Missão interuniversitária leva alunos da USP para a Amazônia

Por Paulo Hebmüller, do Jornal da USP

Professores e estudantes da Universidade de Rennes 2 se juntaram a grupo da USP para uma viagem de estudos para conhecer a realidade do Mato Grosso. No total, serão percorridos cerca de sete mil quilômetros.

A Missão Interuniversitária Franco-Brasileira é a primeira atividade de um convênio de cinco anos firmado entre a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade de Rennes 2. O projeto trouxe ao País um grupo de três professores e dezoito alunos de graduação e pós-graduação em Geografia de Rennes. Antes de tomar o rumo do norte, eles participaram, já ao lado dos brasileiros, de atividades iniciais do projeto no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São José dos Campos, e no campus da USP na zona leste.

Pela USP, são dezesseis alunos de graduação e pós-graduação do curso de Gestão Ambiental da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH), do Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) e de Engenharia Ambiental da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC). Também são três os professores pelo lado brasileiro. A coordenação na USP cabe à professora Neli Aparecida de Mello, que fez pós-graduação na França e já lecionou como docente visitante na universidade parceira. O projeto tem uma página eletrônica na internet, em: http://each.uspnet.usp.br/amazonia, e dois blogs que trazem impressões e comentários da viagem. Os alunos franceses escrevem em www.aubresil.org, enquanto os brasileiros abastecem o www.amazoniaeach.blogspot.com.

Em Alta Floresta
Um longo deslocamento entre Alta Floresta (812km ao norte de Cuiabá) e Cotriguaçu, no 18 de julho, marcou o início da terceira e última semana da viagem que o grupo de quarenta professores e estudantes franceses e brasileiros realiza pela região amazônica do Mato Grosso.

A cidade de Alta Floresta foi fundada por Ariosto Da Riva, na década de 1970. O projeto inicial de seu fundador era privilegiar a colonização voltada aos médios e pequenos proprietários, com foco na produção de frutos nativos, como guaraná e cacau.

Era um empreendimento privado que visava ainda investir na educação dos migrantes e na criação de raízes destes com sua nova terra.

Entretanto, a chegada do garimpo, cujo forte se deu nos anos 80, atropelou os planos do fundador e transformou a região. Alta Floresta, que hoje possui cerca de 50 mil habitantes, teve mais de 100 mil no auge da exploração do ouro. Seu aeroporto registrava um movimento incessante, acumulando uma quantidade de voos quase tão impressionante quanto a frequência com que fortunas aterrissavam nas mãos de garimpeiros e aventureiros – e delas decolavam na mesma velocidade.

Preservação
Com o fim do ciclo do garimpo, a população diminuiu (o Censo de 1991 apontou 66 mil habitantes) e a cidade voltou a procurar suas vocações na agricultura, na pecuária e no ecoturismo.

A avidez da exploração nas áreas de garimpo trouxe prejuízos ambientais seríssimos. Na tentativa de recuperar e preservar o meio ambiente, Vitória Da Riva Carvalho, filha do fundador da cidade, preside a Fundação Ecológica Cristalino, dedicada a promover a conservação e o uso sustentável dos recursos naturais na fronteira agrícola da Amazônia.
Vitória é proprietária do hotel Cristalino Jungle Lodge, localizado numa Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) vizinha ao Parque Estadual do Cristalino. No próprio hotel, os visitantes realizam atividades de educação ambiental, fazem trilhas diurnas e noturnas pela floresta fechada e assistem ao nascer do sol do alto de uma torre de 50 metros de altura que permite observar o movimento dos animais na copa de árvores como figueiras e castanheiras – ou mesmo acima delas, como os majestosos voos das araras vermelhas.

Transformações
A viagem de estudos está conhecendo in loco as dinâmicas agrícolas e as questões envolvendo conservação ambiental e biodiversidade no Mato Grosso. O estado foi escolhido porque é a região brasileira em que vêm ocorrendo as maiores transformações nos modos de ocupação e utilização do solo, associadas a mudanças demográficas que acompanham o avanço da frente pioneira.

Entre os dias 5 e 12 de julho, o grupo passou por Rondonópolis, Chapada dos Guimarães, Sorriso, Feliz Natal e Sinop. No roteiro, conheceu as áreas da grande produção mecanizada, especialmente da soja; a frente pioneira antiga – caracterizada pela exploração madeireira –; projetos de preservação e recuperação ambiental; alternativas da pequena produção e os processos de ocupação urbana, entre outros cenários, além de participar de simpósios com a presença de professores de universidades mato-grossenses.

Nas propriedades, nas sedes dos municípios, em empresas e entidades de classe, o grupo teve a oportunidade de encontrar representantes de várias classes – produtores, trabalhadores, políticos, líderes empresariais e de outros setores – para debater, fazer entrevistas e confrontar dados e visões.

A viagem segue até o dia 25, quando o grupo retorna a São Paulo. Nos dias 26 e 27, haverá um seminário de avaliação e encerramento e no dia 28 os franceses embarcam de volta a Rennes.

Mais informações: (11) 8659-5380, com professora Neli Aparecida de Mello

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