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"A equipe do LSI-TEC criou a simulação
física do carro, a parte gráfica para geração
de imagens e a manipulação de efeitos sonoros de imersão,
além das partes competitivas e de Inteligência Artificial" |
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Uma
parceria do Laboratório de Sistemas Integráveis Tecnológico
(LSI-TEC), da Escola Politécnica da USP, com a empresa Matic
Entretenimentos desenvolveu o primeiro fliperama (arcade) de corridas
com tecnologia 100% nacional. Intitulado GP Brasil, o simulador
foi inteiramente produzido com base em software livre, utilizando
o sistema operacional Linux e bibliotecas abertas para a manipulação
dos gráficos, dos sons e da simulação física.
Segundo Irene Ficheman, pesquisadora responsável pelo projeto,
a Matic já fabricava e comercializava este tipo de simulador,
produzindo pelo método Original Equipament Manufacturing,
ou seja fiel ao original. Para tal, era feita a importação
do hardware e software de fabricantes japoneses. "Porém,
com a alta do dólar nos últimos anos a importação
encareceu. A Matic, então, resolveu investir em nosso laboratório
para que produzíssemos o software e hardware necessários
para o jogo", explica Irene.
O LSI-TEC assumiu a responsabilidade de desenvolver toda a parte de
software e de interação do jogo com o usuário.
Controles como a realimentação de força do volante
(force feedback), em que o computador aplica movimentos de
resistência no volante de acordo com colisões e curvas
da corrida, também foram desenvolvidos pelo projeto da Poli,
que teve início em agosto de 2002.
A equipe do LSI-TEC, sob a coordenação da professora
Roseli de Deus Lopes, também criou a simulação
física do carro, a parte gráfica para geração
de imagens e a manipulação de efeitos sonoros de imersão,
recurso que dá a impressão, por exemplo, de que um carro
está ao lado ou atrás do jogador. O laboratório
da Escola Politécnica produziu também as partes competitivas,
que permite a realização de uma corrida entre dois ou
mais jogadores ligados em rede, e de Inteligência Artificial,
que simula a atuação de jogadores virtuais.
Para Irene, a utilização do software livre e da biblioteca
aberta foi fundamental. "O equipamento para desenvolver este
tipo de tecnologia e as maneiras para obter o conhecimento necessário
eram muito caros. Hoje contamos com uma comunidade mundial que contribuiu
decisivamente no acréscimo de informação."
O resultado final será apresentado na 16ª Exposição
Sul-Americana de Indústria de Diversões (Salex 2005),
que acontecerá entre os dias 3 e 5 de agosto na ITM-Expo, em
São Paulo.
O jogo
O GP Brasil oferece três opções de pistas
ao jogador: o Autódromo de Interlagos e o Autódromo
Internacional de Curitiba, este último nas versões mista
e oval. Com uma boa riqueza de detalhes dos entornos da pista e das
características do autódromo (por exemplo, o prédio
do Cingapura no início da reta dos boxes em Interlagos e as
famosas ondulações do asfalto da mesma reta), a ênfase
procurada pelos projetistas está em buscar a maior proximidade
possível com a realidade de uma corrida, diferentemente de
alguns clássicos do fliperama, como o Cruisin' USA,
que abusam de colisões e "vôos" de seus carros.
"Alguns membros do projeto foram até Interlagos e Curitiba,
onde tiraram fotos e fizeram medidas com GPS para obtermos uma boa
aproximação de medidas e cenários", diz
Ricardo Lipas, engenheiro formado pela Poli e gerente do projeto.
O LSI-TEC pretende continuar trabalhando com a Matic, que já
exporta jogos para a Espanha e outros países da América
Latina, para que se consiga uma melhoria em relação
aos gráficos. "Precisamos acrescentar um pouco mais de
realismo ao jogo. Em relação aos que já existem
no exterior, a parte gráfica do GP Brasil é um
pouco inferior. Mas se compararmos com o que temos aqui no Brasil,
ou seja, jogos que foram trazidos pela última vez entre 97
e 98, o resultado é bom", explica Lipas.
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