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Fiscalização é
insuficiente para controlar empresas clandestinas |
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A
evolução e o crescimento das empresas de segurança particular é o
tema da dissertação de Mestrado de Viviane de Oliveira Cubas, defendida
na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP.
Segundo o estudo, o maior estímulo para o aumento da vigilância privada
não está no aumento da criminalidade, mas na incapacidade do Estado
em proporcionar segurança e mediar conflitos.
De acordo com Viviane Cubas, as primeiras empresas do setor surgiram
nos anos 60, devido ao aumento dos assaltos a banco. "Os serviços
de vigilância não eram usuais e havia casos de funcionários transportarem
valores em carros particulares, sem nenhuma proteção", relata. "Em
geral, eram firmas que prestavam serviços terceirizados de limpeza
e portaria aos bancos e criaram o setor de segurança".
O estudo mostra que o aumento acentuado do número de empresas acontece
nos anos 90, favorecido pela grande demanda e pelo barateamento dos
equipamentos eletrônicos de vigilância. Conforme dados do Sindicato
das Empresas de Segurança e Vigilância do Estado de São Paulo citados
na pesquisa, entre 1982 e 1983 foram concedidos 533 alvarás de funcionamento
pela Polícia Federal, que fiscaliza o setor. Entre 1994 e 2000 foram
expedidos 867 alvarás, passando de 84 autorizações em 1994 para 186
em 2000. Atualmente são 1.230 empresas de segurança privada em todo
o país.
A pesquisadora relata que a expansão da segurança privada também acontece
em outros países, devido a urbanização e o surgimento de espaços de
propriedade privada e uso público, como shopping centers. Mas Viviane
aponta que no Brasil a insuficiência das políticas públicas de segurança
reforça uma tendência histórica de resolução particular de conflitos.
"As empresas do setor aproveitam a brecha e anunciam seus serviços
como a solução para os problemas de segurança", afirma.
Treinamento e clandestinos
Todos os vigilantes devem ser vinculados a uma empresa e ter o certificado
de conclusão do curso de formação específico para a função. A lei
exige a 4ª série primária, mas a tendência das empresas é contratar
pessoas com primeiro grau completo, para facilitar tarefas como a
elaboração de relatórios e manuseio do equipamentos. "O curso de vigilante
é exigido para a admissão, mas muitas empresas também fazem o treinamento
do pessoal contratado", relata Viviane Cubas. "Em algumas empresas,
a rotatividade de funcionários é grande, pois as contratações são
feitas conforme a necessidade de postos de trabalho. Por isso o recrutamento
costuma ser realizado semanalmente".
O treinamento abrange noções de defesa pessoal, primeiros socorros,
tiro, armamento, legislação penal, observação criminal, segurança
física e de instalações, prevenção de incêndios. A pesquisadora ressalta
que os cursos não incluem elementos de direitos humanos. "No máximo,
são abordadas questões de relações públicas", afirma. As armas são
registradas em nome das empresas, que têm que obedecer critérios específicos
para sua aquisição, tanto no que diz respeito à quantidade quanto
ao tipo de armamento.
A fiscalização das empresas de vigilância é feita pela Polícia Federal,
através da Delegacia de Segurança Privada. Viviane relata que o número
de funcionários é insuficiente para o controle das empresas legalizadas
e a repressão aos serviços clandestinos. "Não há uma estatística sobre
o número de firmas ilegais. Em geral elas são formadas por policiais
que trabalham fora do expediente, o que é proibido", relata. "Não
existe garantia de que os vigilantes clandestinos tiveram um treinamento
adequado, inclusive para o uso de armas de fogo, cujo porte é quase
sempre irregular".
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