Técnicas permitem softwares que melhoram a si mesmos

Juliana Pinheiro Prado, do USP Online

Jogos são “o paraíso” para quem trabalha com tecnologias adaptativas

Diferentemente da programação convencional, em que um programa executa sempre a mesma função ainda que com dados diferentes, a adaptabilidade propõe um comportamento diverso diante de cada nova circunstância. Nas palavras do professor João José Neto, “um programa adaptativo tem uma crítica sobre aquilo que ele fez e o resultado que obteve. Quando isso acontece, ele modifica o seu próprio comportamento e começa a operar com aquele aprendizado que conseguiu a partir da experiência anterior”.

Neto, Ricardo Luiz Azevedo da Rocha e Jorge Kinoshita formam a equipe de professores do Laboratório de Linguagens e Técnicas Adaptativas, o LTA, do Departamento de Engenharia de Computação e Sistemas Digitais da Escola Politécnica (Poli) da USP. No laboratório, a equipe, junto com os alunos de pós-graduação e eventuais alunos de graduação, lida com essa técnica de inteligência artificial em busca de soluções de problemas, que pode ser utilizada, entre outras aplicações, nas ações de tomada de decisão.

A tomada de decisão é, para tratar de exemplos mais tangíveis, uma atividade muito cara à administração, à economia e à gestão de empresas. Lidando com um grande volume de variáveis efêmeras, a decisão sobre como agir é um desafio que a adaptabilidade busca resolver, em especial agregando o histórico de experiências malsucedidas. Fornecedor, venda, estoque, oportunidade e prazo são algumas das inúmeras variáveis que, geralmente, são utilizadas no processo de tomada de decisão. Da mesma forma que os valores das variáveis se modificam, o próprio conjunto de variáveis é inconstante, o que obriga as decisões a serem reavaliadas, sendo, desse modo, adaptadas.

Além das atividades com problemas já delineados, um desafio dos membros do laboratório é encarar problemas ainda desconhecidos, pois, além de encontrar meios de descobrir o problema, é necessário, dentro do espectro de soluções possíveis, entender qual a decisão correta.

Jogos são um outro campo de atividade das técnicas adaptativas, ou, segundo Neto, “o paraíso” para quem está trabalhando com o adaptativo. Uma característica dos jogos é o potencial infinito de mudança de comportamento e de exposição a condições diversas. Além disso, jogos são simulações, o que pode ser perfeitamente utilizado como método de ensino e treinamento caso o programa possua uma lógica que procure simular exatamente o fenômeno que se pretende. A funcionalidade do simulador, porém, depende, justamente, da sua adaptabilidade, variando de acordo com a atividade da pessoa envolvida, pois, caso possua o comportamento fixo, a sua capacidade didática é perdida.

Linguagem natural
Um dos trabalhos em desenvolvimento no LTA se ocupa da linguagem natural. Nele, partindo de um texto ou de uma fala, procura-se aplicar aos programas de tradução ou de transcrição automática a teoria de adaptabilidade. Há alguns anos em andamento, ao contrário dos programas já existentes, que se apegam preferencialmente à fonética, o projeto se atém à formação das palavras, à filtragem dos erros e à análise, procurando descobrir a sentença correta. Para Neto, esse projeto “é a menina dos olhos, é aquilo que a gente gostaria muito de ver funcionando um dia”. A dificuldade do grupo, entretanto, fica por conta da carência de patrocínio e da instabilidade do grupo, dado que muitos alunos, após terminarem seus estudos na universidade, abandonam o laboratório. “A gente tem que se acostumar com isso, porque não tem muito jeito”, desabafa o professor.

Muitos alunos chegam ao laboratório motivados pela curiosidade, porém, ao se depararem com a teoria, não seguem adiante. O professor explica que isso é mais um medo do aluno: “as pessoas acham que para fazer esse tipo de coisa tem que saber muita teoria. É preciso saber um pouco de teoria, sim, que é a base em cima da qual nós construímos as coisas, mas é preciso também baixar um pouco a guarda e conhecer um pouquinho dessa teoria dita complicada. Ela não é complicada, a pessoa precisa de um ano de experiência trabalhando um pouco com essas coisas para se inteirar”.

Imagens: Marcos Santos / USP Imagens

Mais informações: email joao.jose@poli.usp.br, site http://lta.poli.usp.br

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