Nível de IGF1R no cérebro é indicador da longevidade

O IGF1R, hormônio conhecido como fator de crescimento do tipo insulina e utilizado para medir os níveis de envelhecimento, pode ser um bom indicador da longevidade de roedores, mas apenas quando se considera os tecidos cerebrais. Esta é uma das constatações de uma pesquisa realizada na Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da USP em parceria com a Universidade de Rochester, nos Estados Unidos. O estudo comparou a dosagem de IGF1R em 16 espécies de roedores com diferentes pesos corporais e longevidades, como capivaras, pacas, camundongos, ratos, ramsters, chinchilas e cobaias, entre outros.

Resultados beneficiam entendimento sobre evolução e envelhecimento de espécies

De acordo com o professor Augusto Coppi, do Laboratório de Estereologia Estocástica e Anatomia Química (LSSCA) do Departamento de Cirurgia da FMVZ, a literatura científica sobre o tema aponta que os níveis de IGF1R em órgãos como cérebro, coração, rins e pulmões poderiam indicar a longevidade dos roedores. “Com os nossos estudos, percebemos que quanto maior a longevidade do animal, menores serão os níveis do hormônio no cérebro. Entretanto, isso não é válido quando analisamos os rins, o pulmão e o coração desses animais”, revela o pesquisador. Segundo o estereologista, os resultados beneficiam o entendimento geral sobre a evolução e envelhecimento das espécies e podem ser benéficos para a medicina intervencionista geriátrica. Um artigo sobre a pesquisa foi publicado na edição de abril de 2013 da revista científica Aging, que apresenta fator 4,696 de impacto é uma das mais conceituadas na área do envelhecimento. O texto pode ser acessado neste link.

O IGF1R é a forma periférica do hormônio do crescimento, ou seja, pode ser medido em órgãos como pulmões, rins, coração e cérebro, sendo que o hormônio do crescimento – GH – somente pode ser dosado na hipófise (glândula localizada no cérebro). “Com o IGF1R temos a ação da insulina periférica: ela sai do pâncreas, entra na corrente sanguínea e vai sendo absorvida pelos órgãos”, explica.

As espécies com um ciclo de vida maior apresentam uma redução nos níveis de IGF1R com o envelhecimento, como pode ser observado em roedores de peso corporal menor, utilizados em laboratório, como cobaias, ratos e camundongos. Os pesquisadores da FMVZ e da Universidade de Rochester queriam verificar se esse mesmo padrão é válido também para roedores silvestres e de peso corporal maior. “O objetivo da pesquisa foi verificar se as respostas do IGF1R eram diferentes de acordo com o ciclo de vida e com massa corporal dos animais à medida que ele vai atingindo a senilidade”, diz o estereologista.

O estudo foi realizado a partir da contagem dos níveis de IGF1R no coração, pulmões, rins e cérebro de 16 espécies de roedores em diferentes ciclos etários e massa corporal, utilizando-se de técnicas de biologia molecular (immunoblot), usada para medir proteínas, associadas à Estereologia

Coppi explica que a longevidade aproximada das 16 espécies estudadas varia muito entre si. Para camundongos, é 4 anos. Para o rato selvagem (naked mole rat) é de 31 anos; para a capivara, 15 anos; para a paca, 16 anos. Já o peso corporal das 16 espécies estudadas também é bastante variado: cerca de 20 gramas para um camundongo e média de 55 quilos para as capivaras.

Resultados
Os principais resultados mostram que os níveis de IGF1R apresentaram uma forte correlação negativa com o envelhecimento apenas para o cérebro de roedores e nenhuma correlação com a massa corpórea. “Esses resultados sugerem que a regulação pelo IGF1R ocorre durante o envelhecimento apenas para o tecido nervoso, mas não em tecidos periféricos [pulmão, coração e rins]”, esclarece o pesquisador.

Outra constatação deste trabalho dos pesquisadores da FMVZ e da Universidade de Rochester diz respeito ao fato de que alguns vermes, mosquitos e mutantes de camundongos apresentam menor índice do IGF1R conforme envelhecem. “Nosso questionamento era: será que o animal viverá mais se tiver menos IGF1R? Nossa hipótese foi confirmada: animais com longevidade maior apresentam níveis mais baixos do hormônio”, diz.

“Estes resultados talvez possam ser úteis para auxiliar na criação de uma droga que atue em períodos diferentes da longevidade em regiões específicas do cérebro, evitando efeitos colaterais nos tecidos periféricos, ou seja, sem que a droga apresente efeitos em outros órgãos”, sugere Coppi. “Essa droga poderia potencializar a memória e as funções cognitivas, atuando no sistema límbico e no hipocampo e este tratamento seria válido independentemente do peso corpóreo”,  aponta hipoteticamente o professor.

Pelo LSSCA, além do professor Augusto Coppi participou também a bióloga e doutoranda Aliny Ladd.

Marcos Santos/USP Imagens

Mais informações: email guto@usp.br; site http://www.lssca.fmvz.usp.br ou Facebook do LSSCA

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