ISSN 2359-5191

26/07/2009 - Ano: 42 - Edição Nº: 58 - Sociedade - Centro Universitário Maria Antônia
Professora da Universidade de Ohio defende Cultura visual e crítica no ensino de Arte Educação

São Paulo (AUN - USP) - A arte educação, apesar de obrigatória no currículo escolar, tem pouquíssimo prestígio na prática e é considerada, na maioria das vezes, apenas como um coadjuvante no ensino. Patricia Stuhr, chefe do departamento de arte educação da Ohio University, o mais importante dos Estados Unidos, discorda totalmente desta visão e situa a arte como instrumento de formação de uma nova geração mais crítica e mais preocupada com os problemas da atualidade. Através da discussão de mudanças no currículo que deve ser ministrado pelos arte-educadores, a professora tratou do papel da cultura visual no cotidiano e de como o conteúdo transmitido deve estar atrelado à realidade atual.

A cultura visual passa a fazer parte da vida das crianças cada vez mais cedo. Nos Estados Unidos, inclusive, já existem grupos de marketing especializados em testar a preferência de consumo de crianças menores de três anos. Esse tipo de realidade, segundo a professora, não deve ser desprezada pela arte educação. Elementos como a publicidade, o design de casas e produtos, a televisão e outros tipos de performance devem integrar o ensino, juntamente com as chamadas belas artes, pois tudo isso compõe a chamada cultura visual.

Por isso, a professora propõe novas bases para o ensino da arte educação, que são resultado de um estudo de cinco anos, realizado com outros professores e de seus 40 de experiência. Stuhr insiste, primeiramente, que os temas abordados nas salas de aula sejam contemporâneos e situados dentro da realidade infantil. Ela cita como exemplo de currículo que deve ser abordado em classe um conjunto de aulas sobre violência, de acordo com a metodologia de planejamento de aula apresentada durante sua fala. Para tratar de uma temática tão forte, a professora utiliza o ponto mais próximo possível das crianças: a violência nas escolas.

Esse tema é muito pertinente, principalmente dentro dos Estados Unidos, que possui um longo histórico de crianças que levam armas para dentro da escola e matam professores e colegas. Neste exemplo, a temática é abordada através de capas da Revista Time e de brinquedos, que são elementos rotineiros do universo infantil, como soldadinhos de guerra e a até a Barbie. ? através deles que a discussão a respeito da violência se desenrola, concomitantemente à análise e também produção artística por parte dos alunos. Utilizando as capas de revista, é possível tratar do conteúdo de história da arte, por exemplo, ao mesmo tempo em que a relação da arte com a atualidade é mostrada.

Segundo a professora, apenas se a arte for situada dentro do cotidiano das crianças, é que a crítica e a reflexão poderão se desenvolver. Desse modo, o ensino da arte poderá conduzir as crianças a entender melhor não apenas o seu próprio mundo, mas compreender melhor o ser humano em si. Por isso, os métodos de abordagem e os temas tratados devem, prioritariamente, considerar o que é importante que as crianças aprendam para tornar suas vidas mais significativas.

Patricia Sturh expôs suas idéias em uma palestra realizada no Centro Universitário Maria Antonia, da USP. A palestra serviu como teaser de um curso de Arte Educação que será oferecido pela instituição. Para mais informações: www.usp.br/mariantonia.

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