ISSN 2359-5191

23/06/2016 - Ano: 49 - Edição Nº: 82 - Economia e Poltica - Pró-Reitoria de Pesquisa
Firmas de um mesmo setor podem ter resultados diferentes
Assentamento analisado por estudo da FEA apresenta famílias com perfis heterogêneos
Escala de produção também varia bastante dentro do assentamento./ Fonte: Neca Genari.

Pesquisa do Centro de Estudos das Organizações da Universidade de São Paulo (Cors) mostra, em confronto com a visão clássica, que pode haver diferença no desempenho de firmas dentro de um mesmo setor. Experimento comparou a situação de diferentes famílias e identificou resultados bastante diversos.


Feito em parceira com o pesquisador Nicolai Foss (Copenhagen Business School) e financiado pela FAPESP, o estudo tem como objeto de análise um assentamento em Itapeva (SP) formado no governo Franco Montoro, no final dos anos 80. Lá são plantadas diversas culturas como feijão, soja, milho, trigo (intercalado com a soja), aveia e ainda algumas verduras. Durante uma semana do último mês de maio, 12 alunos de mestrado e doutorado da FEA entrevistaram 125 assentados com objetivo de entender quais motivações levaram à existência de resultados diferentes depois de quase 30 anos.


De acordo com a Teoria de Racionalidade Completa, todos os indivíduos agiriam buscando acumular o máximo de capital. Contudo, esse assentamento mostra uma lacuna na visão clássica. “A motivação que vai levar a pessoas a agir não é só a econômica”, afirma Maria Sylvia Saes, coordenadora do Cors. Segundo ela, é necessário que se leve em conta outros fatores como as relações sociais (família, vizinhos, amigos) e as inclinações pessoais.


Tendo todas as famílias perfis sociais e educacionais bastante similares e recebido a mesma quantidade de terra, na teoria clássica, todas elas teriam que obter o mesmo resultado. No entanto, as entrevistas registraram perfis muito heterogêneos. Existem diversos caminhos que uma firma pode seguir, e esse assentamento apresenta alguns deles.


De acordo com Saes, existem basicamente quatro perfis diferente de assentados: os que arrendam terras vizinhas, os que atuam em cooperativa, os que cedem sua terra para firmas maiores arrendarem e os que seguem plantando em pequena escala. Nesse cenário, nem sempre o que está por trás da decisão da família é uma motivação econômica. Outra parcela ainda prefere produzir em cooperativa por conta do histórico forte de convívio social que acompanha um assentamento.


O fato de alguns terem um grau de escolaridade maior que outros, por exemplo, pode incliná-los a pensar no arrendamento como saída para um acúmulo maior de capital. “Tem produtores que possuem até mesmo seguro agrícola e contrato futuro”, aponta Saes. “A ideia é justamente identificar quais foram as motivações pessoais que levaram a tomadas de rumos diferentes”.


O projeto está em fase de tabulação dos dados colhidos nas entrevistas para que se possa fazer uma análise mais concreta. Entretanto, a pesquisadora acredita que o texto final deve acompanhar a tendência do Relatório do Banco Mundial de 2015. Isto é, mostrar que, mesmo havendo uma intenção governamental em concentrar esforços na distribuição de terras, uns terão resultado melhores que outros e isso é totalmente normal. É necessário que se compreenda as diversas motivações humanas como fator importante nesse processo.

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