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Colesterol alto dificulta cicatrização da mucosa bucal

Rosemeire Soares Talamone, do Serviço de Comunicação Social da Coordenadoria do Campus de Ribeirão Preto

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Colesterol alto também é um vilão para os tecidos da mucosa bucal

São inúmeros os trabalhos científicos que comprovam que o colesterol alto, a chamada hipercolesterolemia, é um dos fatores determinantes para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares. Agora, pesquisa na Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto (FORP) da USP  indica que o colesterol alto também é um vilão para os tecidos da mucosa bucal que, alterados, podem acarretar dificuldades no processo de cicatrização. Além disso, a pesquisa revela que alguns desses efeitos são progressivos, ou seja, se tornam mais expressivos com o uso contínuo de alimentação com alto índice de colesterol.

Segundo o autor do estudo, o biólogo Gilberto Silva, isso pode prejudicar um tratamento odontológico que dependa de cirurgia, mas também no uso de aparelhos ortodônticos, ou mesmo em tratamentos odontológicos de rotina. “Se o paciente precisar de uma raspagem, por exemplo, ele ficará mais exposto a um sangramento pela dificuldade de cicatrização e com maior chance de desenvolver uma infecção”, avalia.

Riscos desde a infância
Como a obesidade se tornou uma questão de saúde pública e vem aumentando de forma bastante acentuada também na infância e na juventude. Quando observada nos primeiros anos de vida leva a um maior risco para altos índices de colesterol, triglicérides e alterações cardiovasculares na vida adulta. A partir daí, o pesquisador resolveu investigar os efeitos das fases iniciais dessas alterações, ou seja, nas idades infantil e juvenil, sobre os tecidos bucais e a capacidade de cicatrização.

A pesquisa foi realizada com ratos da raça Wistar, o mais utilizado pelos pesquisadores, pois a cicatrização da pele desse animal é muito semelhante a cicatrização da mucosa bucal do homem, segundo Silva. Foi oferecida aos animais uma ração preparada com 1% de aumento (em peso) de colesterol e mais 20% de óleo de soja, por um período de 2 a 6 semanas, para avaliação dos tecidos bucais.

Silva diz que, levando-se em consideração a literatura, o aumento obtido nos níveis de colesterol foi semelhante aos observados em humanos com sobrepeso, ou seja, 22% no colesterol total e 23% de aumento no LDL em média. Ainda, segundo Silva, pessoas obesas ou obesos mórbidos podem ter índices maiores de aumento do colesterol. A orientadora do trabalho, professora Marilena Komesu, da FORP, revela que, considerando a idade dos animais utilizados na pesquisa e as características do aumento do colesterol, o trabalho procurou mostrar a situação de crianças e adolescentes com sobrepeso, ou seja, aqueles com maus hábitos alimentares, que não fazem exercício e que estão se tornando bastante comuns na população em geral.

Os pesquisadores lembram, no entanto, que a alteração no colesterol pode acontecer em qualquer idade, mas escolheram essa por ser preocupante por vários motivos. “Além de estar aumentando essa população, o aumento do colesterol nessa fase pode ser completamente assintomático, ou seja, despercebido, e, ainda, com o início precoce de alterações no colesterol os problemas podem ser mais graves na vida adulta”.

Foi analisada a morfologia da pele e também a língua do animal em quatro regiões diferentes, além do palato mole, do duro e a gengiva. Todas as avaliações dos animais tratados com a ração enriquecida com colesterol apresentaram alterações, tanto no período inicial do processo de cicatrização, quando ocorre a reação inflamatória, como no período final. “Foi observado que, mesmo no período inicial do aumento do colesterol no organismo, duas semanas após o uso da ração enriquecida, já é significativa a alteração no epitélio bucal e consequentemente no processo de cicatrização”, afirma o pesquisador.

Além disso, ele diz que as células são maiores e estão presentes em menor número, o que indica que provavelmente ele está mais suscetível a lesões. “Todo o processo de cicatrização, composto de fases, sofre um atraso “.

A literatura científica, segundo Marilena, só havia relatado até hoje a relação entre a variação dos lipídios HDL, colesterol bom, e LDL, colesterol ruim, e infecções bucais, mas nada sobre a dislipidemia, que é a presença elevada ou anormal desses lipídios, e as alterações bucais. “O que já havia sido comprovado é que a elevação ou anormalidade desses lipídios causam alterações nas células intestinais. Mesmo os trabalhos existentes são controversos, pois não deixam claro se essas variações é que causam as alterações nas células, ou se as alterações nas células é que causam as variações”, diz a orientadora.

Ainda, segundo Marilena, as alterações vasculares são comuns na dislipidemia e nesse caso, durante uma cirurgia pode haver problema com pacientes com alterações de colesterol. “Como na odontologia se trabalha com doenças bucais e lesão de mucosas é necessário saber se o paciente não corre risco de danos maiores por conta do colesterol”, lembra a professora.

Os próximos passos da pesquisa serão as análises bioquímicas e histoquímicas dos tecidos para verificar o que está levando a essas alterações. O trabalho de mestrado Efeitos da hipercolesterolemia sobre os epitélios da mucosa bucal e capacidade de cicatrização em idades precoces “crianças e jovens”, foi defendida no último dia 29, no programa de Reabilitação Oral, área de concentração Biologia Oral.

Mais informações: (16) 3602.3522 ou 3602.4849, no Serviço de Comunicação Social da CCRP-USP; e-mail: imprensa.rp@usp.br

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