Estudo identifica genes que causam maciez na carne

Felipe Cayres, da Assessoria de Comunicação da Esalq

Uma das principais responsáveis por atribuir valor à carne bovina, a maciez do alimento foi foco da pesquisa orientada pelo professor Luiz Lehmann Coutinho, do Departamento de Zootecnia da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba. Realizada no Programa de Pós-Graduação em Ciência Animal e Pastagens, a pesquisa teve como objetivo analisar a qualidade do produto, viabilizando possíveis melhorias para a indústria alimentícia, considerando a alta competitividade e exigência do mercado nacional e internacional.

Maciez da carne pode ser regulada por muitas vias metabólicas

No estudo, o professor e seus orientados, Tássia Mangetti Gonçalves e Vinícius Henrique da Silva, utilizaram como objeto de análise a raça Nelore, que representa cerca de 80% do gado brasileiro. “Entre outras vantagens, a raça Nelore é amplamente utilizada principalmente devido a sua adaptabilidade ao clima tropical”, descreve Tássia.

O primeiro objetivo do grupo foi mapear no genoma da população Nelore um tipo de variação genética recém descoberta e que diz respeito ao número de cópias que certos segmentos do DNA possuem. “De maneira simplificada, significa que buscamos quais animais tinham certos genes deletados e quais tinham os mesmos genes com muito mais cópias do que um animal considerado comum”, explica Vinícius Henrique da Silva. O segundo objetivo foi analisar o impacto fisiológico e fenotípico advindo da ausência ou da abundância desses genes.

Vias metabólicas
De acordo com Tássia, os resultados da pesquisa mostraram que a maciez da carne pode ser regulada por muitas vias metabólicas, com destaque para a via da apoptose. “Alguns genes encontrados estão de acordo com o que já foi descrito na literatura para bovinos de raças taurinas, mas há diferenças entre outros, o que mostra que outros genes podem ser responsáveis pela maciez da carne em animais de raças zebuínas”, explica. Com a integração de dados das análises de biologia de sistemas, também foi possível identificar dois microRNAs como potenciais reguladores da maciez.

Segundo Tássia, o estudo é benéfico para o agronegócio e para a economia do País. “Com o uso de informações genômicas no melhoramento, há o aumento de ganhos genéticos e a acurácia da seleção, gerando uma nova era na ciência animal”, afirma. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil tem o maior rebanho comercial e é o maior exportador de carne in natura.

A pesquisa foi realizada em parceria com a Embrapa Pecuária Sudeste, com coordenação da pesquisadora Luciana Correia de Almeida Regitano, e também contou com apoio de universidades nacionais como a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), além de internacionais como a Iowa State University (ISU) e a Ludwig-Maximilians-Universität, em Munique, na Alemanha.

Financiados pela Capes e pela Fapesp, os estudos duraram três anos e foram apresentados em congressos internacionais, incluindo o 10th World Congress on Genetics Applied to Livestock Production (WCGALP) em 2014, em Vancouver, no Canadá.

Foto: Marcos Santos/USP Imagens

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