16.11.1999  

Jonal da Tarde
Chuva de meteoros: melhor dia é amanhã
Pesquisadora da USP concluiu que perfil não é o mesmo de 1990 (15.11.99)
Canal Universitárioescolhe logotipo (15.11.99)
Os bufões de Shakespeare (14.11.99)
Viviane Senna: convênio com a PUC (14.11.99)
Arquitetura para o povo, não para os teóricos (14.11.99)

O Estado de S. Paulo
Energia e poluição em São Paulo
Abertas inscrições para crédito educativo
Último dia da exposição Picasso leva 15 mil visitantes ao Masp
Catálogo do MEC ajuda a evitar cursos ilegais (14.11.99)
77% dos hipertensos abandonam tratamento (13.11.99)

Folha de S. Paulo
O poder e a sombra
"Chuva" de meteoros pode ser visível
Universidade pública e transparência (15.11.99)
CUPIDO NA ACADEMIA (14.11.99)
Esperar demais dificulta relação (14.11.99)
CUPIDO NA ACADEMIA (14.11.99)
Comércio explora dificuldade (14.11.99)
Acanhamento social cresce (14.11.99)
CUPIDO NA ACADEMIA ( 14.11.99)
'Faltava assunto, eu tremia e suava' (14.11.99)
Para casais, é a semelhança que atrai e mantém a união (14.11.99)
PEQUENA EMPRESA  (13.11.99)
PROJETOS (13.11.99)
IPT fornece apoio técnico (13.11.99)
Fiesp também quer apoiar as empresas do programa (13.11.99)
 


Jonal da Tarde

Chuva de meteoros: melhor dia é amanhã
 

                Prevista para ter início anteontem, a chuva anual de meteoros Leonídeos, que
                vai durar uma semana, ainda não pôde ser vista na cidade em função do mau
                tempo. Porém, astrônomos esperam que o fenômeno ocorra com maior
                intensidade nas noites de amanhã e quinta-feira. Estima-se que este ano a
                taxa de estrelas cadentes seja até cem vezes superior à registrada no ano
                passado, com cerca de 100 mil estrelas riscando o céu a cada hora.

                “Os meteoros são o fenômeno luminoso que ocorre na atmosfera terrestre,
                resultante de um atrito entre um corpo sólido e móleculas de gases da nossa
                atmosfera”, explica o pesquisador-titular do Museu de Astronomia do Rio de
                Janeiro, Ronaldo de Freitas Mourão. No caso dos Leonídeos, os corpos
                sólidos são resíduos de rochas ou metais deixados, a cada 33 anos, pelo
                cometa Tempel Tuttle em sua trajetória. “As poeiras meteóricas inicialmente
                se concentram próximas ao cometa e só depois se distribuem ao longo de
                sua órbita.” Como o cometa passou pela última vez no ano passado, Mourão
                afirma que “há boas chances de um belo espetáculo ainda nos próximos dois
                anos”.

                O professor-doutor do Instituto Astronômico e Geofísico da USP, Nelson Vani
                Leister, diz que esse fenômeno não representa risco às pessoas. “Os
                fragmentos são pequenos e muitas vezes se desintegram antes de atingir o
                solo.” Porém, a freqüência dos meteoros e sua alta velocidade (71 km/s) estão
                preocupando as agências espaciais que temem pela segurança dos mais de
                700 satélites em órbita.

                O fenômeno será observado em todo o mundo, mas, nesse ano, localidades
                do leste da América do Norte, Europa, África e Ásia terão visão privilegiada.
                Se o tempo ajudar, mesmo com as luzes e a poluição de São Paulo, o
                morador da capital também poderá ver os meteoros.

                Se nenhum imprevisto ocorrer, além do espetáculo, a chuva de meteoros pode
                ser chance para supersticiosos fazerem seus pedidos às estrelas cadentes.

                Carolina Hanashiro

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Pesquisadora da USP concluiu que perfil não é o mesmo de 1990 (15.11.99)

                    Interno da Febem é de classe média baixa

                    PESQUISA

                    As rebeliões ocorridas recentemente na Febem trouxeram à tona a
                    situação de descaso em que vivem os internos na instituição. A
                    pesquisadora da área da Infância e Adolescência Irandi Pereira, que
                    trabalhou por mais de dez anos na Febem, desenvolveu uma pesquisa
                    sobre o perfil dos infratores que lá estão. "Os adolescentes infratores não
                    seguem o padrão dos internos de dez anos atrás. Esta mudança
                    também influiu na reação deles perante ao abandono do Estado."

                    Irandi, que é mestre pela Faculdade de Educação da Universidade de
                    São Paulo (USP), acredita que o empobrecimento da classe média
                    causou um aumento no número de adolescentes pertencentes a famílias
                    que, apesar de muito pobres e em situação de desemprego, possuem
                    um maior poder aquisitivo. "São adolescentes com mais capacidade de
                    reação ao descaso do Estado."

                    Esta mudança no perfil dos infratores é acompanhada por uma mudança
                    nas ações de seus familiares, que estão preocupados com as condições
                    de vida oferecidas pela instituição. "Hoje, a família está nos portões da
                    Febem, fiscalizando o atendimento recebido por seus filhos."

                    A pesquisadora também denuncia que o Estado está em situação
                    irregular para com os adolescentes infratores. Segundo Irani, as
                    unidades da Febem de São Paulo são, com raras exceções, depósitos
                    de adolescentes, sem atividades sistemáticas que os integrem
                    novamente à sociedade.
 

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Canal Universitárioescolhe logotipo (15.11.99)

                    As universidades que possuem câmpus em Campinas – Unicamp,
                    PUC-Campinas, Universidade Paulista (Unip) e Universidade São
                    Francisco (USF) – lançaram um concurso para a escolha do logotipo do
                    Canal Universitário. As inscrições podem ser feitas até o dia 17 em
                    qualquer um dos campi. Informações: (0--19) 255-8192 ou (0--19)
                    788-7574.

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Os bufões de Shakespeare (14.11.99)

                A diretora Beth Lopes, do Teatro em Quadrinhos, dirigiu, com estudantes de
                Artes Cênicas da USP, Lear e Outros Bufões, em cartaz no Teatro Laboratório
                ECA-USP (tels.: 818-4357 e 818-4376) às quintas e sextas, às 18 h, aos
                sábados, às 19 h, e aos domingos às 18h30. Os ingressos são grátis. A peça
                mostra os bufões, palhaços que “divertiam” os reis dizendo verdades.

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Viviane Senna: convênio com a PUC (14.11.99)

                Viviane Senna esteve ontem no encerramento do congresso “Mídia e
                Educação”, realizado nesta semana, em São Paulo.

                A presidente do Instituto Ayrton Senna firmou parceria com a PUC.

                O IAS já conta com convênio com a USP, onde desenvolve o projeto “Esporte
                Talento” no Cepeusp, que atende a crianças carentes.

                “Agora estamos desenvolvendo um projeto de criação de cursos de
                aperfeiçoamento de ‘Educação e Jornalismo’ na PUC. Haverá cursos tanto
                para profissionais já experientes quanto para estudantes”, disse Viviane.

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Arquitetura para o povo, não para os teóricos (14.11.99)

                Defendendo essa bandeira, Carlos Bratke apresenta a IV Bienal de
                Arquitetura, que será aberta sábado e tem como objetivo fazer
                propaganda da arquitetura junto à população
 

                No próximo sábado, será inaugurada a IV Bienal de Arquitetura de São Paulo,
                no Parque Ibirapuera. O megaevento estará aberto até o dia 25 de janeiro de
                2000, e prevê-se que receberá um público de 200 mil pessoas em todo o
                período de sua realização. Como não poderia deixar de ser, a última Bienal do
                milênio apresentará muitas novidades, estimulará discussões e, certamente,
                criará muita polêmica. Talvez a maior resida no próprio objetivo do grandioso
                evento: “Fazer marketing da arquitetura visando ao cidadão e não aos
                estudiosos”, conforme as palavras do presidente da Fundação Bienal de São
                Paulo, o renomado arquiteto Carlos Bratke.

                Conhecido como o “arquiteto da Berrini” – por seu projeto de urbanização da
                região da Avenida Engenheiro Luís Carlos Berrini, na Zona Sul de São Paulo,
                onde conta com 57 projetos construídos de 1978 a 99 –, Bratke está ciente de
                que será criticado por colegas da profissão por essa ótica por muitos
                considerada oportunista. Aqui, ele explica a razão desta conceituação,
                segundo ele de extrema importância no Brasil de hoje.

                Quem serão os expoentes desta edição da Bienal de Arquitetura?

                Convidamos o arquiteto suíço-italiano Mario Botta para uma palestra, teremos
                o trabalho de artes plásticas e arquitetura do argentino Clorindo Testa, além
                de exposições de Mies Van der Rohe, Frank O. Ghery e Zanine Caldas. A
                exposição geral terá muitos arquitetos de fora e recebemos projetos do inglês
                Norman Foster e do escritório de arquitetura americano Skidmore, Owings &
                Merrill-o SOM-entre outros. Teremos uma exposição de cunho histórico de
                Portugal. Os núcleos também serão muito interessantes. No núcleo de
                “Arquitetura e cidadania” serão discutidos problemas urbanos de cidades de
                porte médio e grande, com enfoque na violência. Uma parceria com a Rede
                Globo e patrocínio da Intelig possibilitou à Bienal trazer e montar uma estação
                orbital em escala real que ocupará uma área de 600m². Teremos novamente
                uma sala dedicada à Arquitetura da Terra na América Latina, com curadoria do
                Paulinho Montoro, e salas para os arquitetos brasileiros que estão lançando
                livros, como Paulo Mendes da Rocha, João Walter Toscano, Fábio Penteado e
                Abrahão Sanoviczs, que morreu recentemente. Mostraremos as experiências
                do prefeito Luiz Paulo Conde no Rio de Janeiro. E, juntamente com o governo
                do Estado de São Paulo, teremos um Poupatempo dentro da própria Bienal,
                que é um projeto fantástico.

                Quer dizer que será possível tirar RG no período da Bienal?

                Sim. O Poupatempo é um projeto abrangente muito interessante. O governo
                do Estado terá um setor dentro da Bienal que fornecerá carteira de identidade.

                Oscar Niemeyer será homenageado?

                Como ele vem sendo homenageado em todas as bienais de arquitetura, vamos
                passar um filme sobre sua obra.

                Todos os três andares do prédio serão ocupados pela Bienal?

                Sim. E estamos em negociação com a USP, por intermédio do professor
                Teixeira Coelho, presidente do MAC, sobre a possibilidade, no decorrer da
                Bienal, da cessão do auditório para palestras do simpósio.
                Independentemente do auditório do MAC, estamos construindo um outro
                auditório para ganhar mais espaço.

                Exposições como a Bienal de Arquitetura têm um efeito no contorno da
                cidade ou não passam de ocasiões para discussões no plano filosófico
                e enaltecimento do ego de alguns indivíduos?

                Nosso objetivo é que a Bienal seja um elemento transformador. A idéia é que
                a Bienal seja muito mais voltada à população do que aos estudiosos. Alguns
                profissionais vão contestar, mas o objetivo é fazer marketing da arquitetura.
                Todo presidente do IAB percebe esta necessidade. Temos que fazer
                propaganda da arquitetura.

                Por que?

                A arquitetura tornou-se incipiente em São Paulo, visto que a maior parte da
                cidade, 90%, não foi feita por arquitetos ou urbanistas, mas por políticos e
                imobiliárias que não têm arquitetos. O objetivo é atrair leigos para que tomem
                conhecimento da importância da arquitetura. Porque, no final das contas,
                quem consegue influenciar para que se faça uma boa arquitetura e um bom
                urbanismo é o cidadão. Na Alemanha, o arquiteto ganha 3% de cada
                apartamento vendido. Em contrapartida, no Brasil é o corretor quem dá as
                cartas e o arquiteto vem sendo colocado num plano de mero desenhista.

                Você sente essa pressão?

                Estou defendendo a cidade e a classe. Cheguei a um ponto que posso
                dispensar certos tipos de clientes. No entanto, a maioria dos arquitetos sofre
                com essa situação. O corretor ganha 6% na primeira prestação e o arquiteto
                recebe, hoje, por um prédio de escritório, menos de 1%, aviltando a tabela do
                IAB. Infelizmente, o corretor é hoje mais importante do que o arquiteto.

                E as faculdades de Arquitetura no Brasil, como estão?

                A faculdade de Arquitetura no Brasil sempre foi muito ruim, com exceção da
                FAU, que é bem equipada e possui bons professores, e do Mackenzie, que já
                passou por altos e baixos. Mas arquitetura não depende só da faculdade,
                quem tem vocação vai se virar e aprender. O Zanine Caldas não tem diploma e
                é excelente arquiteto.

                Quais são algumas faculdades de renome no exterior?

                Fiz algumas pesquisas sobre formas de ensino quando dava aula no
                Mackenzie. A boa faculdade é aquela que consegue motivar os alunos que
                realmente têm vocação. No primeiro ano da faculdade de Arquitetura de Yale
                nos EUA, é feito o projeto de um coreto. No final do semestre, o melhor é
                executado pelos próprios alunos. Isso é um grande aprendizado, pois o
                estudante completa o ciclo do projeto à construção. A Cooper Union em Nova
                York também é muito respeitada. A de Vaseda, no Japão, é famosa e a de
                Tucumán, na Argentina, também é considerada boa. Mas também tenho visto
                maus exemplos de faculdades em países como a Itália.

                E o arquiteto aprendiz?

                O aprendizado, a meu ver, é mais importante do que a faculdade. Esse
                processo é muito valorizado no Japão. Por exemplo, estagiar no escritório de
                Arata Izosaki, que trabalhou com Kenzo Tange, que estagiou no escritório de
                Kunio Maekawa, que foi aprendiz de Le Corbusier, tem grande valor naquele
                país. Com isso, não estou desprezando a faculdade. Tive excelentes
                professores no Mackenzie, como Salvador Candia, Franz Heep, Telesforo
                Cristofani. Mas essa tradição vem desde a Renascença. Le Corbusier
                trabalhou com Peter Berens. Frank Lloyd Wright, com Sullivan.
                Evidentemente, existem exceções.

                Que lições você absorveu de seu pai, Oswaldo Arthur Bratke, também
                arquiteto?

                Minha faculdade de Arquitetura foi meu pai. Como eu era rebelde na escola,
                aos 14 anos ele me pôs para trabalhar no escritório dele. Graças a essa
                experiência, ao entrar na faculdade eu já sabia várias matérias porque tivera a
                oportunidade de praticá-las antes. O professor Kosuta, de Perspectiva, no
                Mackenzie, dispensou-me dizendo: “Você tem o melhor professor do mundo”.
                Mas não foi só a prática da Arquitetura que aprendi com meu pai. Aprendi
                também a teoria, porque ele gostava de discutir. Uma das coisas que ele me
                ensinou foi que a boa arquitetura independe do custo.

                Em relação a esta questão, o que ocorre atualmente?

                A influência americana na Arquitetura atual privilegia as construções mais
                caras – o que é mais alto, tem acabamentos melhores –, distorcendo o
                conceito e afirmando que isso é boa arquitetura. O que não é verdade, pois é
                exatamente esta questão que pode definir a Arquitetura como arte. Se a
                arquitetura fosse uma mera engenharia – como muita gente pensa –, um
                arquiteto africano ou um do interior do Brasil não poderiam fazer boa
                arquitetura. No entanto, existem ótimos arquitetos na África, no Brasil e em
                outros países pobres, que fazem a arquitetura vernacular, feita a partir do que
                é natural a um determinado meio ambiente. É o que o arquiteto italiano Aldo
                Rossi defendia e cunhou como “architettura povera”. Talvez seja “pobre” em
                termos de materiais, mas é riquíssima quanto a conteúdo.

                E o pós-modernismo?

                Passamos por um período em que vários arquitetos, como Le Corbusier,
                pensavam uma arquitetura internacional. Esse International Style dominou a
                crítica da arquitetura por muitos anos. Há 30 anos começaram vários
                movimentos, e o mais importante foi o pós-modernismo – que não foi
                entendido no Brasil –, que propunha uma busca às origens regionais. Se o
                movimento pós-moderno foi entendido como uma crítica à mesmice que havia
                se instalado, ele teve muito valor.

                Você é adepto do pós-modernismo?

                Da idéia sim, mas nunca fiz nada pós-moderno, por acreditar que tinha de
                buscar as origens do meu trabalho aqui mesmo no Brasil. Sempre fui muito
                contestador no meio dos arquitetos, no bom sentido. Meu pai e Niemeyer
                diziam que arquitetura é invenção.

                Que período da arquitetura você mais admira?

                Gosto de todos os períodos em que houve invenção e ruptura, como a
                arquitetura gótica e a renascentista. Gosto do proto-modernismo, do
                movimento moderno e desta contestação que está havendo hoje.

                Quem são seus heróis do modernismo?

                Os modernistas brasileiros têm um lugar muito importante na arquitetura
                moderna. O Brasil inculto e conservador fez com que homens como Oscar
                Niemeyer, Affonso Eduardo Reidy, Rino Levi e meu pai lutassem para impor
                suas idéias.

                No Brasil, além de Curitiba, existem outras cidades com boas soluções
                urbanas?

                O prefeito Luís Paulo Conde está fazendo um trabalho heróico no Rio de
                Janeiro, que é um caso completamente diferente do de Curitiba. Fortaleza tem
                soluções interessantes. Também foram feitas boas experiências em Osasco e
                no Boqueirão da Praia Grande. Infelizmente, na cidade de São Paulo ainda
                não.

                Em São Paulo, que região está mais próxima de seu ideal de bairro
                residencial?

                Sinceramente, nenhuma. A violência está criando bolsões. Enquanto esta
                questão não for resolvida, não haverá um bairro interessante. A tendência é se
                fechar em condomínios. Veja o exemplo de Alphaville, que agora está sendo
                abandonada por causa da dificuldade de circulação. Talvez uma região
                interessante seja os Jardins – não o Jardim Europa –, para casais sem filhos,
                gente solteira e artistas.

                O que está sendo feito em São Paulo para prepará-la para o novo
                milênio?

                Infelizmente, a descontinuidade administrativa é um problema muito sério para
                São Paulo. Não sei o que está sendo preparado, mas tenho umas idéias do
                que deveria ser feito. Por exemplo, um plano diretor que não levasse em conta
                somente o retorno econômico para os cofres públicos e a criação de
                mecanismos de incentivo para certas regiões que podem e devem crescer,
                como a Barra Funda. São Paulo está entrando, agora, numa época de reforma
                urbana. A migração diminuiu e o crescimento vegetativo da cidade aumentou.

                E o enaltecimento da figura do decorador em detrimento do arquiteto?

                Coisas do Brasil.

                Só do Brasil?

                No Brasil e outros países subdesenvolvidos, a figura do decorador
                incompetente é enaltecida. É como o excessivo valor que se dá ao costureiro:
                reflete o lado fútil da vida. Mas o arquiteto de interiores, como prefiro chamá-lo,
                é um profissional importante. Um bom exemplo é Arthur de Mattos Casas. Em
                termos de arquitetura de interior, existem áreas muito especializadas como
                lay-out de empresas e interior de aeroportos.

                Quais são os conjuntos arquitetônicos da atualidade que você admira?

                Sem dúvida, o mais admirável é Brasília. Outro conjunto interessante é o de
                New Heaven, Connecticut, a 200km de Nova York, onde está localizada a
                Universidade de Yale. Lá, há uma tradição de construir obras com arquitetos
                americanos – de qualquer corrente – que estejam se destacando e, com isso,
                a cidade se tornou a maior mostra da arquitetura americana moderna. Por
                exemplo, quando Charles Moore surgiu como um dos expoentes do
                pós-modernismo, ele foi convidado pela faculdade a fazer um projeto na cidade
                de New Heaven. Outro conjunto importante é Chicago – chamada a capital da
                arquitetura –, pois tem a tradição de Sullivan, Frank Lloyd Wright e de vários
                bons arquitetos. Atualmente, fala-se muito em Xangai, na China. A Docklands
                de Londres também é uma experiência nova e Barcelona tem um conjunto
                interessante. No entanto, em Berlim deu-se o oposto. Foram criadas tantas
                legislações que essas acabaram por impedir que um bom conjunto
                arquitetônico se desenvolvesse.

                O que deve ser feito para que o arquiteto brasileiro exerça plenamente
                sua função social no futuro?

                Existe uma questão bastante técnica que é a regulamentação da profissão.
                Enquanto nossos arquitetos continuarem presos a um sistema arbitrário e
                ditatorial como o Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea) nunca
                vão conseguir uma posição importante na sociedade.

                Por que?

                O Crea foi criado por Getúlio Vargas e seu poderio foi reforçado na época de
                Ernesto Geisel. Os arquitetos são minoria. É uma luta de 30 anos, da qual
                participo ativamente. Infelizmente, arquitetos não-praticantes, do funcionalismo
                público, têm vantagens imensas com esse tipo de instituição burocrática.
                Agora, parece que há um pouco mais de boa vontade por parte do novo
                presidente do Crea. Mas, enquanto não houver uma regulamentação séria para
                criar um Colégio Brasileiro de Arquitetura como entidade privada de direito
                público, fora da tutela do governo, o arquiteto e o urbanista continuarão sendo
                meros desenhistas de empresários de mau gosto no Brasil.

                Cynthia Garcia, especial para o JT

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O Estado de S. Paulo

Energia e poluição em São Paulo

      JOSÉ GOLDEMBERG

      Vivem no Estado de São Paulo cerca de 35 milhões de habitantes, um
 quinto da população brasileira, mas o consumo de energia no Estado é de cerca
 de um terço do total consumido no Brasil. O consumo médio de energia no
 Brasil, excluindo São Paulo, é de cerca de 1,5 tonelada por ano e o dos paulistas,
 2,5 toneladas. Isso explica uma boa parte a maior riqueza do Estado, com seu
 enorme parque industrial, e explica também o alto índice de poluição, resultante
 do consumo de combustíveis fósseis, sobretudo na Grande São Paulo.

      Ainda assim, o consumo médio dos paulistas é mais baixo que o dos
 habitantes da Europa Ocidental e, certamente, ainda vai aumentar no futuro.

      Há preocupações de vários tipos com esse crescimento, sobretudo agora
 que a maioria das empresas de energia foi privatizada e não foi mantida no
 aparelho do Estado, um órgão com capacidade técnica e autoridade suficiente
 para planejar, em linhas gerais, seu crescimento futuro. Esse foi o papel que a
 Companhia Energética de São Paulo (Cesp) representou no passado e sua
 criação pelo governador Lucas Nogueira Garcez consolidou diversas empresas
 privadas, com baixa capacidade de investimento, que existiram no passado,
 numa empresa estatal de grande porte.

      Com as privatizações já ocorridas, e com as demais em curso, caberá às
 empresas privadas atender ao mercado, mas a lógica que vai orientá-las não é a
 mesma que orientou a Cesp no passado. Elas irão a reboque do crescimento,
 mas não serão o motor desse crescimento nem vão induzi-lo, como ocorreu no
 Pontal do Paranapanema e em outras regiões do Estado.

      É bem verdade que esse papel indutor da Cesp custou caro à sociedade,
 que nela investiu, mas não foram esses custos que tornaram a empresa inviável,
 mas dois outros fatores que não foram enfrentados adequadamente na ocasião:

      A construção da Usina Hidrelétrica de Itaipu levou o governo federal a
 obrigar a Cesp a adquirir metade da energia de Itaipu, mesmo que ela não fosse
 necessária em São Paulo, uma vez que poderia gerá-la em suas próprias usinas;
 a decisão tomada no fim da década de 70 pelo então governador Paulo Maluf de
 construir simultaneamente quatro usinas no Pontal do Paranapanema, mais o
 canal de Pereira Barreto.

      Esses dois fatores levaram a um endividamento crescente da Cesp, que
 se foi agravando ao longo dos anos, e, mais tarde, por desmandos
 administrativos e interferências políticas. Com uma dívida de mais de US$ 10
 bilhões, a sua partição e venda eram esperadas havia muito tempo.

      Várias das empresas distribuidoras de energia, como a Eletropaulo, que
 foram privatizadas têm até condições de funcionar melhor que no passado, sob a
 gerência de novos proprietários menos sensíveis a reivindicações corporativas.
 O mesmo pode ser até válido para o parque de usinas geradoras existente no
 Estado. Sob esse ponto de vista, a privatização foi a solução correta e até tardou
 a ocorrer em alguns casos O que preocupa, porém, é o futuro. O Estado de São
 Paulo não é a Inglaterra, que "está pronta" e onde a privatização do sistema de
 energia fez apenas com ele que mudasse de proprietários. Há muito a expandir
 e o problema é decidir onde e quando. Por exemplo, a própria dinâmica do
 progresso do Estado trouxe a possibilidade de instalar usinas termoelétricas,
 queimando gás para abastecer a demanda crescente.

      Há propostas de vários tipos para fazê-lo, mas é difícil distinguir realidade
 de ficção nos planos apresentados. O uso do gás em São Paulo tornou-se
 inevitável com a construção do gasoduto que vai transportar gás para o Estado,
 o qual precisa ser consumido nos termos do acordo feito para financiá-lo.

      Quem vai consumi-lo?

      Do ponto de vista da redução da poluição, o ideal seria usar o gás para
 substituir o uso de óleo combustível e diesel na indústria, além do consumo
 residencial. Essa área de atividade, contudo, cresce lentamente e exige grandes
 investimentos de infra-estrutura. Queimar gás numa termoelétrica é mais fácil
 porque uma usina de porte médio consome grandes quantidades de gás, mas
 com a desvalorização do real ele se tornou proibitivamente caro, já que é pago
 em dólares aos supridores da Bolívia. Apesar de o governo federal estar
 tentando contornar essa situação, é inevitável que o custo de geração de
 eletricidade suba no futuro. Esse fato, ao que parece, não foi considerado
 adequadamente na ocasião. A solução seria dar mais prioridade a outros usos do
 gás que não seja o de gerar energia elétrica.

      De novo, aqui, fica evidente a necessidade de um órgão planejador e
 intersetorial que equacione o problema da energia como um todo, incluindo as
 conseqüências ambientais do seu uso. Um órgão desse tipo, o Conselho Estadual
 de Energia, foi criado sob a presidência do secretário Einar Kok no governo
 Montoro e extinto, depois, no governo Quércia, mas era um foro adequado para
 discutir os problemas, incluindo as questões referentes à produção e ao uso do
 álcool.

      Poder-se-ia argumentar que os editais de privatização contêm cláusulas
 sobre a obrigatoriedade de investimentos futuros, mas eles não são substitutos
 adequados para um planejamento de âmbito estadual. Reviver a idéia de um
 Conselho Estadual de Energia seria, pois, uma opção a ser considerada
 seriamente.

      José Goldemberg foi presidente da Cesp no governo Franco Montoro (1983-1986)

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Abertas inscrições para crédito educativo

      Programa do MEC não exige renda mínima e deve beneficiar 30 mil estudantes

      DEMÉTRIO WEBER

      BRASÍLIA - Estarão abertas de hoje até segunda-feira as inscrições
 para a nova etapa do Financiamento Estudantil (Fies), programa de crédito
 educativo do Ministério da Educação (MEC). A idéia é oferecer até 30 mil
 vagas ainda este semestre sem as exigências de renda mínima que excluíram 24
 mil candidatos ao empréstimo na primeira seleção. Os universitários
 interessados devem inscrever-se na própria instituição de ensino.

      Para receber o benefício sem a necessidade de comprovar renda, o
 candidato deverá apresentar dois fiadores. O Fies paga até 70% do valor da
 mensalidade e o restante fica sob responsabilidade do aluno. Caso o estudante
 tenha rendimentos pelo menos duas vezes maiores do que essa parcela de 30%
 da mensalidade, precisará apresentar apenas um fiador.

      Dos 88 mil inscritos na primeira etapa do Fies, 50 mil foram
 contemplados, mas 28 mil esbarraram nos critérios de seleção, entre eles o de
 renda mínima familiar. De acordo com a regra antiga, a parcela da mensalidade
 a ser paga pelo aluno não poderia ultrapassar a 60% de sua renda per capita
 familiar.

      Outros 10 mil alunos foram excluídos porque as universidades fixaram
 cotas limitadas para atender os beneficiados pelo Fies. As instituições devem
 informar ao MEC sobre o quanto estão dispostas a ampliar o programa.

      Um dos desafios nessa nova etapa é garantir que as universidades abram
 mais vagas para os beneficiados pelo Fies. Das 670 instituições de ensino que
 participam do programa, 110 já esgotaram a cota. As instituições que não
 abrirem mais vagas não vão participar da nova etapa. Os formulários estarão
 disponíveis no site do MEC na Internet (www.mec.gov.br), na opção Fies.

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Último dia da exposição Picasso leva 15 mil visitantes ao Masp

      Público, maior do que da mostra Monet, foi o maior já registrado no museu em um só dia

      JOTABÊ MEDEIROS

      Cerca de 15 mil pessoas foram ao Museu de Arte de São Paulo (Masp),
 no último dia da exposição Picasso - Anos de Guerra. A visitação, gratuita no
 feriado, foi possível pelo patrocínio da Telefônica. O público foi estimado pela
 direção do museu, que ficaria aberto até as 22 horas.

      O número é maior que o registrado durante a exposição das obras de
 Claude Monet, em 1997 - cerca de 13 mil-, até então recorde para um único dia
 de visitação. Até quinta-feira, Picasso - Anos de Guerra havia sido vista por 157
 mil pessoas.

      As grandes exposições realizadas no museu, recentemente, fizeram bons
 públicos. A de Botero atraiu 118 mil visitantes; a de Portinari, 103 mil; e a de
 Salvador Dalí atraiu 200 mil espectadores. O recorde ficou com a mostra de
 Monet, vista por 401 mil pessoas.

      A mostra reuniu 163 trabalhos, entre pinturas, gravuras, esculturas,
 fotografias e textos do pintor espanhol.

      São obras do período entre 1937 e 1945, que mostram seu trabalho sob a
 esfera de influência da 2ª Guerra Mundial.

      De São Paulo, as obras voltariam para Paris. A próxima mostra do Masp
 será aberta no dia 30. As obras exibidas em São Paulo vieram do Museu
 Picasso de Paris, em sua maioria. Algumas foram cedidas pelo Museu de Arte
 Moderna, também de Paris, e quatro pelo Museu de Arte Contemporânea da
 USP, de São Paulo.

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Catálogo do MEC ajuda a evitar cursos ilegais (14.11.99)

      Centenas de estudantes descobrem, tarde demais, que diploma não é válido

      JULIANA JUNQUEIRA

      Neste fim de semana, mais um caso de desrespeito à lei mostrou aos
 estudantes a importância de buscar informações rigorosas sobre as faculdades
 que pretendem cursar. Por uma decisão da Justiça, a Universidade de Ribeirão
 Preto (Unaerp) foi impedida, sexta-feira à noite, de realizar o vestibular para
 curso de direito, do câmpus Guarujá, marcado para ontem. De acordo com o
 processo, a Unaerp não apresentou o projeto do novo curso para o Conselho
 Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, o que é obrigatório por lei.

      Todas as instituições de ensino superior estão obrigadas pela portaria 971,
 do Ministério da Educação (MEC), a fornecer aos candidatos informações sobre
 a regularidade dos cursos e da escola antes da inscrição para o vestibular. O
 documento, que especifica ao todo 12 itens, é o principal aliado dos estudantes
 na hora do vestibular.

      A resolução, de agosto de 1997, relaciona as informações e onde elas
 devem ficar: num catálogo, colocado na secretaria da instituição e em lugar bem
 visível. Em qualquer época, os estudantes devem ter facilidade de acesso a ele.
 "O documento fornece um retrato da instituição e essa é a melhor proteção que
 o estudante pode ter", afirma Luiz Roberto Liza Curi, diretor do Departamento
 de Políticas de Ensino Superior do MEC. O dossiê deve ser renovado
 anualmente até 30 de outubro.

      Risco - Nos últimos meses, foram denunciados casos que colocam em
 risco o futuro profissional de centenas de estudantes, como o da Universidade
 Bandeirante de São Paulo (Uniban), que está sendo investigada pelo Conselho
 Nacional de Educação (CNE) por realizar vestibular em um câmpus não
 autorizado. Um grupo de ex-alunos da Uniban também está processando a
 instituição por danos morais, porque o curso de direito não foi reconhecido,
 mesmo após a formatura, há mais de um ano.

      Depois de cursar direito na Uniban por cinco anos, Jair Vieira Leal, de 56
 anos, descobriu que o curso não era reconhecido pelo MEC. Assim, de nada
 adiantava ter sido aprovado no exame da Ordem dos Advogados do Brasil
 (OAB), pois, sem o reconhecimento pelo MEC, a Uniban não tinha como
 conceder o diploma. "Sinto-me um idiota", diz ele.

      A primeira turma formou-se em 1998. A instituição, entretanto, já poderia
 ter dado entrada no processo em 1997, mas só o fez este ano. Procurada pelo
 Estado, a direção da Uniban não quis se pronunciar sobre este e o caso do
 câmpus ainda não reconhecido. O relator do processo da Uniban no CNE, o
 conselheiro José Carlos Almeida, explicou que o caso só não foi julgado por
 causa do acúmulo de processos e que pode entrar na pauta da reunião de 6 de
 dezembro.

      Os alunos do 5º ano de direito vão organizar uma comitiva para expor aos
 representantes do CNE a gravidade do caso. Às vesperas da formatura, eles
 não esperam que os diplomas sejam reconhecidos. "Faço estágio e posso ficar
 no emprego depois de formado, mas, se o curso não for reconhecido, perderei a
 oportunidade", queixa-se o quintoanista Alexandre Martini, de 25 anos.

      Dificuldade - O uso desse catálogo, porém, é dificultado por duas
 razões. A primeira, é que poucos sabem da obrigatoriedade que a escola tem de
 oferecê-lo. E a segunda é que nem toda escola cumpre a lei. Várias faculdades
 de São Paulo mantêm o documento na secretaria, mas em locais pouco visíveis
 ou de difícil acesso.

      Na semana passada, a repórter do Estado apresentou-se como estudante
 em algumas secretarias de escolas, solicitando o catálogo.

      Na Universidade Ibirapuera (Unib) as atendentes do setor de vestibular e
 da secretaria não sabiam da existência do catálogo. A recepção da secretaria
 afirmou que a instituição nunca teve este tipo de documento. "Não dá para ter
 um guia com os dados de todos os 400 professores", disse a atendente, que se
 identificou como Graça. "Quem informou sobre isso falou errado."

      Mais tarde, ao ser entrevistado, o secretário geral da Unib, Dalton Heitor
 Ferriello, assegurou que a instituição mantém um catálogo na secretaria e outro
 na biblioteca. "Foi desconhecimento da funcionária", afirmou.

      Nas Faculdades Associadas de São Paulo (Fasp) e na Faculdade de
 Informática e Administração Paulista (Fiap), o catálogo também não estava
 disponível. Na Fasp, um funcionário que se identificou como Wanderlei disse
 que a publicação fica guardada na secretaria. Na época de vestibulares é que
 vai para o balcão de informações.

      Na Fiap, a assessora pedagógica Fabiula Alves Pimentel, explicou que o
 dossiê não fica disponível para os alunos por motivos operacionais. "É
 complicado, pois pode sumir", afirmou. Ele assegurou, no entanto, que há cópias
 do relatório no departamento de vestibular, na secretaria, na biblioteca e no setor
 de pós- graduação.

      Obrigação - De acordo com o MEC, os alunos devem exigir o acesso ao
 catálogo e as escolas têm obrigação de informar aos estudantes sobre a
 existência do catálogo. "Quem não cumprir com a portaria pode passar por
 sindicância e até perder a autorização ou o reconhecimento", explica Curi.

      A vestibulanda Anamaria Cristina Caldeira Baptista, de 21 anos,
 surpreendeu-se ao descobrir que o curso de administração de empresas em que
 se inscreveu não é reconhecido pelo Ministério da Educação (MEC). "Na
 inscrição, ninguém me falou nada', disse Anamaria, que fez a prova."Acho que
 os candidatos ao vestibular têm o direito de saber antes da inscrição se a
 faculdade é reconhecida ou apenas autorizada para fazer sua opção", disse ela,
 que mesmo aprovada, desistiu da matrícula. O curso escolhido por Anamaria, no
 Centro Universitário São Camilo, tem autorização para funcionar e a
 administração ainda espera completar o segundo ano para pedir o
 reconhecimento, como determina a lei.

      A diferença entre curso autorizado e reconhecido confunde os
 estudantes. A primeira significa que o projeto da instituição para o novo curso
 foi aprovado pelo MEC e pode ser posto em prática. "O reconhecimento vem
 mais tarde, é a comprovação de que a escola cumpriu o projeto e mantém um
 curso de qualidade", explica Curi.

      As faculdades, faculdades integradas ou faculdades isoladas têm de
 solicitar ao MEC a autorização para criar um curso ou aumentar o número de
 vagas. Já os centros universitários e as universidades têm autonomia para isso.
 Todas as instituições, entretanto, devem solicitar o reconhecimento para cada
 curso individualmente. Segundo a portaria 877, de 1997, o pedido deve ser feito
 a partir do segundo ano de funcionamento para os cursos com até quatro anos
 de duração e, a partir do terceiro ano, para os cursos com mais de cinco anos.

      O reconhecimento é válido por cinco anos. Segundo Curi, os alunos dos
 cursos ainda não reconhecidos podem ficar tranqüilos. "Mas eles devem ficar
 atentos se a escola deu entrada no prazo com o pedido de reconhecimento",
 alerta o diretor. Consultas sobre os cursos também podem ser feitas por meio do
 serviço de informações do MEC, nos telefones 0800-616161, (0--61) 410-8600,
 nas delegacias regionais do ministério ou pelo e-mail (curi@sesu.mec.gov.br).

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77% dos hipertensos abandonam tratamento (13.11.99)

       Pesquisa do HC de São Paulo mostra que, apesar do esforço dos médicos, desistência ainda é alta

      LÍGIA FORMENTI

      Uma pesquisa que acaba de ser concluída pelo Departamento de
 Hipertensão do Hospital das Clínicas de São Paulo revela que apenas 23% dos
 pacientes com pressão alta seguem à risca as recomendações médicas. O
 estudo foi desenvolvido ao longo do último ano com 1.200 hipertensos atendidos
 no serviço. O coordenador do trabalho, o professor livre-docente da Faculdade
 de Medicina da Universidade de São Paulo Décio Mion Júnior, afirma que os
 resultados obtidos são semelhantes aos registrados em outros países. "Por mais
 esforço que se faça, não conseguimos ainda diminuir o alto índice de abandono
 ao tratamento", conta. "Esse é o nosso maior desafio atualmente."

      Os hipertensos apresentam risco duas vezes maior de ter enfarte e quatro
 vezes maior de ter um derrame do que pessoas com pressão normal. Mion
 informa que a desistência do tratamento ocorre com todos os tipos de paciente.
 Ao contrário do que possa parecer, a questão econômica, o nível de informação
 sobre a doença ou a escolaridade em nada influenciam o comportamento do
 hipertenso: "Nem mesmo o preço do remédio influencia."

      A falta de um perfil definido leva os especialistas a acreditarem que a
 adesão depende, principalmente, das características emocionais do paciente.
 Mas não é só. "Quando o tratamento é desempenhado por uma equipe
 multidisciplinar, a adesão ao tratamento é maior."

      Efeitos colaterais - O diretor do Instituto do Coração, José Antônio
 Ramirez, também considera indispensável o tratamento com equipe
 multidisciplinar. "É necessário fazer um acompanhamento preciso, para tentar
 contornar efeitos colaterais dos remédios", conta. Ramirez lembra que alguns
 pacientes podem apresentar dificuldades de ereção e, algumas mulheres,
 diminuição da libido. "Quando isso ocorre, eles geralmente deixam de usar o
 remédio, principalmente porque a hipertensão não traz nenhum sintoma."

      Agora, o ambulatório de hipertensão está desenvolvendo um estudo para
 verificar a eficácia dos grupos multidisciplinares, com 500 pacientes. Metade
 dos hipertensos terá tratamento convencional. O restante participará de reuniões
 periódicas com vários profissionais. Além disso, eles receberão apoio de um
 serviço de suporte, feito pelo Laboratório Biosintética.

      No serviço, já realizado gratuitamente para hipertensos cadastrados,
 pacientes recebem telefonemas de profissionais para verificar como anda o
 tratamento e esclarecer dúvidas que possam existir. "Trabalhos semelhantes já
 foram feitos com pessoas com colesterol alto e mostraram um resultado
 bastante positivo", afirma Mion.

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Folha de S. Paulo

O poder e a sombra

             Só nos resta a esperança de que
             ainda haja neste país líderes capazes
             de levantar o povo
 

            FÁBIO KONDER COMPARATO

            Há certos estados mórbidos que se ocultam naturalmente sob
            aparências saudáveis. Outros que, visíveis a olho nu, são
            deliberadamente ocultados do paciente, por boas ou más razões. O
            nosso país encontra-se, a toda evidência, nesta última situação,
            sendo que a ocultação da doença obedece à pior das motivações.
            Quando o capitalismo aliou-se à democracia representativa, no
            século passado, todo o empenho de seus líderes consistiu em pôr na
            sombra os detentores efetivos do poder supremo (a soberania),
            mantendo os focos de luz permanentemente fixados nos chamados
            representantes do povo. A estratégia das classes soberanas, em
            regime capitalista, é sempre a mesma: nunca aparecer no palco,
            tudo decidir nos bastidores.
            Acontece que a dominação social de qualquer espécie racial, sexual,
            política, econômica ou religiosa, para manter-se sólida e duradoura,
            depende sempre de um trabalho de legitimação, desenvolvido junto
            do público. Para essa delicada tarefa, são convocados aqueles que
            Antonio Gramsci qualificou genericamente de "intelectuais".
            No sistema capitalista, a classe empresarial compreendeu desde
            logo a importância de arregimentar para si o maior número desses
            "legitimadores": engenheiros, cientistas, advogados, economistas,
            politicólogos, jornalistas, líderes religiosos. Todos eles, cada qual em
            seu campo próprio de atuação, passaram a defender a justiça ou a
            explicar a necessidade natural da ordem estabelecida, em nome da
            ciência, do direito, da moral, da prosperidade econômica ou até da
            revelação divina.
            O capitalismo poderia se contentar com isso, mas foi ainda mais
            longe. Confirmando o seu extraordinário talento criativo, que Karl
            Marx não cessou de elogiar, a burguesia empresarial decidiu
            assumir, ela própria, o encargo de legitimação do regime político e
            do sistema econômico, com a montagem e a exploração de grandes
            empresas de comunicação de massa, interligadas agora
            universalmente sob a forma "conglomeral" (multimídia). Elas podem
            dar-se ao luxo de criticar os governos e denunciar a corrupção de
            certos políticos. Mas evitam contestar o sistema, ou trazer os
            verdadeiros donos do poder à luz do dia. As mínimas palavras e os
            mínimos gestos de FHC são difundidos e examinados como se dele
            dependesse o futuro do país.
            A imprensa, o rádio e a televisão fazem questão de repercutir no
            público o frêmito de nervosismo que agita a classe política, com a
            excitante antecipação do debate sucessório. E a informação termina
            aí.
            O povo não percebe até que ponto essa exibição funambulesca dos
            políticos em cena obedece ao roteiro traçado pelos diretores da
            peça. A Constituição da República, celebrada como a suprema
            expressão da vontade popular e o último bastião em defesa dos
            direitos humanos, foi remendada 28 vezes em dez anos de vigência;
            o que perfaz a apreciável média de quase três emendas por ano.
            Tudo isso, na verdade, traduz a mudança de direção operada nos
            bastidores. O setor industrial, que há mais de meio século liderava
            as classes dominantes, acaba de ser vencido pelos banqueiros e
            especuladores internacionais. Outrora, a pujança de uma nação
            media-se em termos de capacidade produtiva instalada e pleno
            emprego. Hoje, a riqueza econômica reduz-se ao cálculo de lucros
            de arbitragens sobre taxas de juros, variações cambiais e cotações
            bolsísticas.
            Concomitantemente, o comando dos setores-chave do complexo
            empresarial do país desloca-se para o estrangeiro e organiza-se
            numa rede de participações acionárias entrecruzadas, piramidais ou
            em cadeia, por efeito das sucessivas fusões e incorporações que
            marcam as etapas da concentração capitalista. O controle de nossa
            vida econômica e política passa, com isso, às mãos de entidades
            impessoais, irresponsáveis e sem pátria: são grupos societários,
            consórcios, fundos de investimento ou de participação.
            É preciso reconhecer que o grande empresariado nacional não foi
            uma vítima inocente desse processo perverso. Ele imaginou,
            bisonhamente, que iria reforçar o seu poder de mando na sociedade
            à custa do enfraquecimento do Estado. Nessa revolta temerária
            contra aquele que sempre o susteve, não perdeu apenas a sua
            posição dominante para o capital estrangeiro. Deitou fora também o
            patrimônio público e a independência nacional.
            Agora só nos resta a esperança de que ainda haja neste país líderes
            capazes de levantar o povo, não apenas contra os fantoches que
            ocupam o governo, mas sobretudo contra aqueles que os dirigem e
            manobram de fora, com o claro objetivo de reconduzir o Brasil à
            condição colonial.
 

            Fábio Konder Comparato, 63, advogado, doutor pela Universidade de Paris
            (França), é professor titular da Faculdade de Direito da USP, fundador e
            diretor da Escola de Governo e autor, entre outros livros, de "A Afirmação
            Histórica dos Direitos Humanos".
 

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"Chuva" de meteoros pode ser visível

            da Reportagem Local

            A chuva de meteoros leonídeos, evento que ocorre anualmente,
            poderá ser vista na madrugada de amanhã no Brasil.
            Segundo Amâncio Friaça, professor do Instituto Astronômico e
            Geofísico da Universidade de São Paulo (IAG-USP), o melhor
            horário para observar o fenômeno é depois das 2h. Mas, como a
            intensidade da chuva varia bastante, não há garantias de que o
            evento possa ser observado.
            A chuva de leonídeos do ano passado foi considerada
            decepcionante pelos astrônomos brasileiros. Mesmo assim, várias
            pessoas observaram o fenômeno em locais afastados das cidades.
            Os leonídeos são partículas minúsculas do cometa Tempel-Tuttle,
            que orbita o Sol, em média, a cada 33 anos. A chuva ocorre porque
            a Terra cruza a órbita do cometa, repleta dessas partículas.

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Universidade pública e transparência (15.11.99)

            O importante é verificar se os mecanismos de controle e inspeção são eficientes

            ANTONIO DOS SANTOS SILVA e HERMANO TAVARES

            As universidades públicas, particularmente as de São Paulo, têm se
            destacado no cenário nacional e internacional pela produtividade e
            excelência de seus trabalhos, formando o que se convencionou
            chamar de sistema de ensino superior público paulista.
            Os mecanismos de avaliação acadêmica, internos e externos,
            apontam para o fato de que mais da metade dos alunos de
            pós-graduação no país está matriculada na USP, Unesp e Unicamp,
            percentual que atinge 70% no caso de doutorado. Do total de
            artigos científicos brasileiros publicados e indexados no exterior,
            54% originam-se nas universidades estaduais de São Paulo. A isso
            deve-se acrescentar a qualidade da formação acadêmica,
            evidenciada no Exame Nacional de Cursos, e a prestação de grande
            volume de serviços à comunidade, notadamente no atendimento
            médico-hospitalar da população mais carente.
            Falar sobre a importância das universidades no desenvolvimento
            científico e tecnológico do país seria reiterar o que já foi escrito e
            reescrito por muitos. Todavia vale salientar que a nova ordem
            internacional encontra-se balizada no primado da ciência e da
            tecnologia e que estas, no caso brasileiro, são desenvolvidas com o
            investimento do Estado, especialmente por meio de suas instituições
            universitárias.
            Passados dez anos da instituição da autonomia
            administrativo-financeira das universidades estaduais paulistas, o
            balanço apresentado revela que as três instituições aumentaram em
            37% o número de alunos atendidos em seus cursos, ao mesmo
            tempo em que tiveram o seu corpo docente reduzido em 7,5%. Na
            pós-graduação, o número de teses de doutorado e dissertações de
            mestrado cresceu 136%, proporcionando não só a elevação na
            qualificação de seus docentes como preparando professores para
            instituições universitárias de todo o país.
            É evidente que os dados aqui apresentados têm a liderança da USP,
            que, fundada em 1934, apresenta-se hoje como o principal núcleo de
            excelência no cenário universitário brasileiro.
            As sucessivas crises por que têm passado as universidades revelam
            o seu potencial e a sua capacidade de superação. Com a autonomia,
            as universidades paulistas passaram a receber 9,57% da quota do
            Estado no ICMS e o direito de gerir seus orçamentos de forma
            independente. Todavia o trabalho do docente-pesquisador não
            ocorre unicamente com o investimento proveniente do orçamento da
            própria universidade. Agências de fomento científico -como Fapesp,
            CNPq, Capes, Finep- aportam recursos destinados a projetos
            específicos de ensino e pesquisa, recursos muitas vezes repassados
            diretamente aos próprios docentes e por eles geridos. Por serem
            administrados dessa forma, cabe a eles a prestação de contas às
            agências financiadoras.
            Ao par desse modo de funcionamento das agências de fomento, há
            que se considerar também as peculiaridades da universidade.
            Enquanto instituição que desenvolve sua identidade no interior de
            uma sociedade ampla, a partir da produção do conhecimento, a
            universidade mantém-se como um espaço plural unido na
            diversidade. Essa característica, cultivada pelas universidades
            estaduais de São Paulo, faz com que, enquanto organizações
            complexas e descentralizadas, tenham na estrutura departamental
            de suas unidades o núcleo-base de aglutinação de seus
            pesquisadores. Assim, organizações universitárias como a USP, que
            congrega em seus quadros um contingente de 4.700 docentes e 56
            mil alunos (graduação e pós-graduação), desenvolvem formas de
            administração que repousam, em uma das pontas da escala, no
            próprio docente que obteve o financiamento, passando pelo
            departamento, pela unidade de ensino ou pela administração central.
            Apesar de toda a atenção que as administrações centrais têm tido
            na aplicação desses recursos, parece óbvio que a universidade não
            está isenta da ocorrência de atos que possam não se coadunar com
            os princípios da administração da coisa pública. Por serem
            administrados de forma descentralizada, sob responsabilidade dos
            docentes vinculados aos projetos, eventuais deslizes ou má conduta
            deliberada na aplicação dos recursos não podem ser atribuídos à
            instituição universitária, cabendo a responsabilidade ao contemplado.
            O importante é verificar se os mecanismos de transparência,
            controle e inspeção, das universidades ou dos financiadores, são
            eficientes, mostrando-se capazes de detectar falhas. Nos casos
            ocorridos na USP, recentemente abordados pela Folha, é certo que
            esses mecanismos revelaram-se eficientes. Prova disso é a
            utilização, pelo jornal, de ampla documentação interna à
            universidade na denúncia dos fatos.
            Contudo as repetidas reportagens sobre o desvirtuamento de
            recursos acabaram por criar um clima desnecessário, injusto e de
            falsa dimensão.
            A insistência com que a Folha tem destacado algumas mazelas
            passa à opinião pública uma imagem negativa -e exclusivamente
            negativa- das universidades públicas. Certamente há que se
            aproveitar tais denúncias no aprimoramento da administração da
            coisa pública. Porém não há como deixar de visualizar alguma
            relação contrastante entre tais denúncias e o festival de "marketing"
            das instituições privadas de ensino, que, por sua vez, exibem
            reduzida excelência em suas atividades acadêmicas, oferecendo,
            muitas vezes, um simulacro de ensino.
            Seria interessante que o cidadão que vive em São Paulo pudesse vir
            a ter, igualmente, informações completas sobre a excelência do
            trabalho realizado pelas três universidades públicas paulistas, na
            área de ensino e na produção científico-tecnológica, comprometido
            com o atendimento das demandas da sociedade brasileira.
 

            Antonio Manoel dos Santos Silva, 58, é reitor da Universidade Estadual
            Paulista (Unesp) e presidente do Conselho de Reitores das Universidades
            Estaduais Paulistas (Cruesp).
            Hermano Tavares, 58, é reitor da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

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CUPIDO NA ACADEMIA (14.11.99)

            Professores de psicologia experimental estudam uma das principais raízes do desencontro, a timidez
            USP pesquisa fórmula do 'desencalhe'

             Rochelli Costi - 10.abr.96/Folha Imagem
 
             Ailton da Silva, professor de psicologia  da USP

            AURELIANO BIANCARELI
            da Reportagem Local

            Avenidas, ônibus, metrôs, shoppings, multidões nos parques. Só na
            cidade de São Paulo, por exemplo, são cerca de 7,4 milhões de
            pessoas acima de 14 anos. Pelas estatísticas internacionais, pelo
            menos 30% dessa multidão pode estar à procura de uma "alma
            gêmea". São milhões de pessoas cruzando olhares e desaparecendo
            sem se encontrar.
            Boa parte nunca achará sua "outra metade", a maioria irá se
            contentar com uma "alma" que de gêmea tem muito pouco. Uma
            ciência do encontro, se existisse, poderia mudar o rumo e a vida de
            muitas dessas pessoas.
            É o que está propondo o Departamento de Psicologia Experimental
            da Universidade de São Paulo. Em lugar de criar uma gigantesca
            agência de casamento, função que não cabe à universidade, os
            professores estão estudando uma das principais raízes do
            desencontro, a timidez.
            O projeto vem sendo desenvolvido há cerca de três anos com o
            nome de Ceta (Centro de Estudos da Timidez e do Amor). "A
            proposta é estudar empecilhos, processos e bloqueios dos encontros
            amorosos", diz Ailton Amélio da Silva, criador do Ceta e
            responsável pela disciplina de relacionamento amoroso dos cursos
            de graduação e pós-graduação da psicologia da USP.
            A fila de espera no Ceta passados dois anos. Mas, antes de ser uma
            clínica, o centro quer ser uma espécie de laboratório de ensaio e
            pesquisa para juntar conhecimento e treinar profissionais.
            Numa linguagem mais popular, pode-se dizer que ali se pesquisa
            mecanismos que ajudem a "desencalhar" homens e mulheres.
            Técnicas que facilitem as pessoas a paquerar, namorar e a juntar
            seus trapos e projetos.
            Amélio da Silva, 51, pai de uma filha de 14 anos e casado há 23,
            vem se dedicando há mais de uma década ao estudo dos
            relacionamentos amorosos. Prepara, ao mesmo tempo, três livros
            dedicados ao tema, todos esperados para o início de 2000.
            Silva parte do princípio de que a timidez social é a principal
            dificuldade no encontro entre as pessoas. Na meia-luz dos bares
            singles, nas danceterias, nos locais de trabalho e mesmo na fila do
            banco, os que se abrem para o outro têm mais chance de cavar um
            "canal" que pode conduzir a uma paquera.
            Silva exibe pesquisas feitas nos EUA e estudos elaborados por ele e
            sua equipe. Entre suas crenças firmadas, o professor cita três
            fatores que contribuem para que uma relação permaneça estável e
            saudável. Um é a satisfação. O outro, o investimento psicológico,
            que envolve planos e espectativas.
            O terceiro chega a ser embaraçoso e inconfessável: a falta de
            alternativas. A pessoa continua com o parceiro porque não vê ou
            não tem possibilidades de conseguir outro. Silva lembra que muitas
            relações terminamquando um passa a conviver com um grupo mais
            bonito ou mais bem-sucedido do que aquele no qual estava inserido.
            Outra tese defendida por Silva é a homogamia, o princípio de que os
            iguais se atraem. "Alguma diferença chega a ser saudável, mas a
            pessoa gosta de dividir planos e opiniões com a outra, gosta de
            admirar a outra e de ser admirada."

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Esperar demais dificulta relação (14.11.99)

            da Reportagem Local

            Vencer a timidez pode ser o primeiro passo para se iniciar um
            relacionamento, mas não é garantia de que a pessoa terá uma
            convivência amorosa feliz. Os parceiros muitas vezes esperam
            demais das relações e sobrecarregam o amor com excesso de
            expectativas.
            Quem diz isso é outra especialista em relações amorosas, a
            psicóloga e professora da PUC-SP, Noely Montes Moraes,
            vice-chefe da clínica daquele universidade. Noely é autora do livro
            "Fica Comigo para o Café da Manhã" (Editora Olho d" Água, R$
            9,00, 84 páginas). O livro trata "da passagem da velha crença das
            relações amorosas, do "felizes para sempre", que perdurava até
            duas décadas atrás, para o "bom e infinito enquanto dure"", afirma a
            autora.
            É o desafio dessa passagem que pode impedir a trajetória amorosa
            de muitos casais, mas que está enriquecendo muitos outros. A
            mulher já não quer nem precisa de alguém que a convide apenas
            para a passar a noite.
            "A independência econômica da mulher fez ruir as bases do
            casamento", diz Noely, 46, divorciada. (AB)

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CUPIDO NA ACADEMIA (14.11.99)

            Para a psicóloga Noely Montes Moraes, os tímidos valorizam demais a opinião dos outros
            Timidez atinge 4 em cada 10 pessoas

            da Reportagem Local

            De cada dez pessoas, estima-se que pelo menos quatro delas
            sofram com a timidez. O que não as impede de tocar suas vidas,
            paquerar e casar. Estimativas -sempre norte-americanas- calculam
            que 92% das pessoas vivem uma situação de casamento em algum
            momento da vida.
            O problema -diz o professor Ailton Amélio da Silva- é que os
            tímidos têm as suas opções diminuídas. Não significa
            necessariamente que os tímidos são mais infelizes no casamento,
            mas é certo que suas escolhas foram mais pobres e limitadas. "No
            mercado amoroso, o tímido sai perdendo", diz a psicóloga Noely
            Montes Moraes, da PUC de São Paulo.
            A timidez resulta, especialmente, do meio em que a criança cresceu
            e de características de sua personalidade. "O tímido coloca um peso
            muito grande na opinião das outras pessoas", diz Noely.
            Segundo ela, o tímido sofre da "síndrome do holofote". Ao
            atravessar um salão de baile ou o corredor de um bar ou ser
            chamado pelo chefe imagina que todos os olhares estão sobre ele.
            Para o behaviorista, como a equipe do professor Silva, a timidez
            pode ser reduzida com treinamento e exposição. Já os junguianos,
            como a professora Noely, procuram saber qual o sentido dessa
            timidez.

            O amor é míope
            Silva costuma dizer que o amor é míope, não cego. Quer dizer, as
            pessoas apaixonadas podem não enxergar tudo direitinho, mas o
            lado racional do cérebro vigia todas as suas escolhas.
            Apenas um exemplo: perguntadas sobre as características ou
            defeitos que impediriam totalmente um relacionamento (veja quadro
            ao lado), as pessoas citaram a arrogância, a prepotência e uma
            grande diferença de idade. Defeito físico grave vem em sétimo
            lugar, e o machismo, em oitavo.
            A lista certamente não reflete a verdade, é apenas politicamente
            correta. No fundo, quando as pessoas estão escolhendo um parceiro
            empregam filtros extremamente racionais e até cruéis. Na grande
            maioria dos casos -dizem os especialistas- esses filtros ficam
            apenas no inconsciente. Uma espécie de vigia que o cérebro
            mantém sobre o coração. (AURELIANO BIANCARELLI)

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Comércio explora dificuldade (14.11.99)

            da Reportagem Local

            A timidez e a dificuldade em ter um relacionamento afetivo criaram
            um comércio. Agências de encontros e de casamentos prometem
            solucionar esses problemas de formas variadas.
            A Internet oferece muitas opções. Na rede, é possível escolher
            futuros namorados em galerias de fotos. A agência Apego criou na
            Internet o "Clube do Cupido", cujo lema é "esqueça a timidez e
            deixe alguém se aproximar de você". Colocar a foto na galeria é de
            graça. Mas, quem se interessar por alguém, paga R$ 40 para
            receber os dados da pessoa.
            Quem quiser atendimento mais personalizado e tiver dinheiro para
            gastar pode pagar R$ 900 para a agência Lunch for Two. A
            empresa oferece aos clientes entrevistas com psicólogos e
            encontros para almoço com pessoas que tenham " a ver" com o
            cliente.
            A empresa tem 3.000 cadastrados. A timidez, segundo Mônica de
            Souza, funcionária da agência, é um dos motivos alegados pelos
            clientes que buscam a empresa.
            A arquiteta Márcia (nome fictício), 32, procurou a agência há um
            mês. "Cansei de me envolver com pessoas que não têm nada a ver
            comigo, quero conhecer uma pessoa legal para casar", diz. O último
            namoro de Márcia terminou há cerca de um ano. "Não tenho tempo
            disponível para sair e paquerar". (A.L)

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Acanhamento social cresce (14.11.99)

            da Reportagem Local

            A timidez social, que poderia parecer fora de moda num universo de
            alta competitividade e de grande exposição na mídia, estaria, na
            verdade, em franco crescimento. Esta tese é defendida por Ailton
            Amélio da Silva com base em dois estudos norte-americanos de
            1998.
            O aumento da timidez social e da timidez para relacionamentos
            amorosos estão sendo atribuídos justamente ao desenvolvimento da
            tecnologia e de novas formas de comunicação. "As pessoas têm
            cada vez menos tempo para contatos face a face", diz Silva.
            As pessoas hoje passam muito tempo diante da televisão e usam
            telefones, fax e internet. Se mostram capazes de escrever cartas
            apaixonadas pelo teclado, mas ficam sem jeito de acenar com um
            gesto quando se defrontam na rua ou no supermercado.
            "Esta diminuição dos contatos sociais tem como consequência um
            menor desenvolvimento de habilidades sociais e o enfraquecimento
            de vínculos afetivos", diz o psicólogo.
            A tecnologia, no entanto, não deve mudar os sinais verbais e não
            verbais quase milenares da paquera. Se no tempo das cavernas os
            homens arrastavam suas amadas pelos cabelos, hoje um olhar
            continua sendo um sinal de que a "fêmea" estaria interessada no
            parceiro.
            A diferença é que hoje a mulher tem a liberdade de entrar sozinha
            em um ambiente e fixar o olhar naquele que vai conquistar. O
            problema é que, se todos os homens ali forem tímidos, ela só vai
            assustá-los ainda mais. (AB)

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CUPIDO NA ACADEMIA ( 14.11.99)

            Desacerto conjugal é ligado à herança biológica, mas nem sempre significa infelicidade a dois
            Maioria não vive com o parceiro ideal

            da Reportagem Local

            Cerca de 80% das pessoas que estão dividindo a cama com alguém
            não estão vivendo com o companheiro ou companheira com quem
            um dia sonharam se casar. A estimativa é do professor Ailton
            Amélio da Silva, com base em estudos próprios e pesquisas
            norte-americanas.
            Não significa que elas não estejam felizes com as pessoas com
            quem estão vivendo, diz o professor. Com o tempo, a convivência
            aproxima o casal e pode encher o cotidiano de bons momentos. As
            pessoas acabam se gostando.
            Esse desacerto entre os pretendentes tem uma base biológica
            fincada nos genes que herdamos dos nossos ancestrais. Somos
            como os animais, lembram os especialistas. Por exemplo, em cerca
            de 1.100 culturas contemporâneas estudadas, o homem sempre
            prefere mulheres mais jovens. Em 80% dessas culturas, o homem
            têm uma tendência à poligamia, mas em apenas 10% delas a coloca
            em prática.
            Outro fato biológico é que, em todas as culturas, o critério de beleza
            e de saúde está sempre associado. Mesmo numa época de bebês de
            proveta e de inseminação artificial, o espécime capaz de melhor
            procriar ainda é o mais disputado. "É uma escolha instintiva, ainda
            da nossa herança animal", diz a professora Noely Montes Moraes,
            da PUC de São Paulo. ""Escolher um bom reprodutor está na nossa
            história genética, como uma forma de preservar a espécie."
            Daí a disparidade entre o parceiro desejado e aquele de fato
            escolhido. Veja num escritório ou numa classe, diz o professor Silva.
            Há sempre dois ou três homens ou mulheres que são admirados por
            todo o grupo, e que têm ao seu redor dezenas de pretendentes.
            Como eles se casarão apenas com uma pessoa, os outros acabarão
            namorando terceiros.
            Aqui entra o que Silva chama de teoria da necessidade e da
            disponibilidade. ""As pessoas ficam com aquela que está à mão."
            Isso explica, de uma forma cruel, porque rico quase não casa com
            pobre e porque feio casa com feio.
            É o que chamamos de homogamia, ou recorte ideológico, com as
            pessoas se aproximando daquelas que se assemelham em classe e
            em cultura. É uma forma de assegurar a relação, dizem os
            especialistas. Alguém que se sinta inferior em termos intelectuais,
            físicos ou financeiros passará todo o tempo com medo de perder o
            outro. Nos EUA, por exemplo, mais de 80% dos casais têm pelo
            menos quatro características em comum: a raça, o nível de
            escolaridade, a religião e a idade, que não vai além dos cinco anos.
            A professora Noely diz que essa atração pelo semelhante é menor
            nos mais jovens. Como eles ainda não têm a auto-estima muito
            sedimentada, são fascinados pelo que o outro tem de diferente.
            ""Ele é atraído por aquilo que falta nele. É uma forma de se projetar,
            uma troca mútua que permite o crescimento dos dois."
            À medida que os anos passam, as pessoas tendem a gostar mais
            delas próprias e ganham mais autoconfiança, por isso preferem
            compartilhar seus sentimentos com parceiros que tenham as
            mesmas afinidades.
            O psiquiatra Wimer Botura Júnior, presidente do Comitê de
            Adolescência da Associação Paulista de Medicina, lista entre as
            causas do desencontro uma certa frustração acumulada com a vida,
            especialmente nas pessoas mais adultas. "Muitas já viveram suas
            dores de amor e acabam preferindo ficar na defensiva."
            Botura, 51, pai de três filhos, é autor de vários livros, entre eles
            "Ciúme" e "Filhos Saudáveis", editados pela República Literária.
            (AURELIANO BIANCARELLI)

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'Faltava assunto, eu tremia e suava' (14.11.99)

            ANTONINA LEMOS
            da Reportagem Local

            Tremedeira, mãos suando e falta de assunto. A timidez, segundo os
            que sofrem do problema, realmente dificulta a vida amorosa,
            principalmente no início dos relacionamentos.
            "Eu era tímido demais e por isso tinha dificuldades em dar em cima
            das meninas", diz o funcionário público Edilson Ferreira, 28.
            Ele diz que não conseguia olhar direto nos olhos das mulheres. "Eu
            ficava sem graça e acabava olhando para baixo", diz.
            Outro problema comum entre os tímidos é a sensação de não ter
            assunto com a pessoa "pretendida". "Eu conseguia chegar para
            conversar normalmente, mas o assunto começava a faltar, tremia e
            nem conseguia mais falar", diz.
            A timidez, segundo Ferreira, melhorou há cerca de cinco anos,
            quando ele começou a trabalhar diretamente com o público. "Uma
            vez trabalhei como vendedor em uma loja e as minhas colegas eram
            cinco mulheres. Isso ajudou muito a diminuir a timidez. Foi uma
            verdadeira aula sobre o sexo oposto", diz ele.
            Hoje, Ferreira se considera praticamente curado. "Agora não tenho
            mais nenhum problema na hora de me aproximar das mulheres. Fico
            totalmente tranquilo." Seu último namoro terminou há três meses.
            A produtora de moda L.M, 30, que prefere não se identificar,
            assume ser "insegura e tímida". Ela não tem um namoro sério há
            seis anos. "Sei que a minha timidez atrapalha muito, eu encontro a
            pessoa em quem estou interessada em uma festa e nem consigo
            chegar para falar com ela.", diz. No momento, ela está interessada
            por um "amigo de amigos". "Mas ainda não consegui me aproximar
            dele", afirma.
            Ela diz que um de seus sonhos é "casar e ter três filhos". "Mas não
            sei mesmo se isso vai acontecer de verdade algum dia."
            A insegurança, segundo ela, é um dos maiores impedimentos. A
            produtora também sofre da "síndrome da falta de assunto. "Sempre
            acho que não vou ter o que falar e que a pessoa vai me achar chata
            e sem graça."
            Ela diz que não se aproxima dos homens por quem está interessada
            por temer a rejeição. "Acho que eles não vão gostar de mim,
            mesmo antes de tentar algo."

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Para casais, é a semelhança que atrai e mantém a união (14.11.99)

            da Reportagem Local

            Eles são parecidos em tudo. Têm o mesmo gosto musical, os
            mesmos filmes prediletos e o mesmo ritmo de vida. A artista
            plástica Sandra Sanches, 30, e o cenógrafo Mauro Coelho, 35, são
            uma prova de que "os iguais se atraem".
            Os dois são casados há cinco anos e raramente discordam. "Acho
            que nos interessamos um pelo outro porque somos realmente
            parecidos. No início, não acreditávamos em tantas coincidências",
            diz Sandra.
            Eles trabalham na mesma área e são semelhantes até em detalhes.
            "Eu não acreditei quando ele disse que também dormia em um
            tatami", diz Sandra.
            As semelhanças são tantas que, segundo ela, já foram motivo de
            preocupação. "Achava que a gente era tão parecido que o nosso
            namoro poderia ficar chato porque a gente discorda pouco."
            Eles se conheceram por meio de amigos em comum, uma das
            principais formas de encontro entre os casais, segundo os
            especialistas no assunto.
            A advogada Adriana de Carneiro, 25, também acha que os
            relacionamentos são melhores quando as pessoas são parecidas.
            "Não sinto atração pelo oposto, sempre procurei alguém com quem
            eu me identificasse", diz.
            Ela encontrou o seu "semelhante", o empresário Jonas, de forma
            menos usual, na Internet. "Foi por acaso, mas não acho a melhor
            maneira de conhecer alguém."

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PEQUENA EMPRESA  (13.11.99)

            Serão destinados R$ 15 milhões em 2000 para a criação e o desenvolvimento de novos produtos
            Fapesp triplica verba para pesquisa

            MARCELO MOREIRA
            da Reportagem Local

            O Pipe (Programa de Inovação Tecnológica em Pequenas
            Empresas), desenvolvido pela Fapesp (Fundação de Apoio à
            Pesquisa do Estado de São Paulo), terá sua verba triplicada no ano
            2000 em relação a este ano.
            Serão R$ 15 milhões para a criação e o desenvolvimento de
            produtos ou planos para melhorar a produção. Entre o período de
            1997-99, foram investidos R$ 11 milhões -cerca de R$ 5,5 milhões
            por ano.
            Segundo o diretor científico da Fapesp, José Fernando Perez, foram
            analisados no período 87 projetos, dos quais 23 atingiram a segunda
            fase do programa.
            "Posso dizer que, mesmo antes de terminar o que chamamos de
            primeiro ciclo, que o Pipe é um sucesso. Conseguimos estimular a
            pesquisa em pequenas empresas e estamos vendo o surgimento de
            diversos produtos."
            Cada ciclo a que Perez se refere tem dois anos e meio de duração e
            envolve três fases. As 23 empresas que estão na segunda fase
            iniciaram seus projetos no final de 1997, com conclusão prevista
            para meados do ano que vem.
            "Creio que o Pipe tem o mérito de mostrar que a pesquisa associada
            ao meio empresarial é viável, comercial e importante para o
            desenvolvimento industrial. Esse programa é uma forma de
            ajudarmos a arrancar a pesquisa do meio acadêmico", diz Perez.
            Para inscrever um projeto no Pipe, o pesquisador precisa estar
            associado a uma pequena empresa (até cem empregados) para
            desenvolver seu trabalho e mostrar que se dedicará ao projeto.
            A proposta é analisada por um ou mais especialistas indicados pela
            Fapesp (mas que não são vinculados ao órgão), que verificam a
            viabilidade técnica e comercial.
            Aprovado o projeto, o pesquisador e a empresa recebem R$ 50 mil
            na primeira fase do programa. Ao final, após seis meses, os projetos
            passam por nova avaliação.
            Em caso de nova aprovação, cada projeto recebe mais uma verba
            de R$ 200 mil da Fapesp na segunda fase, que pode durar mais de
            um ano. Na fase seguinte, todas as atividades de pesquisa são
            realizadas pela empresa com o objetivo de desenvolver novos
            produtos.
            A Fapesp não dará apoio financeiro de qualquer natureza a projetos
            na terceira fase, mas poderá colaborar na obtenção de apoio de
            outras fontes, caso os resultados da pesquisa comprovem a
            viabilidade técnica das idéias, bem como o seu potencial de retorno
            comercial ou social.
            O projeto que mais chama a atenção é o da empresa Kom
            Montagens e Comércio, de Campinas (interior de São Paulo).
            O projeto desenvolvido é o de uma manta óptica para o tratamento
            de bebês que necessitam de tratamento contra a icterícia.
 

            Pipe-Fapesp : tel. (0xx11) 838-4000 e 261-4167 (fax) ou pelo site na Internet
            (www.fapesp.br; e-mail: info@fapesp.br)

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PROJETOS (13.11.99)

            Malha de fibra óptica para tratamento de recém-nascidos começa a ser produzida no Brasil em 2000
            Fundação banca "nova incubadeira"

             Folha Imagem

             O diretor científico da Fapesp, José Fernando Perez, que financia
             projetos de pesquisa em pequenas empresas nacionais

            da Reportagem Local

            Uma malha envolta em fibras ópticas para tratar recém-nascidos
            acometidos por icterícia começa a ser produzida experimentalmente
            a partir do primeiro semestre de 2000.
            A icterícia é uma disfunção do fígado que provoca excesso de
            bilirrubina na pele, que a torna amarelada. Se não for identificada e
            tratada no início, pode provocar outras doenças.
            O produto, inédito no Brasil, foi desenvolvido pelo engenheiro Cícero
            Omegna Filho, proprietário da Kom Montagens e Comércio, de
            Campinas, com financiamento da Fapesp.
            "Existem produtos semelhantes no exterior, mas, como são caros,
            não tive como ter idéia de como funcionam. Resolvi fazer do meu
            jeito, criando um conceito próprio", disse Omegna. A manta,
            chamada genericamente de manta óptica, tem a função de substituir
            a incubadeira.
            Nos braços da mãe, o bebê é enrolado na malha feita com fibras
            ópticas. Conectada a uma fonte de luz por um cabo, a manta
            fornece a luz necessária para o bebê sem o perigo de queimaduras,
            como ocorre em algumas incubadeiras. A luz diminui bastante o
            risco de icterícia.
            De acordo com Omegna, a produção das mantas já foi utilizada
            neste ano com bons resultados no Caism (Centro de Atenção
            Integral à Saúde da Mulher) do Hospital das Clínicas da Unicamp
            (Universidade Estadual de Campinas).
            O pesquisador acredita que a manta poderá chegar ao mercado no
            próximo ano custando cerca de R$ 4.000,00 a unidade.
            Equipamentos importados com a mesma função podem custar até
            R$ 15 mil.
            Outra iniciativa elogiada pela Fapesp é um novo filtro para reter
            impurezas na indústria de álcool e açúcar, desenvolvido pela
            empresa Technopulp Consultoria e Comércio de Equipamentos
            Industriais, de Ribeirão Preto (interior de São Paulo).
            O produto, chamado de Vacuum Press, já apresenta resultados
            superiores aos filtros convencionais utilizados atualmente. Um
            desses filtros está em testes em uma usina de álcool em Jaú
            (interior de São Paulo).
            Pedro Gustavo Córdoba, proprietário da empresa, afirma que a
            perspectiva é de comercializar o Vacuum Press a partir de meados
            de 2000 a um custo de R$ 160 mil a unidade, em três modelos,
            dependendo do volume de material a ser utilizado e filtrado.
            "Já tínhamos observado como os filtros da indústria de papel e
            celulose funcionavam e resolvemos aplicar alguns de seus princípios
            na indústria do álcool. Os resultados de ganhos com produtividade e
            eficiências foram consistentes." (MMr)

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IPT fornece apoio técnico (13.11.99)

            da Reportagem Local

            O sucesso de um programa de assessoria técnica para a indústria
            de transformação de plástico pode multiplicar por 15 o investimento
            feito pela parceria Fapesp-Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às
            Micro e Pequenas Empresas).
            O programa é o Prumo (Projeto de de Unidades Móveis de
            Atendimento Tecnológico às Micro e Pequenas Empresas),
            coordenado pelo IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) da USP.
            O programa consiste no envio de um engenheiro e um técnico em
            uma van equipada com laboratório para assessoramento técnico.
            Cada atendimento às empresas dura de um a três dias.
            O Sebrae custeia parte do atendimento (R$ 2.000,00, enquanto a
            empresa arca com R$ 900,00) e a Fapesp bancou as duas van
            equipadas (R$ 340 mil cada).
            Segundo Vicente Mazzarella, diretor técnico do IPT, os resultados
            até agora são positivos.
            "Estamos conseguindo fazer cerca de 20 atendimentos mensais e o
            índice de satisfação dos empresário é muito alto."
            Mazzarella afirma que o IPT estuda a possibilidade de ampliar o
            número de unidades móveis de atendimento de 2 para 30 a partir do
            ano que vem.
            "O sucesso do programa está justificando o aumento de
            atendimentos. Pretendemos ampliar o serviço para outros setores
            econômicos, como borracha, cerâmica, móveis, couro e calçados e
            fundição." (MMr)

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Fiesp também quer apoiar as empresas do programa (13.11.99)

            da Reportagem Local

            A Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) está
            disposta a fazer o possível para ajudar as pequenas empresas com
            projetos aprovados pela Fapesp a encontrar financiamento para a
            sua produção.
            Os resultados do Pipe (Programa de Inovação Tecnológica em
            Pequenas Empresas) causaram boa impressão em seminário
            realizado na entidade no último dia 27 de outubro.
            "Um dos grandes problemas que as pequenas empresas enfrentam
            quando finalizam seus projetos é conseguir um financiamento de
            porte em bancos oficiais ou outras instituições", afirma José
            Fernando Perez, diretor científico da Fapesp.
            A Fiesp deu o seu aval ao programa e se comprometeu a ajudar as
            empresas egressas do Pipe.
            "Esse projeto de aproximação entre pesquisadores e empresas é
            fundamental para melhorar a produção em qualquer área
            empresarial", diz Hermano Marchetti Moraes, diretor do
            Departamento de Desenvolvimento da Micro e Pequena Empresa
            da Fiesp.
            Segundo ele, a instituição está disposta a oferecer assessoramento
            técnico em áreas como informática e finanças, além de ajudar na
            intermediação para obtenção de financiamentos.
            "A própria Fiesp tem programas de auxílio à produção de pequenas
            empresas, incluindo uma incubadora de base tecnológica, que tem
            alguma semelhança com o Pipe."

            Outros programas
            O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e
            Social) também possui programas de incentivo à pequena empresa e
            tem interesse em conhecer o funcionamento e os resultados dos
            programas desenvolvidos por empresas do Pipe, segundo a sua
            assessoria de imprensa.
            O banco, por determinação do governo federal, facilitou em julho
            deste ano o acesso de pequenas empresas aos financiamentos do
            órgão.
            Na página do BNDES na Internet (www.bndes.gov.br) é possível
            encontrar várias informações sobre todas as maneiras de como a
            pequena empresa pode conseguir os financiamentos.
            Entre as medidas autorizadas pelo governo está a exigência apenas
            de garantias pessoais (como notas promissórias) para os
            financiamentos com cobertura do Fundo de Aval de até R$ 500 mil.
            Outra medida importante foi a mudança de classificação das
            pequenas empresas para a concessão de financiamentos e créditos,
            de acordo com critérios adotados no Mercosul.
            Antes era considerada microempresa a que tinha faturamento
            líquido anual de até R$ 120 mil. Agora este limite passou a ser
            faturamento bruto de até R$ 700 mil.
            Pequena empresa era antes a que tinha faturamento líquido anual de
            até R$ 720 mil. Agora passa a ser aquela que tiver faturamento
            bruto de R$ 700 mil até R$ 6,125 milhões. (MMr)

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