ISSN 2359-5191

23/04/2008 - Ano: 41 - Edição N¬ļ: 23 - Educação - Escola de Engenharia de S√£o Carlos
Inclus√£o digital serve para ‚??mandar e-mail e namorar‚?Ě

S√£o Paulo (AUN - USP) - Os computadores adquiridos principalmente pelas escolas p√ļblicas do Brasil com o intuito de incluir a popula√ß√£o mais carente a meios digitais como Internet e outros exemplos multim√≠dia acabam com uma finalidade diferente daquela inicial: mandar e-mail e namorar. A afirma√ß√£o √© do professor Eduardo do Valle Sim√Ķes, da Escola de Engenharia de S√£o Carlos da Universidade de S√£o Paulo (EESC-USP).

De acordo com sua opini√£o, ‚??os professores t√™m medo que a m√°quina tire seus lugares de ensino‚?Ě; deste modo, os computadores das escolas n√£o s√£o utilizados na sua m√°xima pot√™ncia, reduzindo seu valor a miudezas do cotidiano, n√£o acrescentando em nada na metodologia do ensino p√ļblico. Em muitos casos, inclusive, o pr√≥prio professor tem conhecimento insuficiente para o uso pedag√≥gico das redes digitais.

Por morar em S√£o Carlos, Sim√Ķes sabe da situa√ß√£o perif√©rica da tecnologia na metodologia de ensino das escolas p√ļblicas da cidade, entretanto, fala em tom generalizante da insufici√™ncia de inser√ß√£o dos computadores na rede p√ļblica do pa√≠s. Eduardo Sim√Ķes critica a inclus√£o digital, que √© falha, em detrimento da inclus√£o tecnol√≥gica. Essa, por sua vez, traria √† frente do aluno a m√°quina com sua funcionalidade, como rob√ī multifacetado e pass√≠vel de in√ļmeros usos em prol do ser humano. √? necess√°rio, portanto, trazer a m√°quina √† educa√ß√£o de forma a desmistific√°-la, transform√°-la em objeto funcional do homem. Sim√Ķes diz que √© indispens√°vel um ensino da m√°quina como instrumento para a produ√ß√£o humana e ensinar o b√°sico de sua funcionalidade ao aluno.

Trata-se de uma questão de dominar ou ser dominado. Caso o aluno apenas seja ensinado pelos meios digitais, sua relação com a máquina será de afastamento, ambos estariam em patamares distintos. De outra forma, o ensino da máquina cria uma relação de dominação por parte do aluno. Sabendo domar a máquina hoje, a criança não será um analfabeto tecnológico no futuro e poderá entrar no mercado de trabalho sem temer ser refreado pela eficiência do aparelho; ele será seu domador.

Ainda sobre essa quest√£o, Eduardo Sim√Ķes mostra a urg√™ncia da inclus√£o tecnol√≥gica: ‚??uma crian√ßa que n√£o sabe mexer em rob√ī hoje, cortar√° cana amanh√£ e seu filho, se n√£o souber mexer em rob√īs tamb√©m, n√£o ter√° onde trabalhar, porque o rob√ī passar√° a cortar a cana por ele‚?Ě. Uma vez familiarizado com o rob√ī, contudo, √© inevit√°vel que o processo seja inverso.

O que para ele √© de mais importante √© a uni√£o da metodologia de ensino √† tecnologia produzida nas universidades. ‚??Um rob√ī √© uma aula de f√≠sica ambulante‚?Ě, √© preciso saber aproveitar essa potencialidade educativa dos rob√īs para conseguir traduzi-la em conhecimento para as escolas p√ļblicas.

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