O Estado de S. Paulo
Luis
Décourt recebe amanhã o Troféu Guerreiro da Educação
Centro
Culltural exibe três filmes inéditos de Claude Lévi-Strauss
Luiz Décourt recebe amanhã o Troféu Guerreiro da Educação
Prêmio anual do CIEE e do `Estado' é baseado em indicações de profissionais da área
Em homenagem a mais de 60 anos de trabalho como médico e educador,
o
cardiologista Luiz Venere
Décourt, de 88 anos, recebe amanhã o Prêmio Professor
Emérito
- Troféu Guerreiro
da Educação, promovido pelo Estado e pelo Centro de Integração
Empresa-Escola (CIEE). Décourt,
da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo
(USP) e da Fundação
Zerbini do Instituto do Coração (Incor), foi escolhido por
um comitê
seletivo do CIEE, mediante
indicações de profissionais da área.
"A escolha é feita a partir de uma consulta muito ampla com as comunidades
acadêmica e científica
de todas as universidades", explica o presidente da Fundação
Zerbini e vice-presidente
do Conselho de Administração do CIEE, Paolo Bellotti. A
indicação
final é aprovada por administradores do CIEE e do Estado. "Preferimos
prestigiar
personalidades que se destacaram
pelo trabalho feito, para servir de exemplo a outros, em
vez de trabalhos que ainda
estão em andamento", assinala Bellotti.
Desde que foi criado em 1997, o Troféu Guerreiro da Educação
foi concedido
anualmente a grandes personalidades
da área. A primeira homenageada foi Ruth Cardoso,
seguida pelo professor Miguel
Reale e pela ex-ministra da Educação Esther de Figueiredo
Ferraz. Segundo Bellotti,
Décourt foi escolhido este ano por sua enorme contribuição
para o
engrandecimento da cardiologia
no Brasil. "É um homem de ética impecável."
A cerimônia será às 8h30 no auditório do Estado,
com pronunciamento do diretor do
jornal Júlio César
Mesquita e discussões sobre o futuro da educação no
País. Mais
informações
pelo telefone (0--11) 3040-9947.
Centro Cultural exibe três filmes inéditos de Claude Lévi-Strauss
Imagens foram feitas na década de 30, com câmera 8 mm, e são desprezadas pelo autor
JOTABÊ MEDEIROS
Três filmes inéditos realizados pelo antropólogofrancês
Claude Lévi-Strauss na década de 30, no Mato
Grosso, serão exibidos
integralmente pela primeira vez esta semana no País. Trata-se de
Cerimônias
Fúnebres numa Aldeia
Bororo, Nalike 1 e Nalike 2. Eles integram a exposição Acervo
de Pesquisas
Folclóricas de Mário
de Andrade - 1935-1938, que abre-se hoje no Centro Cultural São
Paulo (CCSP).
Lévi-Strauss, sob patrocínio do governo francês
e do Departamento de Cultura
de São Paulo (na época
encabeçado por Mário
de Andrade) foi ao Mato Grosso atrás de registros da cultura
indígena, em especial
a bororo, a nambiquara, a cadiueu e a tupi-cavaíba. Seus livros
sobre
o tema ficaram famosos,
como Tristes Trópicos (1955) e, mais recentemente, Saudades do
Brasil. Trouxe de lá
cerca de 3 mil negativos de fotos, realizadas com uma câmera Leica.
Mas também fez filmes. "Na minha primeira expedição,
também levei uma câmera 8
mm, mas me decepcionei imediatamente
com o cinema", disse Lévi-Strauss, em 1995, a
Antoine de Gaudemar, do
jornal francês Libération. "Filmar mobilizava toda minha energia
e,
quando eu filmava, deixava
de olhar", contou. "Tanto que fiz apenas pedaços de filmes, que
deixei no Brasil quando
fui embora", afirmou o antropólogo.
Lévi-Strauss disse que chegou a rever os filmes no Centro Georges
Pompidou, em
Paris, quando eles foram
encontrados, 20 anos atrás. Mas não se convenceu de sua
qualidade. "Não fiquei
mais convencido do que ficara 60 anos atrás", afirmou. "Trata-se
de
fragmentos pobres, sem qualquer
interesse".
Segundo o sociólogo José Eduardo Azevedo, organizador da
exposição, apenas
alguns trechos dos filmes
de Lévi-Strauss já foram mostrados ao público, em
programas da
TV Cultura, entre 1993 e
1994. São filmes mudos, sem nenhuma sonorização, e
ilustram a
riqueza do acervo da era
Mário de Andrade na cultura brasileira.
Claude Lévi-Strauss fez os filmes que estarão na mostra quando
esteve no Mato
Grosso acompanhado de sua
mulher, Dina, do historiador Fernand Braudel, do geógrafo
Pierre Monbeig e do filósofo
Jean Maugüé.
A exposição que abre-se hoje no Centro Cultural culminará
com a publicação do
Catálogo Geral do
Acervo, no dia 8 de novembro. Serão expostos também fotografias
e
objetos (boa parte inéditos),
instrumentos musicais, ferramentas, painéis e também textos
da missão folclórica
de Mário de Andrade (1893-1945), que percorreu o nordeste brasileiro
registrando manifestações
culturais.
O acervo é impressionante: possui 17.559 documentos textuais, 19
títulos de filmes,
fotografias, objetos etnográficos
e outros itens. Somente o catálogo desse acervo possui
304 páginas e demorou
três anos para ser concluído.
"A função do catálogo é sistematizar o acervo
e disponibilizar suas informações ao
público", diz Azevedo.
Segundo ele, há 10 anos o Centro Cultural, a Secretaria Municipal
de Cultura e o Instituto
de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo vêm
trabalhando na divulgação
do acervo.
Em 1997, o CCSP apresentou projeto à Fundação Vitae
para o custeio do restauro
de cerca de mil objetos
do acervo Mário de Andrade. A iniciativa foi aprovada e a fundação
passou a custear parte da
recuperação do material, o que incluiu a telecinagem de cinco
filmes e a transcrição
das cadernetas de Luís Saia, um dos integrantes da missão
folclórica. "Foi
graças a esse patrocínio que conseguimos um salto qualitativo
na
preservação",
afirmou o sociólogo e curador desta exposição.
Além dos filmes de Claude Lévi-Strauss, outra atração
da exposição é a coleção de
Camargo Guarnieri. O maestro
reuniu, em 1937, por ocasião do 2º Congresso
Afro-Brasileiro, anotações
de melodias populares e cantos do candomblé baiano.
Também estará sendo reapresentado o CD Collection Missão
de Pesquisas
Folclóricas, compilado
pela Biblioteca do Congresso americano, em Washington, e lançado
em 1997. Reúne 23
músicas da Discoteca Oneyda Alvarenga, outra parte do acervo do
CCSP. A musicóloga
Oneyda Alvarenga era chefe da Discoteca Pública Municipal em
1935, quando recolheu melodias
em Varginha, sul de Minas Gerais, Mogi das Cruzes e
Santa Isabel (SP), material
incorporado ao acervo geral.
Em 1998, quando se comemoraram os 60 anos da missão folclórica,
o Centro
Cultural São Paulo
concluiu o trabalho de remasterização de gravações
musicais da
expedição.
Elas foram feitas diretamente em disco de acetato, com base em alumínio,
e
estão registradas
em 168 discos de 78 rotações. São dezenas de gêneros
registrados,
como o catimbó, tambor-de-mina,
tambor de criolo, xangô e babassuê.