Movimento de cargas na Grande São Paulo sofre mudanças

A movimentação de cargas na Grande São Paulo, analisada em pesquisa da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP, passa por mudanças com a instalação de condomínios logísticos industriais e centros de distribuição próximos a grandes mercados consumidores, especialmente ao longo das rodovias Anhanguera, Bandeirantes e Castelo Branco. O estudo da arquiteta e urbanista Silvana Maria Zioni também mostra que para superar a carência de investimentos em infraestrutura, antigas áreas industriais próximas a rodovias e ferrovias são adaptadas para abrigar grandes centros de distribuição e logística.

Centros de distribuição e logística adotam grandes construções modulares

De acordo com a pesquisadora, as mudanças na economia mundial, que acirraram a concorrência entre empresas, geraram um novo padrão para a movimentação de cargas, impulsionados pelo uso de meios eletrônicos e pela política do “just-in-time”. “Antes, embora os centros de distribuição já estivessem próximos a rodovias e ferrovias, sua localização era mais dispersa”, diz. “A tendência hoje é uma maior dimensão e aglomeração das estruturas, de modo a que fiquem mais próximos dos grandes mercados consumidores.”

Atualmente, na Grande São Paulo, a área que mais se caracteriza por sediar centros de distribuição e logística é o chamado vetor Noroeste, formado pelas rodovias Castelo Branco, Anhanguera e Bandeirantes . “Os estabelecimentos são atraídos pela proximidade com a metrópole”, afirma Zioni, “mas também devido a ligação com mercados regionais importantes, localizados em áreas densamente povoadas, como a região de Campinas”.

Os condomínios logísticos industriais e centros de distribuição ocupam áreas muito superiores que as indústrias tradicionais. “Eles possuem estrutura modular, extremamente flexível, geralmente alugados, o que permite a transferência de ativos imobiliários do setor produtivo”, aponta a pesquisa. Ao mesmo tempo, por ocuparem grandes espaços, fragmentam o tecido urbano, impondo um novo padrão de ocupação em áreas periféricas. “O impacto na rede viária é concentrado nas regiões em que estão estabelecidos.”

Atração
Segundo a urbanista, a novo trecho Sul do Rodoanel (ligação entre as rodovias da Grande São Paulo) não deve atrair esse tipo de estabelecimento, a exemplo do que aconteceu no trecho Oeste. “O Rodoanel é uma obra importante para completar a estrutura viária paulistana, mesmo que não tenha a capacidade de tirar o tráfego de caminhões na área interna da cidade”, aponta. “Porém, como os centros de distribuição e condomínios logísticos industriais buscam se posicionar em eixos radiais, o fator de atração são as próprias rodovias, e não uma via de interligação perimetral, como o Rodoanel”.

Silvana cita como exemplo dessa tendência a instalação de um centro de logística no novo trecho do Rodoanel, que será feita junto a confluência com a Rodovia dos Imigrantes, que liga São Paulo a Santos. “Ao mesmo tempo, em eixos tradicionais como as rodovias Dutra, ligação com o Rio de Janeiro, e Anchieta, acesso ao litoral paulista, antigas indústrias vem sendo adaptadas para receber condomínios logísticos”.

De acordo com a pesquisadora, a precariedade e os baixos investimentos em infraestrutura fazem com que seja comum a adaptação de velhas estruturas para comportar os novos fluxos de carga. “Isso acontece inclusive com as ferrovias, como no caso do pátio ferroviário Bresser, no centro expandido de São Paulo”, acrescenta.

A falta de dados estatísticos sobre a movimentação de cargas na Grande São Paulo é apontada por Silvana como uma das principais dificuldades na realização da pesquisa. “A estatística disponível mais recente da Dersa, órgão do governo do Estado, é de 2004”, conta, “e a Prefeitura de São Paulo não realiza contagem de caminhões nem mesmo na Avenida Aricanduva, na Zona Leste da cidade, que é um corredor logístico importante”.

Mais informações: email silzioni@uol.com.br

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