Livro aborda formação de jornalista e interesse público

A formação do jornalista nos cursos de graduação é o tema central do livro Formação de Jornalistas: elementos para uma pedagogia de ensino do interesse público (Editora Annablume, 2013), de autoria do jornalista e professor universitário Enio Moraes Júnior. Para o autor, a formação do profissional em jornalismo deve ser orientada para a cidadania e o interesse público. No próximo sábado, dia 2 de março, ocorre o lançamento do livro, que traz conteúdos curriculares e práticas pedagógicas que ajudam a nortear o trabalho de docentes compromissados com este ideal.

Jornais laboratório deveriam ter um diálogo maior com a sociedade, diz estudo

Baseado na tese de doutorado de Moraes Júnior, defendida em 2011 na Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, o livro desvenda novos e sistematiza antigos elementos importantes para o ensino da cidadania e do interesse público nos cursos de jornalismo. “Entendemos interesse público como um conjunto de ações que são o alicerce para se chegar até a cidadania”, explica o jornalista. “A cidadania é o ponto onde se chega por conta dessas ações”, completa.

O autor reuniu 21 questões citadas por professores de jornalismo de Brasil e de Portugal, em entrevistas. São questões ligadas à prática do ensino de jornalismo, e que envolvem cidadania e interesse público dentro de três contextos: a necessidade cada vez maior em aliar teoria e prática; a presença da cidadania e do interesse público de modo transversal em todo o curso (ou seja, esses valores aparecem nas disciplinas mesmo que não sejam citados nas ementas); e o uso de novas mídias sociais, principalmente as digitais. Os 21 elementos foram sistematizados em dois grupos: conteúdos curriculares e práticas pedagógicas.

Entre esses elementos, está a necessidade de se ter uma ética aplicada à linguagem. “Um exemplo disso é a questão da designação, à forma como a imprensa vez ou outra se refere a alguém como condenado por algum crime — bandido, por exemplo — sem que esta pessoa tenha sido julgada”, destaca. Outro elemento é o uso de raciocínio lógico e a necessidade de o profissional de jornalismo entender matemática, por exemplo. “Dizer que ‘houve uma economia de 150% no consumo de água’ é absolutamente incorreto”, exemplifica.

A valorização de um conteúdo que aborde ética é outro elemento citado pelos professores. Outro aspecto é a necessidade de intervenção dos cidadãos na produção laboratorial de jornalismo. “Os jornais laboratório deveriam ter um diálogo maior com a sociedade e poderiam utilizar sugestões de pauta das pessoas, da sociedade em geral”, sugere. “Atualmente, na maioria dos cursos, a produção é fechada em si mesmo, e o diálogo, inexistente”, comenta. Ainda sobre os jornais laboratório, Moraes Júnior lembra que muitos deles têm site, mas não há divulgação, fato que impede que os cidadãos possam sugerir pautas.

Posicionamento do professor em sala de aula
O tema começou a ser estudado já em seu mestrado, quando o pesquisador analisou como a cidadania e o interesse público eram ensinados no curso de Jornalismo da ECA. “Percebi que um elemento importante para o ensino era o modo como o professor se posicionava em relação à ética, ao conteúdo apresentado, seu posicionamento diante dos alunos e outras ações”, lembra. “Porque os alunos consideravam isso muito importante: o posicionamento do professor, tanto dentro de sala de aula, como profissional da informação”, conta. Moraes Júnior levou esta questão ao doutorado a fim de pesquisar o tema com mais profundidade.

Foram entrevistados 25 professores de jornalismo, sendo 13 do Brasil e 12 de Portugal. Os selecionados eram vinculados à primeira escola de jornalismo de cada país e também a escolas surgidas nos anos 1990 e que contemplavam disciplinas ligadas às tecnologias digitais: Faculdade Cásper Líbero e Universidade Federal de Sergipe, no Brasil; e em Portugal, a Universidade Nova de Lisboa, e a Universidade do Minho. Uma nova triagem foi feita para selecionar os docentes de disciplinas práticas do jornalismo.

Moraes Júnior lembra da necessidade constante de se questionar a formação dos jornalistas e dos currículos, seja em termos de conteúdo ou de práticas pedagógicas. “Geralmente o aluno é muito passivo em relação a sua formação”, observa. “Se o professor está preocupado com a formação desse estudante, é preciso incentivar a participação dele neste percurso e esse é um modo de fortalecê-lo como cidadão em seu processo formativo”, aponta.

A orientação da pesquisa foi do professor José Coelho Sobrinho. Segundo Moraes Júnior, na ECA, há um grupo de estudos que estuda a formação dos jornalistas.  Além de Coelho Sobrinho, também participam os professores Nancy Ramadan e Luciano Maluly.

O lançamento do livro ocorrerá no sábado, 2 de março, a partir das 15h30, na Livraria Martins Fontes, que fica na Av. Paulista, 509, Bela Vista, São Paulo.

Imagem: Marcos Santos / USP Imagens

Mais informações: (11) 9 8774-2545 ou email emoraesj@uol.com.br, com Enio Moraes Júnior

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