ISSN 2359-5191

18/05/2010 - Ano: 43 - Edição Nº: 15 - Sociedade - Paço das Artes
Diálogo entre artistas é foco de exposição e mesa redonda no Paço das Artes

São Paulo (AUN - USP) - Seguindo sua proposta de servir como espaço de experimentação e oferecer oportunidades para artistas emergentes, o Paço das Artes lançou este ano o projeto Zonas de Contato. A iniciativa propõe que um artista experiente convide outro, mais jovem, para uma exposição em conjunto, promovendo o diálogo entre os trabalhos. A primeira edição do projeto apresentou obras de Paulo Climachauska e Rafael Carneiro, que, juntamente com o psicanalista Tales Ab??Saber, discutiram a experiência em mesa redonda no Paço.

Na exposição, Paulo, que desde 1991 é presença constante em mostras nacionais e internacionais, apresentou um conjunto de quatro pinturas e 16 desenhos denominado ??Rota da Seda?. O aparente contraste com a pintura de grandes dimensões de Rafael, artista plástico formado pela Escola de Comunicações e Artes da USP em 2006, esconde as estratégias comuns aos dois trabalhos. Paulo conta que escolheu expor com Rafael ao conhecer seu trabalho no Centro Cultural São Paulo: ??percebi que tínhamos pontos de fuga em comum?, explica. Rafael aponta esta proximidade na proposta teórica dos dois artistas: ambos partem do esvaziamento, isto é, da desconstrução de formas que já existem em busca de uma nova significação.

No caso de Paulo, este procedimento se dá na própria construção da obra. O artista se apropria de imagens de locais destruídos por guerras na região do Oriente Médio, reconstruindo-as não com linhas contínuas, mas com contas de subtração. ??Sou formado em História e, por isso, sempre desconfiei da história?, diz ele; assim, a questão central de seu trabalho é opor-se à lógica linear do capital, do acúmulo, da soma, invertendo o processo de construção. Suas obras servem como um alerta: a região retratada foi escolhida não apenas pela conjuntura política atual complicada, mas por ser há décadas uma zona quase permanente de conflito.

Para Tales, a pintura de Paulo é uma tentativa de formular uma hipótese sobre a história na forma de imagens, procurando lidar com questões do desenvolvimento capitalista: ??singelo, sintético, às vezes irônico, às vezes forte, [o trabalho de Paulo] parece ser uma metáfora de questões que estão em jogo desde a década de 80 e ainda permanecem sem resposta. Paulo evoca todas essas questões quando desenha seus projetos modernos, mas desconstruídos, porque embora tenha planos e cores contínuas, a forma é construída com continhas nas quais o artista insiste, e é a gente que decide se acredita na importância desse gesto ou não?, completa. A partir deste procedimento, o artista procura reconstruir um ??fantasma da história?, denunciando um mundo desconexo, sem orientação.

Tales destaca ainda que o procedimento de Paulo baseia-se na ??máxima expressão com mínimo gesto?: o uso de linhas puras e apenas duas cores dá a aparência de não-trabalho, o que, para o psicanalista, não deixa de ser uma crítica à lógica capitalista. O essencial é a ??obsessiva conta que não conta, que fecha sempre no nada?. Já a obra de Rafael é obsessiva de outro modo: é trabalhosa, detalhada, uma ??imagem hiper-realista do vazio de um objeto sem sentido?, como define Tales. Assim, através de técnicas e estéticas muito diferentes, ambos abordam de alguma forma a questão da ideologia, do vazio e, em última análise, do terror.

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