Cabos para-raios tornam energia elétrica mais barata

As linhas de transmissão, utilizadas para transportar grandes quantidades de energia elétrica, utilizam os cabos para-raios para protegê-las de descargas atmosféricas (raios), evitando com isso seu desligamento. Esses cabos também podem ser utilizados para transportar energia elétrica, por meio da Tecnologia Cabos Para-raios Energizados (PRE), para atender pequenas comunidades situadas nas proximidades dessas linhas. Um estudo desenvolvido pelo engenheiro eletricista José Ezequiel Ramos, no Instituto de Eletrotécnica e Energia (IEE) da USP, mostrou que a Tecnologia PRE tem um desempenho econômico e operacional melhor, se comparado às tecnologias convencionais, para abastecer essas pequenas comunidades próximas às linhas de transmissão.

A Tecnologia PRE socializa a distribuição de energia em pequenas comunidades

A Tecnologia PRE, desenvolvida na Itália, é baseada na utilização dos cabos para-raios em linhas de transmissão de Alta e Extra Alta Tensão, sendo esses cabos isolados e energizados para viabilizar a transmissão de energia elétrica em Média Tensão. “Nesses níveis de tensão é possível o atendimento às pequenas comunidades por intermédio de subestações, onde a tensão elétrica é reduzida para o nível de consumo doméstico ou de pequenas indústrias”, explica Ramos.

O engenheiro participou da implantação da tecnologia em Rondônia, acompanhando, posteriormente, sua operação e manutenção. Daí o interesse pelo estudo do PRE.

A pesquisa investigou, entre outras questões, como as descargas atmosféricas (raios) afetam a linha PRE e linhas de transmissão como um todo, o desempenho operacional resultante de mais de 180 meses de operação do PRE em Rondônia e sua viabilidade econômica em relação aos demais sistemas. “Estudamos também se as descargas atmosféricas são as principais causadoras das interrupções no Sistema PRE, e não as falhas em equipamentos ou outras limitações operacionais”, completa o engenheiro.

Foram utilizados como fonte de dados os registros operacionais do PRE em duas cidades de Rondônia: Jaru, entre 1996 a 2000, e Itapuã, entre 1997 e 2007. Os 180 meses de experiência operacional com as duas instalações PRE permitiu comparar o número de interrupções verificadas no período com o número de interrupções estimadas na teoria.

Também foram feitas também medições de resistividade do solo e resistência de terra, e utilização de dados disponíveis da região relacionados à quantidade de chuvas, temperatura, umidade relativa, pressão atmosférica, e registros de descargas atmosféricas.

Menos custos e mais benefícios
Uma das primeiras conclusões do trabalho foi a constatação de que o Sistema PRE não diminui o desempenho da linha de transmissão. Ao contrário, o desempenho da linha é melhorado. Os resultados mostraram também que o Sistema PRE é bastante sensível às descargas atmosféricas, de forma que, mesmo para baixas correntes de descarga, acontece a saída de operação do sistema. “Apesar disso, devido à característica sazonal das descargas atmosféricas, o desempenho operacional anual do PRE é igual ou melhor que os sistemas utilizados nas pequenas localidades da região”, explica.

No aspecto econômico, Ramos destaca que, somadas as duas cidades, a Tecnologia PRE evitou a queima de mais de 80 milhões de litros de óleo diesel para produção de energia, resultando em uma economia superior a R$ 180 milhões. “Comparando esse valor com o custo do investimento para implantar o PRE, eles foram pagos mais de 60 vezes. E comparando somente os cabos para-raios isolados e energizados, seu custo é quase dez vezes menor que os cabos convencionais”, completa.

Com a tecnologia PRE, além de proteger as linhas de transmissão contra descargas atmosféricas, os cabos para-raios podem transportar energia elétrica a comunidades próximas

Alternativa tecnológica
O estudo favorece futuros projetos de implantação ou expansão da Tecnologia PRE. Dessa forma, empresas públicas e privadas têm uma alternativa a mais em relação às convencionais com finalidades semelhantes: atender pequenas comunidades isoladas, próximas aos corredores das grandes linhas de transmissão.

Ramos espera que essa alternativa tecnológica possa ser utilizada nas políticas públicas de universalização da energia elétrica. “O grande desafio enfrentado pelas novas tecnologias é a falta de conhecimento sobre as mesmas, o que pode levar à sua rejeição. Portanto, a pesquisa tem o mérito de contribuir com a oferta de maior conhecimento, permitindo sua inclusão no rol das demais alternativas analisadas para atendimento a pequenas comunidades”, finaliza.

O estudo foi defendido como tese de doutorado, no IEE, em abril de 2010, com o título Universalização da energia elétrica através da tecnologia cabos para-raios energizados (PRE). A pesquisa foi orientada pelo professor Alexandre Piantini.

Mais informações: (69) 3224-5965, email jer.pvh@gmail.com

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