USP e MIT levam inovação tecnológica à comunidade carente

A tampa dos poços foi feita com restos de madeira de construção e plástico

As primeiras ações de uma parceria envolvendo o Laboratório de Sustentabilidade (LASSU) da Escola Politécnica (Poli) da USP e o MIT D-Lab (Design Lab), do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês), acabaram de ser entregues para os moradores da comunidade Zé Mineiro, em Embu, na Grande São Paulo.

O projeto tem por objetivo desenvolver tecnologias apropriadas para o atendimento de necessidades de comunidades de baixa renda e de projetos sociais. Os moradores da comunidade Zé Mineiro receberam, no último dia 15 de janeiro, tampas para os poços de água que servem a comunidade; bombas d’água; arquibancada coberta para o campo de futebol e um playground para crianças.

Partindo da idéia original do projeto – a de oferecer inovações tecnológicas que não necessitem de muito investimento – os pesquisadores implementaram essas ações utilizando materiais de baixo custo e recicláveis, facilmente encontrados na comunidade, como pneus velhos, plástico PVC, madeiras, baldes e canos.

A professora Tereza Cristina Carvalho, coordenadora do LASSU, explica que não há água encanada no local e o recurso é conseguido através de poços caseiros feitos pelos moradores. O problema é que esses poços estavam abertos, facilitando a entrada de sapos, insetos e sujeiras na água.

De acordo com a professora uma das intenções do projeto é transferir o conhecimento para a comunidade. “Entregamos uma tampa para um dos poços, feita com materiais da região, como restos de madeira de construção e plástico. Desta forma, podemos ensinar aos moradores como construir a tampa e eles mesmos ficaram responsáveis pela construção das coberturas dos outros poços”, explica a coordenadora do projeto no Brasil. Segundo a professora, os pesquisadores também fizeram testes na água para verificar se havia contaminação.

Transferência de conhecimento: moradores ficaram responsáveis pela construção das outras tampas

Ainda no dia 15, os moradores também receberam bombas para facilitar a captação da água, construídas com materiais alternativos, como baldes, canos e plásticos. O grupo fez um protótipo e deixou instruções sobre como construir outras bombas d´agua. Já o playground oferece vários brinquedos produzidos com material reciclado vindo de um centro de reciclagem próximo e com troncos de árvores. Enquanto que o campo de futebol ganhou uma arquibancada, também construída com material reciclável.

Os alunos também elaboraram um cartaz com informações educativas sobre a importância de procedimentos de higiene para a saúde, como lavar as mãos, e as frutas e verduras. “O cartaz tem grande apelo visual, pois nem todos os moradores da comunidade sabem ler e escrever”, conta a professora.

O MIT D-Lab atua em 7 países de economia emergente e, no Brasil, vem atuando desde 2004 em conjunto com a USP. A parceria com o LASSU começou em 2010. Neste ano, a abordagem empregada consistiu na definição de três áreas de atuação (água, entretenimento e educação). Nos primeiros dias foram realizadas diversas visitas à comunidade do município de Embu, visando identificar problemas em cada uma dessas categorias, por equipes compostas por membros da comunidade além de alunos da USP, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar-Sorocaba) e do MIT.

Comunidade Zé Mineiro, em Embu, foi a primeira contemplada pelo projeto do MIT/USP

Manaus
O grupo que trabalhou com a comunidade Zé Mineiro, em Embu, é composta por 10 alunos do MIT D-Lab, 9 da USP (6 do Departamento de Engenharia de Computação e Sistemas Digitais (PCS) e 2 da Engenharia Mecatrônica da Escola Politécnica e 1 do Instituto de Psicologia), além de 3 da UFSCar-Sorocaba. Parte desta equipe está agora em Manaus, onde uma parceria com a Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e a Fundação BRADESCO pretende levar a iniciativa para as comunidades carentes locais. Os alunos do MIT devem ficar no Brasil até quarta-feira (26).

Para a professora Tereza, além de auxiliar o desenvolvimento das comunidades envolvidas, a iniciativa também traz benefícios aos alunos participantes. “Muitos alunos da Poli sabem tudo a respeito de circuitos elétricos complexos, mas não sabem instalar uma rede elétrica de uma casa, pois é um conhecimento mais relacionado ao nível técnico. Este projeto coloca o aluno em contato com esse tipo de situação. Ele acaba tendo contato com uma outra realidade e se torna mais sensível para os problemas sociais”, destaca a professora. Para ela, quando este aluno estiver no mercado de trabalho, vai levar toda essa carga de aprendizado e será um líder mais consciente de sua responsabilidade social.

Neste primeiro projeto participaram mais alunos da Engenharia de Computação, mas de acordo com a professora, pretende-se estender a participação para todos os estudantes da USP, de todas as áreas do conhecimento e, também, de outras universidades brasileiras e também da América do Sul.

O projeto tem o suporte da Fundação Bradesco e da ONG Familia Ines e da CAOS FOCADO.

Imagens cedidas pela professora Tereza Cristina Carvalho

Mais informações: (11) 3091-1092 / 6343, (11) 9603-3790 ou email terezacarvalho@usp.br">terezacarvalho@usp.br, com a professora Tereza Cristina Carvalho

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