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26/12/2008 - Ano: 41 - Edição Nº: 152 - Educação - Instituto de Psicologia
Psicologia lembra revólver de Annita nas comemorações de 50 anos

São Paulo (AUN - USP) - O curso de Psicologia da USP comemorou 50 anos de atividade, reunindo professores e alunos da sua primeira turma e do presente com um evento no auditório do Instituto de Psicologia (IP-USP). Incidentes como disputas com os médicos, armas na Congregação, mudanças de prédio e até uma figueira frondosa compõem o DNA do curso.

Aulas de ensino de Psicologia já existiam na Faculdade de Filosofia desde 1934, e na Faculdade de Pedagogia desde 1938, mas foram necessárias duas décadas e muita pressão de professores entusiastas da disciplina para que a USP criasse um curso próprio, em 1958.

Arrigo Angelini, professor da primeira turma e três vezes diretor do curso, lembrou que as maiores resistências eram opostas pelos médicos, que não admitiam o exercício da psicologia sem sua supervisão, e da Congregação da USP, arredia ao aumento de despesas que o novo curso poderia trazer.

Naquela época a capital do país era o Rio de Janeiro e não havia psicólogos profissionais liberais. O curso era dado em três anos e formava bacharéis em Psicologia, com a opção de um quarto ano de licenciatura. A regulamentação da profissão e do ensino veio em 1962, que definiu a grade curricular de cinco anos.

O curso começou a ser ministrado na antiga Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFCL), que abrigava grande parte dos cursos da USP. A criação do IP-USP e a mudança para o campus do Butantã ocorreram em 1970, após uma grande reforma na universidade, quando também foram criados o Instituto de Química, o Instituto de Física, o Instituto de Ciências Biomédicas e o Instituto de Matemática e Estatística.

Angelini recordou que a concepção do IP-USP foi igualmente cercada de muitas objeções. A votação no Conselho Universitário que definiria a criação de um instituto exclusivo para a Psicologia terminou empatada e teve que ser resolvida pelo voto de Minerva do então presidente, Eurípides Simões de Paula. “O instituto foi criado por 13 votos a 12, mas hoje tem reconhecimento nacional e internacional, pelos cursos que oferece, pesquisas que faz, publicações de seus professores e participações em congressos”, afirmou. O primeiro ano de aulas, segundo Maria Margarida de Carvalho, professora da primeira turma, foi dado sem nenhuma remuneração e dependia da iniciativa e entusiasmo dos professores que acreditavam na disciplina.

Maria Margarida trouxe à tona um episódio inusitado, protagonizado por Annita de Castilho e Marcondes Cabral, uma professora bastante respeitada da FFCL que tinha assento na Congregação. Na primeira reunião em que propôs a criação do curso de Psicologia na universidade, Annita foi ridicularizada pelo professor Cruz Costa, da Filosofia. Segundo Maria Margarida, Annita saiu furiosa da reunião, pois estava convicta de que só havia sido provocada daquela forma pois não era um homem, e alertou que da próxima vez responderia à altura. Nas semanas seguintes, circulou um boato de que Annita começara a ir armada às reuniões da Congregação. “Se ela ia ou não, ninguém soube, mas o medo era tanto que o professor Cruz Costa nunca mais gozou dela quando o curso foi novamente proposto. Parte do sucesso do curso de Psicologia ter sido aprovado na Congregação se deve ao revólver de Anita”, brincou.

Já no início da década de 60, o então ministro Darcy Ribeiro determinou a criação de um curso de Psicologia, nos moldes mais modernos possíveis, na Universidade de Brasília. Segundo Dora Fix Ventura, aluna da primeira turma do curso e hoje professora da IP-USP, a tarefa de desenhar a grade coube a muitos professores e ex-alunos da USP, mas acabou frustrada pelo golpe militar de 64.

Os atuais estudantes foram representados por Carina Guedes e Daniel Ávila, que lançaram a primeira edição da revista “Transformações em Psicologia”. O periódico divulgará artigos, resenhas e traduções de autoria dos estudantes. “Queremos contribuir para o resgate do ato de pesquisar como parte da formação”, afirmou Carina.

A figueira da Alameda Glete
Antes de ir para o campus, o curso de Psicologia foi ministrado por mais de uma década no palacete da Alameda Glete, onde ficavam alguns dos cursos da FFCL. O palacete havia sido construído no final do século XIX, com a riqueza do café, e pertenceu ao industrial Jorge Street antes de ser adquirido pela USP.

Em frente à construção havia uma figueira frondosa, conhecida pelos alunos, professores e funcionários como a “Figueira da Glete”. A diretora do IP-USP, professora Emma Otta, lembrou que muitos episódios da história da faculdade ocorreram sob as sombras daquela árvore. Para preservar sua memória, após a mudança dos cursos para o campus, um ramo da figueira foi plantado em frente ao prédio do Instituto de Geociências, e outro dentro do Instituto de Psicologia, entre a biblioteca e o Centro de Atendimento Psicológico.

O palacete foi demolido na década de 70, para dar lugar a um estacionamento. A figueira existe até hoje, é tombada como patrimônio estadual e tem descendentes no Butantã.

Saiba mais:
Centro de Memória do IP-USP: http://www.ip.usp.br/memoriaip/

Figueira da Glete: http://www.jardimdeflores.com.br/ESPECIAIS/A32figueiraglete.html

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