São Paulo, 
saúde
14/08/2006
Pesquisa determina fatores relacionados ao consumo de frutas, legumes e verduras

As diferenças quanto à presença de vegetais na alimentação de homens e mulheres estão na freqüência e nos fatores relacionados ao consumo. Esse tipo de alimento ajuda a prevenir doenças crônicas não transmissíveis

Aline
Moraes

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A pesquisadora realizou, primeiramente, uma análise descritiva. Dela, Iramaia verificou que a freqüência de consumo é diferente entre os sexos: as mulheres consomem mais que os homens. Num segundo momento, a nutricionista fez uma análise estatística para cada um dos sexos (já que a freqüência não é a mesma) a fim de identificar os fatores que determinam o consumo
Frutas, legumes e verduras são mais consumidos por mulheres que por homens. A partir desse dado, a nutricionista Iramaia Campos Ribeiro Figueiredo avaliou, em seu mestrado pela Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, os fatores que determinam esse consumo para cada um dos sexos.

Segundo a pesquisadora, está comprovado que o consumo desses alimentos reduz a incidência de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), como hipertensão, diabetes e alguns tipos de câncer. "Conhecer esses fatores é importante para criar políticas públicas de incentivo ao consumo e de promoção de saúde."

A nutricionista entrevistou 2.122 pessoas (855 homens e 1.267 mulheres) com 18 anos ou mais residentes no município de São Paulo por intermédio do projeto piloto de um sistema de monitoramento via telefone de fatores de risco nutricionais para DCNTs. Criado pelo Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde (Nupens) da USP, esse sistema (batizado de Vigitel) já está sendo implementado no País pela Secretaria da Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde .

Das 98 perguntas que compunham o questionário, Iramaia selecionou aquelas que se relacionavam com o tema de seu estudo. A nutricionista conta que um diferencial dessa pesquisa está na alternativa utilizada para conhecer o nível sócio-econômico. "Numa entrevista como esta, principalmente por telefone, dificilmente as pessoas informam sua renda. Conhecendo a densidade do domicílio (número de moradores dividido pelo de cômodos da residência) é possível ter uma informação equivalente", explica.

Fatores determinantes
Com os dados coletados, a pesquisadora realizou, primeiramente, uma análise descritiva. Dela, Iramaia verificou que a freqüência de consumo é diferente entre os sexos: as mulheres consomem mais que os homens. Num segundo momento, a nutricionista fez uma análise estatística para cada um dos sexos (já que a freqüência não é a mesma) a fim de identificar os fatores que determinam o consumo.

Tanto para homens quanto para mulheres, o consumo de frutas, verduras e legumes mostrou-se associado a maior idade e escolaridade; a menor densidade do domicílio; à prática de atividade física no lazer (ou seja, caminhar ou andar de bicicleta para ir ao trabalho não conta); à realização de dieta no último ano; ao consumo não usual (pelo menos uma vez por semana) de frituras, açúcares e carne vermelha com gordura; e ao consumo de peixe.

No caso específico das mulheres, ser ou já ter sido casada foi diretamente associado ao consumo. Não fumar e não consumir usualmente manteiga, margarina, leite integral e embutidos (como presunto, salame, empanados) também estão relacionados.

Para os homens, esse tipo de alimentação também se mostrou ligada ao hábito de não trocar as refeições por lanches e de não consumir usualmente refrigerante e feijão. "O fato de o consumo de feijão não estar associado ao de frutas, verduras e legumes indica que o grão faz parte das refeições dos homens apenas pelo hábito e não pela preocupação com a qualidade da alimentação", justifica a nutricionista.

Iramaia defenderá sua dissertação no dia 14 de agosto, na FSP.

Com informações da Assessoria de Comunicação da Faculdade de Saúde Pública da USP





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(0XX11) 9138-9232 , com a pesquisadora; e-mail: iramaiar@usp.br

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