Gerador de eletricidade aumenta impacto da emissão de poluentes

Os edifícios da Grande São Paulo escondem uma fonte considerável de emissões de poluentes: os geradores de eletricidade movidos a diesel. Segundo a engenheira Márcia Aparecida Tezan Moraes Barros, não existe nenhum registro ambiental do número de geradores em operação, impedindo o controle das emissões. 

“O uso de motogeradores é crescente junto a grandes consumidores, especialmente no horário de ponta (entre 17h30 e 20h30), quando as tarifas de eletricidade são mais altas”, conta Márcia, que realizou uma pesquisa sobre o tema no  Instituto de Eletrotécnica e Energia (IEE) da USP. “O emprego de motores diesel para gerar energia elétrica contribui para o aumento da poluição atmosférica, justamente no horário em que o trânsito de veículos (outra fonte de emissões, em especial caminhões e ônibus) é mais intenso”.

Segundo a engenheira, os geradores emitem todos os poluentes típicos dos motores diesel veiculares, inclusive os de maior impacto na qualidade do ar, como óxidos de nitrogênio (NOX), óxidos de enxofre (SOx), dióxido de carbono (CO2), monóxido de carbono (CO) e material particulado. “Porém, os motogeradores não possuem o mesmo controle de poluentes exigido para os veículos”, aponta.

“No caso do CO, por exemplo, o limite de emissão imposto pelo Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (PROCONVE), é de 0,85 gramas por kilowatt.hora (g/kWw.h)”, relata a engenheira. O PROCONVE está ligado ao Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), órgão do Ministério do Meio Ambiente. “Ao mesmo tempo, o fator de emissão publicado pela agência ambiental norte-americana, especifíco para fontes estácionárias com motores movidos à diesel, ou seja, para os geradores, é de 3, 35 gramas por kW.h”.

Registros
Não há dados sobre o número exato de motogeradores em operação na Grande São Paulo. “Não existe um registro específico, voltado para o controle de emissões”, destaca Márcia. “A concessionária de energia elétrica (Eletropaulo) registra apenas os equipamentos usados para co-geração no horário de ponta, num total de 309 geradores no final de 2005”.

Nos registros da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) constam apenas 754 motogeradores, instalados em estabelecimentos que necessitam de licença ambiental para funcionar. “Os números da Cetesb e da Eletropaulo representam cerca de um terço do total de unidades fixas em operação”, calcula a pesquisadora. “Estão fora dos registros, os geradores de prédios residenciais e hotéis, além de todas as unidades móveis”.

Márcia defende que há necessidade da elaboração de inventário criterioso sobre os grupos motogeradores, com a participação dos órgãos ambientais, das concessionárias de energia elétrica e das prefeituras para avaliar e controlar o possível impacto ambiental. “Também é necessário estabelecer padrões e criar regulamentação específica para este tipo de fonte de emissão de poluentes, alerta.

A pesquisadora observa que o uso de fontes alternativas de energia pode diminuir as emissões de  poluentes. “Já existem geradores movidos à gás natural, mas a demanda ainda é reduzida”, diz. “Uma opção que está em desenvolvimento junto a alguns fabricantes de equipamentos é o emprego de biodiesel, que poderia ter mais incentivos”.

Mais informações: (0XX11)  3133-3290, com Márcia Aparecida Tezan Moraes Barros. Pesquisa orientada pelo professor Murilo Tadeu Werneck Fagá

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