|
A grande preocupação em torno do ecoturismo é a
conservação das trilhas, da mata, dos lugares a serem visitados.
O cuidado também com as regiões próximas às
áreas de preservação é o que propõe
Leandro Giatti em seu doutorado defendido na Faculdade de Saúde
Pública da USP.
Em seu trabalho, Leandro avaliou a poluição por esgoto doméstico
do Bairro da Serra na cidade de Iporanga, na região do Parque Estadual
Turístico do Alto Ribeira (Petar). Esse bairro se localiza perto
do Núcleo Santana, o núcleo de maior visitação
do parque onde se hospedam os turistas. "O ecoturismo é uma
atividade mais adequada à conservação, quando comparada
às atividades de extração de chumbo e palmito que
aconteciam na região e foram coibidas à medida que se optou
pela preservação. Mas, por outro lado, existem impactos
ambientais associados ao ecoturismo que não podem ser deixados
de lado", argumenta Leandro.
O parque tem atraído cada vez mais visitantes em razão de
se localizar perto de pólos emissores de turistas, como São
Paulo, além das melhorias da rede viária e de o ecoturismo
representar um mercado em crescimento como opção de lazer.
Leandro tentou estudar a relação do aumento do esgoto com
a presença em grande quantidade de turistas durante feriados prolongados.
Metodologia
Para avaliar poluição aquática, o pesquisador coletou
16 amostras de seis pontos diferentes do rio Betari, que corta o Bairro
da Serra e o Petar, e constatou poluição por esgoto doméstico,
sobretudo em dois córregos que cortam o bairro. Não conseguiu
chegar a nenhuma conclusão no que diz respeito ao acréscimo
de população durante os feriados. Leandro explica que a
associação é complexa principalmente por causa do
elevado índice pluviométrico da região, que dilui
e torna inconstantes as concentrações de esgoto na água.
Com perspectivas de crescimento do turismo, essa situação
representa um risco à própria atividade, além de
expor as crianças do bairro à contaminação.
Leandro encontrou aquilo que chama de "externalização
do problema" na pesquisa da destinação dos resíduos
sólidos: existe um sistema de coleta local do lixo, mas o destino
final não é o mais adequado. Em maio de 2002, o lixo era
levado para um lixão; um ano depois, a prefeitura tinha construído
um aterro sanitário que ainda não era ideal, por não
ter sido feito nas condições adequadas, como impermeabilização
do solo. "É uma área de turismo ecológico, onde
aparentemente o problema está solucionado. Mas é preciso
pensar na destinação final desses resíduos".
Pesquisas também mostraram água e animais do parque contaminados
por agrotóxico. O rio Betari passa por uma plantação
de tomate antes de entrar no parque, e carrega em suas águas o
agrotóxico. "Não tem como fazer gestão da unidade
de conservação sem cuidar da bacia hidrográfica que
está no entorno", conclui Leandro.
|