ISSN 2359-5191

01/03/2016 - Ano: 49 - Edição Nº: 23 - Economia e Poltica - Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas
Núcleo de Estudos da Violência da USP busca criação de uma cultura dos direitos humanos
Fonte: Reprodução internet

O Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (USP) nasceu de uma demanda da Universidade pelo entendimento de uma situação aparentemente contraditória nos seus valores – a continuidade de certos tipos de violência ao longo do período de consolidação da nova democracia brasileira, em seguida ao término do período da ditadura militar.  

De acordo com o professor Vitor Blotta, um dos pesquisadores do Núcleo, sua fundação ocorreu em 1987, e seus primeiros estudos realizados foram sobre a violência policial, institucional, que ocorria no país, como que em uma continuidade do autoritarismo do período ditatorial, apesar da transição democrática. “Deu-se uma verdadeira explosão de violência no país justamente nas décadas de 1980 e 1990”, diz Blotta. A incompreensão desse fenômeno leva muitos até a questionar se a ditadura teria sido um período mais seguro; é fundamental entender a formação dessa cultura de violência por meio de estudos como o do Núcleo para evitar comparações simplistas.

Na década de 1990, os estudos do Núcleo começaram a se voltar também para a violência como ocorria na sociedade civil, nas relações interpessoais: violência doméstica, linchamentos, execuções sumárias. A pesquisa, que tem por base o monitoramento de dados, se utilizava principalmente da imprensa; o Estado não possuía registros confiáveis, e a maior parte das instituições que hoje fazem esse tipo de trabalho são derivadas do próprio Núcleo de Estudos da Violência da USP. O aumento desses tipos de violência indica que essa cultura não é apenas do Estado, mas da população, genericamente.  

Na primeira década do século XX, se inicia uma grande pesquisa, com auxílio da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), sobre a qualidade da democracia brasileira, e sobre as visões que a população tem a respeito dos direitos humanos. As pesquisas nas três décadas, mapeadas por regiões, faixas etárias, e período, demonstram a seletividade da justiça brasileira, assim como a seletividade do apoio às instituições.

O principal objetivo do Núcleo, atualmente, é fazer a divulgação desses estudos por meio de publicações, palestras e debates, visando demonstrar seus resultados e, por meio disso, criar uma cultura de direitos humanos em contraposição à cultura de violência brasileira atual. Para isso também busca, por meio de novos estudos, entender a relação dos jovens de hoje com a autoridade, em uma fase da vida de formação de valores. Essa conscientização pode ajudar o país a seguir o caminho que se buscava quando se reimplementou a democracia.

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