Estudo avalia fatores ligados à queda de árvores urbanas

Pesquisa apresentada na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba, abordou os principais aspectos relacionados ao perigo de queda de árvores na condição urbana. O trabalho do biólogo Sérgio Brazolin, pesquisador do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) do Estado de São Paulo, mostra que a presença de fungos e cupins é um fator importante associado ao risco de queda. Das 1.109 árvores estudadas, 16% se em encontravam em estado de alerta máximo, indicando a necessidade de manejo para impedir danos à população.

Roteiro identifica problemas para priorizar árvores que necessitem de maior cuidado

O pesquisador analisou árvores da espécie tipuana (Tipuana tipu), existentes nas ruas dos bairros do Pacaembu, Sumaré,  Jardins, Cerqueira César, Alto da Lapa, Alto da Boa Vista e Paraíso (Zonas Oeste e Sul de São Paulo). “É uma espécie exótica, de crescimento rápido, trazida para os bairros loteados pela Companhia City nas primeiras décadas do século passado”, conta Brazolin. “Apesar de terem sido plantadas há cerca de 70 anos, as tipuanas sofrem com a ação do meio, como o apodrecimento por fungos provocados por injúrias no tronco em podas inadequadas ou ações de vandalismo. ”

Entre as condições avaliadas para se estimar o risco de queda estão as medidas da árvore, o estado de sanidade biológica (presença de fungos e cupins, entre outras pragas), a deterioração interna e as condições de entorno, como a área permeável do canteiro. “Também é analisada a interferência de transformadores, postes, pontos de ônibus, se a poda da copa foi feita com equilíbrio e se há danos nas raízes”, completa o biólogo.

Cuidados
A pesquisa elaborou um roteiro para que os responsáveis pelo manejo das árvores possam identificar problemas e priorizar árvores que necessitem de maiores cuidados.  “No caso das tipuanas, embora seja uma espécie muito resistente, o estado geral era crítico, principalmente devido a deterioração provocada por cupins, fungos e broca da madeira”, ressalta o pesquisador. “Entre as árvores pesquisadas, 16% apresentavam estado de alerta máximo, com maior risco de queda.”

Em casos de alerta máximo, o pesquisador ressalta a necessidade de providências imediatas. “Deve-se realizar tratamento para eliminar cupins e uma poda na copa que reequilibre a árvore,  buscando o seu centro de gravidade”,  aponta o biólogo. “É preciso também tomar cuidado com a fiação elétrica nas proximidades e educar as pessoas para evitarem injúrias contra as raízes e o tronco.”

A remoção e a substituição da árvore devem ser feitas apenas em último caso, quando ela se encontra no limite da resistência. “Acima de tudo, as autoridades devem avaliar o risco de queda para a população”, acrescenta Brazolin. O biólogo atua como pesquisador no Laboratório de Preservação de Madeiras e Biodeterioração de Materiais do IPT.

Em 2003, uma série de acidentes envolvendo queda de árvores fizeram com que a Prefeitura de São Paulo procurasse o IPT para realizar um estudo sobre as causas do problema, que durou dois anos. Para aprofundar a investigação sobre os fatores envolvidos na deterioração e queda, o biólogo pesquisou o tema em sua tese de doutorado. O trabalho de Sergio Brazolin foi apresentado na Esalq em agosto último, com orientação do professor Mario Tomazello Filho.

Mais informações: imprensa@ipt.br

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