Brasil na Olimpíada deve ser inferior a outros países-sede
Para ter sucesso esportivo, países precisam priorizar áreas específicas

Uma pesquisa internacional mostrou que países que sediam os Jogos Olímpicos tendem a ganhar mais medalhas. Austrália (2000), Grécia (2004), China (2008) e Inglaterra (2012) são exemplos de boas performances. Mas o Brasil não deve repetir o desempenho desses países. Estudos divulgados pelo consórcio Sports Policies Leading to Sport Success (SPLISS), durante conferência realizada dias 13 e 14 de novembro, na Bélgica, indicam que as Olimpíadas Rio 2016 devem fomentar o sucesso esportivo a longo prazo no Brasil, mas os resultados significativos podem aparecer somente em Tóquio, em 2020. Isso porque o País ainda tem muitas áreas deficitárias, como infraestrutura esportiva e desenvolvimento de esporte de base.

Para chegar a esse diagnóstico, a pesquisa utilizou o modelo SPLISS, fundamentado por “nove pilares” que fazem parte da sistematização de critérios para análise dos sistemas esportivos que resultam em sucesso no esporte de rendimento. Esses pilares são: suporte financeiro; organização e estrutura de políticas para o esporte; participação e esporte de base; identificação de talentos e sistema de desenvolvimento; suporte para atletas e pós-carreira; instalações esportivas; desenvolvimento e suporte para técnicos; competições nacionais e internacionais e pesquisa científica.

Segundo os estudos do SPLISS, para ter sucesso esportivo, os países precisam priorizar quatro áreas: suporte financeiro, suporte para atletas e pós-carreira, melhores instalações esportivas e desenvolvimento e suporte para técnicos.

A metodologia foi aplicada em 16 nações. No Brasil, o estudo foi realizado pelos grupos de pesquisa em Esporte e Treinamento Infantojuvenil (GEPETIJ) e em Gestão do Esporte (GEPAE) da Escola de Educação Física e Esporte (EEFE) da USP, com coordenação das professoras Maria Tereza Silveira Böhme e Flávia da Cunha Bastos. Além dos brasileiros, participaram 15 países (ou 16 regiões ), incluindo Austrália, Japão, Canadá , Dinamarca, Estônia, França, Finlândia , Holanda, Irlanda do Norte (Reino Unido) , Portugal , Coreia do Sul , Espanha,  e as regiões de Flandres e Valônia (Bélgica).

Segundo a professora Maria Tereza, o objetivo foi elaborar um modelo que permitisse a criação de um “Índice de Desenvolvimento Esportivo” para cada país e ajudasse na área de formulação de políticas para o esporte de alto nível.

Brasil
Na comparação com os outros países, o Brasil ficou acima da média das outras nações apenas nos pilares suporte financeiro e competições nacionais e internacionais. O País apresentou 47% e 50%, respectivamente, dos Fatores Críticos para o Sucesso (FCSs).

Maria Tereza explica que esses FCSs são indicadores observados em cada pilares. Por exemplo, sobre o pilar de competições nacionais e internacionais, a pesquisa analisou os seguintes quesitos : frequência e nível das competições no Brasil, eventos internacionais de alto rendimento no País, frequência de participação em competições internacionais, apoio financeiro em competições internacionais. A presença ou não desses fatores é que determina o percentual de Fatores Críticos para o Sucesso em cada pilar.

Já as áreas de esporte de base, identificação de novos talentos e instalações esportivas foram os pilares em que o Brasil obteve os piores resultados. Nessa ordem, a pesquisa identificou 24%, 0% e 11% dos FCSs. De acordo com o estudo do SPLISS, se o Brasil pretende melhorar seu desempenho no quadro de medalhas nas Olimpíadas, essas três áreas devem ser os focos das políticas públicas.

A pesquisa mostra ainda que os países que mais investem dinheiro no esporte de elite (Coreia do Sul, Japão, França, Austrália e Canadá) são os mais bem sucedidos na conquista de medalhas. Em média, são mais de 100 milhões de euros por ano.

O Japão e o Brasil foram os únicos da amostra que aumentaram o número de medalhas, proporcionalmente ao investimento nos Jogos Olímpicos, de Pequim (2008) para Londres (2012). Só em 2010, os brasileiros aplicaram quase 127 milhões de euros no esporte de elite, oriundos do orçamento federal, repasse da Caixa Econômica Federal de acordo com a Lei Agnelo Piva, e dos recursos arrecadados pela Lei de Incentivo ao Esporte. O  SPLISS indica que “há uma forte crença de que, com uma crescente abordagem da estratégica nacional para o desenvolvimento de políticas esporte de elite , o Brasil pode fazer melhor no quadro de medalhas”.

SPLISS
O consórcio SPLISS é uma rede internacional de cooperação de pesquisa que coordena, desenvolve e compartilha experiência em pesquisa política desportiva de alto desempenho inovador em colaboração com os decisores políticos, Comitês Olímpicos Nacionais (NOCs), (esporte) organizações internacionais e pesquisadores em todo o mundo. A iniciativa coordenou 16 nações e também estudou questões como as razões pelas quais alguns países ganham mais medalhas do que outros, a eficiência das políticas públicas e os impactos do sucesso em eventos esportivos internacionais na sociedade como um todo.

Desde 2009, o SPLISS  reuniu 43 pesquisadores, 33 representantes de organizações políticas e envolve 3 mil atletas de alto rendimento, 1.300 treinadores e mais de 240 diretores de desempenho. No Brasil, o estudo ouviu 449 atletas, 83 técnicos e 10 dirigentes.

Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Mais informações: (11) 3091- 2135, com Maria Tereza Silveira Böhme

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