ISSN 2359-5191

08/12/2009 - Ano: 42 - Edição Nº: 95 - Economia e Poltica - Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade
Taxa de desconto na metodologia econômica é alvo de análise

São Paulo (AUN - USP) - Uma análise do pensamento econômico em diferentes épocas foi o método para explicar as diferentes concepções que a taxa de desconto em decisões intertemporais apresentou. As opiniões sobre a taxa passaram desde eticamente inaceitável, como foi chamada nos idos anos 20 por alguns intelectuais de economia. Até chegar nos dias de hoje, quando a taxa de desconto se faz um aparato técnico indispensável para a economia.

A partir desta análise e das mudanças, Pedro Duarte, professor de economia da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP busca explicar um dos pontos do aumento da matematização da economia nas últimas décadas. Mesmo hoje a utilização da taxa de desconto não é unanimidade dentre os economistas, algumas vertentes e pensadores ainda acreditam que esta ferramenta técnica não deve ser utilizada do modo como é hoje. Alguns deles ainda defendem que ela é eticamente inaceitável, tais quais alguns dos antigos pesquisadores.

Nos anos 20, em Cambridge, era tradicional que a taxa de desconto não fosse utilizada. Entre os motivos para a sua não utilização, um dos professores da época, Arthur Cecil Pigou, defendia que ela fosse eticamente inaceitável. O seu uso consistiria em priorizar uma geração em detrimento da outra. Uma vez que somos pessoas, não existiria a possibilidade de que a geração atual fosse priorizada, sendo assim eticamente inaceitável para o professor e outros pensadores da época.

Apenas um aluno de Pigou, Frank Ramsey, utilizava a taxa de desconto, confusamente com seu discurso de apoio ao problema ético da utilização da taxa. Para Ramsey, a taxa poderia ser utilizada desde que fosse para fins individuais e não sociais como de costume.

No entanto, passando pelos anos de 20 a 40, o olhar e os conceitos sobre o uso da taxa de desconto começaram a mudar. Pouco antes da crise de recessão de 1929, o matemático, Ross, utilizava a taxa de desconto em cálculos de maximização de lucros para firmas. O matemático explicava que o fato de uma firma estar aguardando, não deixa de ser um gasto para a firma, com isso, nada faria mais sentido do que um desconto nesta maximização de lucro. Com isso, a taxa de desconto passou a ser utilizada por alguns matemáticos e economistas durante estas décadas.

Hoje, a taxa de desconto se faz indispensável tecnicamente dentro do universo econômico, apesar de algumas alternativas possíveis a serem utilizadas, é o uso da taxa de desconto que predomina. Entre fatores que fizeram com que a taxa de desconto assumisse este papel tão importante, o professor Duarte apresenta a axiomatização de preferências temporais.

Ele diz que durante esse caminho, foram aparecendo possibilidades de avanço pelo campo da economia. Os escolhidos vieram guiando a sua metodologia para este ponto. Com isso dois pontos são apresentados, tanto a utilização da taxa de desconto, quanto o aumento de matematização dos métodos econômicos nas últimas décadas.

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