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A pesquisadora realizou, primeiramente,
uma análise descritiva. Dela, Iramaia verificou que a freqüência
de consumo é diferente entre os sexos: as mulheres consomem
mais que os homens. Num segundo momento, a nutricionista fez uma análise
estatística para cada um dos sexos (já que a freqüência
não é a mesma) a fim de identificar os fatores que determinam
o consumo |
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Frutas,
legumes e verduras são mais consumidos por mulheres que por
homens. A partir desse dado, a nutricionista Iramaia Campos Ribeiro
Figueiredo avaliou, em seu mestrado pela Faculdade de Saúde
Pública (FSP) da USP, os fatores que determinam esse consumo
para cada um dos sexos.
Segundo a pesquisadora, está comprovado que o consumo desses
alimentos reduz a incidência de doenças crônicas
não transmissíveis (DCNT), como hipertensão,
diabetes e alguns tipos de câncer. "Conhecer esses fatores
é importante para criar políticas públicas de
incentivo ao consumo e de promoção de saúde."
A nutricionista entrevistou 2.122 pessoas (855 homens e 1.267 mulheres)
com 18 anos ou mais residentes no município de São Paulo
por intermédio do projeto piloto de um sistema de monitoramento
via telefone de fatores de risco nutricionais para DCNTs. Criado pelo
Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição
e Saúde (Nupens) da USP, esse sistema (batizado de Vigitel)
já está sendo implementado no País pela Secretaria
da Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde
.
Das 98 perguntas que compunham o questionário, Iramaia selecionou
aquelas que se relacionavam com o tema de seu estudo. A nutricionista
conta que um diferencial dessa pesquisa está na alternativa
utilizada para conhecer o nível sócio-econômico.
"Numa entrevista como esta, principalmente por telefone, dificilmente
as pessoas informam sua renda. Conhecendo a densidade do domicílio
(número de moradores dividido pelo de cômodos da residência)
é possível ter uma informação equivalente",
explica.
Fatores determinantes
Com os dados coletados, a pesquisadora realizou, primeiramente, uma
análise descritiva. Dela, Iramaia verificou que a freqüência
de consumo é diferente entre os sexos: as mulheres consomem
mais que os homens. Num segundo momento, a nutricionista fez uma análise
estatística para cada um dos sexos (já que a freqüência
não é a mesma) a fim de identificar os fatores que determinam
o consumo.
Tanto para homens quanto para mulheres, o consumo de frutas, verduras
e legumes mostrou-se associado a maior idade e escolaridade; a menor
densidade do domicílio; à prática de atividade
física no lazer (ou seja, caminhar ou andar de bicicleta para
ir ao trabalho não conta); à realização
de dieta no último ano; ao consumo não usual (pelo menos
uma vez por semana) de frituras, açúcares e carne vermelha
com gordura; e ao consumo de peixe.
No caso específico das mulheres, ser ou já ter sido
casada foi diretamente associado ao consumo. Não fumar e não
consumir usualmente manteiga, margarina, leite integral e embutidos
(como presunto, salame, empanados) também estão relacionados.
Para os homens, esse tipo de alimentação também
se mostrou ligada ao hábito de não trocar as refeições
por lanches e de não consumir usualmente refrigerante e feijão.
"O fato de o consumo de feijão não estar associado
ao de frutas, verduras e legumes indica que o grão faz parte
das refeições dos homens apenas pelo hábito e
não pela preocupação com a qualidade da alimentação",
justifica a nutricionista.
Iramaia defenderá sua dissertação no dia 14 de
agosto, na FSP.
Com informações da Assessoria de Comunicação da Faculdade de Saúde
Pública da USP
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