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	<title>Agência USP de Notícias&#187; Agência USP de Notícias</title>
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	<description>Divulgação aos meios de comunicação a produção científica e atividades como cursos e palestras, exposições e publicações.</description>
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		<title>Inclinação de João de Minas ao popular o levou ao ostracismo</title>
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		<pubDate>Thu, 02 May 2013 21:15:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mariana Melo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[FFLCH]]></category>
		<category><![CDATA[João de Minas]]></category>
		<category><![CDATA[lendas urbanas]]></category>
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		<description><![CDATA[Obras urbanas com elementos fantásticos e popularescos fizeram com que o escritor fosse considerado menor]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="img alignleft size-full wp-image-136817" style="width:230px;">
	<a href="http://www.usp.br/agen/wp-content/uploads/João-de-Minas.jpg"><img src="http://www.usp.br/agen/wp-content/uploads/João-de-Minas.jpg" alt="" width="230" height="130" title="Obra de João de Minas mistura gêneros, linguagem moderna e temática urbana"/></a>
	<div>Obra de João de Minas mistura gêneros, linguagem moderna e temática urbana</div>
</div><p>A inclinação da sua produção literária para uma vertente mais popular e urbana fez com que o escritor João de Minas, pseudônimo do mineiro Ariosto Palombo, fosse considerado um escritor menor e perdesse o prestígio alcançado com a publicação de literatura sertaneja.</p>
<p>No estudo <em>As mil faces de João de Minas: a construção do escritor e a repercussão de seus livros no campo literário brasileiro (1927-1989)</em>, feito na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, o historiador Leandro Antonio de Almeida tentou descobrir porque João de Minas é tão desconhecido, visto que produziu mais de dez livros entre 1929 e 1937. “Percebi que seria como responder por um silêncio” diz Almeida, devido ao desaparecimento de referências sobre o autor mineiro nos meios e principais publicações literárias nacionais.</p>
<p>João de Minas demonstrou, em sua trajetória, tendência a se adaptar ao mercado editorial e ao consumo de literatura erudita e popular. Assim, ousava nos temas escolhidos e na linguagem para conquistar a população urbana. No entanto, essas iniciativas para se aproximar do novo público acabaram contribuindo para que os literatos da época diminuíssem João de Minas e retirassem a fama e credibilidade que ele construiu em sua primeira fase, dedicada ao sertanismo. &#8220;Seu livro de estreia &#8216;Jantando um Defunto&#8217;, de 1929, foi elogiado por figurões membros da Academia Brasileira de Letras, como Coelho Neto, João Ribeiro e Humberto de Campos&#8221;, conta o historiador, lembrando, no entanto, &#8220;que no inicio dos anos 1960, sua credibilidade havia sido tão afetada a ponto de ter sido barrado ao tentar à União Brasileira de Escritores, pelo então presidente da entidade Paulo Duarte&#8221;.</p>
<p><strong>Histórico</strong><br />
Nos anos 1920, o mineiro atuava como jornalista, usando pseudônimo que remete a João do Rio, célebre cronista e jornalista brasileiro. Nesta época, envolveu-se na política oligárquica do Partido Republicano Paulista (PRP) e seus aliados em Minas e Goiás, defendendo um pensamento político conservador, o que pode ser observado em seus trabalhos publicados combativos à coluna Prestes.</p>
<p>Inicialmente se posicionou contrário à Revolução de 30 e a Getúlio Vargas, mas no decorrer de sua carreira foi alternando suas convicções políticas entre apoiar o governo federal e fazer oposição a ele, o que fez com que João de Minas fosse admitido como uma pessoa oportunista. “Ele passou a ser visto como uma pessoa venal” diz o pesquisador.</p>
<p>Na segunda fase da carreira de João de Minas, a partir dos anos 30, é possível perceber o quanto o autor aprimorou sua mistura de gêneros para aproximar-se do popular, com a entrada de elementos da literatura fantástica, grotesco, humor, romance de costumes e policial e crítica da sociedade. “Sua irreverente Coleção Revolução Sexual Brasileira incluía romances de costumes como ‘A Mulher Carioca aos 22 anos’ e também romances proletários, cujos exemplos são os livros ‘A Datilógrafa Loura’ e ‘Nos Misteriosos Subterrâneos de São Paulo’” diz o historiador. “Em busca de oportunidades, o autor captava os modismos da época e constituiu um bom indício sobre a cultura popular urbana de então”.</p>
<p>As tentativas de se mostrar arrojado, inclusive com a utilização de uma linguagem considerada chula pela crítica vigente, foram mal recebidas e contribuíram para que João de Minas fosse ainda mais isolado do círculo literário. No entanto, o maior agravante para que ele passasse a ser novamente enxergado como um escritor maldito ocorreu em 1935, com a sua inusitada conversão a líder espiritual e a criação da Igreja Brasileira Cristã Científica, no que viria a ser a terceira fase de sua carreira. “A criação de um igreja pode ser reconhecida como uma radicalização da sua ‘ida’ ao povo” diz o pesquisador.</p>
<p>A partir disso, o autor assumiu uma nova persona, denominada Mahatma Patiala, e abandonou a literatura, dedicando-se apenas a igreja, um credo que misturou esoterismo, catolicismo, espiritismo, umbanda, pentecostalismo, nacionalismo e até elementos comunistas. Chegou a fundar mais de 200 unidades no país até o final dos anos 1960.</p>
<p><em>Imagem: Wikipedia</em></p>
<blockquote><p><strong>Mais informações: e-mail <a href="javascript:DeCryptX('mfboespbbmnfjebAzbipp/dpn/cs')">&#108;e&#97;n&#100;ro&#97;&#97;l&#109;&#101;i&#100;&#97;&#64;yah&#111;&#111;&#46;co&#109;.&#98;r</a>, com Leandro Antonio de Almeida</strong></p></blockquote>
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		<title>&#8220;Lá do Leste&#8221; revela cotidiano e artes da Cidade Tiradentes</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Apr 2013 21:31:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Da Redação</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[A Arte e a Rua]]></category>
		<category><![CDATA[antropologia]]></category>
		<category><![CDATA[arquitetura]]></category>
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		<category><![CDATA[história]]></category>
		<category><![CDATA[Humanitas]]></category>
		<category><![CDATA[Lá do Leste]]></category>
		<category><![CDATA[urbanismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Livro surgiu a partir de pesquisa sobre artes e artistas nas ruas e espaços culturais da Cidade Tiradentes ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Leila Kiyomura, do Jornal da USP<br />
</em><span style="font-style: italic;"><a href="javascript:DeCryptX('kpsobvtqAvtq/cs')">j&#111;r&#110;a&#117;sp&#64;usp&#46;b&#114;</a></span></p>
<p>As artes e os artistas nas ruas e espaços culturais da Cidade Tiradentes (Zona Leste de São Paulo) são o tema do livro &#8220;Lá do Leste &#8211; Uma etnografia audiovisual compartilhada&#8221;, organizado por Carolina Caffé e Rose Satiko Gitirana Hikiji, lançado pela Editora Humanitas, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP.  A obra, que une antropologia, urbanismo, arquitetura, história e arte, é o resultado de uma pesquisa iniciada em 2009 na Cidade Tiradentes.</p>
<div class="img alignleft size-full wp-image-134003" style="width:230px;">
	<a href="http://www.usp.br/agen/wp-content/uploads/Bol_3437A.jpg"><img src="http://www.usp.br/agen/wp-content/uploads/Bol_3437A.jpg" alt="" width="230" height="130" title="Produções e espaços culturais do distrito sendo valorizados"/></a>
	<div>Produções e espaços culturais do distrito sendo valorizados</div>
</div><p>O projeto também deu origem a dois curtas, dirigidos por Carolina e Rose, &#8220;Lá do Leste&#8221; e &#8220;A Arte e a Rua&#8221;.  Carolina é cientista social, documentarista e pesquisadora do Instituto Pólis. Rose é antropóloga, documentarista e professora do Departamento de Antropologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP. “O intuito do projeto &#8216;Mapa das Artes&#8217;, que estamos desenvolvendo, é fazer com que as produções e espaços culturais do distrito possam ser conhecidos e valorizados pelos seus próprios habitantes, fortalecendo, assim, a cidadania, a cultura local, a economia solidária, a produção colaborativa em rede, a defesa do espaço público e do bem comum e a comunicação entre artistas, produtores locais e moradores”, explica Rose.</p>
<p>No decorrer de quatro anos, as pesquisadoras foram conhecendo a Cidade Tiradentes a partir de seus artistas e, como elas próprias observam, construíram um mosaico de imagens, sons, cores, formas, ideias, frases, sonhos, dúvidas e conflitos. “As peças desse mosaico não são fixas. Nem finitas. Mudam de lugar conforme o ponto a partir do qual olhamos o bairro”, observam.  Rose e Carolina entraram na Cidade Tiradentes dispostas a ouvir histórias, a sentir a realidade dos artistas. Participaram das festas de hip hop. Acompanharam os grafiteiros dando vida às paredes com seus sonhos e emoções. E foram acolhidas com a sinceridade da comunidade. Os artistas tornaram-se os pesquisadores e também os atores do filme, porém contando suas histórias e, muitas vezes, filmando o seu cotidiano. “Nós entregamos câmeras pequenas, tipo bastão, para que eles documentassem o seu dia a dia na família, no trabalho e nas ruas”, diz Rose.</p>
<div class="img alignright size-full wp-image-134005" style="width:232px;">
	<a href="http://www.usp.br/agen/wp-content/uploads/Bol_3437C.jpg"><img src="http://www.usp.br/agen/wp-content/uploads/Bol_3437C.jpg" alt="" width="232" height="306" title="Capa do livro &quot;Lá do Leste - Uma etnografia audiovisual compartilhada&quot;"/></a>
	<div>Capa do livro &quot;Lá do Leste - Uma etnografia audiovisual compartilhada&quot;</div>
</div><p>Os artistas pesquisadores, segundo Rose e Carolina, nasceram, em sua maioria, na década de 1980. “Eles têm forte vínculo com o hip hop. Tal movimento, que hoje não é hegemônico no distrito e que experimenta a invasão do funk, é fortemente representado no &#8216;Mapa das Artes&#8217;”, explica Carolina. “A significativa presença dos grupos artísticos mais politizados e ligados ao hip hop pode ser entendida como resultado direto da relação dos pesquisadores-moradores com a história e as transformações do distrito, em especial da arte de rua, da organização das práticas culturais e da sociabilidade nos espaços públicos.”</p>
<p><strong>Histórias<br />
</strong>Daniel Hylario é o protagonista do livro e dos curtas. Quer ver a Cidade Tiradentes com projetos educacionais, culturais, sociais, econômicos e ambientais que garantam uma vida com qualidade. Seu idealismo não cabe no seu 1,92 metro de altura. Tem 30 anos de muitas histórias e poesias. Além de colaborar com as ONGs da Cidade Tiradentes, ele faz questão de trabalhar na região também. Com a colaboração de Kelly Cristina de Jesus, tem uma loja de roupas que funciona junto com um salão de cabeleireira. Hylario é exímio em tranças africanas.  Do alto do Morro do Urubu, o estudante de História, pesquisador e poeta Hylario mostra a Cidade Tiradentes, onde vive desde os 5 anos. A visão é a do maior conjunto habitacional da América Latina, com 220 mil moradores.</p>
<p>Há 30 anos, os prédios começaram a se enfileirar um atrás do outro, todos parecidos, devastando a mata atlântica da então Fazenda Santa Etelvina.  “Há urbanistas que dizem que este é o fim da cidade”, diz Hylario. “Mas eu digo que este é o começo da cidade.” O fim e o começo que ficam a 35 quilômetros da Praça da Sé. “Cidade Tiradentes nasceu como um bairro-dormitório para abrigar as pessoas que eram atingidas por obras públicas”, conta. “A minha família veio da Mooca há 25 anos. Na época, aqui era o lugar onde aqueles que eram empurrados pelo crescimento da cidade vinham morar. Mas o bairro-dormitório foi se desenvolvendo para atender à população. Os moradores foram se mobilizando com uma cultura e arte próprias.”</p>
<div class="img alignleft size-full wp-image-134007" style="width:230px;">
	<a href="http://www.usp.br/agen/wp-content/uploads/Bol_3437B1.jpg"><img src="http://www.usp.br/agen/wp-content/uploads/Bol_3437B1.jpg" alt="" width="230" height="130" title="Maior conjunto habitacional da América Latina, com 220 mil moradores"/></a>
	<div>Maior conjunto habitacional da América Latina, com 220 mil moradores</div>
</div><p>No filme <em>A arte e a rua</em>, ele fala sobre a condição social das famílias: “Você tem pouco, então tem que usar a roupa do seu irmão. Você é maior, então passa para o seu irmão mais novo. Isso as pessoas falam que é união, mas isso é condição social que gera uma possibilidade de você contribuir pro outro, não porque você queira, é uma condição que até te oprime, assim&#8230; Imagina, tem o déficit habitacional e aí você namora e a sua namoradinha tá grávida e você não tem condições de pagar um aluguel. Aí você coloca seu irmão pra sala e pega o quarto. A gente tem algo em comum que nos une, sabe? Mas também tem muita coisa que nos separa. Temos muros invisíveis”.</p>
<p>Hylario acha que as pessoas confundem o respeito às diferenças. “Respeitar não é ser igual ao outro. Trançar ou alisar os cabelos para ficar como um africano ou um japonês. Respeito é algo muito maior.” Ele sonha em ser ele próprio, chegar junto com as pessoas que têm a mesma origem que ele, sem ser caricatura. Planeja casar com a namorada Karina Apolinário, estudante de Direito do Mackenzie, e ter muitos filhos. “Quero estar junto dos amigos, da vizinhança, da família, mas não tem opção, porque você quer estar junto, caminhando, lutando e planejando.” O filme e o livro Lá do Leste, podem ser baixados gratuitamente na página  <a href="http://www.ladoleste.org.br">www.ladoleste.org.br</a>.</p>
<p><em>Imagens: Cecília Bastos, do Jornal da USP</em></p>
<blockquote><p><strong>Mais informações: site </strong><a href="http://www.ladoleste.org.br"><strong>www.ladoleste.org</strong></a></p></blockquote>
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</ul>
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		<title>Coleção garante visão dos africanos sobre sua história</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Apr 2013 20:58:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Igor Truz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[África]]></category>
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		<category><![CDATA[história]]></category>
		<category><![CDATA[História Geral da África]]></category>
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		<category><![CDATA[UNESCO]]></category>

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		<description><![CDATA[Organizada pelo UNESCO, História Geral da África trouxe um novo método de análise da história do continente ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="img alignleft size-full wp-image-133826" style="width:230px;">
	<a href="http://www.usp.br/agen/wp-content/uploads/áfrica.jpg"><img src="http://www.usp.br/agen/wp-content/uploads/áfrica.jpg" alt="" width="230" height="130" title="&quot;Perspectiva Africana&quot; privilegia visão internalista da história do continente"/></a>
	<div>&quot;Perspectiva Africana&quot; privilegia visão internalista da história do continente</div>
</div><p>Estudo realizado na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP mostra como a coleção “História Geral da África”, da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) foi além de somente garantir que intelectuais da África construíssem a história do continente. De acordo com o historiador e autor da pesquisa Muryatan S. Barbosa, mais do que apenas dar voz aos africanos, a coleção criou uma nova maneira de olhar para a história do continente, um novo método científico, a Perspectiva Africana.</p>
<p>As pesquisas da UNESCO para o projeto começaram em 1964, com a participação de cerca de 350 pesquisadores dirigidos por um comitê formado por 39 especialistas, dos quais dois terços eram africanos.</p>
<p>Sob orientação da professora Marina de Mello e Souza, Barbosa reconstruiu parte do percurso que culminou nas publicações de todas as oito edições da coleção, concluídas mais de quatro décadas depois de seu início. A tese de doutorado <em>A África por ela mesma: a perspectiva africana na História Geral da África (UNESCO)</em> avaliou mais de 90 documentos, atas das reuniões do comitê organizador da obra, além de fazer a leitura sistemática de todos os oito exemplares da coleção, que contém quase 8 mil páginas no total.</p>
<p><strong> Perspectiva Africana</strong><br />
Os intelectuais responsáveis pela obra tentaram cobrir toda a história da humanidade, desde a origem do homem até a recente década de 1980. “Vale ressaltar que História Geral da África é fruto da pressão política exercida pela União Africana sobre a UNESCO”, explica Barbosa.</p>
<p>O estudo demonstra que, para tanto, a coleção não ficou somente a mercê da simples opinião dos africanos sobre os fatos. Os intelectuais do projeto criaram uma maneira própria de análise da história, o que Barbosa chama de “Perspectiva Africana”. Trata-se de uma nova postura teórico-metodológica que tenta explicar a história do continente a partir de fatores internos à própria África.</p>
<p>O método é baseado em três tipos de abordagem: a &#8216;Regionalista&#8217;, onde a história é construída baseada na adequação das populações ao meio ambiente durante um período de longa duração, que pode durar milênios; a &#8216;Difusionista Intra-Africana”, na qual são analisados aspectos históricos conjunturais de um modo internalista, como trocas culturais e migrações, onde alguns povos africanos influenciaram outros povos também africanos; e, por fim, o &#8216;Sujeito Africano&#8217;, uma abordagem que tenta analisar a ação política do homem africano, sempre em contraposição ao outro (ocidental).</p>
<p>“A Perspectiva Africana está alicerçada em pressupostos científicos. Se não o fosse, seria apenas mais um relativismo, facilmente criticável”, justifica o historiador.</p>
<p><strong> Ensino de África</strong><br />
No dia 9 de janeiro de 2003 foi aprovada no Brasil a lei n°10.639, que alterou os currículos oficiais da rede de ensino e tornou obrigatório o ensino de História da África e dos afrodescendentes no Brasil. Desde então, especialistas em educação discutem sobre qual a melhor maneira de incluir o tema no cotidiano escolar.</p>
<p>Pensando nisto, o Ministério da Educação (MEC), em parceria com a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e a UNESCO traduziram, no ano de 2010, os oito exemplares de História Geral da África. Hoje, a parceria está produzindo um material de adequação didática do conteúdo da obra. Dos oito exemplares, sairão dois volumes menores, resumidos, com cerca de 350 páginas cada um, voltado para consulta de professores da educação básica.</p>
<p>Para Barbosa, a adequação didática resolve também um problema moral, de reconhecimento da autonomia e das liberdades africanas. “Quando estudamos história do Brasil, lemos somente o que os franceses, ingleses ou estadunidenses escrevem sobre o assunto. Por que haveríamos de fazer isto com a história africana?”, questiona.</p>
<p><em>Foto: Wikimedia Commons</em></p>
<blockquote><p><strong>Mais informações: email <a href="javascript:DeCryptX('nvszcbscptbAvtq/cs')">&#109;u&#114;yba&#114;b&#111;&#115;a&#64;&#117;sp&#46;br</a>, com o historiador Muryatan S. Barbosa</strong></p></blockquote>
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		<item>
		<title>Projeto investe em empreendimentos culturais</title>
		<link>http://www.usp.br/agen/?p=132038</link>
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		<pubDate>Tue, 26 Mar 2013 21:14:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Da Redação</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Conservatório de Música Contraponto]]></category>
		<category><![CDATA[empreendedorismo cultural]]></category>
		<category><![CDATA[FEARP]]></category>
		<category><![CDATA[InGTeC]]></category>
		<category><![CDATA[MPB]]></category>
		<category><![CDATA[Música Popular Brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Ravidan]]></category>

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		<description><![CDATA[Parceria entre FEARP e Conservatório quer combater déficit de professores de música e levar MPB aos jovens]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Rita Stella, do Serviço de Comunicação Social da Prefeitura USP de Ribeirão Preto<br />
</em><em><a href="javascript:DeCryptX('jnqsfotb/sqAvtq/cs')">impre&#110;s&#97;.&#114;&#112;&#64;us&#112;.b&#114;</a></em><em> </em></p>
<p>Parceria firmada pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (FEARP) da USP com o Conservatório de Música Contraponto quer combater o déficit de professores de música, a ausência de gestores de empresas culturais e fazer chegar ao público, principalmente o jovem, música brasileira de qualidade.  Para atingir esse objetivo, um projeto conjunto de “Empreendedorismo Cultural” se encontra em plena atividade e integra diferentes programas, alguns já com data agendada, como é o caso do show “Nova Bossa&#8221;, com a banda Ravidan, que acontecerá nos dias 20 e 27 de junho.</p>
<div class="img alignleft size-full wp-image-132190" style="width:230px;">
	<a href="http://www.usp.br/agen/wp-content/uploads/Bol_3427.jpg"><img src="http://www.usp.br/agen/wp-content/uploads/Bol_3427.jpg" alt="" width="230" height="130" title="Parceria vai combater o déficit de professores de música"/></a>
	<div>Parceria vai combater o déficit de professores de música</div>
</div><p>Tudo começou quando, no ano passado, a coordenadora do Núcleo de Pesquisas em Gestão Tecnológica, Inovação e Competitividade da FEARP ( InGTec), Geciane Porto, conheceu Elaine Souza, diretora da Contraponto, escola de música sediada em Ribeirão Preto (interior de São Paulo). Já no final do ano durante os ensaios do 27º Festival de Música e Artes (Femac) da escola, elas começaram a pensar sobre uma possível parceria.</p>
<p>Do encontro da gestão com a arte, alguns pontos críticos da realidade das artes foram revelados. A diretora da Contraponto conta que em 28 anos de trabalho vem presenciando “a dificuldade do artista e do diretor de escolas de arte em trabalhar com a parte administrativa”. Ela explica que, tanto uma escola de música quanto uma produtora de shows são empresas diferenciadas que exigem “quase uma inovação administrativa ao casar a cultura com a gestão”.</p>
<p>E não foi apenas a falta de profissionais para gerir cultura que chamou a atenção dos especialistas do InGTec. A Contraponto vem, ao longo de mais de duas décadas de existência, formando músicos e professores e desenvolvendo projetos sociais, como o de descobrir e retirar de situação de risco jovens talentos, oferecendo vagas gratuitas em seus cursos técnicos. Ao lado da formação e do trabalho social, iniciativas dos profissionais em pesquisar e resgatar música popular brasileira (MPB) por meio da fusão de ritmos e uso de tecnologia, também saltaram aos olhos dos pesquisadores da USP.  Em duas oportunidades, 20 e 27 de junho de 2013, a Banda Ravidan, surgida em um laboratório na escola,  mostrará o resultado de mais de dois anos de estudos, experimentação e resgate histórico musical.</p>
<p><strong>Modelos para gerir cultura<br />
</strong>As atividades práticas que o projeto se impõe devem desenvolver boas práticas de gestão e criar um modelo para administrar eventos culturais. É o que espera seus coordenadores. Além da organização e produção de dois shows, o projeto prevê também o lançamento de um CD com os trabalhos do Ravidan; a ampliação das bolsas do “Adote um Músico”, curso técnico ofertado anualmente pela Contraponto a 30 adolescentes carentes; realização de masterclass sobre tendências da MPB e workshops sobre direitos autorais.</p>
<p>Para a professora Geciane, esses pilotos — dos shows e do CD — contribuirão na identificação de “melhores práticas de gestão” que nortearão e ajudarão a dar profissionalismo a uma área carente no País. Ao contrário de países europeus, locais onde os empreendimentos culturais são bem estabelecidos, no Brasil, conta a professora, essas experiências são pouco difundidas, demandando o que ela chama de “inovação para a área de cultura”.</p>
<p>Na prática, o projeto do curso técnico de música já recebeu reconhecimento do Ministério da Educação (MEC). Ainda este ano 30 adolescentes deverão iniciar sua formação. O financiamento virá da captação de recursos do impostos de renda doados ao Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA) de Ribeirão Preto. Com o apoio do InGTec, a Contraponto aguarda agora finalização do cadastro junto ao Programa de Ação Cultural da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo — o ProAC. Assim, esperam ampliar as vagas e beneficiar mais 40 jovens. Elaine, a diretora da Contraponto, lembra que existe carência de professores de música no mercado e que a situação demandará mais profissionais por conta da volta da disciplina à grade curricular do ensino fundamental, ocorrida no ano passado.</p>
<p>Também como resultado prático, Geciane garante que todo o conhecimento que as atividades produzirão deverá gerar uma disciplina optativa ou um curso de extensão sobre “Gestão de Empreendimentos Culturais”. O projeto da FEARP/Contraponto também quer que sons normalmente limitados pelo mercado musical cheguem ao público, em especial ao jovem. &#8221;A sociedade está preocupada com qualidade e o melhor desempenho dos produtos que adquire, mas o mesmo não acontece com a música”, ressalta Geciane.  &#8220;O projeto pode tomar a abrangência social necessária para atrair jovens e adolescentes&#8221;.</p>
<p><strong>Nova Bossa</strong><br />
Vitor Ferreira, 23 anos, guitarrista; Rafael Ramos, 24 anos, contrabaixista, e Daniel Villas Boas, 29 anos, baterista, são professores do Conservatório Contraponto. Eles começaram em 2010 um laboratório, que chamaram Ravidan, para pesquisar novos sons, ritmos e  história. Até que, inspirados por influências musicais divergentes, decidiram resgatar a MPB por meio de uma linguagem moderna, misturando sons e elementos não tradicionais.</p>
<p>Integrados ao projeto da FEARP/Contraponto, os músicos explicam que o Ravidan tem o objetivo de expandir a área de contato da MPB com o público mais jovem e, para isso, articulam elementos musicais e novas tecnologias. O violão foi substituído pela guitarra elétrica; o contrabaixo utiliza efeitos sintéticos e a bateria tem sua participação intensificada, além da adição de elementos eletrônicos. Tanto as apresentações do show “Nova Bossa” quanto o primeiro CD do grupo, que também será gravado este ano. A banda acredita que essa fórmula híbrida, de canção e sonoridade contemporânea, possa aumentar os espaços para a veiculação da cultura brasileira para as novas gerações.</p>
<p><em>Imagem: Wikimedia Commons</em></p>
<blockquote><p><strong>Mais informações: (16) 3602-3522</strong></p></blockquote>
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		<title>Diálogo polêmico marca canções de Belchior</title>
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		<pubDate>Fri, 22 Mar 2013 20:55:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Júlio Bernardes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[análise de discurso]]></category>
		<category><![CDATA[Belchior]]></category>
		<category><![CDATA[Caetano Veloso]]></category>
		<category><![CDATA[FFLCH]]></category>
		<category><![CDATA[intertextualidade]]></category>
		<category><![CDATA[MPB]]></category>
		<category><![CDATA[Música Popular Brasileira]]></category>

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		<description><![CDATA[Em suas músicas, compositor realiza intervenções polêmicas usando trechos de canções de outros artistas]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O compositor Belchior, em sua trajetória na música brasileira, procurou desenvolver uma singularidade criadora, não ligada especificamente a nenhum grupo artístico-musical. Para isso, ele investiu em procedimentos discursivos e argumentativos em suas músicas, dentre eles os recursos linguísticos que criam um diálogo polêmico com outros cancionistas, em especial com Caetano Veloso. A conclusão é da pesquisa de doutorado da professora e radialista Josely Teixeira Carlos, que analisou canções de Belchior em estudo na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP.</p>
<div class="img alignleft size-full wp-image-131784" style="width:230px;">
	<a href="http://www.usp.br/agen/wp-content/uploads/belchior.jpg"><img src="http://www.usp.br/agen/wp-content/uploads/belchior.jpg" alt="" width="230" height="130" title="Músicas de Belchior usam intertextualidade para criar discurso polêmico"/></a>
	<div>Músicas de Belchior usam intertextualidade para criar discurso polêmico</div>
</div><p>De acordo com Josely, um dos recursos linguísticos mais adotados por Belchior é o da intertextualidade. “Ele não somente cita trechos de canções de outros compositores, mas faz intervenções polêmicas junto a essas citações”, afirma. O exemplo mais evidente, segundo a pesquisadora, acontece na canção “Apenas um rapaz latino-americano”, de 1976, na qual inicia a letra citando entre aspas trecho da canção “Divino maravilhoso”, de Gilberto Gil e Caetano Veloso, que diz: “Tudo é divino! Tudo é maravilhoso!”. Ao finalizar a canção, o sujeito do texto se posiciona contrário àquela visão exposta anteriormente afirmando: “Mas sei que nada é divino / Nada / Nada é maravilhoso, nada / Nada é secreto, nada / Nada é misterioso / Não (&#8230;)”.</p>
<p>“A polêmica com Caetano por parte de Belchior também é revelada por meio da qualificação do autor da canção citada como “antigo”, como se vê no trecho: “Mas trago de cabeça uma canção do rádio / Em que o antigo compositor baiano me dizia: / – ‘Tudo é divino! Tudo é maravilhoso!’”, acrescenta Josely. Além dessa polêmica aberta, declarada pelo próprio compositor no interior do texto, a professora menciona outros exemplos de polêmica velada, só identificada em um nível discursivo mais profundo. “Quando Belchior se apropria de temáticas já exploradas pelo cantores tropicalistas, dentre elas a da “descoberta” do Brasil. Na música “Quinhentos anos de quê?”, de 1993, Belchior denuncia toda a destruição causada pela chegada dos navegadores à costa brasileira, dialogando assim, de forma polêmica, com a canção “Três caravelas”, de Alguero e Moreu, e com versão de João de Barro, interpretada por Veloso e Gil no início da carreira”, conta.</p>
<p>Uma outra polêmica bem marcada é a que diz respeito ao investimento em línguas estrangeiras, especificamente ao uso do inglês. “Belchior critica, desse modo, a adesão pelos baianos à cultura de língua inglesa, o que pode ser atestado na canção &#8216;Coração selvagem&#8217;, que diz repetidamente: &#8216;meu bem / que outros cantores chamam baby! / que outros cantores chamam baby! / que outros cantores chamam baby! / meu bem&#8230;&#8217;”, aponta a professora. “A letra polemiza mais diretamente com a canção de Caetano Veloso, &#8216;Baby&#8217;, imortalizada por Gal Costa”.</p>
<p><strong>Respostas</strong><br />
A pesquisadora analisa o embate ideológico-musical entre a geração da qual faz parte Belchior e aqueles que são seus precursores, os artistas da música considerados grandes ícones desde a década de 1970 até hoje. &#8220;A hipótese da pesquisa é a de que as polêmicas estabelecidas por Belchior podem ser bipolarizadas entre ele, o polemizador, e Caetano Veloso, o principal alvo da mensagem polêmica&#8221;, diz. &#8220;Pelos exemplos que mencionei acima, Caetano Veloso e Gilberto Gil se destacam como alvos fortes dessa polêmica. Por outro lado, os atacados são também Roberto Carlos, Chico Buarque, Raul Seixas, Tom Jobim, João Gilberto, dentre outros”.</p>
<p>Quanto a Caetano Veloso, este de modo geral silencia qualquer resposta a Belchior nas suas canções; porém, elas surgem, mesmo que de modo irônico, em algumas declarações públicas de Caetano. Já os outros compositores não esboçaram reação, à exceção de Raul Seixas. “Talvez essa não reação se explique pelo fato de que o diálogo polêmico com esses últimos tenha sido instituído principalmente de modo velado”, afirma a pesquisadora. “Já a não reação de Caetano Veloso, segundo entendo, estaria muito mais relacionada a uma não resposta consciente do cancionista, que desconsidera o diálogo instituido por Belchior”.</p>
<p>Josely ressalta que a mídia constituída pelas gravadoras exerceu papel importante na apresentação do discurso polêmico. “Ele é amenizado durante o período em que Belchior grava nas grandes gravadoras do Brasil (Polygram, Philips e Warner), de 1976 a 1988, e reaparece no período em que ele está afastado dessas gravadoras, as chamadas majors, e registra um novo álbum por uma casa que aposta na arte não comercial, a Movieplay, em 1993”.</p>
<p>O modo como a mídia e a crítica musical e jornalística classificam Belchior situa o artista basicamente em dois grupos. “O primeiro deles é o que ficou conhecido como “Pessoal do Ceará”, o qual reúne os artistas que a partir da década de 1970 chegaram ao mercado nacional da música, particularmente aos Estados do Rio de Janeiro e São Paulo. Dentre, eles Fagner, Ednardo e Amelinha são os principais expoentes”, diz a professora. “O outro grupo no qual esta mesma crítica posiciona Belchior é o da intitulada MPB, que agrupa artistas dos mais diversos gêneros musicais, mas todos ligados a uma apreciação valorativa positiva e elitizada. Neste grupo estão Chico Buarque, Caetano Veloso, Elis Regina, João Bosco, Djavan”. A pesquisa está em fase de conclusão e faz parte de tese de doutorado orientada pelos professores Lineide Salvador Mosca, da FFLCH, e Dominique Maingueneau, da Universidade de Paris V-Sorbonne (França), que será defendida no segundo semestre.</p>
<p><em>Imagem: Wikimedia Commons</em></p>
<blockquote><p><strong>Mais informações: email </strong><strong><a href="javascript:DeCryptX('kptzufjyfjsbAvtq/cs')">&#106;o&#115;yt&#101;ixe&#105;&#114;a&#64;u&#115;&#112;&#46;&#98;&#114;</a></strong><strong>, com Josely Teixeira </strong></p></blockquote>
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		<title>Violência no cinema pode estimular reflexão sobre sociedade</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Jan 2013 20:15:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Da Redação</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[antropologia visual]]></category>
		<category><![CDATA[cinema]]></category>
		<category><![CDATA[etnografia]]></category>
		<category><![CDATA[FFLCH]]></category>
		<category><![CDATA[NAU]]></category>
		<category><![CDATA[violência]]></category>

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		<description><![CDATA[Filmes podem ser pensados como representações da experiência social que sintetizam visões de mundo]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Denis Pacheco, do USP Online &#8211; <a href="javascript:DeCryptX('vtqpomjofAvtq/cs')">us&#112;&#111;nl&#105;&#110;e&#64;us&#112;&#46;&#98;r</a></em></p>
<p>A violência mostrada pelo cinema pode fomentar não apenas admiração ou repulsa no espectador, mas também novas formas de se pensar acerca da sociedade. A conclusão está no livro <em>Imagem-violência: etnografia de um cinema provocador</em>, escrito pela professora Rose Satiko Gitirana Hikiji, professora da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP.  Sob a ótica da antropologia visual, Rose reflete como filmes podem ser pensados enquanto produtos culturais que veiculam representações, recortam e organizam a experiência social, contando histórias, tempos, lugares, sentimentos e perspectivas que sintetizam visões de mundo.</p>
<p>A obra analisa uma série de filmes lançados nos anos 1990, tais como <em>Cães de Aluguel</em> e <em>Pulp Fiction</em>, de Quentin Tarantino, <em>Fargo</em>, dos irmãos Coen, <em>A estrada perdida</em>, de David Lynch, <em>Violência gratuita</em>, de Michael Haneke, entre outros. Tradicionalmente, o território da antropologia se fundamenta no estudo dos mitos. São eles que constituem as narrativas orais que dão base aos diversos estudos da área. Entretanto, alguns antropólogos experimentaram a apropriação das reflexões antropológicas sobre os mitos para pensar o cinema.</p>
<div class="img alignleft size-full wp-image-126295" style="width:230px;">
	<a href="http://www.usp.br/agen/wp-content/uploads/Bol3389d.jpg"><img src="http://www.usp.br/agen/wp-content/uploads/Bol3389d.jpg" alt="" width="230" height="130" title="Filmes podem provocar novas formas de se pensar a respeito da violência"/></a>
	<div>Filmes podem provocar novas formas de se pensar a respeito da violência</div>
</div><p>Citados no livro, o americano John Weakland e o francês Edgar Morin são dois exemplos de pensadores que trabalharam o cinema pela luz da etnografia. Para eles e para Rose, filmes são narrativas culturalmente construídas. “Não são relatos realistas, mas ‘dramatizações’ da realidade. O filme, como um mito, relaciona-se com a realidade de forma dialética, estabelecendo parâmetros ao espectador”, explica a professora. De acordo com o próprio Morin, o cinema permite projetar mil outras vidas e experimentar de forma segura situações que seriam arriscadas na vida real: paixões, aventuras e, naturalmente, cenas de violência.</p>
<p>A narrativa pode ser eficaz contra o terror. Ela pode desestabilizar o terror, revelando seu discurso, e operar como um contradiscurso. Interessada em como a violência é mediada pelas mídias, Rose cita o antropólogo Michael Taussig ao lembrar que muitas pessoas conhecem o terror apenas pela história narrada. “Isso diz muito sobre a importância dos meios de comunicação”, afirma. Nesse contexto, “a narrativa pode ser eficaz contra o terror. Ela pode desestabilizar o terror, revelando seu discurso, e operar como um contradiscurso”.</p>
<p><strong>Riso como provocação</strong><br />
Concentrando a análise em lançamentos cinematográficos dos anos 1990, a professora descreve a década como anos de “hiper-representação da violência”, atribuindo ao gosto do público a abundância de produções com esse foco. “A saturação, o excesso de imagens, a perda do impacto de certas imagens, a necessidade de imagens cada vez mais realistas e hiper-realistas para provocar o espectador. Os filmes analisados foram uma resposta a este desejo por imagens de ação violenta, mas muitas vezes irônica”, conta.</p>
<p>Filmes como <em>Cães de Aluguel</em>, que, conforme um dos exemplos citados na obra, retiram a humanidade de uma categoria de pessoas (“os tiras”) para justificar seu extermínio violento, fizeram sua parte para fomentar a reflexão do espectador sobre a relação maniqueísta que se estabelece em filmes policiais. Brincando com a tradição do gênero, Tarantino conduz o espectador a questionar quem “merece” ou não ser morto em suas produções. Muitas vezes, provocando no público risos inesperados diante das mais horripilantes cenas de violência.</p>
<p>“O riso nas exibições de filmes que mostravam cenas de grande violência física foi um dos fatores que mais me chamou a atenção para os filmes que analiso”, pontua Rose. “O riso por vezes pode ser o ‘riso nervoso’, que alivia o pavor. Outras vezes, é a resposta esperada pelo diretor, que brinca com uma situação supostamente séria <em>[como quando os protagonistas de Pulp Fiction têm que lidar com os pedaços de cérebro que ficam grudados no teto do carro]</em>”, lembra a professora antes de apontar que “o fato é que o riso no lugar errado é provocador. Pode até fazer pensar”.</p>
<p><strong>Reflexão do social<br />
</strong>Dentre as conclusões do trabalho, Rose destaca que, nos filmes analisados existe uma dupla relação com a violência, “ela é tema e forma, simultaneamente”.  O resultado, em sua interpretação, é um potencial crítico acerca da relação com violência e a imagem da violência.</p>
<p>Salientando, em especial, que a perspectiva escolhida não pensa o cinema como um reflexo direto da realidade, e tampouco como um estímulo ou inspiração para a violência na sociedade, a autora destaca que analisou o cinema como reflexão acerca do social. “As pessoas não se tornariam mais ou menos violentas por ver filmes, mas alguns filmes podem provocar novas formas de pensar sobre o assunto”, finaliza.</p>
<p>Lançado em janeiro pela editora Terceiro Nome, <em>Imagem-violência: etnografia de um cinema provocador</em> faz parte da coleção &#8220;Antropologia Hoje&#8221;, uma parceria da Terceiro Nome e do Núcleo de Antropologia Urbana (NAU) da USP para a divulgação de trabalhos, ensaios e resultados de pesquisas etnográficas na área da antropologia voltados à dinâmica cultural e aos processos sociais contemporâneos.</p>
<p><em>Foto: Divulgação</em></p>
<blockquote><p><strong>Mais informações: email <a href="javascript:DeCryptX('sptf/tbujlpAhnbjm/dpn')">&#114;&#111;s&#101;.&#115;&#97;&#116;&#105;&#107;&#111;&#64;g&#109;&#97;&#105;&#108;&#46;co&#109;</a>, com a professora Rose Satiko Gitirana Hikiji</strong></p></blockquote>
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		<title>Livro investiga os desdobramentos da obra de Robert Kurz</title>
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		<pubDate>Wed, 09 Jan 2013 20:05:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Valéria Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Escola de Frankfurt]]></category>
		<category><![CDATA[Exit!]]></category>
		<category><![CDATA[fetichismo]]></category>
		<category><![CDATA[FFLCH]]></category>
		<category><![CDATA[Jürgen Habermas]]></category>
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		<category><![CDATA[Krisis]]></category>
		<category><![CDATA[Max Horkheimer]]></category>
		<category><![CDATA[Negatividade e ruptura: configurações da crítica de Robert Kurz]]></category>
		<category><![CDATA[O Capital]]></category>
		<category><![CDATA[O Colapso da Modernização]]></category>
		<category><![CDATA[Robert Kurz]]></category>
		<category><![CDATA[Theodor Adorno]]></category>
		<category><![CDATA[valor]]></category>
		<category><![CDATA[Walter Benjamin]]></category>

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		<description><![CDATA[Com o grupo Krisis, o intelectual atualizou os conceitos de “valor” e “fetichismo” idealizados por Karl Marx]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pesquisa realizada na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP investiga os desdobramentos da crítica que o filósofo, sociólogo e teórico social alemão Robert Kurz (1943 &#8211; 2012) faz dos conceitos de “valor” e de “fetichismo” &#8211;  idealizados pelo filósofo Karl Marx (1818-1883) na obra <em>O Capital</em> &#8211; e como esses desdobramentos compõem uma crítica da modernidade.</p>
<p>O estudo foi desenvolvido no mestrado do sociólogo Ricardo Pagliuso Regatieri, sob a orientação do professor Ricardo Musse. A pesquisa deu origem ao livro <em>Negatividade e ruptura: configurações da crítica de Robert Kurz</em> (Annablume/FAPESP, 2012), obra que será lançada no dia 30 de janeiro, a partir das 18h30, na Livraria da Vila &#8211; Loja Lorena (Alameda Lorena, 1731, Jardim Paulista, São Paulo).</p>
<div class="img alignleft size-medium wp-image-125014" style="width:200px;">
	<a href="http://www.usp.br/agen/wp-content/uploads/CAPA-NEGATIVIDADE-E-RUPTURA_alta-resolução.jpg"><img src="http://www.usp.br/agen/wp-content/uploads/CAPA-NEGATIVIDADE-E-RUPTURA_alta-resolução-200x300.jpg" alt="" width="200" height="300" title="Foram analisados ensaios de autoria de Kurz, publicados na Krisis e na Exit!"/></a>
	<div>Foram analisados ensaios de autoria de Kurz, publicados na Krisis e na Exit!</div>
</div><p>Haverá também lançamentos em Fortaleza e Porto Alegre, acompanhados de  debates. Em Fortaleza, o lançamento ocorre dias 22 e 23 de janeiro, às  18h30, no Auditório Rachel de Queiroz do Centro de Humanidades da  Universidade Federal do Ceará. Em Porto Alegre, será em 28 de janeiro, a  partir das 16 horas, no âmbito do Fórum Social Temático Mundial.</p>
<p>Robert Kurz foi um dos fundadores, em 1986, do grupo de discussão <em>Krisis</em>, sediado em Nuremberg, na Alemanha, e que reunia pessoas dedicadas ao estudo e atualização da obra de Marx. O grupo começou a bancar uma revista mantida por meio de assinaturas e contribuições. Em 2004, Kurz rompeu com a <em>Krisis</em> e fundou uma nova revista, a <em>Exit!</em>. Durante os anos 1990, ele publicou diversos ensaios nas revistas <em>Krisis</em> e <em>Exit!</em>. Para realizar o estudo, Regatieri analisou cerca de 10 ensaios de autoria de Kurz, publicados de 2000 a 2003 na <em>Krisis</em>, e de 2004 a 2007 na <em>Exit!</em>.</p>
<p>Uma das conclusões da pesquisa é que, após a morte de Marx sua teoria foi simplificada e instrumentalizada para a luta política. “É bom lembrar que nunca existiu, na obra de Marx, uma ‘<em>receita</em>” de como construir um outro mundo diferente do capitalismo. Mas a obra dele acabou sendo usada como estratégia política: muitos leram <em>O Capital</em> e fizeram uma interpretação que direcionava para um regime político”, destaca o sociólogo. Segundo Regatieri, ao longo deste processo, os conceitos de “valor” e “fetichismo” foram perdendo espaço e força.</p>
<p><strong>Retomando conceitos: “valor” e “fetichismo”</strong><br />
Regatieri explica que “Na teoria de Marx, ‘valor’ é aquilo  que permite comparar duas mercadorias. É a quantidade de trabalho que foi incorporada à mercadoria que determina o seu valor. Já o ‘fetiche” é uma consequência disso: é como se fosse um véu que nos impede de ver a mercadoria em si. No caso de um celular, por exemplo, não conseguimos perceber todo o processo produtivo que está por trás da fabricação: as peças, os trabalhadores, o processo de produção e de venda, e somente enxergamos o produto final, que é o aparelho celular. Então é como se o aparelho, em si, tivesse vida própria”.</p>
<p>O estudo mostra que os conceitos de “valor” e “fetichismo” foram atualizados por Robert Kurz e pelo Grupo Krisis. “Kurz compreende tanto a gênese da teoria de Marx dentro do campo de tensões em que ela surgiu, quanto as apropriações e os destinos que, com o nome de &#8220;marxismo&#8221;, ela historicamente experimentou”, aponta o pesquisador. O sociólogo relata que Kurz retomou os conceitos de “valor” e “fetichismo”, desenvolvendo e atualizando esses conceitos em seus textos. “Com isso, Kurz e o Grupo Krisis se colocam como continuadores do que houve de melhor na tradição da crítica do ‘valor’ e do ‘fetichismo’”, diz.</p>
<p>Para Regatieri, Kurz pode ser considerado como herdeiro contemporâneo da teoria crítica da Escola de Frankfurt (corrente teórica que teve início na Alemanha, no final da década de 1920, e que reuniu uma série de filósofos e cientistas sociais), evidenciando a relação da teoria de Kurz com as de Theodor Adorno, Max Horkheimer e Walter Benjamin, intelectuais que participaram da Escola de Frankfurt.</p>
<p>“Kurz parte de elaborações desses autores para levar adiante tanto uma crítica do sujeito quanto uma ressignificação do conceito de fetichismo, denominada por ele de ‘história das relações de fetiche’. Vale destacar que a pesquisa sugere que Kurz desenvolve a teoria crítica numa direção bem diferente, se não oposta, àquela do filósofo Jürgen Habermas, herdeiro &#8220;oficial&#8221;, por assim dizer, da teoria crítica da Escola de Frankfurt”, destaca o pesquisador.</p>
<p><strong>O colapso da modernização</strong><br />
Robert Kurz ficou conhecido no Brasil a partir do início da década de 1990 com o lançamento e repercussão de seu livro <em>O Colapso da Modernização</em>. Nos anos seguintes, passou a vir com frequência ao país para debates e conferências, além de escrever periodicamente no jornal <em>Folha de S. Paulo</em>, tratando de temas que iam da indústria cultural à crise do capitalismo.</p>
<p>“A despeito da relevante presença de Robert Kurz nos debates intelectuais no Brasil nos anos 1990 e 2000, não existia, até a realização desta pesquisa e da publicação deste livro, nenhum estudo sistemático sobre sua obra, seja no plano nacional ou internacional”, finaliza o sociólogo. A apresentação do livro <em>Negatividade e ruptura: configurações da crítica de Robert Kurz</em> foi feita por Anselm Jappe (autor, entre outros, dos livros<em> Guy Debord</em> e <em>As aventuras da mercadoria</em>), e que foi um dos integrantes do grupo <em>Krisis</em>.</p>
<blockquote><p><strong>Mais informações: email <a href="javascript:DeCryptX('sjdbsepqbhmjvtpAvtq/cs')">&#114;&#105;&#99;a&#114;d&#111;&#112;&#97;&#103;&#108;&#105;&#117;&#115;o&#64;u&#115;p&#46;b&#114;</a>, com Ricardo Pagliuso Regatieri</strong></p></blockquote>
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		<title>Histórias de desocupação entram em cena com Coletivo Negro</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Nov 2012 19:58:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mariana Grazini</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Coletivo Negro]]></category>
		<category><![CDATA[cultura negra]]></category>
		<category><![CDATA[desapropriação]]></category>
		<category><![CDATA[narrativas]]></category>
		<category><![CDATA[teatro]]></category>
		<category><![CDATA[TUSP]]></category>

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		<description><![CDATA[Grupo de atores consegue mesclar personagens diferentes numa mesma situação, unidos pela dor]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="img alignleft size-full wp-image-121013" style="width:230px;">
	<img src="http://www.usp.br/agen/wp-content/uploads/Coletivo-Negro1.jpg" alt="" width="230" height="130" title="O grupo fez pesquisas numa comunidade quilombola para elaborar a peça"/>
	<div>O grupo fez pesquisas numa comunidade quilombola para elaborar a peça</div>
</div><p>Em meio à necessidade de expandir a discussão em torno da história e das raízes dos negros no Brasil, o grupo Coletivo Negro apresenta a peça <em>Movimento nº1: o silêncio de depois&#8230; </em>no Teatro da USP (TUSP). A peça retrata quatro personagens que sofrem uma desapropriação violenta para a construção de uma linha férrea. A perda é um elemento comum a todos durante o processo de desocupação, e é dessa forma que quatro histórias diferentes se entrelaçam ao longo da apresentação.</p>
<p>A peça inova em seu cenário ao deixar de lado o palco e montar bancos ao redor do espaço onde os atores se apresentam. Algumas luzes e objetos também são manipulados em cena e as músicas e sons são todos feitos ao vivo com instrumentos de percussão, violão e berimbau, entre outros.</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="520" height="293" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/BxNYJtgGf_k?version=3&amp;hl=pt_BR&amp;rel=0" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="520" height="293" src="http://www.youtube.com/v/BxNYJtgGf_k?version=3&amp;hl=pt_BR&amp;rel=0" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>Aysha Nascimento é integrante do coletivo e tem na peça o papel de questionar o estereótipo da mulher negra, quase sempre retratada de forma exuberante na sociedade brasileira. Ela explica que, no processo anterior à peça, o Coletivo Negro fez visitas à comunidade quilombola Ivaporunduva, do Vale do Ribeira, em São Paulo. “Essa pesquisa foi muito importante. Visitamos nossos ancestrais, conhecemos as histórias deles e o que sobrou dessa resistência,” diz Aysha.</p>
<p>A atriz esclarece que <em>Movimento nº1: o silêncio de depois&#8230;</em> é atemporal e trata de seus personagens com um recorte racial. O projeto originalmente seria chamado Quilombos Urbanos mas a escolha por “Movimento nº1” simbolizou o pontapé inicial do coletivo e seu movimento contínuo. Já “o silêncio de depois” serve para representar narrativas que já aconteceram em quilombos, comunidades e favelas e que deixam como resquício o silêncio da reflexão.</p>
<p><strong>Coletivo Negro</strong><br />
Com atores da Escola de Arte Dramática (EAD) da USP e da Escola Livre de Teatro de Santo André, o Coletivo Negro surgiu em 2008 de uma pesquisa do integrante Jé Oliveira. Com a função de diretor nesse projeto de pesquisa cênica, Oliveira resolveu abordar o assunto “Invisibilidade social” para tratar da questão do negro, como sua invisibilidade econômica existe e como ela é muitas vezes somente rompida com o aparecimento de casos de criminalidade ou outras  formas indesejáveis. Jefferson Matias e Thaís Dias, dois dos atuais integrantes do Coletivo Negro, foram convidados a participar do projeto de Jé Oliveira e foi esse o disparador do coletivo.</p>
<p>A partir disso, outros integrantes interessados na questão da racialidade uniram-se ao grupo. Com a entrada de Raphael Garcia, Flávio Rodrigues e Aysha Nascimento, o coletivo ganhou sua configuração atual com seis participantes. “Formamos o Coletivo Negro com o intuito de pesquisar a racialidade pelo viés poético e cênico”, completa Oliveira.</p>
<p>Para explicar o funcionamento do coletivo, Raphael Garcia diz: “A gente trabalha com um conceito base de desierarquização. Todos são artistas criadores e todos podem, em algum momento, ser dramaturgos, diretores, exercer a função de atores e outras, paralelamente.” Quanto às funções de cada um na peça, o ator aponta que, para projetos em vista como o Movimento nº2, as funções podem se transformar, já que o “movimento” está tanto no nome do espetáculo como na organização do coletivo.</p>
<p><strong>Premiações e apresentações</strong><br />
O grupo já foi indicado nas categorias de Melhor Elenco e Grupo Revelação para o Prêmio Cooperativa Paulista de Teatro no ano de 2011. Além disso, o crítico de teatro, Sebastião Milaré, selecionou o coletivo para participar do documentário Teatro e Circunstância produzido pela TV Sesc.</p>
<p>As apresentações no TUSP vão até dia 29 de novembro, às 21 horas das quartas e quintas-feiras. O TUSP fica na Rua Maria Antônia, 294, bairro Consolação,  em São Paulo, e a bilheteria abre duas horas antes da apresentação. Os preços: R$20,00 e R$10,00 (meia entrada).</p>
<p><em>Foto: Pedro Bolle / <a href="http://www.imagens.usp.br/" target="_blank">USP Imagens</a></em></p>
<blockquote><p><strong>Mais informações</strong><strong>: (11) 3123-5241</strong><strong> ou email <a href="javascript:DeCryptX('uvtqnluAvtq/cs')">&#116;&#117;s&#112;&#109;kt&#64;u&#115;&#112;&#46;br</a> </strong><strong> </strong><strong> com Élcio Silva, da Assessoria de Imprensa do TUSP<br />
</strong></p></blockquote>
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		<title>Expressão corporal não interfere na voz do cantor de ópera</title>
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		<pubDate>Fri, 09 Nov 2012 20:00:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Valéria Dias</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[canto lírico]]></category>
		<category><![CDATA[EACH]]></category>
		<category><![CDATA[encenação]]></category>
		<category><![CDATA[expressão corporal]]></category>
		<category><![CDATA[Núcleo Universitário de Ópera]]></category>
		<category><![CDATA[ópera]]></category>
		<category><![CDATA[Richard Wagner]]></category>
		<category><![CDATA[teatro]]></category>

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		<description><![CDATA[Contrariando o senso comum, pular ou se abaixar não prejudica o canto, desde que haja preparação corporal]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O uso da expressão corporal por cantores de ópera não interfere na capacidade vocal desses artistas. De acordo com uma pesquisa realizada pela professora Marília Velardi, da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP, se o cantor tiver feito um bom trabalho de preparação corporal, poderá realizar diversos movimentos enquanto canta, como pular ou abaixar, sem nenhum prejuízo para sua voz.</p>
<div class="img size-full wp-image-120185 alignright" style="width:230px;">
	<a href="http://www.usp.br/agen/wp-content/uploads/opera.jpeg"><img src="http://www.usp.br/agen/wp-content/uploads/opera.jpeg" alt="" width="230" height="130" title="No Núcleo Universitário de Ópera (NUO), corpo do ator é recurso para encenação"/></a>
	<div>No Núcleo Universitário de Ópera (NUO), corpo do ator é recurso para encenação</div>
</div><p>“Tradicionalmente aspectos como cenários e figurinos são preponderantes na encenação e a voz cantada é aquilo que marca a ópera. Portanto, nas montagens tradicionais, vemos cenários e figurinos grandiosos que, muitas vezes, limitam a ação cênica e isso parece estar de acordo com o fato de que o mais importante é a performance vocal, a técnica vocal dos cantores”, aponta a pesquisadora.</p>
<p>Segundo Marília, isso ocorre porque existe um problema conceitual no mundo artístico: em qual tipo de teatro a ópera pode ser enquadrada? “Sabe-se que o corpo do ator e as ações físicas, especialmente nos teatros moderno e contemporâneo, são pontos centrais para a encenação”, diz. Para ela, no caso da ópera, tolera-se um cantor com performance precisa que seja mau ator, mas não o oposto. “Na pesquisa, a questão dos cenários e figurinos aparecem para demonstrar que quanto mais excessivos, mais impedirão as ações físicas e aí fica mais evidente que os cantores terão menor liberdade de ação. O resultado é que há uma grande qualidade vocal, com bons cantores, mas o aspecto da interpretação é relegado a um plano secundário. “Percebemos que há uma certa tolerância do público com o fato de os cantores não serem bons atores. No exterior, isso já não é mais aceito”.</p>
<p>Na opinião da professora, esse aspecto talvez seja um dos responsáveis por um problema vivenciado atualmente nos espetáculos de ópera: a perda de público. “O problema não é o repertório, mas o modo como as montagens são feitas, sem que haja uma preocupação com a encenação das peças. Isso ocorre principalmente no Brasil”, destaca.</p>
<div class="img size-medium wp-image-120186 alignleft" style="width:200px;">
	<a href="http://www.usp.br/agen/wp-content/uploads/opera1.jpg"><img src="http://www.usp.br/agen/wp-content/uploads/opera1-200x300.jpg" alt="" width="200" height="300" title="Ópera Fairy Queen - Sonho de uma noite de verão"/></a>
	<div>Ópera Fairy Queen - Sonho de uma noite de verão</div>
</div><p>Marília trabalhou com o Núcleo Universitário de Ópera (NUO) grupo formado por estudantes de canto lírico de diversas universidades, inclusive da USP. O grupo utiliza uma preparação cênica centrada na preparação do corpo do ator como recurso para a encenação da ópera.</p>
<p>Ao serem entrevistados pela pesquisadora sobre o tema, os integrantes da companhia mencionaram uma falha em sua formação, pois as escolas somente consideram a parte vocal, esquecendo-se da necessidade de se tratar também dos aspectos ligados à encenação e à expressão corporal. Outra questão apontada foi o problema conceitual do que é ópera, pois este conceito interfere no modo como as montagens são feitas. Como ela costuma ser considerada pelo seu aspecto tradicional, somente são levados em conta o cenário e canto.</p>
<p><strong>Richard Wagner</strong><br />
Marília comenta que este conceito tradicional de ópera, ligado ao teatro declamatório, já foi superado há muito tempo a partir das ideias do maestro, compositor, diretor de teatro e ensaísta alemão Richard Wagner (1813 &#8211; 1883).</p>
<p>“Na proposta de Wagner, as grandes performances vocais, as árias,  do modo tradicional, dão lugar aos textos recitativos. Surge, com este compositor, um modo particular de utilizar o <em>leitmotiv</em>, que é o motivo musical específico para uma personagem e que poderá ser mais agressivo ou mais doce, dependendo daquilo que se quer passar em relação ao personagem”, explica a professora.</p>
<p>Segundo Marília, a utilização do <em>leitmotiv</em> (motivo condutor) é justamente para fazer com que os recitativos sejam um constante entrelaçamento de temas que simbolizam personagens, sentimentos, objetos. “Wagner concluiu que a forma da ópera poderia ser a chave para uma exploração dramática mais intensa. Desse modo, ele estende o tempo cênico de tal maneira que possibilita ao ator explorar ainda mais a ação corporal”, esclarece, lembrando que o conceito wagneriano de ópera revolucionou o teatro moderno. “Portanto, é de estranhar que as óperas encenadas na atualidade ainda persistam no modo tradicional de encenação&#8221;, completa.</p>
<p><em>Veja no vídeo abaixo, um exemplo do tempo cênico dilatado pela música (&#8220;oh let me weep&#8230; he´s gone&#8230; &#8220;)</em></p>
<p><iframe width="500" height="281" src="http://www.youtube.com/embed/NjqjdKM-ydE?fs=1&#038;feature=oembed" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
<p>Além das entrevistas, Marília também analisou vídeos com a performance dos alunos do Núcleo Universitário de Ópera e de encenações de óperas de grandes nomes europeus. “Havia cenas incríveis, com os cantores deitados no chão ou em posição fetal, e com uma emissão vocal perfeita”, diz. Esse material videográfico foi encaminhado para análise de professores de canto lírico. Eles constataram que mesmos nas situações corporais limite não havia nenhum prejuízo para o canto.</p>
<div class="img size-medium wp-image-120187 alignleft" style="width:230px;">
	<a href="http://www.usp.br/agen/wp-content/uploads/opera4.jpg"><img src="http://www.usp.br/agen/wp-content/uploads/opera4-300x200.jpg" alt="" width="230" height="169" title="Mesmo em situações corporais limite: sem prejuízos para o canto"/></a>
	<div>Mesmo em situações corporais limite: sem prejuízos para o canto</div>
</div><p>A pesquisa “O corpo na Ópera” foi realizada entre 2011 e 2012 com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).</p>
<p>O Núcleo Universitário de Ópera (NUO) existe desde 2004 e reúne cerca de 30 alunos de canto lírico da USP, Universidade Estadual Paulista (Unesp) e Universidade de Campinas (Unicamp), além de cerca de 30 instrumentistas.</p>
<p><em>Imagens e vídeo cedidos pela pesquisadora: Fairy Queen-Sonho de uma noite de verão, música de Henry Purcell e texto de Willian Shakespeare (apresentada em 2011 no SESC Bom Retiro)</em></p>
<p><em>Os Gondoleiros, de W.S.Gilbert e Arthur Sullivan (apresentada em 2010 com reapresentação em 2011 no Memorial da América Latina)</em></p>
<blockquote><p><strong>Mais informações: email <a href="javascript:DeCryptX('nbsjmjb/wfmbsejAvtq/cs')">m&#97;r&#105;&#108;ia&#46;vel&#97;r&#100;i&#64;&#117;&#115;p.br</a>, com a professora Marília Velardi. Site <a href="http://nucleodeopera.blogspot.com.br/" target="_blank">http://nucleodeopera.blogspot.com.br/</a></strong></p></blockquote>
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		<title>Acesso indígena à internet concilia culturas</title>
		<link>http://www.usp.br/agen/?p=109577</link>
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		<pubDate>Tue, 28 Aug 2012 20:59:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mariana Melo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Centro de Estudos Ameríndios]]></category>
		<category><![CDATA[FFLCH]]></category>
		<category><![CDATA[grupos ameríndios do Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[inclusão digital]]></category>
		<category><![CDATA[indígenas]]></category>
		<category><![CDATA[índios]]></category>
		<category><![CDATA[internet]]></category>

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		<description><![CDATA[A produção virtual indígena depende do consenso nas comunidades e da disponibilização de máquinas e técnicos]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="img alignleft size-full wp-image-109863" style="width:230px;">
	<a href="http://www.usp.br/agen/wp-content/uploads/Indio.jpg"><img src="http://www.usp.br/agen/wp-content/uploads/Indio.jpg" alt="" width="230" height="130" title="Índios utilizam a plataforma digital para divulgar sua cultura"/></a>
	<div>Índios utilizam a plataforma digital para divulgar sua cultura</div>
</div><p>Uma avaliação do discurso presente em blogs e sites indígenas aponta que a comunicação produzida por índios na internet é dirigida muito mais para a conciliação entre saberes do que no destaque das diferenças culturais. A avaliação foi feita na dissertação de mestrado <em>Perspectivas indígenas sobre e na internet: ensaio regressivo sobre a construção e o uso da comunicação em grupos ameríndios do Brasil</em> do antropólogo Nicodème de Renesse, realizada na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, sob orientação da professora Dominique Tilkin Gallois.</p>
<p>Para a pesquisa, foi feito um levantamento entre julho de 2010 e julho de 2011 de sites e blogs nos quais a titularidade era declaradamente indígena. Esses sites eram desde representantes diretos das comunidades até blogs de associação de moradores e músicos locais. Dos 77 endereços eletrônicos contabilizados por Nicodème, a produção de quatro grupos foi destacada: Ikpeng, Kuikuro, Yanomami e Suruí. A intenção era entender que motivação levava grupos ou sujeitos indígenas a publicar na web, diante do significativo investimento, principalmente por parte dos Ministérios das Comunicações, da Cultura e do Planejamento, em políticas públicas de inclusão digital para aldeamentos indígenas.</p>
<p>Nicodème não achou pertinente investigar o uso das redes sociais para o ensaio, ainda que reconheça o sucesso dessas mídias na inserção digital das pessoas. Segundo ele “a ideia não era avaliar a comunicação em círculos privados e/ou em registros domésticos” porque o que seria observado era a forma como essas comunidades se representavam em discursos públicos e no registro político nas plataformas digitais.</p>
<p>Para o pesquisador, o esforço em apropriar-se da internet não opõe-se às outras aptidões tidas como tipicamente indígenas e demonstra a tentativa dos índios de expor a sua cultura de forma a se fazerem entender. Segundo ele “não há cibercultura, mas sim cultura; o estudo da internet não nos ensina coisas só sobre a internet, mas sobre a maneira de compreender o mundo em geral”.</p>
<p><strong>Simpósio</strong><br />
Na primeira parte da pesquisa, Nicodème acompanhou as discussões do primeiro <a href="http://www.usp.br/nhii/simposio/" target="_blank">Simpósio Indígena sobre Usos da Internet no Brasil</a>, realizado em 2010 pelo Centro de Estudos Ameríndios (CEstA) da USP. Neste simpósio, 24 lideranças indígenas vieram à USP para debater projetos ligados à inserção das comunidades à rede online. O pesquisador percebeu que algumas comunidades estavam em estágios diferentes de apropriação da internet, pois não havia consenso sobre a importância da apropriação digital dentro de algumas comunidades, principalmente entre os mais velhos e os mais jovens. As comunidades que conseguiram articular melhor esse debate estavam mais inseridas na utilização da rede.</p>
<p>Ainda, para o antropólogo, é possível verificar impactos da comunicação na configuração política da comunidade, pois, assim como a organização política influencia os projetos de inclusão digital, o mesmo acontece no sentido inverso. Questões que envolvem comunicação tem forte incidência nessa organização, porque as lideranças das comunidades estudadas, que não constituem modelos fixos, foram reavaliadas e modificadas em função das necessidades de comunicação e da implementação de projetos de inclusão digital.</p>
<p>No simpósio, Nicodème também pode observar queixas quanto à efetividade dos projetos de inserção digital, por problemas estruturais, como máquinas quebradas, falta de suporte técnico para capacitar os índios ao uso dos computadores e também falhas de coordenação entre as etapas do projeto, desde a disponibilização das verbas para este fim até a instalação dos pontos de sinal e máquinas.</p>
<p><em>Imagem: Roosewelt Pinheiro / Wikimedia</em></p>
<blockquote><p><strong>Mais informações: email <a href="javascript:DeCryptX('ojdpefnfefsfofttfAvtq/cs')">&#110;&#105;co&#100;&#101;m&#101;de&#114;&#101;n&#101;ss&#101;&#64;u&#115;p.br</a></strong></p></blockquote>
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