Simulador eleva capacidade de etiquetas de radiofrequência
Simulador pode contribuir para a ampliação da tecnologia RFID

Pesquisadores do Instituto de Matemática e Estatística (IME) da USP desenvolveram um simulador de etiquetas de identificação por radiofrequência ou RFID (Radio-Frequency IDentification) capaz de fazer a simulação da leitura de todos os objetos ou pessoas presentes em um ambiente e de forma mais rápida e eficiente do que ocorre atualmente.

As etiquetas por radiofrequência, também conhecidas como Tags, são aplicadas em diversas áreas, como sistema de pedágio automático, pagamento de transporte público com cartão, troca de conteúdo entre celulares utilizando somente a aproximação, acompanhamento de atletas em corridas de rua e controle de estoques automatizados, entre outros.

Segundo o professor do Departamento de Ciência da Computação do IME, Daniel Macêdo Batista, as etiquetas podem armazenar informações sobre embalagem, pessoa, animal, equipamento, etc. Elas possuem chip (circuito eletrônico) e uma antena que permite responder ao sinal de rádio enviado por bases transmissoras, também chamadas de leitores. A onda de rádio emitida pelo aparelho leitor gera na antena da etiqueta uma corrente elétrica que é usada para alimentar seu circuito integrado interno, que repassa à antena a informação que foi programado para transmitir.

“Hoje, o sistema de etiqueta de identificação por radiofrequência possui algumas limitações. Em ambientes maiores, há dificuldades para fazer a leitura de vários objetos ou pessoas ao mesmo tempo, principalmente se eles estiverem se movimentando em determinada velocidade. Além disso, quando o leitor não consegue ler os dados da etiqueta na primeira vez, ele continua tentando por tempo indeterminado, o que aumenta o consumo de energia do equipamento e diminui sua eficiência”, explica o professor.

E foi justamente esses problemas que a pesquisa Mecanismos eficientes de comunicação por RFID, do doutorando Rafael Perazzo Barbosa Mota, orientado pelo professor Batista, conseguiu solucionar. O estudante estudou os protocolos padrões para identificação das etiquetas por RFID adotados por empresas fabricantes.

“Esses protocolos foram inseridos num software livre, o nsRFIDsim, para a simulação do funcionamento das etiquetas de identificação por RFID. Percebemos as ineficiências que existiam e, a partir daí, acrescentamos modificações que permitissem o aparelho leitor detectar os dados da etiqueta somente uma vez, tornando a operação do leitor mais rápida com maior quantidade de etiquetas”, afirma Batista.

O simulador para etiquetas de identificação RFID pode ser atualizado e mesmo receber novas propostas de implementação de outros pesquisadores, já que foi desenvolvido em software livre. Ele foi disponibilizado no site do Centro de Competência em Software Livre do IME, um centro que incentiva o desenvolvimento, a pesquisa e o uso do software livre dentro e fora da universidade.

O professor acredita que o simulador possa contribuir para a ampliação do uso da tecnologia RFID. Em um supermercado, por exemplo, a velocidade e a forma de pagamento dos produtos poderiam ser totalmente melhoradas. “A loja coloca as etiquetas nas mercadorias e, ao sair do supermercado, os leitores fariam a identificação dos produtos comprados, gerando o total a ser pago em aproximadamente um segundo, diminuindo consideravelmente as filas nos estabelecimentos”.

O doutorando Rafael Perazzo Barbosa Mota Rafael vai participar de uma conferência na Coreia do Sul para apresentar um artigo sobre um dos mecanismos que ele desenvolveu e também para participar de um concurso de teses.

Foto: Divulgação

Mais informações: email batista@ime.usp.br, com Daniel Macêdo Batista ou perazzo@ime.usp.br, com Rafael Perazzo Barbosa Mota

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