Cooperativas não acompanham ampliação de fronteira agrícola

Da Assessoria de Imprensa da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto email imprensa@fearp.usp.br

Instrumentos importantes para gerar riqueza no campo, as cooperativas agrícolas estão pouco presentes nas áreas de fronteira agrícola brasileira. A conclusão é de uma pesquisa do Programa de Estudos e Pesquisas em Cooperativismo da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (FEARP) da USP. A região Centro Oeste, principal fronteira agrícola do País, possui apenas 18% dos estabelecimentos rurais cooperativados, enquanto na região Sul esse número é de 38%. O estudo aponta que a existência de grandes propriedades com esquemas próprios de assistência técnica e distribuição de produtos limita a atuação das cooperativas.

Embora a área de lavouras temporárias (grãos e algodão) na região Centro Oeste tenha crescido mais de 400% desde 1975, enquanto no Sul esse crescimento foi de 43%, mais de 92% das exportações realizadas pelas cooperativas agrícolas brasileiras seguem concentradas nos estados da região Sul, São Paulo e Minas Gerais, tradicionais regiões de produção agropecuária.

Propriedades na fronteira agrícola utilizam menos os serviços das cooperativas

“Um dos fatores que podem explicar esta ausência é o alto custo de oportunidade para a criação de novas cooperativas em comparação com os benefícios que elas poderiam proporcionar aos agricultores”, afirma o professor Sigismundo Bialoskorski Neto, da FEARP, um dos autores do estudo.  O artigo também destaca outras prováveis causas dessa baixa participação como o custo de deslocamento das cooperativas tradicionais, o tamanho das propriedades e a escala nos negócios e a concorrência das grandes empresas transnacionais no fornecimento de assistência e venda de insumos.

Assistência técnica
No estado de Mato Grosso, além de menos estabelecimentos estarem associados a cooperativas, é ainda menor o percentual de propriedades que recebem assistência técnica das cooperativas. Apenas 1,26% utilizam este tipo de serviço em Mato Grosso contra 17,8% no Paraná, por exemplo.

O estudo aponta que a relação dos cooperados com as cooperativas nas fronteiras agrícolas é menos intensa como reflexo das propriedades maiores que possuem orientação técnica própria e diversos canais de distribuição. Sendo assim, a relação fica restrita às grandes transações de compra de insumos. O estudo usou como base dados de listagem especial do Censo Agropecuário de 2006 do IBGE, informações das Melhores e Maiores do Agronegócio do Brasil da revista “Exame” para os últimos dez anos e da Organização das Cooperativas Brasileiras.

Os dados mostram que em 2010 existiam 1.548 cooperativas agrícolas com 943 mil produtores associados. Juntas elas exportam 4,4 bilhões de dólares, representando 5,7% da pauta agrícola brasileira. Em 2006, cerca de 7,6 % dos estabelecimentos agrícolas estava associados em cooperativas. Por outro lado, estes mesmos estabelecimentos representavam 35% da renda do setor. A renda média dos estabelecimentos cooperados no Brasil é 276% superior a renda média nacional.

O artigo Evolução do Agronegócio e do Cooperativismo Agropecuário Brasileiro: uma análise comparativa de desempenho e impacto econômico foi desenvolvido pelo professor da FEARP, Sigismundo Bialoskorski Neto, coordenador do Programa de Estudos em Cooperativismo, pesquisador do Center for Organization Studies e do Comitê de Pesquisa da Aliança Cooperativa Internacional,  e pela mestranda em Controladoria e Contabilidade da FEARP, Anelise Krauspenhar Pinto.

Imagem: Marcos Santos / USP Imagens

Mais informações: (16) 3931-1313 / 9223-1517, com Daniel Navarro, na Assessoria de Imprensa da FEARP

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