Programa de computador ajuda a analisar lutas de judô

Lutadores e técnicos de judô têm a oportunidade de realizarem análises técnicas e táticas dos combates com um novo programa de computador desenvolvido pelo Grupo de Estudos de Lutas da Escola de Educação Física e Esporte (EEFE). O software FRAMI perimite acompanhar vídeos de lutas e registrar os movimentos, ataques e golpes dos judocas. O sistema, criado pela professora Bianca Miarka, sob orientação do professor Emerson Franchini, da EEFE, serve para aperfeiçoar o aprendizado e o treinamento do judô nas academias e também ajuda atletas de alto rendimento a conhecerem em detalhes as características de seus adversários.

FRAMI pode fornecer a atletas de alto rendimento análises de adversários

O software surgiu para acompanhar as diferenças existentes entre o estilo de luta nas diversas faixas de idade — e em judocas do sexo masculino e feminino — durante a pesquisa para a dissertação de mestrado de Bianca. “Ao todo, foram realizadas mais de 2.500 análises”, aponta. O programa apresenta uma tela em que o operador introduz informações sobre o atleta analisado, tais como local e tipo de competição (nível regional, nacional ou internacional), categoria (peso), classe (idade) e sexo, e acompanha a luta.

O FRAMI utiliza vídeos de lutas de judô que podem ser obtidos na internet. Devido ao grande contato físico, não é possível detectar automaticamente os movimentos, por isso é preciso um operador. “Após o vídeo ser introduzido, o programa oferece recursos para registrar cada movimento executado pelos competidores, de ataque ou defesa, de acordo com os padrões estabelecidos para a modalidade”, diz Bianca. “Além disso, o operador pode registrar o tempo de cada movimento”.

Ao final dos combates, que tem duração de cinco minutos, os registros da luta são exportados para uma planilha, que registra o padrão de comportamento dos atletas. “As planilhas mostram os tipos de ataques, quais golpes foram utilizados e em que momento da luta eles aconteceram”, conta a pesquisadora. “A identificação dos padrões de movimento de ataque permite inclusive antecipar alguns gestos que serão feitos pelo lutador”. É possível elaborar a análise completa de uma luta num período de 10 a 15 minutos.

Registros dos movimentos das lutas são transferidos para planilha que exibe toda a performance do lutador

Oponentes
Para os atletas de alto rendimento, que participam das principais competições nacionais e internacionais, o FRAMI pode fornecer uma análise de seus oponentes. “Por meio das planilhas, é possível saber quais são os golpes mais utilizados pelo adversário e quais deles são mais consistentes, ou seja, mais eficazes em termos de conquista de pontuação”, destaca Bianca. “Assim, o atleta pode ter uma ideia melhor de como se defender e contra-atacar”.

Nas academias de judô, os professores podem usar o programa para analisar os alunos em situações reais de combate, verificando seu padrão de atuação e introduzindo aprimoramentos. “Se um lutador ataca pouco o adversário, o treinamento pode ser direcionado para que aumente o número de ataques”, diz a pesquisadora. “Se há pouca variação nos golpes, e eles pouco influem na pontuação da luta, novos tipos de golpes podem ser introduzidos, e assim por diante”.

A pesquisadora pretende ampliar as possibilidades pedagógicas do programa, para que possa exemplificar situações de luta para analise em academias, de modo a facilitar o aprendizado. “O objetivo é proporcionar uma ferramenta que auxilie o trabalho dos treinadores, em especial com atletas mais jovens”.

O software se encontra em fase de registro de patente, por intermédio da Agência USP de Inovação. Ainda não foi definido se o programa será comercializado ou oferecido gratuitamente pela internet. O FRAMI já foi enviado para técnicos de judô no Brasil e professores da modalidade no exterior. Os resultados da pesquisa que utilizou o sistema são descritos em artigo publicado no periódico científico International Journal of Performance Analysis in Sport, no País de Gales (Europa).

O desenvolvimento do FRAMI aconteceu durante os estudos para a elaboração da dissertação de mestrado de Bianca Miarka, orientada pelo professor Emerson Franchini, da EEFE. A pesquisa teve a colaboração do Grupo de Estudos de Lutas da EEFE, trazendo lutadores de judô faixa-preta para validar o programa, e o apoio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).


Imagem: Confederação Brasileira de Judô

Mais informações: miarkasport@hotmail.com

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