ISSN 2359-5191

16/01/2012 - Ano: 45 - Edição Nº: 01 - Educação - Faculdade de Educação
Movimento estudantil deve procurar sua autonomia, defende pesquisadora

São Paulo (AUN - USP) - Para crescer e ganhar força, é indispensável que o movimento estudantil tente encontrar um lugar de discussão essencialmente dos estudantes, desvinculada de questões partidárias. Essa é a visão de Ana Karina Brenner, pesquisadora da Faculdade de Educação da USP, que investigou a experiência de jovens militantes nos partidos políticos. Porém, para isso, é necessário que também se reflita sobre a capacidade do movimento representar os estudantes, como esse objetivo pode ser melhor atingido e quais são suas pautas internas e externas.

O sentimento de não-representação é uma das maiores barreiras ao engajamento em quem está afastado da atuação política. Por isso, Ana Karina defende que os estudantes precisam definir fronteiras mais claras entre questões estudantis e ideológico-partidárias e, além disso, identificar quais são os momentos em que a discussão deve ??se abrir? ou ??se fechar? no âmbito da universidade. Desta forma, poderão achar suas intersecções e construir sua própria autonomia.

Com o processo de democratização da sociedade, a rigidez das posições ideológicas foi, de certa forma, diluída, o que as tornou mais similares ?? especialmente entre os partidos de esquerda, que têm maior presença no movimento estudantil. A pesquisadora diz que esta situação ajuda a inserção na vida política, uma vez que a maioria dos jovens não entra a um partido com uma posição ideológica já formada. ??Eles experimentam e se encontram. Assim, suas convicções vão se consolidando?, declara.

Em seus estudos, Ana Karina verificou que a grande maioria dos jovens entrevistados entrou para partidos políticos através do movimento estudantil universitário, embora muitos deles já tivessem ingressado durante o ensino médio. Na universidade, a vontade de atuar politicamente de forma mais intensa surge de questões específicas, como a questão da PM no campus da USP. Porém, essa vontade também pode aparecer por motivos mais particulares. ??Muitos estudantes se sentem perdidos em seu primeiro ano de faculdade. Acabam participando do centro acadêmico, ou se envolvendo em outras entidades de viés mais político. Gostam do grupo e entram para os partidos também?, diz.

No entanto, a pesquisadora entende também que o ingresso em partidos político passa por uma dinâmica de identificação. ??Existem várias outras formas de atuação política. Alguns jovens simplesmente não acreditam que o partido seja algo para si?, comenta. Para sustentar sua opinião, cita um dado curioso da pesquisa Juventude Brasileira e Democracia de 2004, coordenada pelas instituições Ibase e Pólis. Nela, foi constatado que a maioria dos jovens consultados acredita que a participação em partidos políticos ou organizações similares é a forma mais eficaz para resolver os problemas do país. Entretanto, a maioria dos entrevistados afirma que se enxerga mais facilmente engajada em ações voluntárias e grupos culturais ?? ou seja, em formas menos institucionalizadas e ??menos eficazes? ?? como acreditam ?? de ação política. A pesquisa também mostra que partidos são vistos como espaços pouco permeáveis à participação de jovens e mais suscetíveis a manipulações e corrupção.

Ana Karina conta que, dos jovens militantes que consultou, poucos desejavam seguir carreira política. ??A militância é um investimento de tempo, que impacta as relações familiares, afetivas?. Este pode ser um dos motivos pelos quais grande parte dos jovens decida não fazer da militância sua carreira. A maioria opta por conseguir empregos que possibilitem conciliar a vida política ativa sem, entretanto, comprometer a vida profissional.

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