ISSN 2359-5191

14/11/2008 - Ano: 41 - Edição Nº: 125 - Sociedade - Escola de Comunicações e Artes
Jornalismo custa a achar o seu novo papel na sociedade

São Paulo (AUN - USP) -A sociedade atual, caracterizada por uma crescente organização dos movimentos sociais organizados e pelo aprimoramento da democracia, dá um novo papel ao jornalismo, que ainda custa a encontrá-lo. Esta é a opinião do ex-professor da Escola de Comunicações e Artes e jornalista Manuel Carlos Chaparro. Ele participou do debate ??Jornalismo e Sociedade? da Semana de Jornalismo da USP, realizada por estudantes do curso. Também participaram da mesa o jornalista do Projeto Repórter Brasil, Maurício Hashizume, e o também ex-professor da ECA e coordenador da Oboré, Sérgio Gomes.

Chaparro começou a sua apresentação com uma crítica ao jornalismo engajado, explicando a sua visão sobre a função do repórter atual. Para ele, mais importante do que ??engajar nas lutas?, está a função dos jornalistas enquanto ??narradores, que não devem se furtar da defesa dos valores da sociedade?. Estas são constituídas de um conjunto dinâmico, em contínua mudança e ressignificação, conduzidas pela própria sociedade, mas que são expressas em sua essência pela Constituição de 1988, que restitui as instituições democráticas no país. A Carta Magna deve ser o maior guia de valores para o jornalismo, acredita o ex-professor.

Neste novo cenário, ele aponta uma sensível diferença entre o Brasil atual e o de tempos atrás: ??Hoje, temos uma sociedade em que a democracia participativa é ainda mais importante do que a representativa. Há, nesta democracia, ONGs, cooperativas, movimentos sociais diversos que reivindicam as suas causas. ? a expressão de uma sociedade nova?.

Para ele, esta nova configuração do país deixou o jornalismo em crise. ??[Antigamente], o jornalismo substituía a sociedade como aquele que pautava os grandes assuntos nacionais?. O professor defende que o jornalismo deve encontrar e cumprir o seu papel novo: socializar os discursos daqueles que lutam de maneira organizada.

Jornalismo de hoje é melhor
Chaparro também comparou a atividade jornalística de 40 anos atrás com os dias atuais. ??Antigamente, havia, sim, grandes e ótimas reportagens, mas que não mudavam nada. E ainda por cima eram compradas?.

Outro episódio mencionado pelo ex-professor ocorreu nos primeiros dias em que ele assumiu o cargo de assessor de comunicação da Sudene, em 1964. ??Na primeira semana, fui encostado na parede pelos jornalistas credenciados com a seguinte pergunta: quanto vamos ganhar? Pela independência e liberdade, os jornalistas de hoje noticiam mais e melhor?.

Leia também...
Nesta Edição
Destaques

Educação básica é alvo de livros organizados por pesquisadores uspianos

Pesquisa testa software que melhora habilidades fundamentais para o bom desempenho escolar

Pesquisa avalia influência de supermercados na compra de alimentos ultraprocessados

Edições Anteriores
Agência Universitária de Notícias

ISSN 2359-5191

Universidade de São Paulo
Vice-Reitor: Vahan Agopyan
Escola de Comunicações e Artes
Departamento de Jornalismo e Editoração
Chefe Suplente: Ciro Marcondes Filho
Professores Responsáveis
Repórteres
Alunos do curso de Jornalismo da ECA/USP
Editora de Conteúdo
Web Designer
Contato: aun@usp.br