Método controla planta invasora da Mata Atlântica

Alícia Nascimento Aguiar, da Assessoria de Comunicação da Esalq – acom@esalq.usp.br

Na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP em Piracicaba, uma pesquisa definiu métodos mecânicos efetivos de controle do lírio do brejo (Hedychium coronarium), uma planta exótica invasora de áreas de vegetação nativa da Mata Atlântica. O estudo realizado pela bióloga Luísa Almeida Maciel foi desenvolvido em duas fases - remoção da espécie invasora seguida de acompanhamento da vegetação após a remoção do lírio do brejo. Nessa segunda etapa observou-se a recuperação da vegetação exótica após sua retirada, bem como da vegetação nativa em resposta à saída da planta invasora.

Controle inclui monitoramento frequente da área manejada, para conter novos invasores

As técnicas pesquisadas no programa de pós-graduação em Recursos Florestais da Esalq foram aplicadas no Parque Estadual Turístico do Alto do Ribeira (PETAR), localizado no sul do estado de São Paulo, entre as cidades de Apiaí e Iporanga, unidade de conservação da Mata Atlântica com fragmentos extensos e de grande continuidade da mata, o que aumenta a importância de medidas que garantam a preservação do bioma.

A pesquisadora comenta que os dados levantados proporcionarão metodologia básica para controle pontual da infestação da espécie, particularmente em regiões de mata atlântica semelhantes às do estudo. “O conhecimento atual sobre a resiliência [capacidade de recuperação] da vegetação nativa em resposta à remoção dessa espécie invasora será enriquecido”, expõe. ”Também obtivemos dados interessantes a respeito da relação entre luminosidade e crescimento de Hedychium coronarium, bem como sobre sua resiliência após três tipos de remoção mecânica – arranquio, arranquio repetido e corte raso”, expõe.

O arranquio é a retirada da planta do solo com a raiz; o corte raso é o corte da parte verde da planta, mantendo a raiz dentro do solo; no arranquio repetido, foi feito o arranque da planta e, após uma mês, um novo arranque foi feito quando observada uma brotação da planta. Este processo foi feito em dezembro e depois repetido em janeiro e fevereiro. Os outros dois métodos foram realizados em fevereiro.

Controle
O estudo obteve resultados satisfatórios de controle da espécie Hedychium coronarium por meio de arranquio incluindo, pricipalmente, seus rizomas (caules). Por outro lado, comenta a bióloga, “a vegetação nativa pode reagir negativamente no início, porém sua recuperação ao longo de alguns meses é significativamente maior comparada à situação em que se controla o lírio do brejo apenas como remoção de sua parte aérea, que são o caule e as folhas. O estudo também apurou que há uma estreita relação entre a quantidade e biomassa de Hedychium coronarium e a intensidade luminosa de um local”.

Segundo Luísa, apesar de apresentar bons resultados, o controle efetivo não consiste apenas na remoção da espécie exótica. Implica, ainda, em monitoramento frequente da área manejada, de maneira que seja evitado qualquer tipo de reinvasão do local, quer por lírio do brejo ou por outras espécies exóticas.

“Técnicas de restauração da vegetação nativa podem incluir sombreamento a uma altura de aproximadamente 1,5 metros (m) para favorecer o crescimento de espécies de florestas fechadas, mais adaptadas à sombra em detrimento do lírio do brejo. Também é oportuno estudar outras maneiras de controle da invasora, como o controle biológico”, ressalta.

De acordo com Luísa, que é orientada pela professora Teresa Cristina Magro, do Departamento de Ciências Florestais (LCF) da Esalq, a pesquisa ressalta a importância de se investir em técnicas de manejo de exóticas invasoras. “Essa prática não é uma tarefa excessivamente custosa financeiramente e pode envolver ajuda de voluntários”, conclui.

Imagem: Divulgação

Mais informações: email lumaciel@gmail.com, com Luísa Almeida Maciel

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