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Os discursos do corpo
(Performance: La Pocha Nostra)

Texto por Maria Eugênia de Menezes , publicado originalmente em Teatro Jornal

Fiel aos preceitos da performance, o La Pocha Nostra preocupa-se, essencialmente, com a criação de imagens em Spiritus Mundi versus Aztec Ouroborus. Na obra que foi apresentada dentro da programação da II Bienal Internacional de Teatro da USP, o grupo liderado pelo mexicano Guillermo Gómez-Peña trouxe cenas que procuravam comunicar-se com o público muito mais pela via imagética do que propriamente pelo discurso engendrado por seus participantes.

Ao longo de toda a encenação, a conjugação entre arte e ativismo político era explícita, constante. A partir de um workshop com artistas brasileiros, o La Pocha criou um trabalho que, como outros de sua feita, está concentrado em dissolver as fronteiras entre os gêneros artísticos. O que é (em essência) teatral surgiu acompanhado de vídeos e de interferências sonoras. Aproximou-se da lógica da instalação e do happening. Mas não é apenas na dissolução dos limites entre linguagens que esse coletivo se concentra. A organização, criada em 1993, vale-se da profusão de disciplinas para confundir também as bordas que ainda acreditamos existir entre artista e espectador, prática e teoria, realidade e ficção.

Ao longo de 90 minutos, todas essas noções são postas sob suspeita. As línguas se amalgamaram para formar um novo idioma, um estranho e familiar amontoado de inglês, espanhol e português. Da mesma maneira, as interferências em vídeo. Por vezes, focadas na criação de um contraste evidente entre o que ia à cena e o que tomava a tela, com o uso de imagens de filmes hollywoodianos ou claramente ligados a uma linguagem cinematográfica mainstream. Em outras situações, com a ambição de estabelecer um diálogo entre a imagem criada ao vivo e a imagem mecânica.

Fenômeno global, a discussão sobre identidades sexuais e o surgimento de indivíduos transgêneros vêm transformar as arraigadas noções que temos sobre feminino e masculino

A confusão entre caracteres distintivos de cada gênero é um dos meios do qual o La Pocha Nostra se vale amplamente. Com as balizas desestabilizadas, o público depara-se com o corpo masculino feminilizado pela ausência de pelos e pelos cabelos longos. Com o indivíduo com seios, mas genitália masculina sugerida. Com a mulher que tenta masculinizar-se. É essencialmente nos corpos de cada performer que a obra se dá. Todos os conceitos e ideias a circular expressam-se pela materialidade do corpo. Pela fragilidade, vulnerabilidade e força do corpo.

Tanto é assim que a proposta se fragiliza quando o discurso toma o primeiro plano. Na parcela final do trabalho, talvez em uma ânsia por entendimento completo ou pela tentativa de criar algum tipo de impacto emocional entre os espectadores, a violência expressa e sofrida pelo corpo torna-se pretexto para uma exposição de contornos objetivos e factuais. Em uma parede, uma projeção anuncia quantas mulheres foram vítimas de violência, quantas crianças submetidas à prostituição, quantos homossexuais assassinados em crimes de ódio. Dados sobre a violência contra povos indígenas ou as recentes medidas de repressão à ocupação das escolas paulistas pelos estudantes também vêm à tona. A mensagem política direta não é ponto a ser questionado. Mas seu propósito, quando tudo já havia sido dito de outras maneiras, talvez possa ser observado com alguma desconfiança.

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CALEN-
DÁRIO
22h
27 NOV
2015
Brasil
Espetáculo: Anatomia do Fauno
Sp Escola – Roosevelt
17h
28 NOV
2015
Brasil
Abertura da Bienal: Maria Arminda do Nascimento Arruda
TUSP - Teatro da USP
17h
28 NOV
2015
México
Conferência: Alberto Villarreal
TUSP - Teatro da USP
20h
28 NOV
2015
México
Espetáculo: O Rumor do Incêndio
TUSP - Teatro da USP
22h
28 NOV
2015
Brasil
Espetáculo: Anatomia do Fauno
Sp Escola – Roosevelt
20h
29 NOV
2015
México
Espetáculo: O Rumor do Incêndio
TUSP - Teatro da USP
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Agradecimentos Abílio Tavares, Abril Alzaga, Adriana Fragalle Moreira, Aline Rosa Lopes Santana Barros Dezio e equipe de compras Reitoria/USP, Beatriz Elena Paredes Rangel, Camila Rodrigues, Camilla de Carli, Carla Estefan, Cecílio de Souza, Celso Frateschi, Centro de Estudos Migratórios, Consulado Geral do México em São Paulo, Eduardo Alves, Elen Londero, Embaixada do México no Brasil, Flavio Desgranges, Flávio Pontes, Gabriel Salles, Giuliana Simões, Grupo Coordenador de Atividades de Cultura e Extensão Universitária do Campus de São Carlos, Guilherme Marques, Hamilton de Castro Teixeira Silva, Ileana Dieguez, Inerte, Ivam Cabral, Jean Carlo Cunha, João Marcos de Almeida Lopes, José Gerardo Traslosheros Hernández, Kil Abreu, Leticia Carvalho, Limão Rosa Café e Duilio Ferronato, Luis Carlos da Conceição, Mara Célia Ramos Teixeira, Marcelo Denny, Marcelo D’Avilla, Maria Arminda do Nascimento Arruda, Maria Fernanda Vomero, Mario Espinosa, Missão Paz, Movimento dos Teatros Independentes de São Paulo, Oscar Soberane Benítez, Pe. Antenor Dalla Vecchia, Pe. Paolo Parisi, Pedro Granato, Ricardo Pettine, Sandra Cristina Campos, Sesc Santos, Socorro Barbosa, Sonia Gra etti, Sonia Sobral, SP Escola de Teatro, Stenio Ramos, Sylvia Caiuby Novaes, Sylvia Moreira, Tuca Capelossi, Valdecir Gouvea, Valdir Previde, Vicente Mattos e Valmir Santos.