São Paulo, 
saúde
02/03/2005
Locomover-se com dificuldade traz maiores riscos à vida de idosos
Pesquisa mapeou fatores que mais trazem risco à vida de idosos e concluiu que apresentar dificuldades de locomoção aumenta em três vezes as chances de óbito
Tadeu
Breda

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As pessoas costumam pensar que idosos obrigados a ficar de cama por não conseguirem, mesmo com dificuldades, se locomover sozinhos, possuem mais chances de falecer
Apresentar dificuldades ao locomover-se - como desequilíbrio e falta de firmeza ao andar ou vertigens freqüentes - é um fator que aumenta em três vezes o risco de morte em idosos. Esse foi um dos principais resultados encontrados por Flávia de Oliveira Motta Maia, da Escola de Enfermagem (EE) da USP, após analisar dados da pesquisa Saúde, Bem-estar e Envelhecimento (Sabe), coordenada pela Organização Panamericana de Saúde (Opas), que investigou as condições de vida de 2.143 pessoas com mais de 60 anos na cidade de São Paulo.

A pesquisa contraria o senso comum. Segundo Flávia, as pessoas costumam pensar que idosos obrigados a ficar de cama por não conseguirem, mesmo com dificuldades, se locomover sozinhos, possuem mais chances de falecer. "Quem está preso a uma cama geralmente é mais bem cuidado e recebe mais atenção do que aqueles que conseguem ir de um lado para outro da casa", diz Flávia.

Estar numa cama geralmente indica uma saúde mais debilitada. No entanto, o idoso que consegue andar, mas sem segurança, está muito propenso a sofrer quedas e outras complicações que afetam seriamente sua saúde.

Óbito de idosos
Flávia interessou-se pelos fatores de risco para óbito em idosos enquanto participava da pesquisa Sabe, cujo intuito era conhecer melhor o envelhecimento na América Latina. Além do Brasil, o mesmo estudo foi feito na Argentina, Cuba, Barbados, Chile, México e Uruguai durante o ano de 2000, para oferecer um instrumento de comparação entre os processos de envelhecimento da população desses países.

Os pesquisadores estiveram na residência de cada idoso por duas vezes, com intervalo máximo de seis meses entre a primeira (aplicação do questionário sobre a condição sócio-econômica e o estado de saúde dos pacientes) e a segunda visita (em que foram feitos exames e testes de antropometria e flexibilidade).

"Entre uma visita e outra, 38 idosos que participavam da pesquisa faleceram", conta Flávia. O elevado número de óbitos em tão pouco tempo levou a pesquisadora a investigar quais foram as causas da morte desses idosos comparando-as com condições de vida levantadas por meio do questionário.

Fatores de risco
A maior parte dos idosos que morreram possuía dificuldades para se locomover dentro do quarto ou ir ao banheiro, era do sexo masculino, tinha mais de 75 anos e autoavaliava sua saúde como "ruim". De acordo com Flávia, esses são, respectivamente, os fatores de maior risco para a vida das pessoas com mais de 60 anos.

Um fato curioso observado pela pesquisa de Flávia diz respeito à avaliação que o idoso faz sobre sua própria saúde. "A autoavaliação do idoso pode ter um caráter preditivo. Quando comparado à avaliação clínica, feita pelo médico, os resultados costumam ser bastante fidedignos."

O envelhecimento da população é um fenômeno relativamente novo nos países latinoamericanos, que até duas décadas atrás tinham uma pirâmide etária dominada por jovens. Fruto da redução na taxa de natalidade e do aumento da expectativa de vida, este processo pode causar um grande impacto na economia e no sistema de saúde dos países que não estiverem preparados. Estima-se que em 2020 o Brasil terá 30 milhões de idosos. Hoje este número é de 14,5 milhões.





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