Teste avalia desempenho anaeróbio em atletas de ginástica

Na Escola de Educação Física e Esportes (EEFE) da USP, pesquisadores validaram um teste destinado a aferir o desempenho físico anaeróbio em atletas de Ginástica Aeróbica Esportiva, modalidade que ainda não é olímpica, mas que tem praticantes em todo o mundo. Denominado Specific Aerobic Gymnast Anaerobic Test (SAGAT), o teste é inédito na modalidade.

Modalidade ainda não é olímpica, mas tem praticantes em todo o mundo

“Agora temos uma ferramenta que possibilita aferir o desempenho dos atletas com maior precisão de forma rápida e segura”, descreve Christiano Robles Rodrigues Alves, doutorando do Departamento de Biodinâmica do Movimento do Corpo Humano da Escola de Educação Física e Esporte (EEFE) da USP. A validação do teste foi um trabalho conjunto entre Christiano e o profissional de Educação Física Marcello Tadeu Caetano Borelli, sob a supervisão do professor Guilherme Artioli, da EEFE. Toda a metodologia para a validação do novo teste está descrita no artigo Development of a Specific Anaerobic Field Test for Aerobic Gymnastics, publicado na revista científica PLOS ONE.

Borelli, que é preparador físico de uma equipe de Ginástica Aeróbica Esportiva, em São Paulo, conta que até a validação desse teste não havia nenhuma outra forma de se avaliar o desempenho dos atletas. “Não havia parâmetros para determinar se um atleta estava em boas condições anaeróbias. Toda observação era feita durante os treinos, de modo empírico”, conta.

O teste SAGAT foi desenhado para ser facilmente aplicado no próprio ambiente de treinamento. Durante os experimentos para a validação do teste, os pesquisadores avaliaram um total de 42 atletas do sexo feminino subdivididas em três diferentes etapas. Os resultados obtidos demonstram que o SAGAT apresenta uma boa correlação com um teste de potência anaeróbia realizado em laboratório denominado Wingate. Além do desempenho, a resposta do lactato sanguíneo é similar após o SAGAT e o Wingate para membros inferiores, sugerindo que a demanda anaeróbia desses testes (campo e laboratório) são similares. Por fim, os pesquisadores também realizaram experimentos em campo para demonstrar que o SAGAT apresenta uma boa reprodutibilidade e sensibilidade ao treinamento específico dessa modalidade.

Veja aqui o vídeo que mostra uma das séries do teste SAGAT.

A modalidade
A Ginástica Aeróbica Esportiva é uma modalidade que exige muito do atleta que a pratica. Alguns movimentos são semelhantes ao solo da ginástica artística. “A diferença básica é que na ginástica aeróbica não há pausas entre movimentos. Por isso os atletas têm de estar muito bem preparados”, descreve Borelli. Os movimentos são executados num espaço de cerca de 10 metros (m) x 10 m, em um piso de madeira, e as coreografias – deslocamentos, saltos e flexões, entre outros – são realizadas com músicas de fundo, como na ginástica rítmica. “Os atletas devem cumprir dez elementos obrigatórios”, explica Borelli. A modalidade foi reconhecida como “oficial” pela Federação Internacional de Ginástica (FIG) a partir de 1994. Atualmente, 75 países onde é praticado o esporte são filiados à FIG que organiza etapas da copa do mundo e o campeonato mundial a cada dois anos.

Nas competições, atletas de ambos os sexos participam individualmente, em duplas, trios e grupos. “Na execução da coreografia nesta modalidade, o atleta corre, pula, salta, executa elementos de solo e de flexibilidade. Tudo em um tempo médio de 90 segundos”, explica Borelli.

Agora essa modalidade apresenta um teste validado ao menos para mensurar a potência anaeróbia das atletas. Borelli reforça que o SAGAT tem como principal qualidade a simplicidade de aplicação, sem a utilização de recursos tecnológicos, tornando o mesmo acessível à todos os treinadores interessados em aprimorar o controle do treino para uma melhor preparação do atleta. “Basta que se tenha um espaço de sete metros (m) entre dois pontos”, descreve.

Foto: Divulgação / BEGOC

Mais informações: (11) 3091-2149, com Christiano Robles; e-mail christiano.alves@usp.br, ou com Marcos Borelli, e-mail m.c.borelli@uol.com.br

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