Caio Albuquerque, da Assessoria de Comunicação da Esalq
caiora@esalq.usp.br
Pesquisa da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba, examinou a viabilidade da indústria de biodiesel na região sudeste do estado do Mato Grosso (MT), confrontando os principais tipos de plantas de produção a partir de óleo de soja. O trabalho do engenheiro agrônomo Paulo Sarmento avaliou quais variáveis têm maior impacto na rentabilidade das plantas de biodiesel e o efeito do financiamento sobre a viabilidade desses empreendimentos. Ao mesmo tempo, verificou-se a importância da incorporação da etapa do esmagamento no processamento do biodiesel e foi observada a precificação do produto ao lado da necessidade ou não de subsídio para sua produção e consumo.
Foram visitadas duas plantas de produção de biodiesel no MT. A primeira possui toda infraestrutura para recepção, armazenagem, esmagamento da matéria prima selecionada e produção do biocombustível. A segunda não processa a etapa de esmagamento, ou seja, apenas recebe o óleo e produz o biocombustível. A análise fora desenvolvida sob dois pontos de vista. “Sob a ótica do setor privado examinamos a rentabilidade do projeto sob as condições econômicas e financeiras em vigor, incluindo possíveis subsídios creditícios e fiscais”, conta Sarmento. “Do ponto de vista social, observamos o preço dos insumos e produtos vinculados ao preço de mercado internacional”, explica.
Os resultados mostraram que a etapa de esmagamento para a produção de biodiesel a partir de óleo de soja é vital, uma vez que permite que vários subprodutos sejam obtidos, entre estes o farelo, o óleo e a casca de soja, diminuindo o risco da operação com apenas um produto. “Aquelas usinas que compram o óleo de soja para produzir o biodiesel estão sujeitas a um risco elevado de preço deste produto e necessitam de matérias primas alternativas como o óleo de algodão e a gordura animal para que suas margens se tornem positivas”, aponta o engenheiro agrônomo.
Custos
A segunda usina, sem a etapa de esmagamento, não apresentou viabilidade econômica no presente estudo principalmente pelo alto custo do óleo de soja na região. Do ponto de vista privado, o atual nível de subsídio fornecido pelo governo federal somente garante a viabilidade da primeira usina, com esmagamento. A segunda, sem esmagamento, necessitaria de outras matérias primas ou de maiores somas para se viabilizar. Do ponto de vista social, utilizando o custo de oportunidade dos produtos, nenhuma das usinas traz benefícios para a sociedade, os dois projetos são inviáveis. Apesar disso, a segunda usina é mais interessante socialmente quando comparada a primeira, além do subsídio necessário para viabilizá-la ser bem menor.
Na atualidade dois fatores condicionam os rumos da área energética brasileira e mundial. O primeiro é a incerteza da oferta de petróleo e seus derivados, o que condiciona o preço desses produtos. O segundo é a crescente a preocupação ambiental. “Esses fatores resultaram na busca por diferentes alternativas de fonte energética, configurando uma tendência futura em economizar combustíveis fósseis e desenvolver as formas renováveis de energia, entre as quais os bicombustíveis apresentam-se como alternativa importante”, diz Sarmento.
“Sugerimos que novos estudos abordando as alternativas de matérias primas para o biodiesel sejam realizados, levando em consideração os aspectos ambientais e distributivos desse processo”m acrescenta o autor do trabalho. ”Ressalta-se também a importância dos estudos de viabilidade econômica que, apesar de sua simplicidade, não são estudos triviais e contribuem fortemente para que os investidores conheçam as especificidades de cada projeto e tomem a melhor decisão”.
Engenheiro agrônomo formado pela Universidade Federal de Goiás (UFG), Pedro Sarmento defendeu seu mestrado no programa de Pós-graduação em Economia Aplicada. O trabalho foi orientado pelo professor Geraldo Sant’Ana de Camargo Barros, do Departamento de Economia, Administração e Sociologia (LES) da Esalq.
Imagem: Jorge Maruta
Mais informações: phlsarmento@yahoo.com.br, com Paulo Sarmento



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