Gestão de áreas verdes em São Paulo apresenta falhas

A partir da análise da gestão de áreas verdes na cidade de São Paulo, no período de 2002 a 2013, a bióloga Amanda Carbone constatou que existe uma falha no processo de planejamento das áreas verdes públicas e privadas da cidade como parques, áreas ajardinadas, canteiros, sítios urbanos.

Falta visão sistêmica para perceber as demandas territoriais da cidade

No período analisado, Amanda observou que houve avanços em relação a criação de novas áreas, além do aumento no número de parques, mas foram iniciativas um tanto oportunistas. “Não houve uma visão sistêmica para enxergar as demandas territoriais da cidade, nem planejamento para determinar essas áreas verdes”, explica a pesquisadora.

Esses dados estão na dissertação de mestrado Gestão de áreas verdes no Município de São Paulo, SP – Brasil: ganhos e limites, apresentada em abril de 2014 por Amanda na Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP. O objetivo do trabalho foi analisar a gestão de áreas verdes da cidade e seu avanço em direção à sustentabilidade, identificando ganhos, limites e potencialidades que influenciam na melhoria da oferta dessas áreas. A pesquisa envolveu tanto o estudo da criação de novas áreas verdes como o da proteção das áreas que já existem no município, e não contemplou a arborização urbana.

Amanda, que atualmente é pesquisadora do Núcleo de Apoio à Pesquisa (NAP) em Mudanças Climáticas (INCLINE), realizou levantamento bibliográfico, análise documental (de documentos mais específicos, como atas de reuniões de comitês de mudança do clima da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, entre outras), além de entrevistas com pessoas da própria gestão municipal, pesquisadores e outras pessoas da sociedade civil envolvidas com o tema.

Após as entrevistas, a bióloga analisou o conteúdo de todo o material e se viu diante de um modelo que serviu para contextualizar, de modo abrangente, as áreas verdes da cidade de São Paulo, e que envolveu instrumentos legais, econômicos, administrativos e institucionais sobre a questão.

De acordo com a pesquisadora, a criação de novas áreas verdes se sobressaiu em relação à manutenção das áreas verdes existentes. “Também observamos carência de incentivos para os proprietários de áreas verdes particulares. Uma sugestão seria a criação de novos incentivos fiscais para que a pessoa possa continuar mantendo a área verde”, sugere. “O atual Plano Diretor Estratégico de São Paulo, aprovado em 2014, prevê o instrumento de pagamento por serviços ambientais, que ainda necessitará de regulamentação”, completa.

Descontinuidade de projetos entre as gestões
Outro aspecto observado foi a descontinuidade entre as gestões: algumas questões acabaram se perdendo com as mudanças de gestão ao longo do período analisado. “Porém, constatamos que o município de São Paulo tem vários instrumentos de gestão para as áreas verdes, como leis, Plano Diretor, Secretaria do Verde e Meio Ambiente, entre outros. Trata-se de uma estrutura legal e institucional muito mais avançada quando comparada a outros municípios”, pondera.

Sobre as compensações ambientais — quando as construtoras, por exemplo, retiraram uma área verde e compensam essa supressão de vegetação em outro local —, Amanda observa que esse outro local é, muitas vezes, um bairro distante. “Neste caso, o plantio de uma área verde não pode ser comparado a uma área verde já estabelecida, que muitas vezes leva anos para amadurecer”, conta.

Outra constatação foi que a distribuição de área verdes na cidade de São Paulo é bastante heterogênea: há áreas com muita carência de verde, enquanto outras há mais vegetação. E onde existe, há má distribuição. “As regiões norte e sul da cidade concentram os grandes maciço de áreas verdes”, diz.

Para Amanda, como esta pesquisa ficou restrita a um recorte do tempo, é imprescindível que novos estudos sobre o tema sejam realizados, para permitir um acompanhamento das ações do poder público. “Saber como ocorre a gestão de áreas verdes é o primeiro passo para apontar caminhos que favoreçam a transformação do território urbano para um local ambientalmente mais saudável, com melhor qualidade do ar, menos enchentes, ar mais fresco e mais lazer para a população”, finaliza.

Foto: Marcos Santos / USP Imagens

Mais informações: email amanda_scarbone@hotmail.com, com Amanda Carbone

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