Café após almoço diminui risco de diabetes

Um estudo francês com participação da USP encontrou indícios de que quem toma café na hora do almoço tem menor risco de desenvolver diabetes tipo 2. Foram avaliadas quase 70 mil mulheres. As participantes que tomavam um copo pequeno ou mais café na refeição tiveram um risco 34% menor de desenvolver a doença. O efeito foi observado em café com ou sem açúcar, cafeinado ou não. Mas o risco não diminuiu para quem tomava café fora do horário de almoço.

Mulheres que bebiam 125 ml de café tiveram risco 34% menor de desenvolver doença

A conclusão veio da análise de dados de 69.532 professoras francesas do ensino público. As mulheres tinham entre 41 e 72 anos e foram acompanhadas, em média, durante 11 anos por pesquisadores franceses interessados em estudar a relação entre dieta e doenças crônicas, como o câncer e diabetes tipo 2.

“O risco de desenvolver a doença foi 34% menor naquelas que tomaram café na hora do almoço”, explica Daniela Sartorelli, nutricionista e professora da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP), da USP, que fez a análise dos dados durante o seu pós-doutorado no Institut National de la Santé et de la Recherche Médicale, na França.

Apesar de haver pelo menos 17 estudos mostrando que o café reduz o risco de desenvolver diabetes, a  pesquisa foi pioneira ao demonstrar que o horário em que o café é consumido pode interferir no efeito. Os dados estão em artigo publicado no American Journal of Clinical Nutrition.

No período que participaram do estudo, 1.415 participantes desenvolveram a doença. Entre as mulheres que tomavam pelo menos um copo (125 ml) de café na hora do almoço, 374 desenvolveram diabetes. Mas a doença atingiu 1.051 das mulheres que tomavam menos ou nenhum café durante a refeição.

As mulheres que tomavam café em outros horários não tiveram uma incidência menor de diabetes. O mesmo vale para mulheres que tomavam chá. Os pesquisadores não conseguiram avaliar o efeito do café expresso ou instantâneo, porque poucas participantes tomavam cafés dessa categoria.

Na França, o café é menos concentrado que no Brasil– para cada 100 ml de água, usa-se em média 5,5 gramas de pó de café. Por aqui, usa-se 8 a 10 gramas de café para a mesma quantidade de água.

Muito cedo
Daniela explica que ainda faltam estudos para que os profissionais de saúde possam dizer que beber café na hora do almoço previne diabete. “Ainda precisamos de um maior número de estudos para chegar a uma recomendação. Há estudos de intervenção em andamento em algumas partes do mundo e estes resultados poderão esclarecer os mecanismos envolvidos no efeito da bebida no risco de diabetes.”

Há duas explicações possíveis para entender por que apenas o café na hora do almoço teve relação com o menor risco de diabetes. O café pode ter diminuído o risco de diabete por retardar ou reduzir a absorção de uma parte da glicose adquirida no almoço. Ou a bebida pode ter protegido da diabetes porque depois do almoço costuma ser tomada sem leite. A pesquisa mostrou que apenas o café sem leite reduziu o risco de desenvolver diabetes.

Diabetes crescente
“Há indícios de que o número de pessoas com diabetes deve crescer no Brasil. Pesquisas mostram um aumento importante de pessoas portadoras de excesso de peso. E também maior longevidade”, diz Daniela. “Esses fatores tornam as pessoas mais predispostas à doença”. Estima-se um aumento de 170% na prevalência da doença em países em desenvolvimento nos próximos 20 anos, que deve acometer principalmente quem tem entre 45 e 64 anos.


Mais informações: email
daniss@fmrp.usp.br, site www.ajcn.org/cgi/content/full/91/4/1002

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