Estratégias consolidam empresa paulista no mercado de carne ovina

Pesquisadores do Departamento de Nutrição e Produção Animal da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da USP, no campus de Pirassununga, avaliaram em estudo as estratégias que tornaram uma empresa paulista um modelo na produção e comercialização de carne ovina. De acordo com o professor Augusto Hauber Gameiro, coordenador da pesquisa, a empresa conseguiu se estabelecer no setor por meio de uma série de estratégias, entre elas a certificação, a padronização de procedimentos e produtos e a força da marca da carne, que a associou a um produto de qualidade, voltado a um público diferenciado. Atualmente, a empresa é responsável por fornecer 70% da carne ovina consumida na região metropolitana de São Paulo, o maior centro de consumo do produto no Brasil.

O consumo de carne ovina no Brasil ainda não é consolidado e continua restrito a um mercado de elite. Os produtores precisam concorrer com a carne suína, de boi e de frango, de forma competitiva, oferecendo um produto de qualidade além de vencerem o mercado informal, cujos preços chegam a ser três vezes menores.

“A carne de ovinos, ao contrário da de boi, por exemplo, não tem liquidez. O consumo no Brasil é restrito a alguns nichos de mercado e há poucos frigoríficos que trabalham com o produto. Além disso, no mercado informal, um produtor consegue vender a carcaça de carneiro a um preço médio de R$12,00 o quilo (Kg), enquanto que no mercado formal o preço é de cerca de R$4,00”, destaca Gameiro.

Mesmo diante desse quadro, a empresa analisada na pesquisa dos pós-graduandos consegue se manter no mercado, fornecendo carne ovina para uma clientela elitizada, principalmente restaurantes e churrascarias e também para butiques de carnes e hotéis. “Há também um consumo ligado à culinária italiana e do oriente médio”, lembra o professor.

Estratégias
De acordo com Gameiro, a empresa possui duas fazendas, uma na região de Mococa e outra em Jaguariúna, ambas no interior do estado. Além da criação própria, eles trabalham com outros ovinocultores fornecendo, inclusive, melhoramento genético aos rebanhos e assessoria técnica. “Isso garante que os animais tenham uma genética semelhante, fazendo o produto ter um mesmo padrão de qualidade”, explica. Os animais são abatidos jovens (cordeiros), por volta dos 4 meses de idade, com peso médio de 18 quilos, que geram 48% de rendimento de carcaça e conferem maciez e suculência à carne.

Como a maioria dos frigoríficos trabalha com abate bovino, os equipamentos precisam ser adaptados para uso em ovinos. A solução encontrada pela empresa foi o arrendamento de frigoríficos durante alguns dias para o abate específico dos cordeiros. Os animais são abatidos e as carcaças são encaminhadas inteiras à sede da empresa, em Pirassununga. “Tanto durante o abate como no beneficiamento há um fiscal do Sistema de Inspeção Federal [SIF, ligado ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento] que acompanha o processo, levando certificação ao produto, e garantindo a qualidade”, comenta o professor. A carne é rigorosamente selecionada. Os cortes, as embalagens e a etiquetagem seguem uma padronização que reforçam a marca da empresa, que também é a responsável pela distribuição da carne aos clientes. “Se houver falta de produto, eles importam carne ovina do Uruguai e da Argentina, a fim de garantir a demanda dos consumidores”, conta Gameiro.

Para o professor, estas estratégias fizeram com que a empresa desse certo e se consolidasse no setor. “Existem outras neste mesmo ramo, porém trata-se de um mercado complexo. É difícil competir com a informalidade, principalmente em estados do nordeste e no Rio Grande do Sul. Vale lembrar que a maior parte da carne de ovinos no Brasil está no mercado informal”, aponta.

Consumo ainda quase irrisório
Segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), a média de consumo nacional de carne ovina em 2004 foi de aproximadamente 700 gramas por habitante. O consumo per capita nos países desenvolvidos está em torno de 20 Kg por ano.

A pesquisa foi apresentada durante a 46a Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Zootecnia, que ocorreu em Maringá, Paraná, entre os dias 14 e 17 de julho. O projeto foi elaborado pelos alunos Eugenio Yokoya, Juliana de Vazzi Pinheiro, Julianne de Rezende Naves e Michele Ribeiro da Silva, mestrandos do Programa de Pós-Graduação em Nutrição e Produção Animal da FMVZ, em Pirassununga. Os pesquisadores entrevistaram os administradores da empresa, além de terem visitado e acompanhado as várias etapas de produção na fazenda e no frigorífico.

Mais informações: (19) 3565-4224 ou e-mail gameiro@usp.br, com o professor Augusto Hauber Gameiro

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