Arqueólogos encontram sambaqui mais antigo do Brasil

Um sambaqui com cerca de 8 mil anos foi localizado na Ilha do Cardoso, em Cananéia, no litoral Sul de São Paulo. Sambaquis são espécies de aterros de conchas feitos pelos primeiros habitantes de nosso litoral. Essas estruturas eram usadas para enterrar os mortos ou para servirem como área de habitação. De acordo com o arqueólogo Flávio Calippo, doutorando do Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) da USP, a maioria dos sambaquis identificados até hoje têm cerca de 5 mil anos. “Acreditamos que este seja o mais antigo do litoral brasileiro”, diz o cientista.

Por suas características, a estrutura permite a Calippo supor que o sambaqui poderia ter servido não apenas como habitação ou um local para enterrar os mortos. “Ele tem cerca de nove metros de altura e aproximadamente 30 metros de diâmetro. O que pode sugerir que tenha sido construído também com o intuito de servir como um marco na paisagem ou um ponto a partir do qual pudessem manter certo controle sobre seu território”, avalia. Como a datação mais recente deste sítio esta em torno dos 5.500 anos, é provável que essas populações pré-históricos tenham permanecido no local por pelo menos 2 mil anos.

Área pontilhada rmostra parte do sambaqui que possui 9 metros de altura e cerca de 30 metros
de diâmetro. Estrutura pode ter sido construída para servir como um marco na paisagem

 

Na região do médio Vale do Ribeira, no interior de São Paulo, segundo o pesquisador, já haviam sido descobertos há alguns anos sambaquis lacustres, formados com conchas de água doce, com cerca de 9 mil anos. “Por estarem relativamente próximos do litoral, há hipóteses também de que as populações se deslocassem ao longo desse trajeto até o interior, ou vice-versa”, relata Calippo. “No entanto, as datações indicam que eles poderiam realmente ter se fixado naquele local.”

Ossos e sedimentos

Sambaqui é composto de conchas, fragmentos de ossos e sedimentos

O sambaqui encontrado na Ilha do Cardoso é composto basicamente de conchas, fragmentos de ossos e sedimentos, que, até agora, não puderam ser devidamente identificados por estarem praticamente dissolvidos. “Não é possível ainda saber se os ossos são de animais ou de seres humanos”, diz Calippo.

A estrutura foi encontrada por uma das comunidades de pescadores que habitam a ilha. Em seu trabalho de pesquisa, o arqueólogo utilizou um método vertical de sondagem. “Imaginemos um pequeno tubo que perfura um bolo. Ao ser retirado, ficam na sua parte interna as camadas do bolo. Assim fizemos com o sambaqui, retiramos os materiais resultantes da perfuração, que foram posteriormente analisados e devidamente datados”, conta.

O processo de datação foi concluído em 2004, nos Estados Unidos, ano em que Calippo defendeu sua dissertação de mestrado no MAE, sob a orientação da professora Maria Cristina Mineiro Scatamacchia.

O próximo passo, que já está sendo estudado por Calippo em seu doutorado, também no MAE, será realizar mais escavações para estudar o modo de vida dessas populações.
A Ilha do Cardoso fica próxima da costa. Em um de seus pontos chega a estar distante apenas dois quilômetros do litoral, mas existem outros há apenas 200 metros. O sítio é de difícil acesso e está localizado próximo a uma cachoeira no interior da ilha.

Mais informações: (0XX11) 9623-9740, com Flávio Calippo; e-mail calippo@arqueologiasubaquatica.org.br  

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