Simulador veicular avalia os reflexos dos motoristas

Da Assessoria de Imprensa da Poli – erika@academica.jor.br

Pesquisa da Escola Politécnica (Poli) da USP criou o protótipo de um simulador veicular que avalia o tempo de reação de motoristas em situações de um potencial acidente de trânsito. O Simulador de Tempo de Reação em Condutores (Sitrec) foi projetado e construído para ser compacto e ter baixo custo, de modo que possa ser reproduzido facilmente por outras instituições de ensino e pesquisa.

Simulador reproduz ambiente da cabine de veículo durante condução no trânsito

O projeto foi desenvolvido pelos alunos de graduação Gabriel Silva e Sérgio Lopes Júnior, do curso de Engenharia Mecatrônica da Poli, que se formaram em 2012 e desenvolveram seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) usando como tema o Sitrec. Também participou o estudante Raphael Francis David, do 3º ano de Engenharia Mecânica, realizando sua Iniciação Científica. A orientação foi do professor Nicola Getschko, do Departamento de Engenharia Mecatrônica e de Sistemas Mecânicos da Poli.

Getshcko explica que o projeto teve um forte enfoque aplicativo ao construir um protótipo que pudesse disponibilizado como produto. “A pesquisa criou um simulador com custo inferior aos modelos existentes no mercado, cujo preço é superior a US$100 mil, o que limita a sua utilização”, aponta o professor. “A tecnologia desenvolvida proporciona uma medição bastante confiável e poderá ser adotada também no treinamento de motoristas e em testes para renovação de carteira de habilitação.”

O protótipo de simulador possui 1,6 metro (m) de altura, 0,9 m de largura e 1,8 m de comprimento.  Ele reproduz, de maneira representativa, o ambiente da cabine de um automóvel em situações de condução no trânsito. Um monitor de TV de LED de 32 polegadas apresenta imagens que simulam a visão que o condutor tem do pára-brisa do veículo. O sistema mede quantos milésimos de segundo o motorista leva entre perceber visualmente uma situação de potencial perigo, até o acionamento do freio ou o giro da direção para evitar o acidente. Com os resultados das medições, foi possível avaliar influência de fatores como uso de celular, digitação de mensagem de texto ao telefone, idade, sexo e estado físico sobre o reflexo do motorista ao conduzir o veículo.

Resultados
Os alunos avaliaram possíveis soluções para o projeto de um simulador de baixo custo a partir de pesquisas sobre as principais causas de acidentes de trânsito, estudos ergonômicos, dados estatísticos, e da avaliação de outros simuladores já existentes. Foi elaborado, então, o projeto executivo do simulador, seguido da construção do protótipo, que foi testado inicialmente por um grupo de controle para a implantação de correções e sugestões feitas pelos próprios usuários. Depois de implementadas as melhorias, foi realizada uma nova etapa de testes mais amplos e a análise dos resultados.

Tecnologia poderá ser adotada em testes para renovação de habilitação

O protótipo mostrou-se viável tanto do ponto de vista técnico como financeiro, com um preço estimado entre R$15 mil e  R$20 mil (de US$8,5 mil a US$10 mil), como também nos aspectos de criação de um ambiente “realista” e ergonômico para o condutor, explica o orientador do projeto. O Sitrec poderá ser uma ferramenta muito útil, e de baixo custo, para estudo da influência de diversos fatores que podem afetar a capacidade e o tempo de reação de condutores de veículos, de maneira qualitativa e quantitativa, além da possibilidade de sua utilização em treinamentos e avaliações físicas, tendo em vista a evolução prevista do projeto.

De acordo com o professor da Poli, o preço da construção do simulador poderá ser reduzido em até 30% se ele for produzido em grande escala. “O protótipo já foi validado e agora serão realizadas novas pesquisas no sentido de aprimorar a sensação de realidade para o usuário, com aperfeiçoamento da movimentação de imagens e dos sons produzidos pelo sistema”, planeja. “A meta é tornar a simulação mais próxima as situações de condução no trânsito real.”

Há grande preocupação com a redução do número de acidentes de trânsito no Brasil, porém muitas das iniciativas no sentido de criar normas e leis para que isto ocorra carecem de um melhor embasamento científico, que permita atuar realmente sobre os fatores podem causar esta diminuição. Muitas vezes, a falta de uma tecnologia acessível que possa auxiliar as autoridades neste sentido impede que se proponham políticas públicas mais eficazes.

Foto: Divulgação

Mais informações: (11) 5549-1863 / 5081-5237, na Assessoria de Imprensa da Poli

Agência USP de Notícias
| Agência USP agora é Jornal da USP | Créditos | Direitos autorais | Newsletter | Sobre a Agência
Rua da Reitoria, 109 bloco L - 5º andar
CEP 05508-900 - São Paulo - Brasil
E-mail: Fale Conosco


© 2000-2021 Universidade de São Paulo