07/12/2004 - meio ambiente
Visita em área preservada provoca impactos que podem comprometer a atividade turística
Doutorado da Faculdade de Saúde Pública avalia poluição no rio Betari, que corta o Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira e é uma das atrações turísticas da região sudoeste de São Paulo


Mariana Delfini


A grande preocupação em torno do ecoturismo é a conservação das trilhas, da mata, dos lugares a serem visitados. O cuidado também com as regiões próximas às áreas de preservação é o que propõe Leandro Giatti em seu doutorado defendido na Faculdade de Saúde Pública da USP.

Em seu trabalho, Leandro avaliou a poluição por esgoto doméstico do Bairro da Serra na cidade de Iporanga, na região do Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira (Petar). Esse bairro se localiza perto do Núcleo Santana, o núcleo de maior visitação do parque onde se hospedam os turistas. "O ecoturismo é uma atividade mais adequada à conservação, quando comparada às atividades de extração de chumbo e palmito que aconteciam na região e foram coibidas à medida que se optou pela preservação. Mas, por outro lado, existem impactos ambientais associados ao ecoturismo que não podem ser deixados de lado", argumenta Leandro.

O parque tem atraído cada vez mais visitantes em razão de se localizar perto de pólos emissores de turistas, como São Paulo, além das melhorias da rede viária e de o ecoturismo representar um mercado em crescimento como opção de lazer. Leandro tentou estudar a relação do aumento do esgoto com a presença em grande quantidade de turistas durante feriados prolongados.

Metodologia
Para avaliar poluição aquática, o pesquisador coletou 16 amostras de seis pontos diferentes do rio Betari, que corta o Bairro da Serra e o Petar, e constatou poluição por esgoto doméstico, sobretudo em dois córregos que cortam o bairro. Não conseguiu chegar a nenhuma conclusão no que diz respeito ao acréscimo de população durante os feriados. Leandro explica que a associação é complexa principalmente por causa do elevado índice pluviométrico da região, que dilui e torna inconstantes as concentrações de esgoto na água. Com perspectivas de crescimento do turismo, essa situação representa um risco à própria atividade, além de expor as crianças do bairro à contaminação.

Leandro encontrou aquilo que chama de "externalização do problema" na pesquisa da destinação dos resíduos sólidos: existe um sistema de coleta local do lixo, mas o destino final não é o mais adequado. Em maio de 2002, o lixo era levado para um lixão; um ano depois, a prefeitura tinha construído um aterro sanitário que ainda não era ideal, por não ter sido feito nas condições adequadas, como impermeabilização do solo. "É uma área de turismo ecológico, onde aparentemente o problema está solucionado. Mas é preciso pensar na destinação final desses resíduos".

Pesquisas também mostraram água e animais do parque contaminados por agrotóxico. O rio Betari passa por uma plantação de tomate antes de entrar no parque, e carrega em suas águas o agrotóxico. "Não tem como fazer gestão da unidade de conservação sem cuidar da bacia hidrográfica que está no entorno", conclui Leandro.

 

Mais informações: lgiatti@usp.br


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