ISSN 2359-5191

13/11/2002 - Ano: 35 - Edição Nº: 23 - Ciência e Tecnologia - Instituto de Ciências Biomédicas
Mosquitos transgênicos são testados no combate à malária e a dengue

São Paulo (AUN - USP) - Enquanto as vacinas contra a malária e a dengue não chegam, cientistas estão procurando outra alternativa de tratamento: curar os mosquitos transmissores e impedi-los de transmitir os microorganismos causadores das doenças para o corpo humano. Esse é o objetivo do estudo desenvolvido pela pesquisadora Margareth de Lara Capurro, do Instituto de Ciências Biomédicas da USP. O estudo, que conta com apoio da Fapesp, é inédito no Brasil.

Ela desenvolveu uma linhagem de mosquitos incapazes de transmitir uma forma da malária que ataca galinhas. Os insetos são geneticamente modificados para produzir uma enzima especial, que não mata o parasita, mas impede que ele passe para a glândula salivar do mosquito. ??Assim, bloqueamos a transmissão?, explica Margareth, que agora vai começar a trabalhar com microorganismos que afetam o homem.

A longo prazo, a meta de Capurro é criar um mosquito geneticamente modificado que seja capaz de passar o gene "anti-dengue" ou "anti-malária" para seus descendentes e disseminar-se no meio ambiente, ocupando o lugar do mosquito comum. No entanto, ela faz uma ressalva: "Soltá-los na natureza exige extensos estudos ambientais e de comportamento do inseto no meio", enfatiza.

Embora reconheça a existência de tabus e um certo temor em torno dos transgênicos, a pesquisadora garante que o risco de um transgene entrar no sangue humano seria pequeno. Isso porque os anticorpos que matam a bactéria não existem na saliva do mosquito, mas apenas na hemolinfa, o "sangue" dos insetos.

A elaboração dos novos genes que serão colocados nos insetos é o primeiro passo para a criação dos mosquitos geneticamente modificados. Obtidos os genes, é iniciada a fase da clonagem, na qual se dará a multiplicação das moléculas. Posteriormente, coloca-se os genes nos mosquitos, e então o comportamento deles é observado, para que seja comprovada a ineficiência deles em transmitir a doença. A implantação dos genes não impedirá que os mosquitos carreguem os microorganismos causadores dos males, mas impossibilitará que eles penetrem no corpo humano por meio da saliva do inseto.

"Procuramos sempre trabalhar com diferentes linhagens transgênicas, com uns cinco tipos de genes. Assim, a chance de o meio selecionar os mosquitos transgênicos resistentes que irão sobreviver é muito maior", explica a cientista.

A princípio, Capurro pretendia trabalhar apenas contra a malária. A dengue entrou no projeto porque oferece a promessa de resultados mais rápidos, uma vez que já existe uma técnica para se produzir o Aedes aegypti transgênico, criada nos EUA.

Para a malária, a pesquisa está em sua fase inicial. Ainda não se fabricou um anticorpo que ataque o Plasmodium vivax e o Plasmodium falciparum, os protozoários da malária humana. "Em ciência, todo o processo é lento. Para se ter uma idéia, demoramos cerca de dez anos para formular a metodologia para produzir mosquitos transgênicos", ressalta.

No entanto, para a pesquisadora, a demora dos resultados não deve desanimar a comunidade científica envolvida na busca de uma solução para a malária, que chega a matar cerca de 2,5 milhões de pessoas por ano no mundo.

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