ISSN 2359-5191

16/01/2012 - Ano: 45 - Edição Nº: 01 - Educação - Faculdade de Medicina
Professor defende música como instrumento no ensino de medicina

São Paulo (AUN - USP) - ??A música funciona como um facilitador na comunicação entre aluno e professor?, afirma o médico Marco Aurélio Janaudis, autor de ??A música como instrumento de reflexão para o estudante de Medicina?, tese de doutorado defendida na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Ele acredita que as canções podem ser um recurso a mais para que os estudantes do curso de medicina possam pensar e chegar às suas conclusões sobre temas como a humanização da área e a relação médico-paciente.

De acordo com Marco Aurélio, quando assuntos presentes no dia a dia dos médicos - como dúvida, compaixão, relacionamentos, alegria e tristeza - são abordados em sala de aula, é preciso ter ferramentas para despertar o interesse dos alunos e facilitar a compreensão dos temas. ??Os alunos sentem falta de discutir esses assuntos, de isso estar presente no seio do curso e não apenas em momentos dele?, diz.

O pesquisador aponta que os estudantes se surpreendem com o uso da música nas aulas, porque é algo diferente. Ao mesmo tempo, a música está muito presente na vida dos jovens, o que faz com que eles participem da aula. ??Depois de ouvir as músicas, eles sentiam mais liberdade para abordar os temas?, conta.

Segundo o médico, a música também fez com que sentimentos fossem colocados para fora dos alunos. ??Eles sentiam vontade de falar coisas pessoais, das suas famílias, das suas histórias e experiências?, afirma. Por isso, o professor acredita que a música pode estar presente em qualquer disciplina do curso de medicina e que isso depende da sensibilidade e criatividade do docente. ??O fim de qualquer matéria na faculdade é o paciente, o ser humano?, conclui.

Humanização
Para Marco Aurélio, a humanização é um dos pontos-chave de sua pesquisa. Ele explica que, historicamente, o paciente foi sendo cada vez mais dividido em pedaços para ser melhor estudado, o que teve sua importância e propiciou um enorme desenvolvimento na área médica. Porém, isso também fez com que muitos médicos passassem a olhar os pacientes de forma não humanizada, focando nos órgãos com problemas e não nos pacientes enquanto seres humanos.

O pesquisador afirma que, hoje, é fundamental que os médicos comecem a juntar os pedaços de novo e que a música pode ser um eficiente e importante instrumento no ensino desse novo olhar. ??Vivemos um momento em que a medicina volta a falar do paciente como um todo?, diz. ??? preciso discutir isso com os alunos?.

Metodologia
Marco Aurélio explica que, em suas aulas, utiliza a letra impressa, enquanto toca a música para seus alunos. Ele não utiliza vídeos do Youtube, por exemplo, para não distraí-los com as imagens. Logo em seguida, os estudantes debatem sobre o que refletiram com a canção. ??Muitas vezes, a música está tocando e você canta o refrão sem nem prestar atenção na mensagem?, diz. ??Aqui temos a oportunidade de parar e ouvir o que a música quer dizer?.

Para o desenvolvimento de sua tese, ele optou pela abordagem qualitativa. O pesquisador expôs uma classe de alunos a uma de suas aulas com o uso da música e depois convidou 12 deles para serem entrevistados. As conversas foram gravadas e transcritas e, a partir desse material, o médico realizou uma análise do discurso dos estudantes.

O professor conta que o principal motivo na escolha de sua pesquisa para o doutorado foi o interesse que sempre teve por música. ??Sempre ouvi vários tipos de música?, afirma. Ele relata que usava trechos de letras para enfatizar algum ponto em e-mails trocados entre os médicos do departamento e que as pessoas começaram a respondê-lo da mesma forma. Nas aulas da faculdade de medicina, ele começou também a levar músicas que tivessem a ver com os temas que ia trabalhar, para que os alunos refletissem e formassem sua opinião. ??Eu já estava no doutorado e aí me sugeriram de fazer minha tese sobre esse tema?, conta.

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