernando Perez, diretor científico da Fapesp.
A Fiesp deu o seu aval ao programa e se comprometeu a ajudar as
empresas egressas do Pipe.
"Esse projeto de aproximação entre pesquisadores e empresas
é
fundamental para melhorar a produção em qualquer área
empresarial", diz Hermano Marchetti Moraes, diretor do
Departamento de Desenvolvimento da Micro e Pequena Empresa
da Fiesp.
Segundo ele, a instituição está disposta a oferecer
assessoramento
técnico em áreas como informática e finanças,
além de ajudar na
intermediação para obtenção de financiamentos.
"A própria Fiesp tem programas de auxílio à produção
de pequenas
empresas, incluindo uma incubadora de base tecnológica, que tem
alguma semelhança com o Pipe."
Outros
programas
O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e
Social) também possui programas de incentivo à pequena empresa
e
tem interesse em conhecer o funcionamento e os resultados dos
programas desenvolvidos por empresas do Pipe, segundo a sua
assessoria de imprensa.
O banco, por determinação do governo federal, facilitou em
julho
deste ano o acesso de pequenas empresas aos financiamentos do
órgão.
Na página do BNDES na Internet (www.bndes.gov.br) é possível
encontrar várias informações sobre todas as maneiras
de como a
pequena empresa pode conseguir os financiamentos.
Entre as medidas autorizadas pelo governo está a exigência
apenas
de garantias pessoais (como notas promissórias) para os
financiamentos com cobertura do Fundo de Aval de até R$ 500 mil.
Outra medida importante foi a mudança de classificação
das
pequenas empresas para a concessão de financiamentos e créditos,
de acordo com critérios adotados no Mercosul.
Antes era considerada microempresa a que tinha faturamento
líquido anual de até R$ 120 mil. Agora este limite passou
a ser
faturamento bruto de até R$ 700 mil.
Pequena empresa era antes a que tinha faturamento líquido anual
de
até R$ 720 mil. Agora passa a ser aquela que tiver faturamento
bruto de R$ 700 mil até R$ 6,125 milhões. (MMr)