FMVZ testa modelo inédito para tratar a síndrome de Horner
Pesquisa mostrou que ovelha é um modelo eficaz para estudar a síndrome de Horner

Uma pesquisa realizada na Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da USP apresenta contribuições inéditas para os estudos envolvendo a síndrome de Horner, doença que afeta cães, gatos e cavalos, e também pode atingir seres humanos, principalmente crianças. A síndrome é causada por uma disfunção no sistema nervoso simpático que pode ser ocasionada por tumores, neuropatias, meningites, contusões, compressões, etc., na região profunda do pescoço, logo abaixo da orelha. Essa disfunção leva a uma queda das pálpebras, secura da pele no lado atingido pela lesão, além de distúrbios visuais e salivares.

Além de cientistas do Laboratório de Estereologia Estocástica e Anatomia Química (LSSCA) do Departamento de Cirurgia da FMVZ,  o trabalho teve a participação de uma equipe multidisciplinar de 14 pesquisadores das universidades de Aarhus (Dinamarca), Nottingham (Reino Unido), Universidade Estadual Paulista (Unesp / campus de Botucatu), Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA) da USP e do Instituto de Matemática e Estatística (IME) da USP. O estudo foi financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Os pesquisadores induziram a síndrome de Horner em 15 ovelhas macho da raça Santa Inês por meio da retirada cirúrgica do gânglio cervical cranial esquerdo dos animais, local onde ficam os neurônios, região  abaixo da orelha e profundamente no início do pescoço. O professor e estereologista Antonio Augusto Coppi, responsável pelo LSSCA, explica que esse gânglio faz parte do sistema nervoso autônomo simpático e, assim como o rim, ele também é bilateral. “Queríamos saber se, ao retirar o gânglio esquerdo, o direito conseguiria suprir as necessidades do seu próprio lado como também as do lado esquerdo. De fato isto ocorreu , revertendo os sintomas da síndrome de Horner” aponta o Coppi, que é o coordenador do trabalho.

Após a cirurgia de retirada, os gânglios esquerdos foram analisados por meio da estereologia, uma ciência inovadora que fornece medidas das células por meio de cálculos estatísticos e matemáticos que levam em conta a altura, a largura e a profundidade (3D), além da quarta dimensão, o tempo (4D). A vantagem desta técnica em relação a morfometria (análise em duas dimensões, ou seja, altura e largura) é que a estereologia tem grande acurácia e estima o número e volume total das células (entre outros). A morfometria mede apenas os contornos dos materiais analisados.

Ovelha com queda da pálpebra e diminuição do diâmetro da pupila (esq) e outra com ausência de secreção no lado esquerdo do nariz e lábio (dir)

Reversão da síndrome
Após a cirurgia de retirada do gânglio, todas as ovelhas desenvolveram a síndrome de Horner em até, no máximo, duas semanas, sendo que após esse período, os 15 animais apresentaram uma reversão total nos sintomas ligados à doença.

Diante da reversão do quadro, os pesquisadores decidiram estudar o gânglio direito. “Percebemos que apesar de o número de neurônios ter diminuído em cerca de 17%, o tamanho deles aumentou. O grau de hipertrofia de alguns chegou a 215%. Nossa hipotése é de que a reversão dos sintomas tenha ocorrido devido a isso e ao aumento da quantidade de neurotransmissores produzidos e liberados por estes neurônios hipertrofiados”, destaca Coppi. Já os gânglios direitos tiveram um aumento (hipertrofia) médio de 74%, o que corrobora a hipótese do professor.

Estereologia x morfometria
A pesquisa mostrou ainda que a retirada cirúrgica do gânglio cervical cranial em ovelhas é um modelo eficaz para estudos envolvendo a síndrome de Horner. Segundo Coppi, este trabalho é o primeiro no mundo a fazer uso da estereologia para pesquisar a doença em ovelhas. “O único estudo similar foi realizado em ratos, em 1980, por uma universidade japonesa, mas as análises foram feitas por morfometria (duas dimensões).

Na pesquisa japonesa, também foi retirado um dos gânglios do rato, mas os resultados indicaram que não houve alteração no número de células nervosas do outro gânglio”, explica o pesquisador. Para Coppi, as diferenças entre resultados ocorreu devido às limitações do método usado nas análises no estudo japonês. “A esterologia é muito útil tanto para fazer novos estudos como para refazer pesquisas já realizadas e obter resultados mais precisos que podem confirmar ou não estudos realizados no passado”, finaliza o pesquisador.

O artigo Hypertrophy and neuron loss: structural changes in sheep SCG induced by unilateral sympathectomy foi publicado na edição de fevereiro de 2011 do International Journal of Developmental Neuroscience.

Imagens cedidas pelo pesquisador

Mais informações: (11) 3091-1214, email guto@usp.br, Skype: antonio.augusto.stereo, Twitter: AACoppi, com o professor Antonio Augusto Coppi. Site http://lssca.fmvz.usp.br/

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