Projeto analisa riscos de áreas centrais urbanas em cinco países

As cidades de São Paulo, Paris (França), Bonn (Alemanha), Varsóvia (Polônia) e Tunes (Tunísia) estão sendo alvo de um estudo comparativo que vai identificar como as suas populações percebem os riscos (possibilidades de a pessoa sofrer danos por estar exposta a perigos) das áreas centrais urbanas. O estudo faz parte de um projeto da Universidade de Grenoble (França) e, no Brasil, envolve a Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP e a Universidade de Campinas (Unicamp).

“Na Capital paulista, a área estudada abrange a Praça da República, o Largo do Arouche e a Rua Vieira de Carvalho, no centro velho”, informa o professor e coordenador do projeto em São Paulo, Carlos Celso do Amaral e Silva, da FSP. Os grupos estudados incluem aqueles que circulam, vivem e trabalham nesses locais, como meninos de rua, moradores de rua e dos prédios, prostitutas, garotos de programa, drag queens, donos de banca de jornal, garis e policiais, entre outros.

A idéia nasceu a partir da leitura da tese de doutoramento da pesquisadora Cíntia Okamura, defendida em 2004 no Instituto de Psicologia da USP. “Ela pesquisou a região do Largo do Arouche a fim de compreender como as pessoas, moradores ou freqüentadores, se relacionavam com aquele território”, conta.

De acordo com Silva, Cíntia Okamura propôs ao professor Jean-Paul Thibaud, da Escola de Arquitetura da Universidade de Grenoble, que incluísse a cidade de São Paulo em seu projeto sobre ambiência, que é como o espaço urbano é vivenciado pelas pessoas. Por meio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior e da Cooperação Brasil-França (Capes/Copefube), o professor Amaral e Silva foi convidado para coordenar o projeto na cidade paulistana.

Perigos e riscos
“Vamos pesquisar, por exemplo, qual a percepção dos grupos estudados em relação à violência urbana e ao tráfico de drogas, e aos riscos que advém deles, como assaltos e outros tipos de violência”, conta, lembrando que a percepção sobre outros tipos de perigos, como atropelamentos, a circulação de produtos químicos e o ruído urbano também serão estudados.

Algumas entrevistas, filmadas, já foram realizadas em setembro do ano passado por alunos e professores da FSP e da Unicamp, com a participação de pesquisadores da Universidade de Grenoble. “A experiência permitirá a interação de pesquisadores de várias áreas, pois teremos diferentes percepções para um mesmo espaço comum, e será interessante analisá-las”, relata Silva. A próxima visita está prevista para setembro.

Comparação intercidades
A partir da análise das percepções encontradas será feito um relatório. Todas as cinco cidades participantes farão o mesmo e, no final, as informações serão agrupadas em um livro. “Teremos um material multidisciplinar que poderá ser usado até em psicologia social, para uma comparação entre as cidades”, afirma Silva.

De acordo com o professor, as cinco cidades foram escolhidas porque apresentam urbanizações e culturas diferentes. “A intenção foi associar cultura, nível de desenvolvimento e as diversas percepções que a população tem para os ambientes”, explica.

Em São Paulo, o projeto prevê ainda a realização de seminários abertos onde os resultados possam ser transmitidos e discutidos e que permitam aos pesquisadores receberem respostas da população. A idéia, segundo o professor, é que a iniciativa possa levar a criação de um Centro Permanente de Estudos sobre o centro da cidade. Também existe a intenção de oferecer bolsas de doutorado-sanduíche (realizados na USP e em Grenoble) aos alunos participantes do projeto e a realização de visitas nas outras quatro cidades.

Mais informações: (0XX11) 7601-3271 / 5572-3336 ou email carcelso@usp.br, com o professor Carlos Celso

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