ISSN 2359-5191

12/04/2011 - Ano: 44 - Edição Nº: 10 - Educação - Escola de Comunicações e Artes
Estudo analisa relação entre os grandes portais brasileiros e o jornalismo colaborativo

São Paulo (AUN - USP) - O jornalismo colaborativo considera todos os cidadãos como repórteres em potencial que podem contribuir para o conteúdo formado nas grandes mídias. Analisar como esse tipo de jornalismo vem sendo utilizado pelos grandes portais online no Brasil e comparar essa relação com a que ocorre em outros países foi o tema da tese de mestrado defendida em 2010 por Francisco Bennatti Madureira na Escola de Comunicações e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo.

Internacionalmente, a tese aponta como ??ícone? do jornalismo colaborativo um jornal sul coreano online chamado Ohmynews. Para enviar uma matéria para esse site, não é preciso ser jornalista, mas responder uma ficha detalhada de cadastro. Após o envio, o conteúdo será checado pelos redatores, antes de ser publicado. Apesar de financeiramente ter sido atingido pela crise na área de publicidade e mídia em 2009, o site contava nesse ano com 70 mil colaboradores que forneciam notícias regionais diariamente.

Como um desafio à implantação de um site como o Ohmynews no Brasil está o acesso a internet. Na Coréia do Sul, em 2007, 60% dos cidadãos possuíam acesso a rede. Em 2009, no Brasil, apenas 32,6% da população possuía acesso. Sendo assim, apesar dos portais online serem os grandes detentores de audiência nessa plataforma, a força que eles exercem sob a população como um todo ainda não é suficiente para gerar um movimento colaborativo como ocorreu no Ohmynews.

Os portais Minha Notícia (IG), VC no G1 (Globo.com) e o VC Repórter (Terra) foram estudados pela pesquisa para descobrir ??como ocorre a participação, a colaboração e o diálogo nestes noticiários colaborativos e qual a aderência dos grandes portais ao conceito de jornalismo colaborativo, que prevê a emergência de conteúdos a partir do público, subvertendo o sentido clássico da comunicação emissor-receptor?, explica Madureira.

O site Minha Notícia (IG) foi excluído da pesquisa, pois foi constatado pelo pesquisador que não havia checagem do material publicado ali, sendo que muitas matérias estavam sem fontes ou eram cópias de material já produzido em outros veículos.

Dos dois portais restantes foram analisadas 165 notícias. Esses textos, produzidos pelos usuários desses portais, foram submetidos a um questionário que visava identificar o nível de hiperlocalismo presente, os critérios de noticiabilidade, se o cidadão que enviou a matéria apenas produziu um relato sobre um acontecimento, ou se foi atrás de outras fontes e produziu uma notícia. Além disso, o estudo verificou se as matérias eram meras cópias das produzidas em outros meios de comunicação ou frutos de releases de empresas, e portanto, se tinham algum fim comercial. Esse último critério foi o que acabou por excluir o Minha Notícia (IG).

Os resultados obtidos foram: das 165 notícias analisadas, 105 tratavam de cidade/cotidiano, 41 de cultura e entretenimento e em terceiro lugar aparece a editoria de esportes. As outras editorias juntas representam menos de 10% da amostragem.

Entre os critérios de noticiabilidade avaliados, em primeiro lugar ficou a atualidade presente em 146 matérias e, em segundo, a proximidade, presente em 130 delas, mostrando que ??os cidadãos-repórteres registravam acontecimentos que de alguma forma flagravam em seu dia-a-dia, fossem acidentes, shows, flagrantes de variações climáticas e suas conseqüências.?

Em 90% das matérias analisadas ocorreu o fenômeno do hiperlocalismo. Esse fenômeno ocorre quando o repórter noticia algo da sua localidade e que tem a ver com a realidade em que vive. Como, por exemplo, noticiar a presença de buracos em uma calçada específica, que é um problema relevante, primeiramente, só para quem habita essa região.

O estudo conclui que os cidadãos que enviam o conteúdo para esses portais ainda não tem a participação ativa como repórteres. Apenas 43% das matérias apresentavam algo além do mero relato. Porém as fontes citadas nesses casos não necessariamente foram contatadas pelo cidadão-repórter. Elas podem ter sido acrescentadas pela redação do portal, como ocorre no VC Repórter. Em 57% dos textos há apenas um mero flagrante da realidade.

O estudo conclui que o cidadão-pauteiro, aquele que registra um mero flagrante e que terá seu material produzido aprofundado posteriormente por uma redação de jornalistas como ocorre no VC Repórter, é muito mais presente do que o chamado cidadão repórter, que faz o verdadeiro jornalismo colaborativo, contribuindo autonomamente com as entrevistas de fontes e checagem dos dados.

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