ISSN 2359-5191

17/12/2009 - Ano: 42 - Edição Nº: 98 - Economia e Poltica - Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas
Para historiador inglês crise econômica não abalou hegemonia americana

São Paulo (AUN - USP) - Perry Anderson, historiador inglês, falou que devido à falta de adversários na atual configuração política mundial a crise econômica não significou um abalo para o poder dos Estados Unidos. Segundo Perry, mesmo na China, que desponta como potência econômica, a dependência dos títulos e do poder de compra dos EUA assegura a hegemonia americana.

Em debate realizado no auditório da Casa de Cultura Japonesa da USP, o inglês apontou três grandes poderes hegemônicos na história. A Holanda no século 18, a Inglaterra no século 19, e os EUA no século 20. Para ele, o grande fator de permanência do poder americano é o fim da ideologia, a doutrina capitalista consolidada permite que ela se molde nos mais diversos locais, ela se globaliza sem necessariamente guerrear para expandir. Com o fim da Guerra Fria, as ações militares se deslocaram para campos isolados, os inimigos não são mais anti-capitalistas e sim estados rebeldes, que enfrentam sem colocar em cheque a ideologia dominante.

Anderson colocou que existe hoje uma pentarquia que conduz as ações globais no enfrentamento da crise, sendo ela formada pela Comunidade Européia, Japão, Rússia, China, e os Estado Unidos. A grande diversidade entre os estados é superável, pois todos atuam para manter uma certa ordem mundial. Mesmo a China e a Rússia que resistem ao regime liberal no campo da política vivem o mesmo ambiente econômico.

Sobre os países emergentes, Perry Anderson diz haver três motivos para que Brasil e Índia permaneçam marginalizados da pentarquia. Primeiro, por nesses países existirem classes muito desfavorecidas, e um Estado democrático, ao contrário da China e da Rússia, não consegue ignorar as pressões populares. O segundo ponto é a predominância de um mercado doméstico, ponto que foi positivo frente à crise, pois Brasil e Índia resistiram melhor que as grandes potências. Por último, os dois países são ainda fracos no âmbito militar. O tratado de não proliferação de armas nucleares assinado pela Índia e a falta de tecnologia nuclear desenvolvida no Brasil afastam os países das grandes decisões mundiais.

O professor terminou apontando o desmoronamento do neoliberalismo, que só se mantém devido à falta de alternativas. Segundo ele, a doutrina capitalista, que se apresenta hoje, como a única possível, tem uma força capaz de inverter valores, demonstrada no fato de Barack Obama ganhar o prêmio de Nobel da Paz, enquanto nem mesmo foi capaz de parar a guerra no Iraque.

Leia também...
Nesta Edição
Destaques

Educação básica é alvo de livros organizados por pesquisadores uspianos

Pesquisa testa software que melhora habilidades fundamentais para o bom desempenho escolar

Pesquisa avalia influência de supermercados na compra de alimentos ultraprocessados

Edições Anteriores
Agência Universitária de Notícias

ISSN 2359-5191

Universidade de São Paulo
Vice-Reitor: Vahan Agopyan
Escola de Comunicações e Artes
Departamento de Jornalismo e Editoração
Chefe Suplente: Ciro Marcondes Filho
Professores Responsáveis
Repórteres
Alunos do curso de Jornalismo da ECA/USP
Editora de Conteúdo
Web Designer
Contato: aun@usp.br