Atenção ao parto melhora qualidade de vida de potros

Fernando Molina, do USP Online

Na Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da USP, uma pesquisa realiza o acompanhamento das gestações e partos de éguas, a fim de traçar um paralelo entre o desenvolvimento da égua e o do potro, desde antes do nascimento até o início da vida da cria.

Estudo começa com a coleta de sangue no 5º mês de gestação e segue até o parto

Coordenado pela professora Cláudia Barbosa Fernandes, ligada ao Departamento de Reprodução Animal (VRA) da FMVZ, o estudo começa com a coleta de sangue dos animais no 5º mês de gestação – em geral, a gestação das éguas dura 11 meses – e segue até o momento em que a fêmea dá à luz o filhote. Neste momento, é recolhida parte da placenta, cuja análise permite à pesquisadora um maior nível de precisão sobre as futuras características do neonato.

Acompanhamento e coleta
Além dos materiais obtidos pela equipe, também são feitas medições de peso, altura e perímetro torácico dos animais, parâmetros que servem como referência para o futuro “desenvolvimento” do potro recém-nascido. Segundo Cláudia, o grupo que participa dos trabalhos evita ao máximo interferir no processo do parto. “Não é tão fácil de acompanhar, porque, por instinto, as éguas ‘programam’ seus partos para o início ou meio da madrugada”.

Como na natureza esses animais eram vítimas de predadores, a ideia é que, com o nascimento acontecendo durante a noite, o potro já poderá ter aprendido a caminhar e acompanhar a mãe até o amanhecer. “A importância de estarmos lá é principalmente coletarmos tecidos e fazermos as medições necessárias imediatamente após o parto, mas houve duas ocorrências em que os potros ficaram ‘presos’ na placenta da mãe, e tivemos que ajudá-los a sair, porque sem isso eles acabariam morrendo asfixiados”, conta.

Os trabalhos também envolvem especulações em cima das características  que os machos passam às crias, mas estas não são foco de comprovação, explica a especialista. “Quando comparamos o porte do garanhão, usando os mesmos dados que da égua, como altura e peso, com os do potro recém-nascido, tivemos alguns indícios de influência, mas não há confirmação, uma vez que nossa pesquisa visa essa relação fisiológica mais próxima, que acontece entre mãe e filhote.”

Égua desenvolvida, potro saudável
Para a pesquisadora, este estudo só é possível graças à colaboração de haras e centros de reprodução equina, como oTok, localizado em Mogi Mirim, e a Fazenda Santa Rita 2, em Piracaia, ambos no interior de São Paulo. “Tivemos um primeiro estudo, de iniciação científica, com 30 éguas, e agora na segunda, são 80, totalizando 110 éguas. Sem o auxílio desses locais, não teríamos condições de ter acesso ao respectivo período de gestação de cada animal, e menos ainda ao parto”.

A contrapartida da equipe é justamente procurar garantir que os nascimentos ocorram sem complicações. “Naturalmente, os criadores valorizam muito que as crias nasçam e se desenvolvam fortes e saudáveis, sem contar o objetivo primário deste trabalho, que é podermos indicar quais são as matrizes [a égua que vai gerar o feto junto ao garanhão] ou receptoras [o animal que vai servir como uma espécie de ‘barriga de aluguel’ da cria de outros dois] que vêm dando à luz os potros mais bem desenvolvidos, que podem chegar até ao nível atlético.”

Os dois últimos partos acompanhados estão previstos ainda para o mês de fevereiro, e após os nascimentos terá início o processo de análise dos materiais e dados armazenados. “Para nós era essencial que todo o processo de análise ocorresse dentro do mesmo intervalo de tempo. Não há qualquer perda ou influência que haja coletas mais antigas e outras mais recentes, os resultados não serão alterados”, explica Cláudia.

Conscientização
Existe ainda uma intenção de mudança mais profunda por parte da equipe de trabalho da professora. “Nossa vontade é que os criadores, não só dos locais que visitamos, mas em geral, possam perceber como é vital esse cuidado mais próximo durante as gestações”. Ela detalha que, mesmo o parto da égua sendo um processo relativamente curto – desde o início até a expulsão, são até 90 minutos – podem ocorrer muitas complicações. “Além disso, um estudo das variações placentárias pode até indicar as doenças a que o potro estará mais sujeito no decorrer da sua vida. Essa conscientização dos proprietários é essencial e pode diminuir muito os problemas sofridos por esses animais.” Os resultados deverão ser publicados em um período de 12 a 18 meses.

Para o futuro, Cláudia pretende continuar o estudo da reprodução dos equinos, mas focando na primeira metade, ao contrário do trabalho atual. “Ainda não está definido, mas tenho interesse em verificar detalhes como a formação dos cálices endometriais [células do interior do endométrio que secretam hormônios durante a gestação], que ocorre a partir dos 45 dias de gestação, e daí até o 100º dia, mais ou menos”, projeta.

Foto: Maria Augusta Alonso

Mais informações: email fernandescb@yahoo.com.br, com Cláudia Barbosa Fernandes

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