ISSN 2359-5191

03/07/2014 - Ano: 47 - Edição Nº: 35 - Saúde - Instituto de Ciências Biomédicas
Hipotermia em casos de choque séptico pode ser fundamental para sobrevivência
Estudo questiona o tratamento covencional, que consistia em aquecer imediatamente os pacientes
Temperaturas corporais abaixo de 35,5ºC constituem quadro de hipotermia (Imagem: Wikipedia)

Testes realizados em ratos sugerem que aquecer pacientes em quadro de sepse (inflamação sistêmica associada ou decorrente de uma infecção) que apresentam temperatura corporal menor que 35,5ºC (hipotermia) pode não ser o melhor tratamento. As conclusões do estudo foram apresentadas em uma palestra realizada no Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP e publicadas no Journal of Physiology.

Em 90% dos casos de sepse ocorre febre, que é uma resposta do organismo à infecção. No entanto, uma parcela dos pacientes apresenta comportamento oposto: hipotermia. Como a estes casos está associado um maior índice de óbito, assumia-se que hipotermia é uma resposta ruim. Porém, isso não necessariamente é verdade. “Se a hipotermia ocorre nos casos mais graves de sepse, nos quais há maior incidência associação com hipotensão (choque séptico), a letalidade será mesmo maior”, propõem Alexandre Steiner, responsável pela pesquisa.

Na sepse, o paciente apresenta uma queda na entrega de oxigênio aos tecidos que prejudica o funcionamento do organismo (hipóxia). Assim, acredita-se que a hipotermia ocorre porque os órgãos estão falhando e o paciente está morrendo. “Nos EUA eu nunca pude ter acesso às curvas de temperatura destes pacientes, porque a prática é esquentar imediatamente o paciente. Então não se sabe o curso da hipotermia neles” conta Steiner.

No Brasil a prática é diferente e Steiner pode observar os dados. “Nota-se que o paciente entra em hipotermia e depois sai, sugerindo um processo regulado. Então, não necessariamente este paciente está tendo hipotermia devido a falência de órgãos e sistemas”.

A partir desta observação, o grupo de Steiner iniciou testes em ratos para estudar melhor a hipotermia. Para isso, era importante que o animal não estivesse anestesiado, para que não perdesse a capacidade de regular a temperatura corporal. Eles eram colocados em ambientes com temperaturas controladas e induzía-se a sepse injetando-lhes um constituinte da parede celular de certas bactérias: o lipopolissacarídeo bacteriano (LPS) ou a própria bactéria em si.

Os animais, então, eram colocados um em gradiente térmico, no qual a temperatura varia de forma regular e linear. Quando a dose de LPS era baixa, o animal seleciona um meio mais quente e desenvolvia febre. Quando a dose era alta, ele seleciona um meio mais frio e desenvolvia hipotermia.“Foi constatado que tanto a febre quanto a hiportemia são respostas naturais, dependendo da gravidade da infeção” afirma o pesquisador.

“Killer experiment”

Na etapa seguinte da pesquisa, foi estudado mais a fundo a hipotermia em casos de sepse. O grupo do professor Steiner conseguiu induzir a hipóxia e a hipotermia nos camundongos. Se a hipotermia fosse intensificada, a hipóxia teria contribuído para com ela, confirmando a ideia de que a hipotermia ocorria devido à falência múltipla dos órgãos devido à falta de oxigênio. Porém, isso não ocorreu.

Medindo, então, a entrega e a demanda de oxigênio, ficou claro que, em casos de febre, a demanda de oxigênio aumenta e a entrega cai, gerando desequilíbrio. Porém, nos casos de hipotermia, a demanda por oxigênio caiu junto com a entrega. Concluiu-se, então, que em ratos, neste modelo de sepse, a resposa hipoérmica é fundamental para proteger contra a hipóxia, pois ela ajuda a equilibrar a oferta e entrega de oxigênio.

“Animais com choque séptico, aparantemente, pioram de estado ao serem aquecidos. Por inferência, estes resultados justificam estudos clínicos para verificar o mérito da questão em humanos” pontua  o pesquisador.

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