Jornal da USP publica sua milésima edição
Jornal coloca os intelectuais da USP para discutir temas relevantes para a sociedade

A Universidade de São Paulo não tem mil anos de existência, mas o jornal produzido por ela está prestes a completar mil edições. Neste dia 3 de junho, segunda-feira, o Jornal da USP, o maior jornal produzido por uma universidade brasileira, lançou sua milésima edição, comemorando 28 anos de existência.

Nas últimas semanas, a equipe atual, formada por 18 integrantes (entre repórteres, editores, fotógrafos e revisores) preparou a edição comemorativa. Foram entrevistados ex-diretores e editores, além de outros profissionais que passaram pela redação ou que contribuíram direta ou indiretamente para que o periódico chegasse ao número mil, entre outras coisas. Além da edição especial, está prevista também uma mesa-redonda, ainda sem data e local definidos, para debater o jornalismo universitário e científico.

Na primeira edição, o então reitor Antonio Helio Guerra Vieira (18/01/1982 a 17/01/1986) ressaltou o papel que o Jornal da USP deveria desempenhar como um veículo difusor das idéias e do saber produzidos na Universidade e que apesar de o público alvo ser o corpo docente, a publicação deveria trazer ao debate temas de interesse de toda a sociedade.

Passados 28 anos, essa mesma linha editorial ainda pode ser observada. “A USP é a melhor universidade pública da América Latina e temos aqui os intelectuais mais importantes do País”, destaca Marcello Chami Rollemberg, diretor de redação, ao comentar a tendência de o Jornal da USP publicar reportagens que abordam os grandes temas nacionais e internacionais tendo como fonte os especialistas da Universidade. Por isso, destaca Rollemberg, a publicação tem cara de revista semanal, com textos mais extensos e elaborados e que abordam o aspecto interpretativo desses grandes temas.

Um exemplo disso é a edição de número 999. A reportagem principal, a da capa, aborda os desafios que o novo diretor-geral da Organização Mundial do Comércio, o diplomata brasileiro Roberto Azevêdo, irá enfrentar. Para comentar o tema, foram ouvidos o ex-reitor da USP, o professor Jacques Markovitch, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) além dos docentes Umberto Celli, da Faculdade de Direito (FD), e João Paulo Cândia Veiga, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH).

Quando ocorreram os atentados terroristas nos Estados Unidos, em 11 de setembro de 2001, o Jornal da USP também foi ouvir os especialistas da Universidade para repercutirem o caso. “Nós saímos do factual e produzimos uma série especial a partir de textos interpretativos sobre o atentado”, conta o diretor de redação.

Prêmios
Rollemberg destaca o fato de, ao longo desses 28 anos, o Jornal da USP ter recebido dois prêmios sendo que ambos não estão ligados nem à divulgação científica nem ao meio acadêmico. O primeiro foi em 2001, concedido pelo Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP) pela melhor cobertura das comemorações dos 500 anos de descoberta do Brasil (edição especial Brasil 500 anos). O outro foi o Prêmio Antonio Bento, concedido em 2008 pela Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA) como o melhor divulgador de cultura na mídia em 2008.

O Jornal tem uma circulação de 20 mil exemplares, distribuídos em todos os campi da Universidade e também em órgãos ligados aos governos estadual e federal. Para o diretor de redação, a grande desvantagem do Jornal da USP em relação aos outros veículos de comunicação externos à Universidade é em relação ao tempo. “A visão de tempo, em um órgão público, é diferente daquele encontrado nas redações de outros jornais. Mas a grande vantagem é que não precisamos nos preocupar com anúncios, por exemplo”, aponta.

Entre intelectuais e a política
Roberto Castro entrou no Jornal da USP como freelance em 1995. Posteriormente, tornou-se repórter e depois editor. “Como repórter é fascinante a experiência de ter acesso às pesquisas desenvolvidas na USP muito antes de elas chegarem à sociedade e aos livros didáticos. Além das inúmeras entrevistas que pude realizar com renomados professores da USP, como José Goldemberg, Miguel Reali e Paulo Nogueira Neto”, diz. Como editor, o maior desafio, segundo ele, é traduzir, numa linguagem acessível para o público leigo, as principais descobertas envolvendo áreas tão complexas como genética, física e química.

“Também precisamos perceber quais as necessidades da sociedade e atendê-las por meio de reportagens no Jornal. Em cada área do conhecimento, encontramos aqui na USP grandes especialistas. Então podemos aproveitar essa experiência para levar informações úteis para a ajudar a sociedade resolver seus problemas”, afirma o editor. E finaliza citando o intelectual alemão Max Weber: “Para Weber, o papel do intelectual é propor ideias. Aos políticos, cabe executá-las. A função do jornalista é atuar como uma ponte entre eles”.

Capa da edição 001: texto do então reitor Antonio Helio Guerra Vieira

Mil edições
A Agência USP preparou um especial sobre a milésima edição do Jornal da USP. A reportagem foi publicada pelo USP Online e está disponível neste link. No especial, o leitor poderá conhece um pouco mais da história do jornal, relembrar algumas capas publicadas ao longo de 28 anos, como uma de abril de 1991, em alusão ao Dia da Mentira, que noticiava a inacreditável descoberta do “hiperempacotamento de água” por um cientista da USP.

Também poderá conhecer quem é quem na equipe de 18 profissionais, entre repórteres, editores, fotógrafos e revisores que atuam no Jornal e conhecer algumas histórias vivenciadas por eles ao longo das mil edições.

Imagem da edição mil: Moisés Dorado

Imagem da edição 001: arquivo do setor de Relacionamento Online

Mais informações: email mrollemberg@hotmail.com, com Marcello Rollemberg

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